30 de mai. de 2008

ESPERANÇA E ILUSÃO

Bom Dia!

O Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou ontem a pesquisa com embriões humanos no país. O Brasil agora é o 26. país no mundo a usar as vidas que estavam congeladas no desenvolvimento de experimentos que, teoricamente, irão causar a cura de diversas moléstias. Em toda a América Latina somos o primeiro país a fazê-lo.
Não sou adivinho e nem acredito em mágicas. Mas posso dizer-lhes que a mídia irá divulgar, quase que diariamente casos e mais casos de pacientes que recuperaram 1% disso ou daquilo, graças à fantástica pesquisa com embriões. Óbvio que tais "reportagens" não trarão dois aspectos importantes ao seu conhecimento: primeiro, as consequências do uso desta terapia e que gera a necessidade de fármacos (remédios, no popular) que até então o doente não precisava tomar; segundo, que o ganho obtido está absolutamente dentro do esperado pelo uso de placebo ou mesmo pela vontade do paciente, sem nenhuma possibilidade de vinculação (cientificamente falando) ao uso dos embriões. Tudo isto nos será ocultado. Porque interesses comerciais passam agora a se fazer presente: indústrias farmacêuticas querem associar suas marcas às pesquisas, pois querem vender os remédios necessários à aplicação da terapia; indústrias de equipamentos querem o assunto na mídia, porque avaliam (com razão) que se abriu um novo nicho de venda de máquinas; pesquisadores passam a contar com novos fundos e outros incentivos ao seu trabalho, de forma geral, bastante compensadores. Enfim, toda a parte técnica e comercial ganha.
Você sentiu falta de alguém nesta lista? Ou acredita que eu esqueci do paciente? Não, não o esqueci. Acontece que eu não consigo achar, em canto nenhum, um estudo sério, com significância estatística, com resultados expressivos e numa amostra populacional confiável, que demonstre os inúmeros benefícios alegados pelos que defenderam a liberação das pesquisas. Onde estarão?
Encontramos, em toda a internet, diversos portadores de moléstias graves manifestando sua alegria pela liberação do STF. Falando de suas esperanças. Eles não estão delirando, pois foram levado à ilusão da cura pela mídia, pelos pesquisadores e por todos os donos de espaço público que criaram neles a sensação de que, ao usar o embrião humano, a ciência alcançará o estágio divino: curar o que não tem cura! E agora? Continuarão a ser iludidos. Pois da sua esperança depende a venda de fármacos.
A esperança é algo mais profundo que a ilusão. Ela repousa no fundo de nossas almas e está associada aos nossos projetos e desejos mais fortes. As ilusões estão ligadas aos sentidos, são superificiais e facilmente manipuladas se baixamos a guarda. A mídia brasileira conseguiu, no caso do uso de embriões humanos, fazer com que os pacientes não mais separassem suas esperanças pessoais das ilusões que o mercado queria, e conseguiu, criar.
A morte ganhou este "round". Mas, como diz um cineasta em um clássico do cinema: a vida sempre encontra um jeito de superar a morte. Cabe agora aos cidadãos brasileiros reforçar as trincheiras contra o próximo extermínio anunciado: o aborto.

28 de mai. de 2008

CÉLULAS TRONCO, STF E ISABELA...

Bom Dia!

Os jornais noticiam hoje, de forma antecipada, a liberação pelo Supremo Tribunal federal da pesquisa científica com uso dos embriões humanos. Claro que a terminologia usada pelos periódicos é de células-tronco, pois assim se reduz o impacto junto à opinião pública. Principalmente num país que está traumatizado por ter descoberto, há cerca de dois meses, que existe, sim, violência contra as crianças.
A Isabela foi assassinada, materialmente, segundo as investigações, pelo pai e pela madrasta. Porém, seus verdadeiros assassinos, pela omissão e acomodação perante tantas mentiras que nos são jogadas e aceitas, são todos os brasileiros e brasileiras.
Isabela tinha cinco anos. Era esperta, ativa, típico de meninos e meninas inteligentes e saudáveis. Ela já se vestia, era capaz de expressar suas necessidades, desejos e vontades. Era capaz de pedir, de suplicar por sua vida, como deve ter feito aos seus algozes. Era capaz de chorar, de sangrar de forma visível, de gemer por suas dores. Porém, nenhuma destas suas capacidades permitiu que os brutais assassinos reduzissem sua agressividade bestial e suspendessem sua execução.
Todo o país chora, até hoje, sua morte. Em especial quando a mídia repete à exaustão os vídeos e filmes onde aparece. Isabela tinha voz, mas nem mesmo sua voz foi capaz de impedir seu assassinato.
Tristemente engraçado é o fato de que, neste mesmo país, que agora está tão revoltado com a violência contra Isabel (e as outras milhares de crianças espancadas e assassinadas), está novamente silencioso e omisso perante a violência contra os embriões humanos.
Eles não têm voz ainda. Não aparecem em vídeos ou fitas. Não têm roupas bonitas que os fazem mais belos. Estão congelados, pois resultam do interesse comercial das empresas que comercializam a fecundação in vitro. Estas empresas precisam remunerar seus capitais. Da mesma forma que os laboratórios precisam vender seus fármacos. Todos precisam ganhar alguma coisa. Por que não descartar tais vidas?
Elas não falam, não expressam suas vontades, não gemem com suas dores, não têm vozes para pedir por suas próprias existências. Em nome da ciência se pretende exterminá-las.
Dizem os defensores que se melhorará a vida de uns, usando-se a vida embrionária.
Recordo-me que os pesquisadores nazistas usaram expressão similar. Os médicos dos campos de concentração alegaram a vida "descartável" dos judeus como desculpa para seus experimentos que poderiam garantiar a sobrevida dos soldados nazistas. Aos judeus também foi tolhida a voz pela repressão brutal dos seus algozes, mas também pela omissão de muitos que poderiam denunciar pela mídia o que estava ocorrendo.
Agora, o STF irá terminar o julgamento. A pressão da imprensa é pela aprovação. Esta mesma imprensa que exige a condenação dos algozes da Isabela.
Isabela tinha nome e cinco anos. Os embriões não têm nome e nem a mesma idade. Ambos, porém, têm algo em comum: a VIDA. Esta devia ser defendida por todos nós...

27 de mai. de 2008

OBESIDADE E SISTEMAS DE SAÚDE

Boa Tarde!

É possível acompanharmos pela rede mundial o interessante debate que está ocorrendo desde as duas últimas semanas em nosso país co-irmão Portugal, acerca da Obesidade. As discussões e argumentações alcançam as formas de financiar o tratamento, as exigências clínicas e as responsabilidades estatais. Mas para além de tudo isto está a discussão sobre o modelo de saúde a ser seguido. Este é o cerne da questão.
De fato, podemos ter e identificar diversas estratégias para se lidar com o difícil equilíbrio entre qualidade de vida e saúde financeira dos sistemas em todo o mundo. Mas sempre será a escolha do Modelo que regerá a identificação e mapeamento dos processos e, destes, as estruturas necessárias para se alcançar os resultados. Se não temos certeza do modelo a seguir, melhor seria adiarmos todas as demais discussões.
Infelizmente, no dia-a-dia, testemunhamos diversas experiências contrárias a esta receita de bolo: tenta-se restringir ou modificar um Modelo de Saúde para que ele caiba numa estrutura já montada, ou o que é pior, aquela estrutura preferida pelos governantes. O problema é que o mundo real insiste em não caber em ilusões ou utopias.
A discussão dos portugueses poderá apontar diversos caminhos, mesmo aqueles que não julguemos serem os melhores. Não importa. O que importa é a discussão do Modelo e, a partir deste, definirem-se as estratégias e mensurarem-se os resultados. Isto é coisa de gente responsável, profissional e, relamente, dedicada a promover uma saúde melhor para todos.

23 de mai. de 2008

PORQUE HOJE É SEXTA FEIRA...

Bom Dia!

O governo brasileiro vem soltando, nos últimos dias, através de diversos interlocutores, sinais e recados a toda a classe que produz e é tributada que vem por aí um novo festival de impostos. Mais uma vez o mote é a necessidade de financiamento da Saúde Pública. Aliás, este é um fato real: a retirada de contribuições e a suspensão de emprenhos já orçados levam nosso Sistema Público de Saúde à beira do caos total. O que não é correto é se afirmar que este problema decorre do final da CPMF. O correto seria dizer que, apesar da arrecadação crescer, bem mais do que poderia ter sido obtido com o malfadado tributo, o governo que gasta em despesas fixas de forma irresponsável precisa ir novamente aos nossos bolsos e retirar ainda mais para cobrir sua ineficiência administrativa.
É triste, e caro para nós esta conta! Por isso, que bom relembrarmos alguns dizeres da época que os governantes atuais eram candidadtos e juravam, de mãos e pés juntos que não aumentariam a carga tributária neste país...

"Podem ficar certos de que vamos aprovar a reforma tributária, e ela será extraordinária para os que produzem, para os que exportam e para os que geram empregos".
Luiz Inácio Lula da Silva, O GLOBO de 19.08.03, pág. 04

"A velhice enruga apenas o rosto; a negação e a traição dos ideais enruga a nossa alma".
Presidente Lula, no lançamento do Estatuto do Idoso, em 01.10.03.

21 de mai. de 2008

O DESEMPREGO JOVEM

Bom dia!

O jornal "O GLOBO" em sua edição de hoje destaca e analisa a pesquisa do IPEA acerca do desemprego e seu perfil etário dentre dez países examinados (Brasil, México, Argentina, Grã-Bretanha, Suécia, EUA, Itália, Espanha, França e Alemanha). Infelizmente somos, também nesta nefasta categoria, os campeões de desemprego para os jovens entre 15 e 24 anos. À parte as questões econômicas (foco principal de estudo do instituto) e outras tantas sociais (discutidas também na reportagem), gostaria de incluir a preocupação em relação ao Setor Saúde Suplementar.
Estes jovens, ao ingressarem no trabalho alcançam a possibilidade de, com sua renda, seja ela qual for, buscar a oferta de produtos voltados para a saúde. Se ele opta pela Saúde Pública, o SUS, estará contribuindo através de sua folha de pagamento, mais a contribuição patronal, e os impostos que financiam o sistema para que ela sobreviva e melhore. Como o jovem está no auge de sua vitalidade e vontade de construir, está no momento ideal para se desenvolverem ações de prevenção e promoção de saúde consolidando a tríade perfeita: qualidade de vida, controle de riscos e redução de consumos dos recursos do sistema. Todos ganham!
Se ele opta pelo Setor Suplementar, buscará alguma das diversas alternativas que o mercado hoje oferece, fugindo daquele portfólio maniqueísta que durante tanto tempo existiu em nosso país: saúde esquecida, doença em locais de luxo. As empresas hoje, de todos os segmentos, já oferecem desde o plano mais tradicional até outros onde a adesão às ações programáticas de saúde são recompensadas com mensalidades mais atrativas. Novamente temos a situação em que o cliente permanece saudável por tempo maior, o sistema se volta para a resolutividade e as empresas sobrevivem. Todos ganham!
Nada disso, porém, acontece se o jovem está desempregado. Ele está excluído de tudo, exposto aos riscos do crime organizado, drogas e por aí vai. O jovem perde, sua família sofre, o país retrocede e o sistema de saúde encolhe. Por isso, preocupa-me quando escuto empresários e gestores estratégicos do Setor Saúde reportarem-se ao drama do desemprego como se ele estivesse num outro "departamento", fora do seu alcance e governabilidade. As ações de responsabilidade social podem e devem ser objeto dos planejamentos estratégicos das corporações que atuam na saúde, de forma muito mais ousada do que aquela até hoje existente. Fundações que são criadas com excedentes de lucros são bons começos, porém insignificantes perante a dimensão do problema e seus reflexos num futuro não tão distante. É importante que o setor acorde e inicie esta discussão.
Mais uma vez, somos campeões numa disputa em que não há, absolutamente, nada para se comemorar! Vamos querer nos enganar dizendo que nada se pode ser feito?

19 de mai. de 2008

A VOLTA DO RESSEGURO

Bom Dia!

É difícil falarmos em volta de um produto que a rigor jamais conseguiu se estabelecer no país. O resseguro em saúde (ou stop-loss) foi o principal objeto do evento acontecido na última quarta feira no Rio de Janeiro envolvendo dirigentes de seguradoras, corretores e outros atores do mercado de saúde suplementar. O otimismo foi a tônica do evento, tanto em relação às necessidades das operadoras destes produtos, quanto com a possibilidade da legislção que viabilize sua implantação ser rapidamente concluída.
O resseguro é, sim, uma ferramenta importante para as operadoras e, dependendo da amplitude de suas coberturas, diria que imprescindível. Sua quantificação monetária é complexa e a viabilidade de se lançar mão dele deve ser bem mensurada pelos gestores das empresas. Mas gostaria de focar um ponto que não percebi estar na primeira linha de preocupação dos gestores: o controle da sinistralidade pela gestão dos riscos. Este é o fator chave de sucesso para as operadoras que desejam sobreviver por agregar qualidade aos seus clientes.
O resseguro é a cereja do bolo, mas não é o bolo!
O controle dos sinistros já foi tentado por diversas formas e caminhos. Usou-se ações técnicas e mesmo rompantes restritivos, com iguais resultados: sucesso inicial e fulgaz, desastre subsequente e contínuo! Não se viabilizará sistema de saúde, privado ou público, sem atuar de forma incisiva sobre os riscos aos quais a população cuidada está exposta.
Muitas experiências focam o lado errado do problema: montam-se estruturas próprias ou terceirizadas, de expressivo porte, para se tratar dos clientes já vitimados por agravos. A estes cabe ofereceremos nosso melhor serviço externo, credenciado e decente. Mas a gestão dos riscos se dá na população exposta e não sinistrada! É ela que nos pede uma silenciosa ajuda, cerimoniosamente ignorada pelos gestores estratégicos. É esta população que, cuidada e monitorada, estará satisfeita, se sentirá diferenciada e evitará o crescimento da sinistralidade real. Sim, digo real, porque hoje se comemora no nosso país, a queda da sinistralidade pela restrição de coberturas, pela exclusão dos planos-empresa ou pela (burra) racionalização de eventos. Estas medidas são passageiras, efêmeras e não-estruturantes.
Controlar a sinistralidade pela gestão de riscos e, aí sim, ter o resseguro como uma ferramenta de auxílio às eventualidades fora de nossa governabilidade, tornam-se excelentes perspectivas para a qualificação deste difícil setor onde atuamos, a saúde suplementar.

16 de mai. de 2008

PORQUE HOJE É SEXTA FEIRA...

Bom Dia!

Cansados de uma semana difícil, cansados de tantas metas e desafios ainda a serem superados, cansados de tantas e tamanhas responsabilidades, os gestores às vezes sentem seus projetos e planos de futuro vacilarem. É fruto da nossa natureza humana. Somos assim mesmo.
Podemos dizer que é normal o desânimo, não a sua perenidade.
É natural o cansaço, não o abatimento.
É da raça humana a tristeza, não a desesperança.
Nossos conhecimentos são dádivas que devem ser colocadas à disposição dos que necessitam de nós. Cada um com seus dons e habilidades, mas todos voltados ao bem comum. Deixe o desânimo chegar, mas nunca permita que ele fique.
Deixe a vida, precioso dom divino gratuitamente nos outorgado, prevalecer ante esta sociedade mesquinha e egoísta, com sua cultura de morte. Não deixe a vida te levar, leve-a para os rumos do crescimento pessoal, profissional e espiritual.
Um bom final de semana!

"Quereis ser feliz por um momento, vingai-vos; quereis ser feliz para sempre perdoai".
(Jean Baptiste Henri Lacordaire)

"Às vezes todas as folhas precisam cair para vermos a plenitude do céu".
(Frei Clemente Kesselmeier)

14 de mai. de 2008

A GUERRA DAS CERVEJAS

Bom Dia!

Estamos acompanhando nestes últimos meses a duas guerras diárias no campo da propaganda (além das tristemente famosas outras que invadem nossos lares e vidas): a primeira, a guerra das cervejas pelo mercado consumidor, e uma outra, a luta das empresas de propaganda para que não seja proibida a veiculação de anúncios na mídia, tal qual, acertadamente a legislação fez com a indústria do tabaco anos atrás.
Em relação ao consumidor, esmeram-se as empresas de propaganda: selecionam artistas que têm poder de influenciar os clientes, ou que estão na moda por sucessos na televisão ou cinema, capricham nos enredos das peças, dão ao vício da bebida um aspecto jovial, responsável e insinuam até... saudável (sic)!
Quanto à tentativa de proibição da veiculação das peças, apelam para as verdades de impunidade, corrupção de agentes que deveriam coibir os abusos e outras questões que dizem respeito à omissão do Estado, quanto à segurança de seus cidadãos. Omitem, é óbvio, dos espectadores, que a bebida influencia também na segurança, mas é primordialmente uma questão de SAÚDE!
Mas os fabricantes de cerveja capricham na escolha dos atores. São jovens, saudáveis na aparência, com corpos de manequim ou atléticos, para a mensagem subliminar de que a cerveja não faz tanto mal assim... Será verdade?
Em estudo intitulado "O Álcool como causa do câncer", divulgado esta semana, o Instituto Australiano de Câncer (http://www.cancercouncil.com.au/), realizado sob a forma de revisão sistemática de literatura médica, trouxe alguns dados acerca desta questão omitida de toda a discussão no nosso país sobre a "guerra das cervejas":
Um consumo médio de
02 cervejas/dia (ou 20 g de álcool): Aumenta em 75% o risco de câncer de boca; Aumenta em 40% as neoplasias: faringe, laringe, esôfago, colon e reto; além disso, nas mulheres: aumenta 22% o câncer de mama.

04 cervejas/dia: Aumenta o risco de câncer de intestino em 64%.

08 cervejas/dia: Em todos os órgãos, 90% de aumento do risco.

Por acaso alguns de nós já percebeu nas propagandas o cuidado com essas informações? Está no rodapé das peças publicitárias ou no invólucro das garrafas estes dados e riscos? Será que a guerra para não se perder o espaço publicitário, e os milhões de reais que eles significam, tem o cliente e sua saúde como ponto central da questão? Drinque prazeroso não é aquele que se toma com os amigos, influenciados todos por uma propaganda incompleta ou gananciosa. Prazeroso é a comemoração da vida, com saúde e equilíbrio. Não se pode ser gestor de saúde sem medidas firmes. A proibição das campanhas publicitárias de tabaco foi um tremendo acerto, uma vitória da saúde pública. A proibição das que dizem respeito às bebidas alcóolicas será outro. Exerçamos nosso direito de cidadania.

13 de mai. de 2008

A MATERNIDADE

Bom Dia!

O Ministério da Saúde está desenvolvendo em todo país uma campanha de esclarecimento e promoção ao parto natural. A iniciativa, além de elogiável sob todos os aspectos, é uma oportunidade ímpar de se esclarecer dúvidas e derrubar "lendas urbanas" sobre as mulheres que optarem por esta forma saudável de conceber. Os eventos proliferam e logo deverão tomar conta das ruas, esperamos com o apoio dos conselhos regionais de medicina e enfermagem, também interessados em toda forma de promoção à Saúde.
A maternidade é um dom maravilhoso, divino e que distingue a mulher alçando-a ao lugar de destaque que deve ocupar no mundo. A ligação umbilical com os filhos é tão intensa e permanente, mesmo após o nascimento, que as mudanças trazidas pela gravidez muitas vezes transformarão as gestantes para o resto de suas vidas.
A maternidade é uma vocação para o amor. Por isso, embora a campanha esteja destinada àquelas que serão mães biológicas, não podemos esquecer de tantas outras que, por razões diversas, fazem da adoção uma outra forma de amar. E são mães também, quando entendemos a palavra mãe como sinônimo de amor.
Num mundo tão materialista e por isso mesmo tão egoísta, onde as relações de consumo tentam eliminar a construção de relações baseadas no amor recíproco, a maternidade, seja ela biológica, seja ela (perdoem-me os cientistas) adotiva, é mais do que uma ação de promoção à Saúde. Tratamos da própria sobrevivência do afeto, caridade e solidariedade, sentimentos que ao serem supridos de uma sociedade, atestam o errado caminho desta para sua auto-destruição.
A maternidade é a maior expressão da defesa da vida que a sociedade possui. O aborto é a negação da maternidade e do amor. Por que tantas dúvidas?

12 de mai. de 2008

SIMPLICIDADE E RESULTADO

Bom Dia!

Chegam notícias do continente africano, em especial do nosso país irmão Angola, que o paludismo em algumas cidades deixou de ser a primeira causa de morte, como o fora até o ano passado. O fato resulta em sua essência da atuação dos Agentes Comunitários de Saúde, ação programática implantada com a ajuda e exportação de tecnologia do Governo brasileiro. A percepção desta melhoria pela sofrida população angolana é percebível quando ela requer do seu governo a expansão e ampliação da atuação dos agentes.
O que vem a ser isto senão promoção à saúde? E o que é mais importante, agregando valor aos pacientes. Mais ainda, este valor está diretamente relacionado à vida, à sobrevivência daqueles que antes eram potencialmente vítimas fatais de uma doença já controlada pela ciência.
É simples: atuando diariamente, de casa em casa, os agentes são instrumentos multiplicadores das orientações básicas que impedem a proliferação das doenças e, principalmente, dos seus agentes causadores. Por estarem acessíveis e falarem uma linguagem descomplicada e direta aos moradores, passam a usufruir do importante elemento na promoção da Saúde: a credibilidade.
Desta simplicidade extraem-se os resultados. A morte sai da agenda cotidiana dos habitantes das seis cidades angolanas onde já funciona o programa, e a vida retoma o espaço que lhe é natural. Não é o fim dos problemas, certamente e infelizmente que não. Mas é o início de uma nova postura em relação à Saúde própria e dos familiares de cada casa que vem sendo visitada e monitorada.
Os resultados em Saúde são assim: mais fácil encontrá-los na simplicidade das ações de promoção e prevenção, tantas vezes já registradas e comentadas aqui, do que na parafernália de equipamentos tecnológicos, grandes exemplares que são de ganhos corporativos que nem sempre resultam em ganhos para os pacientes.
Quer ter resultados concretos, efetivos? Pense o simples primeiro, implante o simples nas agendas dos gestores e seja simples na condução das equipes.

8 de mai. de 2008

CONVERSAS DE AVIÃO...

Bom Dia!

Retornando de viagem ontem à noite, após a costumeira espera e atraso de mais de uma hora, fui compulsoriamente obrigado a partilhar, com dois estranhos, de suas conversas, pensamentos e problemas pessoais. Não sou bisbilhoteiro e nem estiquei o pescoço para ouvir. O fato é que diversas pessoas confundem o espaço público de um avião, com o partilhar de suas vidas pessoais com todos os que desconhecem por falarem alto e sem nenhum senso de cuidado profissional. Nem respeito pelos ouvidos alheios! Pois bem, fruto desta situação, fui obrigado a escutar, algumas poltronas à frente, da equivocada afirmação de que: "É preciso rever e atualizar o conceito da Ética, pois ele não pode ficar antiquado neste mundo globalizado"(sic).
Perdoem-me estranhos, mas é preciso rever seus conceitos pessoais. A Ética não envelheceu, e nunca o fará, porque ela tem relação com os princípios morais que regem a sociedade humana. E se esta não acabou e nem mudou (para uma sociedade de antas, por exemplo), então a Ética não está "superada" ou "ultrapassada".
Em verdade, a afirmação correta é que a globalização não deveria esquecê-la! Partilhar informações deve fazer com que os seres humanos, as empresas e os produtos se qualifiquem, respeitem os direitos estabelecidos e permitam um crescimento sustentável e respeitoso. A Ética motiva a inclusão, a justiça distributiva e a importância da empresa como elemento agregador. Pensar que o fim justificam os meios é tão ultrapassado, incorreto e estúpido, que este tipo de pensamento deve ser banido dos nossos atos e pensamentos.
Quanto aos estranhos, que permaneçam o que me pareceram: pesadelos à meia-noite!

6 de mai. de 2008

O DIFÍCIL MUNDO DA VERDADE

Bom Dia!

Segundo o Ministro de Propaganda do III Reich, o nazista Joseph Goebbels, uma mentira contada muitas vezes e por longo tempo torna-se, para o povo, uma verdade. Com este tipo de farsa ele ajudou a ampliar a tristemente célebre figura do Hitler e da mesma forma tentou desvincular do ditador sanguinário o terrível e covarde massacre ao povo judeu, abominável por todos os cidadãos de boa vontade, por toda a vida.
Infelizmente, a lição do famigerado criminoso nazista ficou. E o que é pior, está se tornando neste mundo globalizado a regra e não mais uma lamentável situação de excepcionalidade. Mente-se para se obter vantagem pessoal. Mente-se para se parecer a alguém algo que não se é. Mente-se para tentar ser uma liderança. Mente-se porque, como mentiroso contumaz, já não se consegue distinguir o que é verdade no próprio mundo de mentiras que se criou!
A mentira entrou no mundo político como algo "natural", e o eleitorado admite (ou se conforma) com esta atitude desprezível porque eles são "políticos". O absurdo incorporou a categoria de nossos representantes e mentir, na política, virou motivo de piada, deboche.
Também no mundo corporativo mente-se para tentar ser "bonzinho", ou para se tentar diminuir a fama de "mau". A mentira parece ser um refúgio, uma esperança para os incompetentes que dela se servem como escudo.
Mente-se para o cliente, tentando não mostrar as fraquezas de um produto antes da venda, sem se levar em conta as nefastas consequências desta descoberta no pós-venda.
Mente-se no preço final, mesmo com uma economia estabilizada, ao se cobrar por preços à vista o mesmo montante dos valores à prazo, em especial da mercadorias exclusivas ou na "moda".
Para quem mentimos? Realmente acreditamos que a verdade é tão difícil que pensamos mentir para nossos clientes?
Mentimos para nós mesmos. Para não assumirmos nossas fraquezas corporativas. Para não assumirmos nossas limitações técnicas que não nos permitem agregar valor ao cliente para, somente assim, aferir ganhos legítimos e justos. Para não vermos que a democracia exigida nas ruas e locais públicos, e que pressupõe o respeito aos direitos de todos e a cobrança aos deveres de todos, só poderá existir de forma plena se ela começar em todos os agrupamentos humanos dos quais participamos: família, clube, empresa, igreja, e por aí vai.
A mentira parece ser fácil, e assim o é num primeiro instante. Mas ela vai tecendo em torno do mentiroso uma invisível teia de restrições que o levará, num tempo não tão longo, à derrocada corporativa.
Não é fácil falar a verdade. Para nossos filhos, para nossos colegas e para nossos clientes. É difícil o mundo da verdade. Mas, ao contrário da mentira, a verdade é perene, construtiva e amplificadora. Ela alarga os horizontes, solidifica reputações e dá perenidade ao nome das que a usam como instrumento de vida e de trabalho. Chega de mentiras, chega de nada sabermos. Viva a verdade!

«Caímos tão fundo que atrever-se a proclamar aquilo que é óbvio se transformou em dever de todo o ser inteligente».
(Georges Orwell)

2 de mai. de 2008

O ABORTO É JOVEM

Bom Dia!

Pesquisa da Universidade de Brasília (UnB), em conjunto com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), chegou à constatação de que mais de 70% das mulheres que cometeram o aborto no dez últimos anos em nosso país já tinham pelo menos um filho e estavam com idade variando entre 20 e 29 anos. O estudo adentrou na questão da religião declarada e aponta para a prevalência de católicas neste grupo, seguida por espíritas e evangélicas. Conclui que a religião é para elas um meio de conforto e não uma "cartilha dogmática" a ser seguida nesta triste atitude.
Qual a surpresa? Sinceramente, nenhuma.
A mídia tem feito, sistematicamente, uma campanha pró-aborto a ponto de transformar ministro de estado em garoto-propaganda, enaltecendo a opção abortiva como um ganho, um aumento da liberdade feminina. E por mais paradoxal, a mesma mídia mantém o assassinato cruel e frio de uma criança em São Paulo, há mais de um mês, com enorme espaço e sob a égide da revolta e desprezo populares.
Ou seja, para a mídia brasileira, matar uma criança de cinco anos é objeto de repulsa, o que é verdade. Agora, se a criança é apenas um embrião de cinco horas, cinco dias, cinco semanas, ou cinco meses, não é crime, é liberdade feminina. Parece hipocrisia, e é.
A prevalência de abortos entre jovens mulheres que já são mães, demonstra o quanto se têm atacado as bases sólidas da educação e formação em nosso país. O quanto os valores e princípios que regerão os futuros profissionais, políticos, técnicos e condutores desta nação, estão sendo relativizados em nome de "modernismos" e " avanços", construídos sobre sacrifícios de vidas sem defesa própria.
Existem interesses comerciais estão inseridos nestas questões? Não sei. O que eu sei é que dos abortos efetuados, 84% se deu com uso de medicamentos, inclusive de venda proibida a pessoas físicas e em farmácias, segundo os mesmos pesquisadores. Ou seja, a Lei que veda, por exemplo, a comercialização em balcãos de farmácias do Cyntotec desde 1998, está sendo, no mínimo descumprida. E esta medicação foi a campeã de uso segundo a UnB/UERJ na década estudada (1997/2007).
Estamos caminhando para mais um triste recorde? Vocês já perceberam que desde o caso Isabela a imprensa tem evitado falar do uso de embriões humanos em pesquisa? Também não falaram mais da legalização do aborto? Por que será que estas coincidências acontecem? Para que as pessoas não percebam a vinculação estreita que existe entre ambas.
Matar uma criança é chocante, violento e repulsivo. Matar fetos e embriões, também.