Bom Dia!
Quando eu era criança, a televisão costumava usar o refrão do campeão de audiência pra despertar em nós a curiosidade e ansiedade pelo que viria a seguir. Já aceitávamos que o ‘enlatado’ (assim denominavam-se os filmes e séries importadas dos Estados Unidos) seria sensacional e traria bons momentos para todos nós, ávidos espectadores.
Bem, já faz décadas que isto aconteceu. Porém, adulto e gestor na área de saúde, descobri que as Indústrias Farmacêuticas e seus micos adestrados, os propagandistas, retomaram a tática do campeão de audiência, usando-se não mais de películas inocentes e despretensiosas. Eles passaram a apresentar aos médicos e através destes aos pacientes, os remédios como novos ‘campeões da saúde’.
A medicalização que se costuma associar ao balcão da farmácia, local onde encontra sua face visível mais perigosa, nasce no consultório do médico. E exatamente a crença de que sempre um remédio faz somente o bem (o que inexiste), produz medicações que explodem os cofres das indústrias mais poderosas e livres de sanções de todo o Planeta Terra, e também ajudam a implodir os indicadores de saúde da população que os consome.
Agora, mais uma vez, problemas de um campeão de audiência.
O medicamento AVANDIA, do laboratório britânico Glaxo Smith Kline (GSK), prescrito para combater a diabetes e alardeado como ápice desta linha de fármacos, possui um terrível efeito adverso: ele aumenta o risco de problemas cardiovasculares, segundo a análise dos resultados de 50 testes clínicos realizados em Cleveland (EUA), pela “Clinic Foundation” e divulgados na segunda-feira (dia 28) e que confirmam estudos anteriores.
O risco aumenta de 28% a 39%, mas o número ainda não está associado a uma elevação da taxa de óbitos. Ou seja, por enquanto, já sabemos que ele piora o problema cardíaco, ainda que não possamos afirmar que mata. Ufa! Ainda bem. Ainda bem?
O que acontecerá com os pacientes que dele fazem uso? Serão indenizados pela poderosa indústria? Afinal, não tiveram perdas em suas vidas pessoais pela prescrição de algo que traz mais sequelas danosas do que benéficas?
Alguém acredita em punição para a indústria, ou mesmo que ela, dona das pesquisas, já não conhecesse este efeito danoso e perverso? O melhor remédio é a saúde. Que pena fazermos este discurso apenas para falarmos algo socialmente aceito por todos. Se realmente acreditássemos e exigíssemos mais saúde e menos remédios, poderíamos falar da longevidade como uma extensão de qualidade as nossas vidas. Por enquanto, a única certeza que tenho é de que outros ‘campeões de audiência’ virão por aí...
GESTÃO DE PROCESSOS, DE PESSOAS, DE RECURSOS. POLÍTICA E ÉTICA NA SAÚDE E SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA. CRESCIMENTO PESSOAL E PROFISSIONAL DE TODOS OS QUE TRILHAM, OU DESEJAM PERCORRER O DESAFIANTE CAMINHO DA ADMINISTRAÇÃO.
30 de jun. de 2010
25 de jun. de 2010
MUDAR PARA VENCER
Boa Noite!
Após mais um jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo, no qual o famoso locutor da Globo (TV) fez uma construção pirotécnica para tentar descobrir algo positivo no medíocre empate com Portugal, uma frase do comentarista chamou-me atenção: "a seleção é previsível". No jargão do futebol isto quer dizer: o técnico é incompetente (não acredito ser o caso), ou ele é covarde, ìnsensível às necessidades de mudanças.
De fato, o nosso compatriota Dunga esbraveja, xinga, dá socos no ar, rodopia à beira do gramado, tem crises histéricas, mas... não muda!
O máximo que ele fez até agora é retirar de campo um jogador (sempre machucado, mesmo que esteja com uma péssima atuação), colocando em seu lugar outro atleta da mesma posição, função, características e estilo de jogo. Ou seja, ele apenas admite, em casos extremos, trocar o SEIS pela MEIA DÚZIA. Esta é a grande falha do comando da nossa seleção. E poderá nos custar o campeonato.
Ter medo da mudança é natural. Significa apenas que somos seres humanos normais, criados com os pés no chão e cientes de que o processo de mudança requer da nossa atenção, do nosso corpo e da nossa atuação, uma concentração acima da usual, uma dedicação muito além da rotineira, uma capacidade preparada ao longo de um tempo chamado de maturação.
Mas não mudar, ou pior, não querer mudar, é mais do que incompetência, chega a ser estupidez.
As coisas que deram certo lá trás, ficaram para trás. Devem ser lembradas nos álbuns e arquivos de fotos, mas não podem virar nossas verdades absolutas, em especial para prepararmos o futuro. Mudar quer dizer estar vivo, atento ao macroambiente no qual estamos inseridos e, principalmente, reconhecermos a força e a competência dos concorrentes.
Mudar é manter ascendente a nossa trajetória de vida pessoal e profissional, direcionando-a sempre ao topo da escada do trabalho: o sucesso. Quando resistimos às mudanças, ou desprezamo-las, estamos nos jogando nos braços da 'sorte'. Eu não acredito nesta última. Por isso, ao contrário do teimoso treinador, prefiro seguir a receita mais simples do sucesso, venha ele a acontecer ou não: trabalhar e mudar; mudando para trabalhar melhor.
Após mais um jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo, no qual o famoso locutor da Globo (TV) fez uma construção pirotécnica para tentar descobrir algo positivo no medíocre empate com Portugal, uma frase do comentarista chamou-me atenção: "a seleção é previsível". No jargão do futebol isto quer dizer: o técnico é incompetente (não acredito ser o caso), ou ele é covarde, ìnsensível às necessidades de mudanças.
De fato, o nosso compatriota Dunga esbraveja, xinga, dá socos no ar, rodopia à beira do gramado, tem crises histéricas, mas... não muda!
O máximo que ele fez até agora é retirar de campo um jogador (sempre machucado, mesmo que esteja com uma péssima atuação), colocando em seu lugar outro atleta da mesma posição, função, características e estilo de jogo. Ou seja, ele apenas admite, em casos extremos, trocar o SEIS pela MEIA DÚZIA. Esta é a grande falha do comando da nossa seleção. E poderá nos custar o campeonato.
Ter medo da mudança é natural. Significa apenas que somos seres humanos normais, criados com os pés no chão e cientes de que o processo de mudança requer da nossa atenção, do nosso corpo e da nossa atuação, uma concentração acima da usual, uma dedicação muito além da rotineira, uma capacidade preparada ao longo de um tempo chamado de maturação.
Mas não mudar, ou pior, não querer mudar, é mais do que incompetência, chega a ser estupidez.
As coisas que deram certo lá trás, ficaram para trás. Devem ser lembradas nos álbuns e arquivos de fotos, mas não podem virar nossas verdades absolutas, em especial para prepararmos o futuro. Mudar quer dizer estar vivo, atento ao macroambiente no qual estamos inseridos e, principalmente, reconhecermos a força e a competência dos concorrentes.
Mudar é manter ascendente a nossa trajetória de vida pessoal e profissional, direcionando-a sempre ao topo da escada do trabalho: o sucesso. Quando resistimos às mudanças, ou desprezamo-las, estamos nos jogando nos braços da 'sorte'. Eu não acredito nesta última. Por isso, ao contrário do teimoso treinador, prefiro seguir a receita mais simples do sucesso, venha ele a acontecer ou não: trabalhar e mudar; mudando para trabalhar melhor.
24 de jun. de 2010
CHEGANDO AO LIMITE DO ABSURDO
Bom Dia!
Diversos noticiários nos trouxeram, nas reportagens vespertinas de 22.10, informações acerca do ataque realizado por um travesti a duas enfermeiras de um hospital em Ceilândia - Brasília(DF). Uma delas foi vítima de uma violenta mordida e a outra sofreu ao menos quatro picadas de uma seringa na qual o homossexual havia colhido seu próprio sangue, ele que é portador do vírus HIV.
Ou seja, com a ação ele pretendeu inocular nas duas funcionárias do hospital que pertence à rede SUS, o vírus fatal, razão pela qual deverá responder por dupla tentativa de homicídio. Uso o verbo no condicional porque não sei se ele será denunciado ou se as vítimas serão responsabilizadas pela razão alegada pelo travesti para atacá-las: o atendimento a ele estava demorando 'muito'.
Tenho uma deficiência pessoal e por isso não consigo quantificar o que seja MUITO, POUCO, BASTANTE, ALGUNS e por aí vai. Para mim são conceitos abstratos, subjetivos e que, em virtude destas características, não me dizem nada, não me transmitem nada.
Mas, com demora ou sem demora, é lícito a um homossexual tentar inocular o vírus HIV, destruir as vidas pessoais e profissionais de duas mulheres trabalhadoras talvez para o resto de suas vidas, pelo fato de estar 'demorando' seu atendimento? Baseado em que se chega a tal ponto em nosso país?
A resposta é simples quanto à formulação e complexa quanto á essência.
A agressão repousa no sentimento de impunidade que campeia em nosso país. E especificamente no caso do travesti, no bombardeio e liberalidade que vem assolando o nosso país nestes últimos anos. O exemplo disso mais forte é a passeata gay realizada em São Paulo, em plena Avenida Paulista. É o sexo desenfreado e ao céu aberto, o consumo de drogas lícitas e ilícitas, realizadas de forma oculta aos policiais presentes, mas sempre com a complacência da mídia que, quando quer, tudo vê.
O travesti julgou-se acima de tudo e de todos, pois é exatamente esta a mensagem que vem proliferando os nossos meios de comunicação. Num total desrespeito ao fundamento básico de uma democracia: direitos iguais para todos os cidadãos no pleno exercício de seus direitos constitucionais.
Após o impacto que o crime provocou na imprensa, a vida das duas bravas enfermeiras ficará por conta delas. Sofrerão sozinhas e com suas famílias, sem o apoio do Estado, da mídia, ou do Ministério da Saúde de quem são funcionárias indiretas (pelo SUS). Isto é certo?
Diversos noticiários nos trouxeram, nas reportagens vespertinas de 22.10, informações acerca do ataque realizado por um travesti a duas enfermeiras de um hospital em Ceilândia - Brasília(DF). Uma delas foi vítima de uma violenta mordida e a outra sofreu ao menos quatro picadas de uma seringa na qual o homossexual havia colhido seu próprio sangue, ele que é portador do vírus HIV.
Ou seja, com a ação ele pretendeu inocular nas duas funcionárias do hospital que pertence à rede SUS, o vírus fatal, razão pela qual deverá responder por dupla tentativa de homicídio. Uso o verbo no condicional porque não sei se ele será denunciado ou se as vítimas serão responsabilizadas pela razão alegada pelo travesti para atacá-las: o atendimento a ele estava demorando 'muito'.
Tenho uma deficiência pessoal e por isso não consigo quantificar o que seja MUITO, POUCO, BASTANTE, ALGUNS e por aí vai. Para mim são conceitos abstratos, subjetivos e que, em virtude destas características, não me dizem nada, não me transmitem nada.
Mas, com demora ou sem demora, é lícito a um homossexual tentar inocular o vírus HIV, destruir as vidas pessoais e profissionais de duas mulheres trabalhadoras talvez para o resto de suas vidas, pelo fato de estar 'demorando' seu atendimento? Baseado em que se chega a tal ponto em nosso país?
A resposta é simples quanto à formulação e complexa quanto á essência.
A agressão repousa no sentimento de impunidade que campeia em nosso país. E especificamente no caso do travesti, no bombardeio e liberalidade que vem assolando o nosso país nestes últimos anos. O exemplo disso mais forte é a passeata gay realizada em São Paulo, em plena Avenida Paulista. É o sexo desenfreado e ao céu aberto, o consumo de drogas lícitas e ilícitas, realizadas de forma oculta aos policiais presentes, mas sempre com a complacência da mídia que, quando quer, tudo vê.
O travesti julgou-se acima de tudo e de todos, pois é exatamente esta a mensagem que vem proliferando os nossos meios de comunicação. Num total desrespeito ao fundamento básico de uma democracia: direitos iguais para todos os cidadãos no pleno exercício de seus direitos constitucionais.
Após o impacto que o crime provocou na imprensa, a vida das duas bravas enfermeiras ficará por conta delas. Sofrerão sozinhas e com suas famílias, sem o apoio do Estado, da mídia, ou do Ministério da Saúde de quem são funcionárias indiretas (pelo SUS). Isto é certo?
19 de jun. de 2010
ESCRAVOS POR NATUREZA
Bom Dia!
Aristóteles foi, certamente, um dos principais filósofos gregos, daquela escola que participou de forma única e decisiva na formação do pensar humano, contriubuindo para que ele se descobrisse e percebesse os que estão a sua volta. A filosofia aristotélica prevaleceu por séculos e ainda hoje faz parte obrigatória de quaisquer cursos de Filosofia sérios que funcionem em qualquer parte do mundo.
Mas ele, Aristóteles, era um Homem. E como tal, seu acertos, inegáveis, não elimina e nem pode servir para se ocultar seus erros. E ele errou, muito, em diversos aspectos. Na minha opinião, de não conhecedor profundo da filosofia, o pior dos seus equívocos foi aquele que atribuiu, a determinados grupamentos humanos, por seu nascimento ou por seu desenvolvimento, a situação de "Escravos por Natureza".
O filósofo grego atribuia aos nativos (os índios como vulgarmente denominamos em nosso país), uma total falta de compreensão e desenvolvimento mental e principalmente intelectual, ao ponto de cosniderar justificáveis as ações que os tornassem "Escravos" daqueles culturalmente mais "desenvolvidos". Foi embasado nesta teoria aristptélica, por exemplo, que todos os governos colonizadores usaram de todos os recursos, inclusive o genocídio, para subjugar os povos nativos, humilhá-los e capturá-los como se fossem "coisas" não titulares e nem merecedoras de direitos pessoais ou coletivos.
A história da humanidade registra episódios lamentáveis produzidos pela adoção deste princípio aristotélico, ainda que também nos traga biografias de pessoas corajosas que enfrentaram os reis espanhóis, como os sacerdotes Padre Vitória e Padre Las Casas, denunciando e exigindo a criação de normas jurídicas de respeito aos habitantes de novas terras conquistadas para o Império.
Mas o objeto desta reflexão não é a atuação destacada dos padres católicos, e sim a situação em que os gestores visualizam seus comandados como se fossem escravos por natureza. Este equívoco está no fundamento das ditaduras ou dos gestores déspotas e causa, mais cedo ou mais tarde, um perigoso descompromisso das equipes para com as organizações, passo anterior á inevitável falência.
De outro lado, existem as pessoas que se querem transformar em escravos, ou seja os Escravos por Acomodação. Estas não querem pensar. Acham complicado qualquer pedido que fuja, por menor que seja, da rotina mecânica e, por isso mesmo, medíocre na qual sua acomodação lhe jogou. Normalmente ocupam posições na base da pirâmide funcional, abominam as discussões que busquem integrá-las às tarefas mais estratégicas da empresa, não estudam (e sempre com uma 'boa' razão) e tudo o que querem é ser esquecidas.
Os Escravos por opção, que é outra forma de percebermos os acomodados, são elementos perigosos nas organizações, especialmente pelo fantástico poder multiplicador que seus (vazios) discursos possuem. É comum encontrá-los em corredores, áreas contíguas aos banheiros ou no seu lugar preferido: a copa ou a mesa do café. Para estes, o gestor profissional tem que estar alerta, amarrando suas produções e evitando as tarefas que não agreguem valor à empresa e aos seus clientes.
Para estes eu desejaria ter Aristóteles se debruçado e, quem sabe, acertado na sua descrição e nos 'remédios' corretos a serem adotados. Como não os achei, até hoje, prefiro mantê-los no mercado de trabalho, trocando apenas de empresa: da minha para a concorrente principal!
Aristóteles foi, certamente, um dos principais filósofos gregos, daquela escola que participou de forma única e decisiva na formação do pensar humano, contriubuindo para que ele se descobrisse e percebesse os que estão a sua volta. A filosofia aristotélica prevaleceu por séculos e ainda hoje faz parte obrigatória de quaisquer cursos de Filosofia sérios que funcionem em qualquer parte do mundo.
Mas ele, Aristóteles, era um Homem. E como tal, seu acertos, inegáveis, não elimina e nem pode servir para se ocultar seus erros. E ele errou, muito, em diversos aspectos. Na minha opinião, de não conhecedor profundo da filosofia, o pior dos seus equívocos foi aquele que atribuiu, a determinados grupamentos humanos, por seu nascimento ou por seu desenvolvimento, a situação de "Escravos por Natureza".
O filósofo grego atribuia aos nativos (os índios como vulgarmente denominamos em nosso país), uma total falta de compreensão e desenvolvimento mental e principalmente intelectual, ao ponto de cosniderar justificáveis as ações que os tornassem "Escravos" daqueles culturalmente mais "desenvolvidos". Foi embasado nesta teoria aristptélica, por exemplo, que todos os governos colonizadores usaram de todos os recursos, inclusive o genocídio, para subjugar os povos nativos, humilhá-los e capturá-los como se fossem "coisas" não titulares e nem merecedoras de direitos pessoais ou coletivos.
A história da humanidade registra episódios lamentáveis produzidos pela adoção deste princípio aristotélico, ainda que também nos traga biografias de pessoas corajosas que enfrentaram os reis espanhóis, como os sacerdotes Padre Vitória e Padre Las Casas, denunciando e exigindo a criação de normas jurídicas de respeito aos habitantes de novas terras conquistadas para o Império.
Mas o objeto desta reflexão não é a atuação destacada dos padres católicos, e sim a situação em que os gestores visualizam seus comandados como se fossem escravos por natureza. Este equívoco está no fundamento das ditaduras ou dos gestores déspotas e causa, mais cedo ou mais tarde, um perigoso descompromisso das equipes para com as organizações, passo anterior á inevitável falência.
De outro lado, existem as pessoas que se querem transformar em escravos, ou seja os Escravos por Acomodação. Estas não querem pensar. Acham complicado qualquer pedido que fuja, por menor que seja, da rotina mecânica e, por isso mesmo, medíocre na qual sua acomodação lhe jogou. Normalmente ocupam posições na base da pirâmide funcional, abominam as discussões que busquem integrá-las às tarefas mais estratégicas da empresa, não estudam (e sempre com uma 'boa' razão) e tudo o que querem é ser esquecidas.
Os Escravos por opção, que é outra forma de percebermos os acomodados, são elementos perigosos nas organizações, especialmente pelo fantástico poder multiplicador que seus (vazios) discursos possuem. É comum encontrá-los em corredores, áreas contíguas aos banheiros ou no seu lugar preferido: a copa ou a mesa do café. Para estes, o gestor profissional tem que estar alerta, amarrando suas produções e evitando as tarefas que não agreguem valor à empresa e aos seus clientes.
Para estes eu desejaria ter Aristóteles se debruçado e, quem sabe, acertado na sua descrição e nos 'remédios' corretos a serem adotados. Como não os achei, até hoje, prefiro mantê-los no mercado de trabalho, trocando apenas de empresa: da minha para a concorrente principal!
17 de jun. de 2010
O FIM DA SAÚDE
Bom Dia!
A Folha de São Paulo de 16/06/2010 anunciou, em sua coluna “BOA NOTÍCIA”, que a UNIFESP estará inaugurando em breve um hospital TOTALMENTE FORMADO POR LEITOS DE UTI e voltado aos acidentes traumáticos. Ele irá se localizar na Vila Madalena, na futura Cidade Universitária e a novidade foi apresentada à Imprensa como algo que agregará valor à Saúde Suplementar do país. Será?
De fato, a especialização é algo que se instalou definitivamente no Setor Saúde, invadiu a cabeça dos profissionais que nele atuam e vem sendo vendida aos nossos clientes, há décadas, como a “grande solução” para seus problemas pessoais de saúde. Acontece que esta população, por enquanto, ainda é dócil às ‘verdades’ da Ciência, em especial aquelas que são prolatadas pelos homens vestidos de branco, possuidores da confiança (quase) total dos clientes-pacientes.
Mas usei de propósito o termo QUASE, para destacar que é perceptível a mudança do mercado consumidor. O acesso às informações da rede mundial de computadores quer sejam elas boas ou más, está promovendo uma silenciosa mudança de perfil neste público. O que os médicos não estão percebendo é que a situação de fragilidade que é vivenciada pelos enfermos, anteriormente fator de dependência total, agora está motivando tais pessoas a buscarem informação. Mesmo mantendo a relação de confiança, o grau de dependência está se modificando, mas os comportamentos médicos, não.
Apresentar um hospital totalmente formado por leitos de altíssima complexidade, aqueles cuja rentabilidade está associada à gravidade do quadro do cliente, como se fosse um avanço da Saúde, é de certa forma subestimar a capacidade do cliente em buscar (e achar) as respostas certas aos seus questionamentos. Quando ele começar a perceber que este lugar ‘maravilhoso’ não o atenderá nas suas crises respiratórias, por se tratarem de eventos de baixa rentabilidade e que não geram demanda por leitos, o Dr. Jekill pode muito bem se transformar em Mr. Hyde.
É lamentável que numa época de tantas carências, e na qual pouco temos o que comemorar em termos de avanço da saúde coletiva no mundo todo, a imprensa ainda se deixe levar por pacotes já prontos e quase sempre com uma visão monocular e não sistêmica dos reais problemas do Setor em nosso país.
Parece que estamos chegando ao fim da Saúde. Não mais pensá-la como um sistema e sim tratá-la como um supermercado, até parece ser o real objetivo de diversas matérias que lemos dia após dia, nesta imensa e direcionada imprensa pátria.
A Folha de São Paulo de 16/06/2010 anunciou, em sua coluna “BOA NOTÍCIA”, que a UNIFESP estará inaugurando em breve um hospital TOTALMENTE FORMADO POR LEITOS DE UTI e voltado aos acidentes traumáticos. Ele irá se localizar na Vila Madalena, na futura Cidade Universitária e a novidade foi apresentada à Imprensa como algo que agregará valor à Saúde Suplementar do país. Será?
De fato, a especialização é algo que se instalou definitivamente no Setor Saúde, invadiu a cabeça dos profissionais que nele atuam e vem sendo vendida aos nossos clientes, há décadas, como a “grande solução” para seus problemas pessoais de saúde. Acontece que esta população, por enquanto, ainda é dócil às ‘verdades’ da Ciência, em especial aquelas que são prolatadas pelos homens vestidos de branco, possuidores da confiança (quase) total dos clientes-pacientes.
Mas usei de propósito o termo QUASE, para destacar que é perceptível a mudança do mercado consumidor. O acesso às informações da rede mundial de computadores quer sejam elas boas ou más, está promovendo uma silenciosa mudança de perfil neste público. O que os médicos não estão percebendo é que a situação de fragilidade que é vivenciada pelos enfermos, anteriormente fator de dependência total, agora está motivando tais pessoas a buscarem informação. Mesmo mantendo a relação de confiança, o grau de dependência está se modificando, mas os comportamentos médicos, não.
Apresentar um hospital totalmente formado por leitos de altíssima complexidade, aqueles cuja rentabilidade está associada à gravidade do quadro do cliente, como se fosse um avanço da Saúde, é de certa forma subestimar a capacidade do cliente em buscar (e achar) as respostas certas aos seus questionamentos. Quando ele começar a perceber que este lugar ‘maravilhoso’ não o atenderá nas suas crises respiratórias, por se tratarem de eventos de baixa rentabilidade e que não geram demanda por leitos, o Dr. Jekill pode muito bem se transformar em Mr. Hyde.
É lamentável que numa época de tantas carências, e na qual pouco temos o que comemorar em termos de avanço da saúde coletiva no mundo todo, a imprensa ainda se deixe levar por pacotes já prontos e quase sempre com uma visão monocular e não sistêmica dos reais problemas do Setor em nosso país.
Parece que estamos chegando ao fim da Saúde. Não mais pensá-la como um sistema e sim tratá-la como um supermercado, até parece ser o real objetivo de diversas matérias que lemos dia após dia, nesta imensa e direcionada imprensa pátria.
12 de jun. de 2010
O MAL DO XERIFE
Boa Noite!
Penso que qualquer pessoa viva, em algum instante de sua existência, já viu ao menos de relance um bom e velho faroeste. Neste gênero do cinema, que ainda possui diversos apreciadores, sempre existe um bandido, malvado, mal-encarado e sujo, e, por outro lado, um xerife, bonzinho, bonitinho e limpinho. E é óbvio que, como o xerife é do bem, tudo ele pode fazer, inclusive destruir toda a cidade somente para matar o bandido. Ele ainda deixa os comparsas do criminoso fugirem, talvez para assegurar seu mercado de trabalho, talvez por acreditar numa sequencia do filme, ou mesmo por absoluta incompetência.
Mas o fato é que o xerife não quer saber de efetividade: ele quer mesmo é identificar (segundo seu critério - e é óbvio o do roteirista do filme) os bandidos e tacar-lhes fogo avassalador. A isto eu chamo o Mal do Xerife: atira em tudo que se move, antes de separá-los e identificá-los, pois acredita que dentre todos os que morrerem, deverão estar também os bandidos. Se a cidade for destruída? Bem, ele procura outra cidade...
Sempre achei, até hoje, que esta postura dizia respeito à fantástica arte chamada de cinema. Depois de ler as declrações dos dirigentes da ANS nesta data, comecei a acreditar que existe uma patologia chamada de Mal do Xerife e que ela, definitivamente, invadiu o sistema de ar condicionado da agência e contaminou seus dirigentes.
A ANS vai analisar os pedidos de reajustes das operadoras em função das "boazinhas" e das "mauzinhas". E para obter esta "certeza" ela vai usar os indicadores que ela esmo desenvolveu, e que não divulga para o mercado, a não ser de uma forma generalizada, e que, por exemplo, considerou uma Seguradora que não possui NENHUM PROGRAMA DE PREVENÇÃO À SAÚDE, a MELHOR OPERADORA do Brasil!
Pois agora será assim. Quem a ANS considerar do "bem" terá reajuste pleno (pleno, na visão da ANS, entenda-se bem); mas, quem for considerado do "MAL"... VADE RETRUM SATAN!!!! Fogo, ou melhor, zero de reajuste.
É duro de acreditar, mas é a fala dos principais dirigentes da agência reguladora. Quem não aceitar que feche as portas, ou talvez mude de filme. De fato, a ANS está se superando. Ela agora entrou no campo das produções cinematográficas: muitos efeitos e pouca substância.
A saúde suplementar não precisa desta pirotecnia. Os clientes precisam de produtos que lhes assegurem a SAÚDE, só isso. Mas a mídia precisa de sangue e, assim, nada melhor do que um velho e sangrento duelo ao por do sol...
Penso que qualquer pessoa viva, em algum instante de sua existência, já viu ao menos de relance um bom e velho faroeste. Neste gênero do cinema, que ainda possui diversos apreciadores, sempre existe um bandido, malvado, mal-encarado e sujo, e, por outro lado, um xerife, bonzinho, bonitinho e limpinho. E é óbvio que, como o xerife é do bem, tudo ele pode fazer, inclusive destruir toda a cidade somente para matar o bandido. Ele ainda deixa os comparsas do criminoso fugirem, talvez para assegurar seu mercado de trabalho, talvez por acreditar numa sequencia do filme, ou mesmo por absoluta incompetência.
Mas o fato é que o xerife não quer saber de efetividade: ele quer mesmo é identificar (segundo seu critério - e é óbvio o do roteirista do filme) os bandidos e tacar-lhes fogo avassalador. A isto eu chamo o Mal do Xerife: atira em tudo que se move, antes de separá-los e identificá-los, pois acredita que dentre todos os que morrerem, deverão estar também os bandidos. Se a cidade for destruída? Bem, ele procura outra cidade...
Sempre achei, até hoje, que esta postura dizia respeito à fantástica arte chamada de cinema. Depois de ler as declrações dos dirigentes da ANS nesta data, comecei a acreditar que existe uma patologia chamada de Mal do Xerife e que ela, definitivamente, invadiu o sistema de ar condicionado da agência e contaminou seus dirigentes.
A ANS vai analisar os pedidos de reajustes das operadoras em função das "boazinhas" e das "mauzinhas". E para obter esta "certeza" ela vai usar os indicadores que ela esmo desenvolveu, e que não divulga para o mercado, a não ser de uma forma generalizada, e que, por exemplo, considerou uma Seguradora que não possui NENHUM PROGRAMA DE PREVENÇÃO À SAÚDE, a MELHOR OPERADORA do Brasil!
Pois agora será assim. Quem a ANS considerar do "bem" terá reajuste pleno (pleno, na visão da ANS, entenda-se bem); mas, quem for considerado do "MAL"... VADE RETRUM SATAN!!!! Fogo, ou melhor, zero de reajuste.
É duro de acreditar, mas é a fala dos principais dirigentes da agência reguladora. Quem não aceitar que feche as portas, ou talvez mude de filme. De fato, a ANS está se superando. Ela agora entrou no campo das produções cinematográficas: muitos efeitos e pouca substância.
A saúde suplementar não precisa desta pirotecnia. Os clientes precisam de produtos que lhes assegurem a SAÚDE, só isso. Mas a mídia precisa de sangue e, assim, nada melhor do que um velho e sangrento duelo ao por do sol...
9 de jun. de 2010
O ÁLCOOL ESTÁ VENCENDO O JOGO
Bom Dia!
Pesquisa veiculada pela FOLHA DE SÃO PAULO de 08 de junho retrata uma das tristes realidades a que está sendo destinada a nossa juventude: 33% dos jovens com até 18 anos já se embriagaram completamente, pelo menos uma vez nas suas curtas vidas. E mais, para 98% dos entrevistados é mais fácil comprar bebidas alcoólicas do que, quem sabe, balas e guloseimas.
É óbvio que já se começou a debater o efeito das propagandas de bebidas, veiculadas nos horários nobres e estreladas por atletas de cabeça vazia e/ou modelos vazias de (quase) tudo. Se já deve ser lamentado ver “atletas” que se dispõem a trocar seu exemplo de pessoa pública por um cachê, “vendendo” suas consciências, não se deveria esvaziar a discussão do fato olhando-se apenas o lado da propaganda e da mídia.
A propaganda vende o que é permitido pela Lei, ou aquilo que os donos dos canais de comunicação gostariam que o fosse. Portanto, ela é uma ferramenta que somente explora o lado “divertido” da bebida porque existe uma permissividade maior: da sociedade brasileira.
Somos nós que assinamos as propagandas, quando adotamos uma postura relativista para com a juventude, querendo que “viver o momento” seja justificativa para qualquer ato praticado pelos jovens, com medo de sermos considerados “retrôs”. Nós dizemos a eles que mergulhem no abismo do que surgir pela frente, pois só se vive “uma vez” e temos que “aproveitar cada momento”. Não é essa a postura dita “modernista”?
Bem, os jovens acreditaram em nós.
Eles estão mais irresponsáveis no sexo, pois acham que basta a camisinha e tudo está resolvido. Estão mais ávidos de consumir as drogas lícitas (cigarro e bebidas alcoólicas), mas também as ilícitas (não estamos fazendo passeatas pró-maconha?). Os jovens estão levando a sério nossos discursos, até porque não possuem a vivência para diferenciá-los quando são fúteis e vazios!
O álcool está vencendo a corrida contra a estabilidade e a saúde. A pergunta, frente à pesquisa e seu lamentável resultado, é: vamos novamente refugiarmo-nos na covardia de atacar os efeitos, ou mergulhar no profundo debate que pode nos levar de volta ao caminho da verdadeira felicidade e paz coletivas?
Pesquisa veiculada pela FOLHA DE SÃO PAULO de 08 de junho retrata uma das tristes realidades a que está sendo destinada a nossa juventude: 33% dos jovens com até 18 anos já se embriagaram completamente, pelo menos uma vez nas suas curtas vidas. E mais, para 98% dos entrevistados é mais fácil comprar bebidas alcoólicas do que, quem sabe, balas e guloseimas.
É óbvio que já se começou a debater o efeito das propagandas de bebidas, veiculadas nos horários nobres e estreladas por atletas de cabeça vazia e/ou modelos vazias de (quase) tudo. Se já deve ser lamentado ver “atletas” que se dispõem a trocar seu exemplo de pessoa pública por um cachê, “vendendo” suas consciências, não se deveria esvaziar a discussão do fato olhando-se apenas o lado da propaganda e da mídia.
A propaganda vende o que é permitido pela Lei, ou aquilo que os donos dos canais de comunicação gostariam que o fosse. Portanto, ela é uma ferramenta que somente explora o lado “divertido” da bebida porque existe uma permissividade maior: da sociedade brasileira.
Somos nós que assinamos as propagandas, quando adotamos uma postura relativista para com a juventude, querendo que “viver o momento” seja justificativa para qualquer ato praticado pelos jovens, com medo de sermos considerados “retrôs”. Nós dizemos a eles que mergulhem no abismo do que surgir pela frente, pois só se vive “uma vez” e temos que “aproveitar cada momento”. Não é essa a postura dita “modernista”?
Bem, os jovens acreditaram em nós.
Eles estão mais irresponsáveis no sexo, pois acham que basta a camisinha e tudo está resolvido. Estão mais ávidos de consumir as drogas lícitas (cigarro e bebidas alcoólicas), mas também as ilícitas (não estamos fazendo passeatas pró-maconha?). Os jovens estão levando a sério nossos discursos, até porque não possuem a vivência para diferenciá-los quando são fúteis e vazios!
O álcool está vencendo a corrida contra a estabilidade e a saúde. A pergunta, frente à pesquisa e seu lamentável resultado, é: vamos novamente refugiarmo-nos na covardia de atacar os efeitos, ou mergulhar no profundo debate que pode nos levar de volta ao caminho da verdadeira felicidade e paz coletivas?
7 de jun. de 2010
A DOR QUE NÃO SE PODE DEFINIR
Bom Dia!
A Ciência persegue a dor há muitos séculos. Ela simplesmente não aceita que vencidos tantos desafios, moléstias, epidemias, doenças que pareciam inatacáveis, ainda seja derrotada quanto à dor.
Existe a dor cansada: aquela que parece começar em lugar algum e se arrastar, lentamente, até um ponto de nosso corpo que, certo ou errado, decidimos ser o lugar onde mais dói. A dor cansada é desgastante, não nos permite acomodar em lugar nenhum, ataca todas as fibras da nossa musculatura.
Mas existe ainda a dor doída: é de outro tipo, mais aguda, mais fina, que nos dá uma sensação de estarmos sendo furados por uma fina, invisível e interminável agulha. Esta é a dor que acompanha as quebraduras, chata, deixando-nos cansados e irritadiços todo o tempo. A dor doída tem o poder de acabar com a paciência de qualquer ser humano paciente, deixando os impacientes, por sua vez, incontroláveis.
Porém, nenhuma delas, ou de outras definições que ainda não conheço, dói mais do que a dor da saudade. A saudade é tão grande, ainda que não possua tamanho, e tão intensa, ainda que sem volume, que já disse um artista que ela é uma palavra que somente existe no idioma português.
A saudade dói, ocupa todo o nosso ser, incomoda todos os nossos órgãos, invade a nossa alma e desaloja nossa serenidade. A saudade faz com que os espaços que habitamos diminuam, sufocando nossa vida e impedindo-nos de continuarmos neles. Ela também não admite ocupar espaço nem mesmo com o ar que respiramos: sentir saudades faz com que fiquemos sem ter como respirarmos, o oxigênio parece contaminado, a respiração entrecortada.
A saudade deve ser também alérgica: faz brotar instantaneamente de nossos olhos lágrimas que, por mais que rezemos, insistem em não querer mais parar. A saudade é a dor que nós não conseguimos evitar, não sabemos definir e nem poderemos parar salvo se, infinita sabedoria, trouxermos para junto de nosso coração aqueles de quem sentimos saudades.
A Ciência persegue a dor há muitos séculos. Ela simplesmente não aceita que vencidos tantos desafios, moléstias, epidemias, doenças que pareciam inatacáveis, ainda seja derrotada quanto à dor.
Existe a dor cansada: aquela que parece começar em lugar algum e se arrastar, lentamente, até um ponto de nosso corpo que, certo ou errado, decidimos ser o lugar onde mais dói. A dor cansada é desgastante, não nos permite acomodar em lugar nenhum, ataca todas as fibras da nossa musculatura.
Mas existe ainda a dor doída: é de outro tipo, mais aguda, mais fina, que nos dá uma sensação de estarmos sendo furados por uma fina, invisível e interminável agulha. Esta é a dor que acompanha as quebraduras, chata, deixando-nos cansados e irritadiços todo o tempo. A dor doída tem o poder de acabar com a paciência de qualquer ser humano paciente, deixando os impacientes, por sua vez, incontroláveis.
Porém, nenhuma delas, ou de outras definições que ainda não conheço, dói mais do que a dor da saudade. A saudade é tão grande, ainda que não possua tamanho, e tão intensa, ainda que sem volume, que já disse um artista que ela é uma palavra que somente existe no idioma português.
A saudade dói, ocupa todo o nosso ser, incomoda todos os nossos órgãos, invade a nossa alma e desaloja nossa serenidade. A saudade faz com que os espaços que habitamos diminuam, sufocando nossa vida e impedindo-nos de continuarmos neles. Ela também não admite ocupar espaço nem mesmo com o ar que respiramos: sentir saudades faz com que fiquemos sem ter como respirarmos, o oxigênio parece contaminado, a respiração entrecortada.
A saudade deve ser também alérgica: faz brotar instantaneamente de nossos olhos lágrimas que, por mais que rezemos, insistem em não querer mais parar. A saudade é a dor que nós não conseguimos evitar, não sabemos definir e nem poderemos parar salvo se, infinita sabedoria, trouxermos para junto de nosso coração aqueles de quem sentimos saudades.
6 de jun. de 2010
RECORDAR, NA ÁREA FARMACÊUTICA, É TER ESPERANÇA!
Médicos e laboratórios farmacêuticos: uma medida para acabar com os conflitos de interesse
Stephanie Saul
Mais Hipócrates, menos molho de Hunan. Almoços gratuitos para médicos estão sob ataque novamente.
As entregas de almoços gratuitos em consultórios médicos, juntamente com aquelas ubíquas canetas com logotipos de laboratórios, se tornaram símbolos dos extensos laços financeiros entre médicos e a indústria farmacêutica. E há evidência de que ela influencia que medicamentos são prescritos.
Mas cresce a pressão contra os presentes e outros conflitos de interesse potenciais, um esforço que ganhou força no ano passado quando um grupo de médicos influentes condenou os arranjos financeiros entre médicos e laboratórios farmacêuticos no "The Journal of the American Medical Association". Na terça-feira, um novo esforço está marcado para ser anunciado pela Community Catalyst, um grupo de defesa de pacientes com sede em Boston, e pelo Instituto da Medicina como Profissão, um grupo de pesquisa da Universidade de Columbia.
Com um subsídio de US$ 6 milhões do Pew Charitable Trusts, as organizações planejam uma campanha nacional pedindo restrições nas interações entre médicos e laboratórios farmacêuticos, além de pedir aos médicos que baseiem suas prescrições mais em evidências médicas do que em marketing.
"Se você está na sala de espera quando estes almoços chineses são entregues no consultório, isto gera dúvidas sobre se as decisões são baseadas nas melhores evidências científicas sobre o medicamento ou se o camarão sichuan tem algo a ver com a prescrição", disse Jim O'Hara, diretor administrativo de iniciativas da Pew.
A industria farmacêutica gasta US$ 12 bilhões por ano com marketing junto aos médicos, com grande parte de tal dinheiro na forma de amostras grátis entregues nos consultórios, freqüentemente acompanhadas de almoço para todos os funcionários. Quando os sistemas de saúde da Universidade de Michigan proibiram tais almoços em 2005, eles calcularam que os almoços totalizavam US$ 2,5 milhões ao ano.
Os medicamentos gratuitos são amostras dos produtos de marca mais novos e mais caros. A indústria farmacêutica espera que com o início do tratamento com as amostras grátis, os pacientes manterão a medicação mais cara em vez de utilizarem o genérico mais barato. E há evidência de que os médicos que mantém um relacionamento com a indústria farmacêutica prescrevem mais medicamentos caros.
A nova iniciativa, chamada de Projeto Prescrição, deriva de um artigo publicado no "The Journal of the American Medical Association", em janeiro de 2006, na qual uma coalizão de estudiosos e médicos propôs que centros médicos acadêmicos de todo o país tomassem a iniciativa de restringir as interações entre médicos e a indústria de saúde. Vários centros médicos, incluindo os de Yale, da Universidade da Pensilvânia e de Stanford, anunciaram tais restrições. O Projeto Prescrição visa disseminar tais restrições para outros centros médicos acadêmicos, entidades de médicos e de terceiros envolvidos.
Alguns reitores de escolas de medicina relutam em impor tais restrições, temendo que perderão dinheiro de pesquisa, segundo David J. Rothman, um autor do estudo do ano passado e que também é presidente do Instituto da Medicina como Profissão. "Eles dizem: 'Se fizermos isto, nós perderemos um terço de nosso corpo docente. Eles irão para locais com menos restrições; se fizermos isto, nós afastaremos a indústria farmacêutica e haverá uma retaliação'", disse Rothman.
Um dos planos do grupo é documentar o impacto das mudanças em Yale, na Universidade da Pensilvânia e em Stanford. "Os laboratórios farmacêuticos deixarão de fornecer dinheiro de pesquisa para a Penn (Universidade da Pensilvânia)?" ele disse. "Eu não acredito que isto acontecerá."
A meta da organização não é proibir subsídios para pesquisa ou consultorias, mas limitar presentes, dinheiro para viagens, palestras e "ghostwriting" (textos de autores fantasmas), encorajando ao mesmo tempo prescrições baseadas em evidências médicas.
"Os presentes dados trazem consigo a sensação de necessidade de retribuição", disse Rothman, que leciona medicina social na Columbia.
"Nós não estamos dizendo que você está sendo subornado", ele acrescentou. "Nós estamos dizendo que você está recebendo presentes. Parte deles pode ser uma estímulo financeiro. Mas parte deles é psicológico ... 'Bem, eles me enviaram para Las Vegas, o medicamento deles é tão bom quanto os demais, por que não dizer uma forma de obrigado'."
Tradução: George El Khouri Andolfato
Stephanie Saul
Mais Hipócrates, menos molho de Hunan. Almoços gratuitos para médicos estão sob ataque novamente.
As entregas de almoços gratuitos em consultórios médicos, juntamente com aquelas ubíquas canetas com logotipos de laboratórios, se tornaram símbolos dos extensos laços financeiros entre médicos e a indústria farmacêutica. E há evidência de que ela influencia que medicamentos são prescritos.
Mas cresce a pressão contra os presentes e outros conflitos de interesse potenciais, um esforço que ganhou força no ano passado quando um grupo de médicos influentes condenou os arranjos financeiros entre médicos e laboratórios farmacêuticos no "The Journal of the American Medical Association". Na terça-feira, um novo esforço está marcado para ser anunciado pela Community Catalyst, um grupo de defesa de pacientes com sede em Boston, e pelo Instituto da Medicina como Profissão, um grupo de pesquisa da Universidade de Columbia.
Com um subsídio de US$ 6 milhões do Pew Charitable Trusts, as organizações planejam uma campanha nacional pedindo restrições nas interações entre médicos e laboratórios farmacêuticos, além de pedir aos médicos que baseiem suas prescrições mais em evidências médicas do que em marketing.
"Se você está na sala de espera quando estes almoços chineses são entregues no consultório, isto gera dúvidas sobre se as decisões são baseadas nas melhores evidências científicas sobre o medicamento ou se o camarão sichuan tem algo a ver com a prescrição", disse Jim O'Hara, diretor administrativo de iniciativas da Pew.
A industria farmacêutica gasta US$ 12 bilhões por ano com marketing junto aos médicos, com grande parte de tal dinheiro na forma de amostras grátis entregues nos consultórios, freqüentemente acompanhadas de almoço para todos os funcionários. Quando os sistemas de saúde da Universidade de Michigan proibiram tais almoços em 2005, eles calcularam que os almoços totalizavam US$ 2,5 milhões ao ano.
Os medicamentos gratuitos são amostras dos produtos de marca mais novos e mais caros. A indústria farmacêutica espera que com o início do tratamento com as amostras grátis, os pacientes manterão a medicação mais cara em vez de utilizarem o genérico mais barato. E há evidência de que os médicos que mantém um relacionamento com a indústria farmacêutica prescrevem mais medicamentos caros.
A nova iniciativa, chamada de Projeto Prescrição, deriva de um artigo publicado no "The Journal of the American Medical Association", em janeiro de 2006, na qual uma coalizão de estudiosos e médicos propôs que centros médicos acadêmicos de todo o país tomassem a iniciativa de restringir as interações entre médicos e a indústria de saúde. Vários centros médicos, incluindo os de Yale, da Universidade da Pensilvânia e de Stanford, anunciaram tais restrições. O Projeto Prescrição visa disseminar tais restrições para outros centros médicos acadêmicos, entidades de médicos e de terceiros envolvidos.
Alguns reitores de escolas de medicina relutam em impor tais restrições, temendo que perderão dinheiro de pesquisa, segundo David J. Rothman, um autor do estudo do ano passado e que também é presidente do Instituto da Medicina como Profissão. "Eles dizem: 'Se fizermos isto, nós perderemos um terço de nosso corpo docente. Eles irão para locais com menos restrições; se fizermos isto, nós afastaremos a indústria farmacêutica e haverá uma retaliação'", disse Rothman.
Um dos planos do grupo é documentar o impacto das mudanças em Yale, na Universidade da Pensilvânia e em Stanford. "Os laboratórios farmacêuticos deixarão de fornecer dinheiro de pesquisa para a Penn (Universidade da Pensilvânia)?" ele disse. "Eu não acredito que isto acontecerá."
A meta da organização não é proibir subsídios para pesquisa ou consultorias, mas limitar presentes, dinheiro para viagens, palestras e "ghostwriting" (textos de autores fantasmas), encorajando ao mesmo tempo prescrições baseadas em evidências médicas.
"Os presentes dados trazem consigo a sensação de necessidade de retribuição", disse Rothman, que leciona medicina social na Columbia.
"Nós não estamos dizendo que você está sendo subornado", ele acrescentou. "Nós estamos dizendo que você está recebendo presentes. Parte deles pode ser uma estímulo financeiro. Mas parte deles é psicológico ... 'Bem, eles me enviaram para Las Vegas, o medicamento deles é tão bom quanto os demais, por que não dizer uma forma de obrigado'."
Tradução: George El Khouri Andolfato
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