27 de jan. de 2012

O JEITINHO

Até quando vamos conviver com tragédias que resultam deste famigerado "jeitinho brasileiro"? Refiro-me a mais este desabamento de prédio no Rio de Janeiro, ao que tudo indica fruto da entativa de uma empresa de informática de dar um 'jeitinho' na falta de espaço das salas que ocupava no 9. andar. Pelas primeiras análises dos especialistas, a retirada de todas as paredes, inclusive àquelas de sustentação pode ter alterado o centro de gravidade do prédio e causou uma queda em toda a estrutura dos seis andares que ficava acima do que estava sendo reformado.
Com a queda dos andares acima o prédio quase que implodiu e arrastou, na sua queda para a morte, os dois prédios vizinhos que nada tinham a ver com esta irresponsabilidade. Claro, a obra era ilegal, sem qualquer tipo de licença ou fiscalização e, como sempre acontece, enquanto os responsáveis jogam a culpa, uns nos outros, as famílias das vítimas enterram seus entes queridos no meio de lágrimas, pedidos de justiça e choros que ficarão, prá variar, impunes em nosso país.
Este é o país do jeitinho. E o jeitinho continua levando vítimas e provocando dores. Mas parece que ainda não é o bastante para entendermos que atravessamos a pior crise moral de nossa história. Quando o homem só quer fazer o que é ético se o estado vigiar de perto.
Ora, mas a Ética é extamente se fazer o que é devido, mesmo que NINGUÉM nos esteja cobrando. O comportamento correto em função da possibilidade de punição ou repressão lícita, apesar de legal, não é ético, e nem faz de um povo que o seja.
Realmente, de jeitinho em jeitinho matam-se inocentes e morre a moral. Onde queremos chegar?

25 de jan. de 2012

UM QUASE VERÍSSIMO

Este texto anda sendo veiculado pela internet como sendo de Luiz Fernando Veríssimo. O famoso escritor mandou e-mail para os jornais afirmando que a autoria não é sua, mas a qualidade e realidade do que está escrito merece a nossa leitura e reflexão. Por isso, mesmo sendo um QUASE-VERÍSSIMO, vale a pena partilhá-lo:

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A nova edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo.

 
 
Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros...todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE.

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB . Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis? Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores) , carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.

Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo dia.

Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas
, entidades sociais e beneficentes, Ongs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).
Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas
pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$ $$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.


Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores)

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema...., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , ·visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade.


24 de jan. de 2012

SEM COMENTÁRIOS

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) vai apurar a responsabilidade dos hospitais na morte do secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Duvanier Paiva. Vítima de infarto na madrugada de quinta-feira, Duvanier morreu na terceira unidade hospitalar em que buscava atendimento em Brasília. A agência é responsável pelas operadoras de plano de saúde no País e fará a investigação nos hospitais a pedido do Ministério da Saúde. As visitas às três unidades – Hospital Santa Lúcia, Hospital Santa Luzia e Hospital Planalto – devem ser feitas ainda esta semana.

Os resultados serão somados à investigação que será conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal (DF), que também abriu um inquérito para apurar a morte do secretário. Os policiais querem saber se houve omissão de socorro. A resolução normativa nº 44 da ANS, de 2003, proíbe os hospitais de exigirem caução de pacientes que possuem plano de saúde conveniado a eles antes de oferecer atendimento. Mesmo sem ter o convênio com o plano de saúde do secretário, porém, os hospitais não poderiam negar socorro em caso de risco de vida para o paciente.
O Instituto de Defesa do Consumidor (PROCON) do Distrito Federal também vai apurar as responsabilidades dos hospitais no caso. Oswaldo Morais, diretor-geral do órgão, diz que os hospitais serão notificados por ofício a dar explicações sobre o que ocorreu com o secretário do Planejamento.
"Se o paciente está em risco de morte, ele deve ser atendido. Em seguida, a parte administrativa do pagamento é negociada. Mesmo que não haja uma reclamação formal da família, nós podemos fazer essa notificação. Esse tipo de processo pode gerar a aplicação de multas, que podem variar de R$ 414 a R$ 6,2 milhões. Mas, primeiro, precisamos ouvir os hospitais", afirma.
A mulher de Paiva contou a uma servidora do Planejamento ouvida pelo iG que os dois primeiros hospitais se negaram a atender o secretário porque ele não tinha cheques ou dinheiro no bolso. As duas unidades hospitalares não são conveniadas ao plano de saúde dele e exigiram garantias de pagamento pelos serviços antes da entrada.
De acordo com o relato dessa servidora, Paiva e sua mulher chegaram a procurar um caixa eletrônico para sacar cheque ou dinheiro, mas não conseguiram. No Hospital Santa Luzia, segundo que a mulher dele conta ter procurado, ela teria gritado que ele iria morrer, mas os atendentes se limitaram a dizer que “era o procedimento”.
No terceiro hospital, onde estava preenchendo formulário para ser atendido, Paiva desmaiou na porta e faleceu, mesmo após receber socorro. Para a família, o casal, por ser negro e estar sem dinheiro, pode ter sido vítima de discriminação.
Duvanier foi dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo (SindiSaúde-SP), da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e assessorou a presidência da Infraero.
(Fonte: IG)


Ele entrou no governo em 2007 a convite do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sob o comando da presidenta Dilma Rousseff e da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, ele conduziu as negociações salariais dos servidores públicos.



Em nota a presidenta Dilma lamentou o falecimento do servidor e disse que “sai inteligência, dedicação e capacidade de trabalho farão muita falta” ao governo.