31 de jul. de 2008

A SAÚDE EM TEMPOS DE GUERRA

Bom Dia!

A organização internacional Médicos sem Fronteiras decidiu adequar e distribuir o seu Manual de Segurança, usado para orientar profissionais de saúde em áreas de conflito, dentre toda a rede pública da cidade do Rio de Janeiro. Ou seja, na avaliação deste valoroso grupo de profissionais, que no desempenho da verdadeira vocação médica amenizam o sofrimento de tantas pessoas em tantos lugares do mundo que estão em conflito, o estado da arte na Cidade Maravilhosa alcançou o estágio de guerra civil. Que pena!
Vermos tantas imagens de governantes perambulando por capitais européias, projetando sonhos e divagando sobre mirabolantes projetos, enquanto o Rio, uma bela cidade, presenteada pela natureza com lugares tão bonitos, carece de segurança para sua população e, agora, para o próprio funcionamento de suas unidades de saúde.
Com certeza virão as críticas e os rebates do governo à iniciativa da organização humanitária. Ouviremos bravatas e a mídia dará destaque. Haverá apoio do governo federal ao poder local, dos ministros de Estado (em especial os que gostam de mídia) e por aí adiante. Porém, ações concretas para se reverter o quadro, estas não estarão e nem entrarão em pauta.
Além do que, em pouco tempo iniciará a temporada eleitoral, onde votos serão caçados em troca de promessas vazias, cestas básicas ou coisas similares. Os nossos políticos esquecem que a mesmice política não é acompanhada pela bandidagem, pois a violência só cresce com a impunidade e a corrupção generalizadas.
Ao invés de estarem frequentando cursos de especialização, os técnicos da saúde pública no Rio precisarão comparecer a treinamentos de sobrevivência na guerra. O Manual de Segurança, assim, é um triste, mais adequado, começo.

29 de jul. de 2008

PELO FIM DAS CRIANÇAS!

Bom Dia!

Mais um defensor da morte ocupa os espaços da BRITISH MEDICAL JOURNAL, nesta semana para defender, agora, o fim da geração de crianças, em nome da sobrevivência mundial. O professor de planejamento familiar (sic) do University College de Londres, o britânico John Guillebaund, defende que a oferta de alimentos e demais artigos básicos não acompanha o crescimento populacional, porque os seres humanos insistem em ter relações sexuais férteis e o planeta teima em não aumentar sua produtividade. A solução, para o professor é simples: aumentar e incrementar os métodos contraceptivos.
De uma forma descaradamente assumida, o professor deixa de lado as causas do problema e ataca os efeitos que são mais perceptíveis e podem viabilizar abominações, como a pílula do dia seguinte (já campeã entre as mulheres de até 19 anos na Europa, como já discutimos aqui).
O mundo não tem acompanhado o crescimento populacional, no campo da produção de alimentos porque os governos dos países mais ricos encaram a alimentação como uma COMMODITIE que deve gerar os lucros estabelecidos pelos acionistas. Por isso e em seu nome, colheita são reduzidas, grãos destruídos, produtos como o leite derramados em praça pública em nome do PREÇO! Os governantes omissos fazem vistas grossas a permanecem em infindáveis negociações que não asseguram aos países mais pobres o essencial: acesso aos alimentos e não às verbas que serão desviadas por seus governos ditatoriais e, em muitas vezes, corruptos.
A alimentação não é percebida como um direito básico do ser humano e um dos principais requisitos às ações de saúde de quaisquer países civilizados. Ela é uma forma, um meio para se auferir lucros por vezes exorbitantes. Entretanto, o professor britânico não sabe, ou não quer saber disto. Ele exorta, em mais uma destas tristes coincidências do setor Saúde, aos governos financiarem e promoverem campanhas de contracepção.
Ou seja, não se regulamenta o mercado para que o acesso justo e igualitário propicie o crescimento da humanidade. Prefere, o inglês, ser contra o nascimento de novas crianças e, para tal, se vale da teoria de Malthus acerca do crescimento da humanidade.
Pobre humanidade! Em seu nome tantas aberrações já foram e ainda são cometidas. Quantas personalidades querem defendê-la, atacando os seres humanos mais indefesos e que não têm voz para defendê-los!
Como se quer garantir o futuro da humanidade, eliminando as pessoas do futuro que são nossas crianças?

28 de jul. de 2008

UMA NOVA VISÃO PARA A SAÚDE PÚBLICA?

Bom Dia!

Os nossos irmãos patrícios, lá de Portugal, comemoram a melhoria dos resultados dos hospitais pertencentes ao sistema público de saúde, com 50% deles deixando o prejuízo e encontrando o equilíbrio financeiro. Esta reversão se deu após a autonomia administrativa concedida a partir da negociação e definição de um conjunto de metas e do orçamento individualizado para cada unidade hospitalar.
Este modelo de gestão já vem sendo usado em outros países, na Espanha por exemplo, há mais de uma década e, embora não signifique o fim dos problemas, permite o desenvolvimento das competências em cada hospital e um melhor atendimento ao seu paciente. A resolutividade deve estar acoplada, pois o orçamento é fechado e somente pode ser renegociado para o exercício fiscal seguinte.
O que existe demais neste modelo de gestão? Olhando superficialmente quase nada. Porém, se lembrarmos a gama de discursos retóricos, pseudo-ideológicos que prolifera no campo da saúde pública, entenderemos o enorme passo que foi dado em Portugal, buscando-se um sistema de qualidade e efetividade.
O governo perde a possibilidade de ingerência nas atividades diárias dos hospitais, mas ganha uma projeção orçamentária mais real e com maior controle. Quanto melhor se gasta o tributo do cidadão, em especial na saúde, maior é a expectativa de reconhecimento do povo, quanto à responsabilidade dos seus governantes. Ora, se tudo é bom, por que foi difícil implantar lá (e cá) este tipo de gestão?
A razão principal é exatamente a perda do poder de ingerência! Com o orçamento fixado, não há mais tantas oportunidades de se conseguir emprego para este ou aquele eleitor, esta ou aquela afilhada, e por aí vai. Não se pode mais direcionar compras e, assim, favorecer as empresas dos financiadores de campanha! Não se consegue tão facilmente, pois impossível é palavra que não existe no mundo da política partidária, obter-se vantagens pessoais com o dinheiro público, ao menos de forma tão escancarada como testemunhamos em diversos países.
Autonomia com responsabilidade é meta de qualificação do sistema de saúde público. Lá na terrinha do além-mar, ou cá, nesta terra tão cheia de contrastes. A pressão dos eleitores conseguiu a mudança lá. Aqui teremos, neste segundo semestre, mais uma oportunidade de exigirmos as nossas modificações. O que faremos?

25 de jul. de 2008

PORQUE HOJE É SEXTA FEIRA...

Bom Dia!

Precisamos surpreender as pessoas de quem gostamos (e também aquelas com quem convivemos). Hoje é o começo do merecido descanso semanal para muitos, embora outros trabalhadores tenham que se sacrificar para que o mercado não pare. Por isso, escutei hoje uma música que acho muito bonita e gostaria de repartir com vocês esta bela letra do Flávio Venturini, gravada inicialmente pelo conjunto Roupa Nova (recordar é viver!):

“TODO O AZUL DO MAR”
Foi assim, como ver o mar
A primeira vez que os meus olhos se viram no seu olhar
Não tive a intenção de me apaixonar
Mera distração e já era momento de se gostar
Quando eu dei por mim nem tentei fugir
Do visgo que me prendeu dentro do seu olhar
Quando eu mergulhei no azul do mar
Sabia que era amor e vinha pra ficar

Daria prá pintar todo azul do céu
Dava prá encher o universo da vida que eu quis prá mim
Tudo que eu fiz foi me confessar
Escravo do teu amor, livre para amar
Quando eu mergulhei fundo nesse olhar
Fui dono do mar azul, de todo azul do mar

Foi assim, como ver o mar
Foi a primeira vez que eu vi o mar
Onda azul, todo azul do mar
Daria pra beber todo azul do mar
Foi quando eu mergulhei no azul do mar

Foi assim, como ver o mar
A primeira vez que os meus olhos se viram no seu olhar
Não tive a intenção de me apaixonar
Mera distração e já era momento de se gostar
Quando eu dei por mim nem tentei fugir
Do visgo que me prendeu dentro do seu olhar
Quando eu mergulhei no azul do mar
Sabia que era amor e vinha pra ficar
Daria prá pintar todo azul do céu
Dava prá encher o universo da vida que eu quis prá mim
Tudo que eu fiz foi me confessar
Escravo do teu amor, livre para amar
Quando eu mergulhei fundo nesse olhar
Fui dono do mar azul, de todo azul do mar
Foi assim, como ver o mar
Foi a primeira vez que eu vi o mar
Onda azul, todo azul do mar
Daria pra beber todo azul do mar
Foi quando eu mergulhei no azul do mar.

24 de jul. de 2008

SOBRE ESTUDOS E ESTUDOS

Bom Dia!

É inegável a contribuição de diversos estudiosos no campo da saúde mental, para a evolução da compreensão da forma como age o nosso cérebro, o que ele esconde e quais as maneiras possíveis de serem usadas para superar traumas e minorar o sofrimento de tantos. Destacam-se além de psiquiatras, psicólogos que avançaram e muito nesta linha de cuidados, permitindo aos pacientes mentais serem reintegrados à sociedade e melhorarem sua qualidade de vida. Estes são estudos que agregam valor ao coletivo humano e propiciam à sociedade um significativo avanço.
Mas, como em todas as áreas do conhecimento humano, existem pesquisadores e pesquisadores, estudos e estudos. Gostaria de destacar um destes denominados estudos psicológicos que em nada agregam, ou até complicam mais ainda a busca pela melhoria da nossa saúde mental.
Refiro-me a "pesquisa" liderada pelo professor Richard Lynn, da Universidade de Ulster, na Irlando do Norte, e que chegou a "fantástica" conclusão de que: quanto maior o QI (Quociente de Inteligência), mais baixa será a religiosidade de um povo (fonte: www.bbc.co.uk), pois o ilustre professor sempre deixa mais mensagens subliminares do que textuais, ele afirma que: quem possui inteligência é ateu, ou seja, o conceito de Deus e a sua vivência são características de pessoas, digamos, menos dotadas de inteligência. Burras, na linguagem popular, tão sábia e tão pouco erudita como o eminente professor.
Este estudo foi realizado a partir da análise comparativa entre o QI médio de diversos países e a taxa de religiosidade dos mesmos. Sem entrarmos no mérito da imensa subjetividade envolvida nestas aferições, cuja certeza matemática nunca poderá alcançar a questão interna que motiva a religiosidade das pessoas humanas, eis algumas pérolas desta "pesquisa":
1. Nos países de QI entre 64 e 86, 98% da população acredita em Deus. Estes são os burros, na avaliação do professor Lynn.
2. Nos Estados Unidos, com QI médio de 98, cerca de 90% da população ACREDITA EM DEUS! Problemas? Não para o professor Lynn! Ele explica que, neste caso, como os americanos recebem muitos imigrantes cristãos e de outras religiões, eles são influenciados por estes (de QI menor, lembrem-se!).
3. Em Cuba, com QI médio de 85, mais de 60% NÃO ACREDITA EM DEUS! E agora? Nada derruba o "dedicado" professor: isto resulta da lavagem cerebral dos comunistas que levaram o povo a não seguir sua opção natural de burrice.
4. No Vietnã, o QI médio é de 94 mas o percentual de quem não acredita em Deus é de 81% e aí o professor usa novamente a ditadura de esquerda para "explicar" esta controvérsia.
Em resumo: ao invés de associar a religiosidade com os inúmeros aspectos positivos que ela traz à saúde física do ser humano, além da questão transcendental do espírito, este professor de psicologia da Universidade de Ulster prefere o estrelato pela polêmica vazia e sem agregar nenhum valor ao campo da Saúde.
Bem, o que podemos esperar de alguém que há certo tempo atrás conduziu uma outra "pesquisa" em que concluiu ser o HOMEM mais INTELIGENTE do que a MULHER? Por isso, cuidado com o que se lê e onde se lê! Há estudos e estudos, cabe a nós separarmos o "joio do trigo".

23 de jul. de 2008

A FELICIDADE DOS IDOSOS

Bom Dia!

Foram divulgados nos Estados Unidos os resultados e conclusões da Pesquisa Social Geral (General Social Survey), que é realizada através de entrevista telefônica, de forme periódica e continuada e envolve 50.000 cidadãos americanos, observado o perfil demográfico da população daquele país. E a maior das supresas é a interpretação de que comparativamente, as populações com mais de 65 anos se sentem e declaram ser mais FELIZES do que as faixas etárias correspondentes aos jovens e aos adultos jovens (ingressos no mercado de trabalho e maiores de idade: 16 anos para dirigir e 21 anos, total).
Os jovens estão ansiosos por se auto-afirmarem e, podemos perceber bem, estão terrivelmente pressionados pelo TER, associando ao bem material os conceitos de sucesso e felicidade. Também entre eles predominam as emoções ditas pelos psicólogos como ativas negativas (por exemplo, a raiva), enquanto nos idosos destacam-se as emoções PASSIVAS POSITIVAS (a serenidade é a líder dentre eles).
Os idosos estão mais voltados ao seu aperfeiçoamento enquanto pessoas e profissionais e, como comentei aqui ontem, trabalham porque amam o que fazem. Os jovens querem ter dinheiro, uma ascensão rápida e toda a pressão que a sociedade globalizada quer impor a todos eles (e está conseguindo segundo a pesquisa demonstra).
As análises derrubam o mito da felicidade entre os jovens e desloca este sentimento positivo para a população de mais de 65 anos! Que responsabilidade recai sobre nós, enquanto pais, em primeiro lugar, mas também na qualidade de gestores, professores ou lideranças em qualquer setor, organização ou coletivo! Que mundo esperamos encontrar se ele for construído por jovens infelizes, focadas apenas no possuir bens materiais, dominado pela tristeza e angústia? O quanto se perderá se o ardor juvenil, força motriz de todas as mudanças positivas ocorridas na história da humanidade, for exterminado por um consumismo desenfreado causado por uma globalização cega?
A pesquisa traz uma boa notícia (a felicidade dos idosos) e um tremendo desafio (o resgate de nossos jovens) para a sociedade contemporânea. Cabe a cada um de nós assumirmos nosso papel de agentes de transformação em nossas organizações e, principalmente, em nossos lares.

22 de jul. de 2008

A FELICIDADE NO TRABALHO

Bom Dia!

Pesquisa realizada nos Estados Unidos e divulgada pelo "The Washignton Post" no início deste mês, discute diversos temas que são considerados paradigmas em relação aos idosos, sua forma de encarar a dura realidade que atravessam em praticamente todas as sociedades contemporâneas e em relação ao trabalho. Gostaria de destacar hoje esta última questão.
Para os pesquisadores o paradigma era: os idosos com mais de 65 anos são obrigados a trabalhar, em especial pelas dificuldades financeiras que sofrem, além de outras causas em geral relacionadas ao sustento de seus familiares.
A surpresa veio de que a grande maioria dos idosos não atribui à questão financeira o fato principal de estarem trabalhando neste faixa etária, e sim ao fato de que... AMAM o que fazem! O trabalho para eles é uma forma de realização pessoal, de colocar seus dons ao serviço de uma coletividade e, claro, aferir proventos que lhes permitam viver e manterem-se independentes. Como para eles não existe mais a pressão da auto-afirmação, os idosos extraem, assim, prazer em estarem trabalhando e não dão as suas tarefas a carga de obrigação que tanto incomoda os trabalhadores mais jovens.
Quebra-se, assim, o paradigma da obrigatoriedade, substituindo-se pelo da alegria de se fazer o que gosta. Mais uma vez os nossos idosos nos trazem lições de vida insubstituíveis! Quantas vezes transformamos nossas vocações, ou seja, o exercício diário daquele dom que recebemos, numa enfadonha rotina de cuprimento de normas ou regras. Quantos momentos de criatividade são substituídos pela mecânica repetição de tarefas, procurando sumir no meio da multidão que nos cerca através da inibição de nossos talentos e, o que é pior, querendo acreditar que esta "imersão" nos protegerá daquele chefe mais hostil ou do outro incompetente mesmo! Que equívoco personalizar esta ou aquela empresa, como se um único CPF pudesse significar que esta é uma boa ou uma má organização para se trabalhar!
Os idosos nos ensinam a amar o que fazemos e, para conseguirmos, precisamos nos respeitar pessoalmente e aos que dividem suas habilidades conosco. Se o profissional não se respeita, como poderá requerer respeito de sua equipe e de seus dirigentes? Quantas vezes confunde-se cordialidade e bom clima, com ser "engraçadinho"! Querer agradar aos medíocres sendo "bobo da corte" não é, definitivamente, ter amor por sua vocação profissional e nem respeito próprio. respeite aos outros respeitando-se a si mesmo, esta é uma boa regra de ouro que podemos retirar das lições deixadas pelos idosos. Uma outra, pessoal, pode ser expressa assim: Olhe sempre em frente! Quem vive olhando para trás não consegue enxergar os perigos que estão a sua dianteira, por mais próximos que estejam ou maiores que sejam!

21 de jul. de 2008

O DESAFIO DOS TRÊS "R"

Bom Dia!

Lendo um recente artigo do Dr. Josier Vilar, publicado na revista "Homecare Brasil" (n.18 - Maio/Junho-2008), deparei-me com a seguinte afirmação, que dentre outras bem colocadas afirmações do Presidente do SINDHRIO, traduz um desafio que é de todo o Setor de Saúde Suplementar:
"Este é o nosso grande desafio: Fazer com que o "R" de Remuneração seja o somatório do "R" de Resultados Técnicos com o "R" de Reputação" (página 5).
De fato, foi preciso e cirúrgico o Presidente, pois conseguiu englobar diversos desafios numa nova equação de qualidade: o "R" de Resultados Técnicos não deve ser isolado apenas numa exigência de resolutividade dos prestadores de serviços, e sim na meta estratégica das operadoras de saúde. Se eu, comprador, não priorizo o resultado de saúde e assim saio da retórica e reuno no mundo real a melhor situação para o meu cliente e para a minha saúde financeira, não encontrarei no mercado estes Resultados valorizados. É a briga do cachorro com o seu rabo: eu afirmo que não existo e não priorizo os que oferecem, e por outro lado, os prestadores alegam que não priorizam resultados porque os compradores não exigem! Desta salada, espremido feito carne em sanduíche quem está? Ele, o centro do sistema, o maior esquecido deste mesmo sistema: o paciente-cliente!
Por outro lado, o "R" de Reputação deve ser urgentemente resgatado. Sim, a palavra é resgate, ou seja, buscar algo que nos foi tomado à força. O sistema nunca foi feito apenas de anjos, e sempre haverá os párias. O problema é que em nossos dias acha-se bem mais fácil este último grupo do que os verdadeiros profissionais. Chega de atores fantasmas na Saúde Suplementar! Quem realiza e quem compra, tendo presente as necessidades e expectativas dos clientes é que devem pautar os rumos do mercado, e não determinadas empresas que nunca aparecem, não possuem contrato e são sombras que dominam os custos e os problemas da Saúde.
Desta forma, o "R" de Remuneração é algo mais visível, perfeitamente quantificável e, o que é melhor, atrelado a uma qualidade que se pode mensurar. Não mais uma expectativa ou um desejo declarado, mas nunca demonstrado, e sim uma melhoria palpável e verificável por todos. É possível agregarmos valor ao nosso cliente comum, desde que tenhamos a coragem de assumir estes três "R" não como a imposição de um dos lados, e sim como a necessidade de todos os lados realmente sérios que participam deste mercado.

18 de jul. de 2008

PORQUE HOJE É SEXTA FEIRA...

Bom Dia!

A imposição do temor é uma prática, infelizmente, não tão rara nas empresas de ontem e de hoje. Alguns dirigentes travestem suas incompetências com uma truculência desmedida, que não lhes assegura domínio de nada, apenas o pânico e o medo dos seus comandados por algum tempo. Esquecem, ou melhor, não sabem estas viúvas de Hitler que das pessoas que se aterroriza não se extrai o melhor que elas têm para dar e sim os comportamentos de mera sobrevivência.
Para aqueles que desejam ser gestores firmes, decididos, mas justos, deixo-lhe algumas reflexões sobre este tipo de postura:


" Nós sabemos que o ódio, as divisões, as violências nunca terão a última palavra nos eventos da história".
(Bento XVI)


"Quereis ser felizes por um momento, vingai-vos; quereis ser felizes para sempre, perdoai."
Jean-Baptiste-Henri Lacordaire

Um bom final de semana!

17 de jul. de 2008

DIFÍCIL DILEMA...

Bom Dia!

Os publicitários encerraram ontem à noite o seu encontro anual, marcado por diversas críticas à proposta de regulamentação e restrição às propagandas de bebidas alcóolicas, alimentos e outros itens do pródigo rol de criação dos políticos em ano de eleições. Com discursos educados, temperados por vozes gentis, mas recheados de duras palavras, competentes profissionais se revezaram na defesa da lógica: liberdade de imprensa requer empresas de comunicação saudáveis financeiramente e independentes, isto se faz com patrocinadores, e estes são, em grande maioria ligados aos itens de consumo que se deseja limitar ou vetar. Perguntam então: como ter imprensa livre? E sem esta como se ter democracia?
Estão certos os publicitários quando defendem uma empresa livre de favores e patrocínios públicos, que jamais aparecem sem uma contra-partida amarga para todos. Também é verdade que qualquer governo de exceção, ou quqluer aprendiz de ditador, imediatamente subjuga e procura silenciar a imprensa, pelo imenso poder de formar opinião que esta possui. Portanto, manter uma imprensa saudável e autônoma é responsabilidade de qualquer cidadão que seja, verdadeiramente, democrata.
Mas, o problema é: como fazê-lo se a regulamentação permite que as peças publicitárias que vendem as drogas lícitas fazem-nos associando a elas: felicidade, segurança e, pasmem, saúde! Como trabalhar a juventude para evitar o excesso de bebida que leva a morte (vejam o efeito inicial da Lei Seca em números reais!), se as propagandas mostram modelos sarados, belas mulheres, muita, mas muita bebida, e todos em perfeito equilíbrio? Qual a mensagem que afinal esta propaganda quer fixar na mente do seu público-alvo?
E é este ponto que me parece falho no discurso dos nossos competentes publicitários. Não se pode discutir que o Estado quer transferir a responsabilidade que é sua, de reprimir os abusos a quem estiver em sua frente. Neste momento, os governantes querem atribuir às empresas de propaganda e aos seus criativos técnicos todo o peso do alccolismo, o que é um absurdo! Porém, não consigo identificar uma ação de limitação dos incentivos, no mínimo exagerados, que são apresentados como coisas ínfimas, sem repercussão à saúde das pessoas que bebem.
Talvez esteja faltando aquela palavra mágica, que tanto repito neste espaço: equilíbrio!
Vedar de forma total é uma transferência de responsabilidade? Então, prezados publicitários, apresentem o plano "B". Agora, se não há proposta de uma moderação na venda das bebidas pelas propagandas e peças publicitárias, e se não surgem mecanismos de controle da sociedade sobre tais campanhas, sinceramente, é melhor não vê-las do que tê-las invadindo os lares e incentivando os jovens a serem como este cantor famoso ou aquela atriz bonitona que dedica suas atividades diárias à rotina do álcool! Do que jeito que está não dá para continuar!

16 de jul. de 2008

A IMAGEM NO ESPELHO

Bom Dia!
Talvez vocês já tenham vivido a (triste) experiência de tirar fotografias para documentos ou inscrições, nestes lugares onde as fotos são instantâneas, e tomarem um susto quando as receberem reveladas! Parece que a criatura que nos fita de forma realista e direta nas fotografias é um perfeito estranho, jamais vemos refletida a nossa imagem cerebral. A fotografia, que náo tem lá a resolutividade ideal, capta a imagem da vida real e não aquela que fixamos em nossa mente como a aceitável.
Mas, o que isto tudo tem a ver com a nossa atividade de gestão?
Será que em nosso dia-a-dia estamos abertos para receber de nossas equipes, dos amigos verdadeiros, daqueles que colaboram de todas as formas com nossa gestão, as imagens reais de quem somos? Estamos preparados para olhar as fotos 3 x 4 de nossa gestão? Ou vivemos constantemente da imagem que fixamos em nosso cérebro daquele gestor que julgamos ser o ideal e com o qual, por acomodação e auto-proteção buscamos nos identificar? Num espelho, a imagem projetada é resultante da correção automática do cérebro, quando a sua posição, mas não esconde os "defeitos" que esultam de nossas exigências próprias. Em geral, quando a imagem no espelho não agrada eu mudo a posição com que me observo, ou mudo de espelho! Na fotografia a imagem é captada de acordo com a resolução da máquina que a tirou. Não tenho como influir no resultado final. Na gestão, a imagem que tenho de mim mesmo pode até me acomodar por algum tempo, ou me iludir a respeito do que realmente produzo como administrador. Mas, a verdadeira imagem é aquela que obtenho da avaliação da equipe que comando e dos resultados que alcanço. Não há imagem retocada, ou artifício de computador, que resista aos resultados e a avaliação da sua equipe. A imagem do espelho pode ser mudada, a da fotografia pode ser alterada pelo "fotoshop". Porém, a imagem que construímos junto aos nossos comandados persiste e sobrevive aos tempos difíceis, às crises do mercado e aos nossos momentos de tropeços. Basta sabermos ouvir de forma correta aquilo que as equipes transmitem pelos canais que disponibilizamos para elas.

15 de jul. de 2008

BARULHOS NOTURNOS

Bom Dia!

A OMS divulgou um protocolo acerca da prevenção quanto aos barulhos noturnos, em especial para as pessoas que vivem em grandes centros, próximas às rodovias mais movimentadas, ou às linhas ferroviárias ou aos aeroportos. O estudo alcança também quem reside em ruas bastante movimentadas e, por isso, barulhentas toda a noite. Os ruídos não são os exclusivamente oriundos do tráfego, mas é possível identificarmos nos três tipos de movimentação acima citados (automóveis, trens e aviões), os fatores que mais preocuparam os pesquisadores.
Barulhos noturnos oriundos destas situações estão associados à irritação, menor capacidade de rendimento no trabalho, aumento do uso de medicamentos e foram vinculados em alguns casos ao surgimento de doenças cardiovasculares.
Em quantidades menores detectou-se o aumento dos batimentos cardíacos, estado de ansiedade, trocas das fases do sono, alterações hormonais e despertares súbitos. Numa incidência ainda pequena e sem estudos aprofundados, infartos do miocárdio ocorreram em pessoas expostas a estes fatores de risco à saúde.
O estudo da OMS não deve nos assustar ou provocar uma desenfreada corrida em busca de outro lugar para morar (situação não tão fácil e nem acessível em nosso país), mas sim uma reflexão sobre o crescimento dos centros urbanos e a imensa falta de planejamento que os atinge. As cidades não são pensadas e nem construídas para seus habitantes, seus clientes. Elas refletem muito mais a ganância das grandes construtoras, recebida com bastante benevolência pelso governantes de plantão. A ampliação desorganizada de canteiros de obras, espalhados por vias que já não suportam nem os habitantes atuais, e a falta de intervenção em saneamento, são pequenos exemplos desta bomba de efeito retardado que vem sendo implantada nos mais distintos centros do país. No Estado do Rio de Janeiro, é bastante preocupante a situação do município de Niterói. Crescem os canteiros de obras, crescem os veículos que (tentam) trafegar, ambos numa proporção quase geométrica, em total oposição à realização de obras de infra-estrutura pelo poder municipal que anda à velocidade nula!
O planejamento urbano é uma questão intrínseca à Saúde Coletiva. Crescer desordenadamente causa o inchaço dos bolsões de pobreza, alimenta de forma indireta o poder dos traficantes que subjugam as populações mais pobres e marginalizadas, transformando as comunidades em guetos sob o domínio do crime. Agora, a OMS prova que este crescimento desordenado também impacta sobre o equilíbrio sanitário, não apenas dos mais pobres, tão esquecidos das políticas públicas de saúde (ainda que tão lembrados pelos POLÍTICOS que ganham votos com discursos de saúde), mas também as classes mais acima na pirâmide social. É preciso reinvindicar a inclusão desta questão na pauta das eternas discussões de saúde. Vale também rezar para que o Sr. Ministro da Saúde, entre uma campanha e outra televisiva, tenha tempo de se debruçar sobre as questões mais centrais da prevenção e promoção à saúde.

14 de jul. de 2008

A PÍLULA DO DIA SEGUINTE

Bom Dia!

Estudos desenvolvidos na Europa, pelo Centro de Ginecologia e Sexologia da Universidade de São Rafael (Milão), apontaram que 55% das mulheres que usam a pílula do dia seguinte estão na faixa etária INFERIOR aos 20 anos. A principal razão apontada é a crença destas jovens de que a pílula do dia seguinte é o contraceptivo de maior segurança e permite a maior "liberdade sexual" para elas.
Ainda segundo o mesmo estudo, divulgado pela Diretora do referido centro, Alessandra Graziottin, o marketing usado para a venda e comercialização da pílula criou nas mais jovens uma sensação de autonomia e independência que deixou "falando sozinhos os pais e a escola no que se refere à educação e prevenção". O crescimento das vendas, sucesso absoluto das grandes indústrias farmacêuticas, chegou a 59% de crescimento, dos quais 23% somente em um ano (entre 2006 e 2007), impulsionadas em especial pelas jovens com 19 anos ou menos!
Por outro lado, os ginecologistas detectaram um aumento, no mesmo período, do número de doenças sexualmente transmissíveis (DST) que cresceu mais de dez vezes nos jovens abaixo dos 20 anos de idade. Ou seja, criou-se uma aura em torno da pílula do dia seguinte de que seu uso dispensava a camisinha e dava ao jovem a sensação de "liberdade" que a propaganda desejava associar.
As consequências deste aumento de casos de DST sobre as vidas destes jovens, sobre os filhos que forem gerados destas aventuras e sobre a Saúde Pública nós acompanharemos ao longo desta próxima década.
A ausência de diálogo com os pais sobre sexo e prevenção é comum entre as jovens que usam a pílula, pois apenas 26% delas falam com a mãe sobre este tema. Se considerarmos que o fato de conversar sobre isto não quer dizer ACEITAR as orientações recebidas, o quadro torna-se ainda mais assustador. Isto acontece na Europa, costumeiramente apontada como possuidora de um nível educacional e cultural mais elevado do que o nosso. Onde está o problema?
Os sistemas de saúde e seus gestores insistem em esquecer das intervenções não-técnicas que formam os valores familiares e contribuem para as posições dos jovens nas sociedades onde vivem. O quadro apontado pela pesquisa é mais do que assustador: é uma derrota para a Saúde Pública. O conceito de liberdade não pode estar associado a comportamentos irresponsáveis, exercidos nos limites dos riscos à saúde própria e de terceiros, sob a égide de que a globalização trouxe novos conceitos acercda de liberdade e responsabilidade.
Ou retomamos uma discussão e conceituação mais rígida sobre comportamentos responsáveis dentro do sistema de saúde, ou devemos aceitar de forma explícita que na questão da preservação da saúde dos jovens optamos por ficar como um barco de papel num mar em fúria: apenas esperando para ver o tamanho da tragédia!
É lamentável que uma jovem de menos de 20 anos ache que a promiscuidade sexual, permitida por uma pílula abortiva e fortemente prejudicial a sua própria vida, seja a maior expressão de liberdade. É aterrador que indústrias farmacêuticas e seus prosélitos possam disseminar o uso desta pílula como conquistas da sociedade humana, sem regulação estatal e sem limites. É triste acompanhar a omissão das autoridades públicas encarregadas de gerir a saúde da coletividade.
Ah, para não esquecer, dentre as jovens de menos de 20 anos que usam da pílula, o maior segmento é das adolescentes com até 15 anos! Quanta liberdade ou quanta tragédia?

11 de jul. de 2008

PORQUE HOJE É SEXTA FEIRA...

Bom Dia!

Quantas vezes ouvimos reclamações de gestores de que estão sendo tolhidas suas criatividade e autonomia! Algumas empresas, neste começo de Século XXI, parecem estar sofrendo de uma crise tardia de adolescência, suprimindo alçadas e impedindo os gestores que atuam no nível tático de agirem. Parece que a MUDANÇA INTERNA assusta mais os dirigentes estratégicos destas organizações do que as aceleradas MUDANÇAS EXTERNAS!
Pois bem, para que todos reflitamos neste final de semana, deixo-lhe com um ensinamento do gestor JACK WELCH:

"Se o nível de mudança interno está abaixo do nível de mudança externo,
O COLAPSO É IMINENTE".

O grifo é nosso. O problema de sobrevivência é de todos os que não observarem esta questão!

10 de jul. de 2008

DESESPERAR, JAMAIS!

Bom Dia!

Sabe aqueles dias em que você está cansado com sua organização? Ou que as metas parecem longos caminhos em que você não consegue enxergar o fim? Parece que nem mesmo os colegas entendem sua linguagem? Seus dirigentes não correspondem as suas expectativas?
Bem, este é o momento de inflexão de uma carreira profissional!
Normalmente um novo administrador está tão empolgado com sua promoção que começa a criar quase que um universo paralelo em torno de si: todos te admiram (segundo você); teus chefes te consideram (ainda segundo a mesma fonte); tudo em que tu tocas se transforma em ouro (segundo o Rei Midas). Quase que sem perceber, o nosso EGO, a Santa Vaidade Gerencial vai se alojando nas rotinas dos novos gestores até encontrar o maior remédio deixado por Deus para quem dirige qualquer organização: a REALIDADE, o famoso MUNDO REAL!
A Vida é difícil porque resulta de uma complexidade de interações de toda natureza e com seres humanos que discursam sobre o respeito ao coletivo, mas sempre querem colocar seus interesses individuais em primeiro lugar. Mas é desta complexidade que advém a sua beleza. Mais ainda, graças a esta imensa complexidade que é gerir grupos para alcançar objetivos estratégicos, a presença do gestor sempre, repito, sempre se fará necessária!
O aprendizado é duro. O caminho é espinhoso. Os desafios pessoais e profissionais beiram o limite entre racionalidade e irracionalidade... Mas é o momento deste choque com a REALIDADE que irá determinar nosso sucesso ou o fracasso como administrador! Temos todo o direito de nos entristecermos quando os castelos e a empolgação da primeira hora se desvanecem em nossas mãos. Claro, não somos feitos de ferro. Porém, o verdadeiro gestor é aquele que consegue utilizar e transformar os momentos de decepção em aprendizado, a raiva em combustível para mudanças e as intempéries como oportunidades de mudanças profissionais e, principalmente, pessoais.
Por isso, como já disse o poeta, entristecer sim, mas "desesperar, jamais! Aprendemos muito nestes anos!"

8 de jul. de 2008

VELHOS (MAUS) HÁBITOS

Bom Dia!

Mal se propagam notícias não tão boas sobre a área de Saúde em nosso país e já se reiniciam as especulações sobre a queda do Ministro Temporão. Como este adora falar o tempo todo, e na política quanto mais se aparece mais pancada se toma (dos amigos e dos inimigos), forma-se a situação perfeita para o ressurgimento dos rumores. Agora é o deputado Chinaglia (PT-SP) que estaria cotado para assumir a pasta numa eventual imolação ou fritura pública do ministro.
Ah! Como seria bom se nossos dirigentes políticos ao menos fossem criativos. Criassem novas formas de resolver problemas, por exemplo, buscando as soluções! Que coisa boa seria viver num país assim!
Com todas as críticas que merece o nosso ministro mais televisivo de todos, não é justo atribuir-lhe de forma pessoal toda a gama de desarranjos e falta de soluções estruturais que afeta o nosso Sistema Público de Saúde, o SUS. É descabido fazer a população acreditar que a simples mudança de um nome fará tudo ser diferente. Óbvio que a visão gerencial e a marca pessoal do gestor são fundamentais na área empresaril, em especial na Saúde. Claro que a capacidade de fazer aliados e escolher bem os inimigos dá a medida certa de sucesso ou fracasso na política. Mas esperar que sem adoção de medidadas rigorosas e profissionalizantes, este ou aquele CPF faça diferença para o SUS é, no mínimo, sonhar demais!
Assustador é acreditar que esta eterna repetição dos velhos (e maus) hábitos será capaz de iludir a opinião pública o tempo todo. Até quando isto será verdade? Ou não, como dizem os irmãos baianos?
Um sistema de saúde necessita de pilares sólidos e de um projeto estratégico claro, assumido por todos os seus gestores, do maior ao menor escalão, e calcado sobre um financiamento que lhe permita cuidar de suas populações expostas a riscos, minimizar os agravos nos sinistrados e otimizar o consumo dos crônicos pela promoção da Saúde. Bons hábitos são bem recebidos, pois agregam qualidade a este trabalho. Maus hábitos, e tudo o que for mal, deve ser jogado no lixo da História, para dele jamais voltar!

7 de jul. de 2008

GESTÃO ULTRAPASSADA?

Bom Dia!

Refletindo acerca do Relatório do Banco Mundial elaborado no começo de Junho deste ano, o Ministro da Saúde José Temporão definiu a "gestão dos estabelecimentos (hospitalares) como anacrônica e atrasada" (O ESTADO DO PARANÁ, Cintia Végas, 06/07/2008). Considera que este fato não é novidade, mas classifica-o como importante fator do sofrimento das pessoas mais carentes que usam o SUS.
Não quero discutir o mérito ou a qualidade dos gestores hospitalares. Porém, preocupa-me a discussão segmentada do problema. Não querer contextualizar a crise que inflige as unidades hospitalares do SUS, dentro da própria desorganização estrutural e gerencial a que se lançou o sistema nestes últimos anos chega a ser irresponsável!
Como exigir de um gestor hospitalar, responsável por uma estrutura de alta complexidade e, por isso mesmo, com reduzido número de leitos e materiais ao seu dispor, que dê solução a uma demanda três ou quatro vezes superior à projetada? Como atribuir a uma deficiência pessoal a não reposição de materiais de custeio para equipamentos, advindos de orçamentos elaborados em sua grande maioria sem a participação dos gestores? De onde vem a idéia de que administradores hospitalares são super-heróis ou mesmo mágicos, capazes de fazer surgir do nada os insumos que lhe foram arbitrariamente cortados pela política fiscal do município, ou do estado, ou da União, sem se considerar a complexidade da praça onde se situa a unidade?
E o que é pior: como esperarmos uma solução estruturante, quando o próprio Ministra da Saúde, o maior dentre os administradores de saúde do país, desconhece ou não considera em suas declarações públicas a gravidade e complexidade do problema?
A mídia já demonizou os hospitais públicos, portanto é muito fácil atribuir-lhes as mazelas que são de sua responsabilidade, e outras tantas, em grande proporção fora de suas governabilidades. Uma discussão séria sobre o problema das unidades hospitalares não pode ser efetuada de forma segmentada, esquecendo-se que tais entidades são componentes importantes na construção e consolidação de um Sistema de Saúde Público.
Chega de procurar culpados! Devemos colocar todas as nossas experiências e forças na identificação e construção de pontes que liguem o anacrônico quadro de troca de acusações na gestão pública deste país a uma nova situação de profissionalização em que se busque agregar valor aos nossos pacientes e usuários.

4 de jul. de 2008

BOAS NOVAS MÁS NOTÍCIAS

Bom Dia!

O título parece estar confuso, e está mesmo! É que a confusão intencional tenta refletir o sentimento de qualquer gestor em saúde na data de hoje, após ser divulgada a Pesquisa Nacional de Demografia em Saúde (PNDS), realizada pelo CEBRAP, com apoio do Ministério da Saúde, em sua terceira versão, mensurando o período entre 1996 e 2006.
Vejam só:
- Reduzimos a mortalidade infantil em 44% nesta década, o que é uma notícia extremamente feliz, PORÉM 20% das crianças nascidas vivas morrem ANTES de completar um (1) ano!
- Alcançamos 96,4% de cobertura das consultas pré-natais, ou seja, estamos visulizando e atendendo quase que a totalidade das mulheres gestantes no país, PORÉM 1,6% das crianças vivas têm DESNUTRIÇÃO AGUDA, e este indicador, que pode parecer pequeno aos desavisados está bem abaixo do mínimo aceito pela Organização Mundial de Saúde (OMS);
- Cerca de 62% das famílias brasileiras já podem ser consideradas fora da área de perigo da fome, entretanto 10% das mulheres brasileiras têm dificuldades para cuidar de si mesmas e dos seus filhos por não terem acesso às políticas públicas. A Causa principal desta última questão: o ANALFABETISMO. E, no caso destas mulheres analfabetas, 16% dos filhos deste grupamento possuem DESNUTRIÇÃO CRÔNICA, que não leva à morte, mas afeta profundamente o desenvolvimento e a saúde destas crianças.

Não se pode negar o quanto avançamos nestes dez anos. Porém, é impossível esquecermos o quanto ainda estamos para trás. Antes de escutarmos os discursos e as entrevistas dos nossos governantes-astros, é bom tomarmos um chá de consciência própria e percebermos que a nossa responsabilidade como cidadãos vai além de nos sentirmos sensibilizados com esta questão.

3 de jul. de 2008

REAPARECEU A MARGARIDA!

Bom Dia!

A classe política mundial, não apenas a nossa, sempre acredita que ultrapassado o tempo em que a população está impactada por alguma tragédia, é possível aprovar qualquer tipo de Lei, por mais aberrante que seja seu conteúdo, e mesmo que verse sobre a razão do drama sentido por seus eleitores. Pois bem, mais uma vez a nossa classe política retoma esta lei não escrita. A Câmara de Deputados recomeçou ontem, 02 de julho, a discussão sobre a Lei do ABORTO. De novo ela reaparece com o pretexto de descriminalização, para que possa permitir a toda e qualquer mulher, depois dos 17 anos praticar este horrendo crime. Eles esperaram, pacientemente, que a população diminuisse o clamor pelo violento homicídio contra nossa pequena mártir paulista, para reiniciar esta discussão.
Desculpem-me, mas isto é uma covardia! Se a Lei é tão justa, se ela traz benefícios reais às mulheres, se ela é como diz o nosso Ministro da Saúde benéfica para a Saúde Pública (sic), porque o silêncio total de quase quatro meses? Por que se retirou da televisão a campanha pró-aborto durante as reportagens sobre o homicídio cruel, frio e violento que se praticou contra uma criança de seis anos?
Será que a causa poderia ser o risco da população perceber que estamos falando de uma mesma matéria? Será que houve temor que nossos eleitores entendessem que jogar uma criança de uma janela é a MESMA COISA que jogá-la para fora de um útero? Será que as pessoas iriam finalmente entender que os fetos são vítimas silenciosas e, por isso mesmo, muito mais frágeis e merecedoras de proteção do que a adorável menina que já falava, cantava, dançava em frente às câmeras de vídeo e, nem assim, sensibilizou os monstros que ceifaram sua vida?
Quando nós entenderemos que o feto, em qualquer estágio ou tempo de gestação, demanda de nós proteção, carinho, calor humano e amor, numa escala muito maior do que as crianças que já conseguem manifestar seus desejos?
Pois bem, os deputados acreditam que a população já esqueceu a tragédia e a violência. E, se isto for verdade, eles conseguirão aprovar a matança legal dos fetos. Nós temos diversos conhecidos em nossos locais de trabalho, ou vizinhos, ou amigos da pelada, ou amigas do clube, ou diversas outras formas de pressionarmos estes parlamentares.
Quem está a favor do aborto, pode participar do julgamento dos assassinos de Isabela e votar pela absolvição deles. Afinal, muda apenas o tipo penal, a forma como foi cometido o homicídio. Mas a natureza do crime contra a vida é a mesma.

2 de jul. de 2008

A VIOLÊNCIA E A SAÚDE

Bom Dia!

O Jornal O GLOBO na sua edição de hoje veicula matéria sobre a redução do número de homicídios na cidade do Rio de Janeiro em Abril deste ano, comparado a diversos outros anos. Caímos de 572 assassinatos em 2007, para 468 em 2008. Foram 109 vidas a menos ceifadas nestes episódios violentos de ataque à vida humana. Somente são computados os delitos classificados como homicídios (dolosos ou culposos).
Temos algo a comemorar?
As operadoras de saúde, de uma forma geral, estão passando ao largo desta questão, como se as vítimas que pertencem as suas carteiras fossem tratadas em outro planeta. A violência é um importante fator de desestruturação do Estado democrático de Direito, amplia o medo social e gera impactos econômicos e financeiros nos planos de saúde.
O problema é que a grande maioria dos gestores não percebe que empresas de serviço estão intrinsecamente associadas à malha social da nação, quer queiram ou não, quer gostem ou não desta realidade. Da mesma forma que não deveríamos jamais nos omitir de toda e qualquer discussão voltada para a qualificação do setor, seja ela promovida pela agência reguladora (ANS), seja ela de iniciativa de um segmento (como o trabalho que vem sendo desenvolvido pelo SINDHRIO, por exemplo), também não deveríamos olvidar a questão da segurança.
Manifestamos nossas preocupações em ações, às vezes até participamos de manifestações públicas, mas, onde estão as ações corporativas e efetivas? Quais os compromissos concretos assumidos? Até quando pensaremos não ter nada a ver com esta importante questão?