30 de dez. de 2008

MENSAGEM PARA REFLEXÃO

Boa Tarde!

Nesta época de final de ano é comum recebermos diversos arquivos com belas mensagens e lindas paisagens. Elas repetem o que sábios mestres já ensinaram, ou trazem-nos trechos das Sagradas Escrituras, ou inundam nossas caixas com os filósofos desconhecidos que costumam povoar a rede mundial de computadores.
O fato é que todas estas mensagens possuem uma singular característica: geram obrigações e pedem mudanças de vida para... que as recebe! Ou seja, parece que terminando o ano, basta dizermos aos outros o que eles devem pensar, tudo aquilo que eles não fizeram, mas deveriam ter feito, ou qualquer outra tarefa a que eles devem se dedicar. Mas, e a minha mudança interior?
O que é que eu estou assumindo como minha falha neste ano, aquilo em que fui desatento, egoísta ou deixei a avareza me conduzir? Onde está o meu compromisso? Minha assertiva declaração de que serei melhor no ano que vem? Onde estou escrevendo as frases que devem ser lidas e apreendidas pelo meu coração? Por que as escondo? Será que não as escrevi?
Quanto daquelas belas frases foram escritas pensando nos outros, naquilo que julgo ser suas fraquezas, suas falhas, suas carências. Como me foi fácil percebê-las e apontá-las, ainda que eu tenha tido o cuidado de escrever tais "recomendações", numa bela apresentação, sobre lindas fotografias, pois assim julgo que a crítica fica mais... absorvível!
Nada tenho contra estes arquivos, ao contrário, prezo-os muito e costumos refletir sobre aqueles de real conteúdo. Mas, sinto falta da minha carta de mudanças. Será que não deveria ser este o meu texto, para enviar aos meus familiares, amigos e colegas de trabalho, para que tenham a certeza de que, apesar das minhas falhas, continuarei tentando ser melhor no ano que vem, mais humano, mais cristão, mais paciente.
Quel tal experimentarmos criar um arquivo assim, saindo do fundo do nosso coração?

29 de dez. de 2008

VOCAÇÃO E TRABALHO

Boa Tarde!

É muito bom verificarmos a preocupação de toda a população brasileira em relação ao fato de estarmos aptos e capazes para trabalhar. Melhor ainda percebermos que, apesar dos contrários e das lendas urbanas, os brasileiros gostam e desejam conseguir seu trabalho de maneira lícita e por seus próprios méritos. As exceções, que todos conhecemos, não devem merecer nenhuma reflexão e nem afetar nosso correto entendimento do profissionalismo contido no legítimo desejo de se possuir um trabalho.
O trabalhador deve possuir um comportamento ético, comprometido com as metas estratégicas de sua organização e com respeito aos seus pares e líderes, exigindo, obviamente, a totalidade de seus direitos. Mas, será que podemos afirmar ser todo o trabalhador um vocacionado?
Em minha opinião, vocação e trabalho são coisas distintas, independentes e que, ao se encontrarem produzem o profissional por excelência, seja qual for o ramo em que sua organização trabalhe.
Vocação advém de raiz latina que quer dizer "chamado". Assim, o vocacionado é alguém que, apesar de todas as apostas, opiniões contrárias, modismos, pessimismos e outros "ismos" que tanto proliferam em nossa sociedade atual, e tão pouco ajudam os seres humanso, admite encarar a sua opção como o seu bem maior, seu real projeto de vida, sua própria razão de existir. Por isso, o vocacionado não exitará em deixar sua família, amigos, colegas, prazeres mundanos e similares, para se entregar de corpo e alma ao projeto maior que está por trás da sua vocação identificada e, principalmente, vivenciada.
Se a pessoa vocacionada também assume uma postura de trabalhador profissional, atento às certezas de que o mundo organizacional nos provém momentos de crescimento e outros tantos, ou maior número, de frustrações e desafios, alcançaremos um profissional que alcance o ápice da excelência!
O vocacionado trabalhador não se acha além de tudo e de todos, um super-homem, não! Ele apenas mantém abastecido o seu reservatório de força, sabendo que nos momentos bons estas reservas têm que ser ampliadas, para serem consumidas nos momentos de desestímulo, decepções e por aí vai, de tal forma que o resultado desta soma seja: a manutenção do chamado inicial.
Se eu não exerço a minha vocação, corro o risco de me transformar num autômato, que executa suas tarefas apenas por ter sido bem treinado, sem sentir toda a carga de realização, racionalmente identificada e sinceramente sentida quando mantenho o projeto de vida desenhado anteriormente.
Se não sou profissional, não permito que minha verdadeira vocação seja identificada e corro o risco de me tornar um escravo das tarefas, em troca de um pagamento. Chega-se quase a ser um mercenário do trabalho: basta que me coloquem um valor mais expressivo nas mãos e deixarei de lado minhas crises de consciência e a razão que cobra de mim, coerência e postura.
A vocação real não permite a repetição, a falta de cuidados com as verdades que assumi ao escolher fazer dela o centro da minha vida, o vazio da mera execução de tarefas buscando apenas uma recompensa material. Exercer minha vocação conhecendo os desafios que o trabalho nos traz, e buscando usar da consistência de uma a fonte para superá-los é, com certeza, uma boa receita para se sentir feliz naquilo que se faz.

27 de dez. de 2008

POSSO AMAR MINHA EMPRESA?

Que tipo de amor nós sentimos pelas organizações nas quais passamos quase que metade dos nossos dias? Sim, falo de amor mesmo. De um sentimento que deve ser o reflexo do amor que sentimos por nós próprios e por todos os nossos semelhantes. Como o sentimos?
Os gregos afirmavam existir três espécies diferentes de amor: o PHILOS ou FILOS (do grego philia ou φιλία) era um conceito desenvolvido por Aristóteles e estava muito atrelado à lealdade, um sentimento desvinculado da paixão, mas intrínsecamente associado à perseverença frente quaisquer momentos. O Amor-Filos não conhecia individualidade e nem centralismos, era global e se estendia a todos, sejam familiares, conhecidos, amigos, desconhecidos, etc. No grego moderno, FILOS se traduz por AMIZADE.
É uma forma tão forte de amar que, para termos uma idéia, nos livros do Novo Testamento da Bíblia, a descrição de FILOS para este sentimento é usada em número menor apenas do que a outra espécie: o amor ÁGAPE (do grego àgape ou ἀγάπη ), entendido como um sentimento que transcende a questão corporal, vai além de uma atração física ou da empatia com esta ou aquela pessoa. O amor-ágape pode ser entendido como a realização plena pela felicidade e bem estar do outro e não de si próprio. É o que diversos estudiosos chamaram de entrega total. Eu sou feliz por tornar feliz a vida daqueles com quem eu convivo direta ou indiretamente. Este conceito requer uma mudança de vida minha, tomando a Ética, a Responsabilidade Social, a Honestidade e outros princípios relacionados, como vetores que definem minhas prioridades e forma de atuação profissional e pessoalmente falando. No grego moderno, AGAPE se traduz por AMOR. Este é o amor que para os cristãos motivou o sacrifício de Cristo para toda a humanidade. Um sacrifício de um inocente pelos culpados, em nome do amor que não conhece exigências ou condições.
Uma outra espécie descrita pelos gregos clássicos está totalmente ligada à atração física, é o amor EROS (eros ou ἔρως). Ele envolve o desejo por alguém que nos estimula sensualmente falando. Este tipo de amor é descrito como o que nos atrai para além do FILOS ou da amizade. Platão refina o conceito entendendo-o como esta ligação de objetivos ainda que dissocie-o do amor carnal (daí o termo amor platônico). O amor-eros estaria na base da compreensão da verdade, seja pelos amantes, seja pelos filósofos.
Mas, como estes tipos de amores podem estar ligados ao nosso exercício profissional?
O FILOS pressupõe amizade. E esta não pode acontecer num ambiente onde não se respeite o próximo, principalmente aquele com quem temos divergências metodológicas, culturais ou sejam elas quais forem. Ser amigo não é ser omisso, nem tampouco conivente. É agregar valor à vida profissional dos outros e, assim, pavimentar o caminho de todos rumo às promoções. Crescer juntos é mais fácil do que fazer sucesso sozinho. Atuar sem paternalismos, mas com justiça e, em especial, equilíbrio, torna um profissional amigo da sua empresa e dos seus pares.
O ÁGAPE pressupõe colocar-se na pele de seus clientes. Sentir a sua decisão não sob o seu ponto de vista, não a partir de seu conhecimento técnico, mas sob a percepção de quem usa e adquire os seus produtos. Se você realiza a necessidade dos seus clientes eles necessariamente estarão satisfeitos com sua empresa. Não é mais ou menos satisfeitos, ou parcialmente atendidos. Quem inventou meio termo na satisfação dos clientes foi alguém que não pensa neles! Cliente está satisfeito ou não, ponto. E se tenho amor ágape, não posso exigir deles o que não quero para mim. Não devo diferenciá-los por quaisquer aspectos pessoais, e devo honrar o que prometi.
O EROS deve nos dar a vontade de defender a organização, a gana de conquistar mais clientes e de fazê-la cada vez melhor e maior. Esta garra faz com que assumamos os seus objetivos como se fossem nossos. As metas passam a ser desafios e não barreiras, os resultados transformam-se em degraus para o sucesso e não fardos em nossa vida profissional.
Muitas vezes abrimos mão de sentirmos amor pelas organizações onde atuamos ou por um fanatismo que nos cega e faz-nos acreditar que buscamos um paraíso terrestre nas corporações ao invés de um lugar profissional e formado majoritariamente por profissionais, ou, o que considero pior, deixamo-nos levar por um cinismo de achar que quando as coisas estão mal, não podem ficar piores. E, assim, acomodamo-nos numa mesmice qualquer, abrimos mão de nossas competências e sonhos e ficamos esperando o armagedom passar. Mas ele não passa.
Ter amor por uma empresa só é possível se tivermos:
Primeiro, amor por nós mesmos. Cuidados conosco, com nossos familiares e amigos.
Segundo, amor para com nossas equipes. Solidariedade, equilíbrio e justiça para com todos e dando o exemplo maior, seja qual for a nossa função ou posição hierárquica.
Terceiro, amor para com as mudanças positivas do mundo, entendendo as empresas como forças propulsoras e viabilizadoras destas mudanças.
Se você não consegue encaixar a palavra egoísmo nestes três requisitos listados acima é porque o AMOR pela empresa pode sim ser algo real e construtivo, para o ser humano, a sociedade onde ele vive e o meio ambiente que lhe assegura a sobrevivência.

24 de dez. de 2008

VELHO MODELO 2 X 0 GESTÃO DE CUIDADOS

Boa Noite!

Este é o placar que parece representar o ano de 2008 para todos os profissionais de saúde que estudam, entendem e defendem o Modelo de Atenção Primária em Saúde (APS), expresso em sua forma gerencial pela Gestão de Cuidados Integrada. Não se trata de uma crise de pessimismo ou derrotismo. Mas da triste constatação deste momento que atravessamos, no país e no mundo.
1 a 0:
Completaram-se em 2008, trinta anos da Conferência Mundial de Saúde realizada em Alma-Ata e que resultou na consolidação da APS, bem como na declaração de 22 pontos assumidos como compromisso de todos os segmentos e países presentes, voltados par a Saúde Coletiva. Muito entusiasmo, bastante agitação e... parcos resultados.
Alma-Ata esteve solenemente esquecida neste ano, ignorada por um mercado cada vez mais concentrado e agressivo, cuja tecnificação restrita ao maquinário já ultrapassou qualquer barreira de normalidade e racionalidade, mesmo para os empresários da saúde. Pensar Saúde como um sistema, onde as células interagem, mas cujo centro é o ser humano, e a principal força seria a atuação interdisciplinar, parece cada vez mais com um acontecimento jurássico, para ser buscado apenas durante uma visita de museu e que pouco tem pautado as discussões e medidas CONCRETAS dos gestores estratégicos de saúde aqui, neste país que nunca viu em sua história tanta coisa, tampouco no mundo, em especial no Velho Continente. Os sistemas implantados andam, aos trancos e barrancos – é bem verdade – porém, continuam andando. Mas, e o restante?
2 a 0:
A única ação realmente de APS desenvolvida pela Ministério da Saúde foi a do Parto Natural. Claro, nos moldes de sempre: palestras, eventos televisivos, reuniões, consultorias, mais palestras, mais reuniões, de novo reuniões e... Cadê o cliente? Aliás, tenho voltado sempre a esta tecla:
Se defendemos um modelo voltado para o mapeamento do sofrimento do ser humano, o que é um anseio de todos nós;
Se este modelo envolve todos os círculos de relacionamento deste ser, da família ao trabalho, o que torna a intervenção qualificada e, em tese, muito mais resolutiva que qualquer outra;
Se existe uma convergência no diagnóstico da crise de saúde no nosso país e no mundo... Por que não conseguimos emplacá-lo? Por que não há manifestações de satisfação e procura desenfreada dos nossos clientes pela Gestão de Cuidados?
Mantenho a minha teoria: nossos grandes divulgadores, os médicos e demais profissionais que atuam na APS, têm-na como uma opção ideológica, filosófica ou de qualquer outra natureza, exceto como uma estratégia qualificada voltada para o CLIENTE/PACIENTE/USUÁRIO (ou o nome que você entende melhor politicamente, para mim esta questão não é essencial).
Não estamos “conquistando” nossas populações, pois continuamos a atuar de forma médico centrada. As equipes de atenção primária deveriam alcançar junto ao seu paciente/cliente o status de alta resolutividade, de diferencial quanto ao resultado, uma confiança na essência e não uma relés mudança de aparência. Estamos preocupados demais com a ideologia da APS e esquecendo o cliente/paciente.
Depois de trinta anos de discursos colocando o ser humano como centro da APS, esquecemos que ser humano no mundo real quer dizer paciente. É aquela pessoa que vem ao serviço e deseja sentir-se contemplado, acolhido, tratado diferencialmente pelo resultado, não pelo tamanho do sorriso que não consegue resolver seu sofrimento.
Olha, sinceramente, está na hora (ou já passou?) de pararmos para “discutir a relação”. Antes que um rompimento se dê de forma irreversível.
Pensando bem, perder este ano de 2 a 0 foi pouco. Poderíamos ter tomado de WO por abandono total, não da equipe, mas do cliente!

A DROGA E O MUNDO

Boa Noite!

O governo anuncia que este ano, para o costumeiro indulto de Natal, pretende deixar de fora os condenados por tráfico de drogas. É uma boa notícia, ainda que tardia! Os números dos levantamentos divulgados em todo o mundo apontam para o crescimento do consumo de drogas, sob as mais variadas formas e espécies em praticamente todos os países e continentes do mundo, a saber:
Na África, além das drogas injetáveis que também contribuem para a proliferação da AIDS, crescem o consumo de haxixe, maconha, heroína e outros derivados da espécie. O controle é falho, aliado a uma crônica falta de recursos, de treinamentos e condições mais efetivas para se evitar a corrupção de quem deveria reprimir.
Na América, destacam-se o consumo de medicamentos, com triste ênfase para as anfetaminas, além da cocaína, cuja produção é quase que totalmente “exportada” para outras nações pelo mundo afora. O tráfico é aliado, investidor e comprador do comércio ilegal de armas, e vem ocupando espaços cada vez maiores nas principais cidades do continente.
Na Ásia estão 2/3 de todos os consumidores de anfetaminas de todo o mundo! Além do haxixe, maconha, cocaína e por aí vai. Também com triste panorama está a Europa e da Oceania vem uma única “boa” notícia: a redução do consumo de heroína, fruto de dura e persistente repressão do estado.
Aliás, este é o ponto. A repressão deve ser sistemática, firme e... educativa! Sim, é isso mesmo. Não adianta apenas aparelhar os órgãos policiais com instrumentos e armas. Devemos reforçar as bases educacionais, quem sabe até criar uma cadeira específica sobre educação contra entorpecentes, em todos os níveis.
As leis não podem ser suavizadas e nem relativizadas. Chega desta hipocrisia de liberação da maconha!
Estamos perdendo esta guerra e não reverteremos esta situação permitindo aos “simpatizantes” do outro lado que se infiltrem com beneplácita autorização do Estado nos redutos ainda parcialmente intactos de nossa sociedade: as famílias.
Estamos em período de festas natalinas. Momento único de reflexão e revisão do que fizemos e do que iremos mudar concretamente em nossas vidas para melhor. Porque não incluir um pensamento sobre a nossa parcela de ajuda nesta dura e difícil tarefa?
Quantas pessoas não saberão, no dia de Natal, por onde andam seus filhos, maridos, netos, amigos, ceifados do convívio de seus lares por um cruel traficante, manipulador maligno de sua dependência química? Por que não sermos solidários com eles atuando dentro dos nossos locais de trabalho, de convívio social, religioso ou político, de forma efetiva CONTRA as drogas? Até quando nos enganaremos apenas lamentando estes tristes dados, para em seguida acharmos “simpático” aquele defensor da legalização ou “quadrada” aquele entidade, igreja ou partido que se opõe ao absurdo do comércio legal de entorpecentes? Tomara que acordemos para nossa responsabilidade, enquanto a droga ainda estiver do outro lado da rua, pois ela, ao contrário das pessoas de bem, não pede licença para entrar em sua casa. E depois de instalada, quase nunca conseguimos expulsá-la.

23 de dez. de 2008

NÃO RETROCEDER JAMAIS!

Boa Noite!

Tenho acompanhado alguns pronunciamentos de autoridades envolvidas no processo de discussão e elaboração que resultou na conhecida Lei Seca. Elas expressam sua preocupação, quase um desânimo, com o fato de que as estatísticas não caminham na projeção inicial de redução de 40% nas vítimas fatais e acidentes decorrentes da proibição de se beber embriagado
Em algumas capitais, como o Rio de Janeiro, já surgem aqui e ali denúncias do famoso e deplorável “jeitinho” brasileiro para se livrar infratores das penalidades da Lei. Quase que automaticamente, crescem novamente os números de acidentes e vítimas deste trânsito que é uma verdadeira guerra civil de quatro rodas.
Se realmente é de se lamentar a queda nos percentuais de redução, não se pode desistir da Lei e jamais, sob nenhuma hipótese, retroceder dela! Para quaisquer gestores de saúde, medidas isoladas como a Lei Seca não possuem a força necessária para modificar uma tendência, em especial quando ela envolve aspectos culturais da nossa população. Mas, é óbvio que não se pode começar uma mudança deste quilate se não estivermos calçados e embasados numa norma que se faça forte e, principalmente, possua amplo aspecto coercitivo.
O que está faltando? As ações agregadas dos nossos governantes. Nas três esferas de poder, federal, estadual e municipal, existem responsabilidades não assumidas em sua totalidade e que nesta hora, pesam bastante sobre nossas estatísticas de acidentes de trânsito:
= na esfera federal, a elaboração de uma estratégia de abordagem, divulgação e reforço junto às instituições multiplicadoras da sociedade, que prepare o terreno às ações estaduais e municiais e mantenha, com o poder do Estado, o assunto em pauta no conjunto da sociedade;
= na esfera estadual, uma maior ênfase, regularidade e contundência das campanhas de esclarecimento à população, das ações de educação em saúde e do mais amplo e irrestrito apoio às ações inibitórias e repressoras dos órgãos policiais encarregadas de fazer cumprir a referida Lei;
= na esfera municipal, um cerco efetivo aos comerciantes e facilitadores da venda de bebidas em desacordo às leis vigentes, bem como a rigidez fiscalizatória para com os estabelecimentos irregulares, quanto ao funcionamento, muitas vezes grandes provedores das bebidas consumidas pela sociedade.
O fato concreto é que avançamos. Pouco, é bem verdade. Menos ainda para àquelas famílias que perderam filhos e parentes, seja por causa da bebida, seja por culpa dos irresponsáveis bêbados ao volante. Mas não podemos e nem temos o direito de retroceder após tão penosa, demorada e árdua conquista: a sociedade possui um instrumento regulatório e punitivo aos infratores. Cabe, a todos os cidadãos, e em especial às instituições organizadas e sérias, não permitir que o assunto esfrie ou seja esquecido, até que uma próxima tragédia venha nos mostrar, a todos, de forma cruel e sangrenta a importância da Lei Seca para nossa Saúde Coletiva e Bem-Estar individual de cada brasileiro.

20 de dez. de 2008

O BICHO HOMEM NÃO É FÁCIL!

Boa Noite!

Existe um ditado popular no Nordeste brasileiro que diz, mais ou menos, assim: “É mais fácil tomar conta de bicho do que de gente”, buscando expressar a dificuldade de se conduzir equipes ou grupos de pessoas. Para a crendice popular, os animais irracionais não pensam e isto torna tudo mais fácil de se resolver. Também eles não disputam entre si espaços dos vizinhos, contentando-se em reconhecer um líder (em geral o mais forte) e deixando-se guiar por ele.
Não pretendo analisar e nem contrapor a valiosa sabedoria popular. Mas gostaria de estabelecer uma diferença que julgo vital entre liderar ou conduzir pessoas.
Quando um gestor estabelece para si a tarefa de liderar pessoas, ele implicitamente assume alguns compromissos inderrogáveis e intransferíveis:
- as metas são importantes e vitais para a empresa, mas o limite é a Ética e o Respeito aos Indivíduos;
- as equipes não são entes impessoais, desprovidos de necessidades humanas ou que se conduzam como se fossem autômatos. Pessoas exigem pessoas para serem seus líderes;
- os líderes FORMAM as pessoas, em todos os aspectos do conceito de formação: pessoalmente, corrigindo-lhes firme e fraternalmente os equívocos; profissionalmente, combatendo duramente os desvios e as teimosias; e na esfera da competência gerencial, treinando-os sempre e continuamente, quer em sala-de-aula, quer no próprio serviço.
- os líderes forçam as capacidades individuais e coletivas para que suas equipes desenvolvam o hábito do pensar estratégico, fugindo da mecanicidade que é míope, ou da acomodação pela repetição, que é burra.
- a liderança prima pela justiça, ainda que muitas vezes esta opção faça um líder de verdade sentir-se sozinho ou mesmo pouco compreendido. Não importa. A liderança vê além do hoje, e por isso ela se separa por completo da mediocridade, que não consegue se libertar do passado.
O papel daquele que apenas conduz suas equipes é mais simples, porém muito mais pobre: ele exige o cumprimento das metas, seja a que custo for e não importa por quais caminhos ela se alcance; os resultados dos relatórios são os pontos vitais, pois as pessoas são substituíveis; a formação é importante nos momentos de ociosidade, e se não impactarem os números das despesas administrativas de suas organizações; o que importa é o hoje, o agora, o futuro... sabe-se lá! Quem conduz equipes pode até posar de bom garoto, mas apenas como parte de uma estratégia de subjugação dos seus subordinados.
Quem lidera não teme a competência de seus pares, nem a existência de potencialidades iguais ou maiores que as suas. O Líder vê o todo, e usa as partes em função do potencial e características individuais.
O condutor se preocupa com a imagem que julga possuir. Por isso é comum alternar momentos “bonzinhos” com outros onde esquece tudo em função do número a ser batido. O condutor é avassalador, destrutor, impetuoso. O Líder possui consistência, credibilidade, coerência nas exigências e na partição das vitórias.
Ser condutor possui uma maior tentação: o imediatismo e a total falta de compromisso com seus subordinados.Ser líder exige tolerância à frustração, persistência e firmeza de atuação. Dá mais trabalho, às vezes mais tristezas, mas, com absoluta certeza a melhor tranqüilidade de consciência. Esta é, para mim, a única opção de quem realmente deseja ser gestor.

19 de dez. de 2008

ESTRANHA ESSA ÉTICA...

Boa Noite!

Estranha essa Ética da nossa Imprensa, que acertadamente ocupa considerável espaço para denunciar os facínoras travestidos de militares e civis que se furtaram diversos bens doados aos carentes e desabrigados pelas enchentes de Santa Catarina. Chamo-a de estranha porque, se de um lado denuncia este ato vil e sórdido, por outro lado encoberta ou deixa no esquecimento diversas denúncias e irregularidades contra “poderosos”, em especial quando detentores de prestígio popular.
A Ética afirma a verdade, esteja ela com quem estiver, não o populismo.
Estranha essa Imprensa que acertadamente defende os recursos para as crianças que estão desamparadas, adoecidas e desoladas com tudo o que perderam de material e social nas vidas de seus familiares, enquanto por outro lado não perde uma única oportunidade de defender o aborto, que é definitivo e retira das crianças o maior de seus bens: a vida.
A Ética tem no ser humano o centro de sua existência, sua razão de ser. É para defendê-lo e resguardar seu direito à vida em abundância, que seus princípios permanecerão sempre enquanto existirem homens de bem.
Não pode haver relativismo para a honestidade, a transparência e a decência.
Mas deve haver firme e concreta repulsa de TODOS os cidadãos aos atos que ataquem os direitos dos que mais sofrem, dos excluídos, dos marginalizados por essa sociedade e imprensa tão hipócritas.
Que bom seria nosso país se todas as mães, pais, colegas, amigos e vizinhos seguissem o exemplo da Sra. BLANDINA LOGEN. Ao saber que seu filho e sua nora haviam furtado num carrinho de compras os donativos para os desabrigados, chamou-os de ladrões e obrigou-os a devolver tudo o que haviam roubado.
Não duvidem de que essa senhora está sofrendo.
Vocês não podem saber da imensa e profunda dor que ela está sentindo, ao testemunhar tão vil comportamento daqueles a quem tanto ama. Mas sua atitude foi, exatamente aquela de quem ama verdadeiramente.
Eu só espero, rezo e suplico que nenhuma autoridade queira se aproveitar desta atitude verdadeira, para tirar fotos, aparecer na televisão ou usar bonés com o nome de Dona Blandina. Ela não merece, e nem os honestos trabalhadores que ainda existem nesta terra.
A Ética da Sra. Blandina é verdadeira, porque desconhece laços de parentesco e se firma sobre princípios morais sólidos e inegociáveis. Num mar de lama causado pela hipocrisia de nossos governantes e de boa parte da imprensa, muito mais danoso do que o lamaçal provocado pelas enchentes, atitudes como esta nos fazem respirar e revigorar nossas esperanças de dias melhores.

17 de dez. de 2008

A PIRÂMIDE DOS IDIOTAS

Boa Noite!

Os jornais noticiam o montante da fraude produzida pela estelionatário americano Bernard Madoff, e que segundo suas próprias declarações alcançam mais de US$ 50 BILHÕES! O esquema funcionava com a velha e imprestável fórmula (isca?) da pirâmide, onde uma aplicação vai atraindo outras em escala geométrica e tudo isto se repassa aos incautos sob a forma de grandes retornos e ganhos financeiros.
No caso do golpe impetrado por Madoff, a rentabilidade prometida girava em torno dos 10 a 12%, numa sociedade onde a inflação é expressivamente menor. O grande apelo dado era a disfarçatez: aplicando nesta “corrente”, o investidor estaria por fora dos controles fiscais e assim, “ganhando mais”.
É duro estarmos no final da primeira década do Século XXI e ainda presenciarmos tantos idiotas querendo enriquecer-se rapidamente e, óbvio, ilicitamente e, assim o desejando, servindo de pasto a estes abutres que são os corruptores, sejam eles estelionatários ou não.
Deixa-nos triste constatarmos, na relação dos “patos” que caíram nesta armadilha barata, empresas voltadas ao assistencialismo social e na saúde, vítimas de uma visão estreita e míope de seus gestores financeiros que não conseguem enxergar além do miúdo. Parece uma praga! Não se consegue facilmente encontrar administradores que percebam a necessidade da visão sistêmica em seus planejamentos financeiros; por outro lado, sobram gestores do miúdo, que adoram produzir cortes e mais cortes não essenciais, de preferência nas áreas que podem gerar receitas, enquanto assistem, candidamente, o aumento das áreas-meio e, óbvio, dos custos finais das organizações que lhes pagam.
Madoff arrecadava montanhas de dinheiro destes senhores e, para aumentar a ilusão, pagava-lhes rendimentos com seus próprios valores investidos. Claro que embolsava quantias vultuosas, entre uma transação e outra. A fraude teria crescido mais ainda se não fosse a necessidade, por conta da crise, de algumas empresas sacarem os valores aplicados num montante de US$ 7 bilhões. Pediram, pediram, e nada.
Claro, o dinheiro sumiu. O delinqüente afirma que só possui hoje algo em torno dos US$ 300 milhões. O que significa um montante de US$ 49,7 bilhões torrados e que serão lançados nos bolsos dos investidores daquelas empresas.
Quanto às empresas beneficentes, os pobres e necessitados que elas assistem terão um Natal ainda mais sofrido do que o normal. E assim é o curso da corrupção: cadeia para os peixes miúdos, sumiço para os valores envolvidos, sofrimento, dor e morte para os pobres.
Acredite, pirâmide boa é aquela que encontramos no Egito. O resto é lixo, ou, se você encontrar-se com um seguidor de Madoff, golpe puro! Fuja delas!

16 de dez. de 2008

DE SAPATADA EM SAPATADA

Boa Noite!

De sapatada em sapatada, pelo mundo afora, o ilustre governante americano George Bush segue colecionando episódios perfeitos para mostrarmos num curso ou treinamento que discorra sobre as formas que jamais um líder deve usar para tratar aliados ou adversários, e sendo um presidente, digamos assim, surpreendente! Os Estados Unidos colecionaram, ao longo da segunda metade do Século XX, uma diversidade de ações e intervenções sempre voltadas à diminuição da influência da extinta União Soviética e, depois, para impedir qualquer alinhamento de países contrários aos seus interesses. Foi um tipo de oligopólio, que se impôs pela concentração, alimentada por muito dinheiro, pressão e carisma de seus líderes, mundo afora.
Até chegar a geração Bush. Deslumbrado com seu imenso poder, qual criancinha perante seus lápis de cor, o Bush Filho acreditou que a imposição e a truculência seriam capazes de criar tal estado de terror onde todas as suas vontades e desejos se materializariam, num estalar dos dedos.
Mas, o mundo real, definitivamente, não se deixa dominar pelos Bush. Nem por qualquer outro impositor de idéias, preceitos ou filosofias. Não é pelo assédio que os grandes líderes e vencedores do mundo se firmaram. Não foi pela violência que os grandes impérios se tornaram longevivos. Não foi pelo dinheiro que os verdadeiros Mestres cativaram e fidelizaram os corações e as mentes de seus discípulos e seguidores.
O exemplo, antes da força; a palavra, antes da coação, são fórmulas buscadas e rebuscadas que sempre fizeram, e sempre o farão, sucesso. Os homens desejam testemunhos concretos e não belas palavras vazias. Os clientes desejam honradez e cumprimento das promessas feitas por ocasião das vendas. O mercado precisa de Ética para continuar crescendo.
O oposto é aquilo que os Bush nos deixam. Tristes legados para uma humanidade dividida: metade, lamenta a falta de educação e perda de etiqueta do jornalista iraquiano ao jogar os sapatos no Sr. Bush, em virtude de não ter pontaria perfeita; a outra metade, lamenta a perda... dos sapatos!

13 de dez. de 2008

A Sabedoria que só vem com a Idade

Boa Noite!

"Um homem que se curva não endireita os outros."
(Aristóteles)

Não é o peso da idade que nos curva. Ainda que o tempo, em especial se transcorrido sem os cuidados que nossa saúde requer, cobre democraticamente seu preço a todos os seres humanos, não é ele que nos faz ceder.
A espinha dorsal de nossa postura é o caráter. E quanto temos a aprender com os mais velhos! Como eles nos dão lições de prioridades, gestão do tempo, fraternidade e, especialmente, humanidade.
Os idosos não deveriam ser motivo de chacotas, piadinhas ou quaisquer tipos de escárnios. Eles são referências que desejam dar, gratuita e carinhosamente, seus longos aprendizados para que não soframos o que eles já sofreram, não desperdicemos nossos momentos mais preciosos com coisas miúdas e pequenas, não joguemos fora este produto valioso e insubstituível chamado – TEMPO.

"É somente através do trabalho da comunidade que nos vamos conseguir realizar alguma coisa, somente o trabalho conjunto e o respeito ao trabalho que vai nos levar aquilo que nos queremos. Uma melhor qualidade de vida. E nos queremos o melhor. É ou não é? "
(Gonzaguinha)

Devemos fazer com que nossos idosos sintam-se come eles verdadeiramente são: úteis. Se já não podem correr na mesma velocidade de um jovem, ou ser um atleta como um dia já foram, possuem a perspicácia e antecipação que somente o decorrer dos anos propicia a alguém. A juventude possui o voluntarismo, mas a velhice domina a sabedoria. Será que nós, gestores e condutores de equipes, lembramo-nos de verdade de tudo isto?
Talvez devêssemos lembrar de que, se almejamos um futuro, nele estaremos no mesmo lugar, ainda que não necessariamente na mesma sapiência e dignidade, daqueles a quem hoje, muitas vezes, olvidamos em todos os nossos tipos de trabalho.

"O tempo consome as coisas, e tudo envelhece com o tempo."
(Aristóteles)

12 de dez. de 2008

HOSPITACAOS

Boa Noite!

O título não é uma marca de carro, nem de computador. É a melhor definição que encontrei para a situação da Rede Hospitalar Pública em nosso país, com triste ênfase àquela existente no estado do Rio de Janeiro. É no mínimo revoltante ler, nos jornais de hoje, mais uma notícia de morte por falta disto ou daquilo, num hospital do SUS. Não dá mais para fingirmos que as medidas paliativas, quando tomadas pelo Ministério da Saúde vão ser capazes de sanar a grande e principal causa de falência desta rede: a gestão amadora, crônica e ultrapassada do nosso Sistema Público de Saúde.
Chega de tapar o sol com uma peneira! Chega de discursos e aparições globais! Chega de mortes!
A gestão hospitalar talvez seja um dos ramos da administração que mais sofreu alteração, quanto ao seu perfil, necessidade de visão sistêmica e, principalmente, qualificação do foco nos resultados. Não se pode mais conviver com gestores que apenas entendam a questão financeira sob o aspecto do cobrar mais dos compradores de serviço, sem combater os desperdícios e “arrumar” sua casa.
Também não se pode desejar de administradores hospitalares públicos que façam o papel de mágicos (fazendo surgir do nada os recursos necessários) ou ilusionistas (mostrando ao público uma capa, uma maquiagem bonita para algo que está vazio de conteúdo).
Se não há recursos para o atendimento integral então é necessário que o Governo tenha coragem de assumir o que irá atender ou não. A população não deveria estar sendo tratada como marionete, pois a omissão dos que governam na gestão hospitalar custa ao necessitado, muitas vezes, sua própria vida!
É duro escutar o Grande Líder fazendo piadas e piadas, usando expressões chulas para falar de uma das mais graves crises de crédito que o planeta já enfrentou, e acompanhar pelos jornais, mortes em hospitais que deveriam assegurar a vida nos casos de emergência e urgência.
Os hospitais públicos são uma mistura de comédia bufa com caos governamental, daí o título deste artigo. O duro é que a população mais sofrida, mais necessitada e historicamente mais abandonada deste país, com toda certeza, não deve achar graça nenhuma desta situação.
Óbvio: se a imprensa mantiver a pressão, testemunharemos troca de acusações e busca de culpados, em especial com os profissionais que ainda resistem em trabalhar em tais locais, por absoluta falta de opção. Solução estrutural e medidas concretas... bem, somente escutaremos falar disto na próxima crise, ou morte, o que vier primeiro...

11 de dez. de 2008

O ADMINISTRADOR-ESPANTALHO

Boa Noite!

Os agricultores costumam montar espantalhos em suas lavouras, juntando para isto pedaços de roupas velhas, como forma de assustar os pássaros indesejados, mantendo-os longe dos produtos e frutos existentes no terreno. Este tipo de artefato usado para afastar algo de alguma coisa não é, porém, de uso exclusivo de quem cultiva a terra.
Infelizmente, cresce o número de administradores que se parecem, a cada dia mais, com verdadeiros espantalhos, espantando para longe de si suas equipes e liderados, seus técnicos e suas competências.
Liderar pessoas e grandes equipes causa medo, é verdade. Mas os receios devem servir de combustível motivacional às nossas carreiras, nunca para acuar-nos ou, pior, desenvolver um falso senso de sobrevivência calcado no afastamento e distanciamento das pessoas para com seus gestores.
Os liderados buscam alguém que saiba, possua competência própria, mas essencialmente dê com sua postura e dedicação, um testemunho vivo dos ensinamentos e conhecimentos possuídos. É preciso ser decidido e corajoso, mas fundamentalmente se necessita da coerência e do exemplo. Acesso não quer dizer ser “bonzinho”. Da mesma forma que, para quem nunca tentou, o acesso nunca existiu. Tal qual a Física, à ação de querer deve corresponder a reação de permitir.
Quem causa repulsa na sua equipe está dominado pelo Mal do Espantalho: seu interior é vazio e preenchido de refugos, trapos velhos e outros panos indesejados que não dão ao boneco, conteúdo ou substância. O administrador-espantalho reprime o seu próprio crescimento profissional e também dos seus comandados. Corre o risco de se tornar apenas um bobo conduzindo um grupo de ‘zumbis’! Não há substância neste processo e os resultados, se aparecerem, serão pífios e passageiros.
O Espantalho procura silenciar as competências e calar os questionamentos através do afastamento pelo descaso ou através da imposição de barreiras àqueles a quem deveria formar e capacitar. Empresas que os toleram estão enveredando por um labirinto do qual muito provavelmente não conseguirão sair! É bom rever os conceitos de perfil, alterar suas escolhas e jogar, rapidinho, os espantalhos para fora do armário.

10 de dez. de 2008

UM CÂNCER CHAMADO CORRUPÇÃO

Boa Noite!

Muitos são os escândalos em nosso país trazidos ao conhecimento público graças ao eficaz trabalho desenvolvido pela Polícia Federal. Incontáveis envolvidos, alguns deles personalidades conhecidas do público, e mais diversificadas ainda são as causas e os esquemas montados nestas ações criminosas desbaratadas.
Porém, existe uma e somente uma ferramenta ou chave mestra usada por todos estes ladrões, que tanto lesam os cidadãos e o estado: a CORRUPÇÃO. Esta vil e covarde forma de se obter vantagens e dinheiro em volume maior do que se podia, num período de tempo menor do que se devia, mediante o partilhamento destes quadrilheiros dos grandes prejudicados: as vidas humanas inocentes que perdem os recursos necessários para sobreviverem; a integridade física das pessoas que por estarem na rota destes malfeitores são atropeladas, quando não assassinadas ou molestadas, e a estabilidade profissional de muitos que perdem seus empregos porque os recursos necessários para mantê-los foi desviado para algum meliante corruptor.
A corrupção é um câncer incurável. Provoca o desarranjo do sistema onde se insere e multiplica-se perigosamente a partir da impunidade, retroalimentando-se da desorganização que provoca nas células ainda sadias da sociedade. Ela faz com que os homens de bem sintam-se cansados, desorientados, desanimados, por vezes acuados e solitários no seu combate pela retidão e Ética.
Já os corruptos, ativos ou passivos, procuram identificar suas “almas gêmeas” como forma de ampliarem suas redes criminosas, seus esquemas sórdidos e, também, como meio de anestesiar suas próprias consciências com a estúpida e falsa afirmação de que: “Faço apenas o que todo mundo faz!”
Quem aspira tão somente coisas materiais, perecíveis e transitórias, sujeita-se a todo tipo de transação, mesmo sabendo que será desmascarado mais dia, menos dia. Servir à corrupção, ou dela se utilizar, é a mesma coisa que vestir fraque e cartola para comer lixo. Uma aparência elegante e vestes elegantes não são capazes de alterar um interior vazio e podre, próprio dos corruptos e corruptores.
O que fazer para não ceder à tentação? Rechaçá-la com veemência e denunciá-la com freqüência. Combatê-la usando todos os nossos meios e nos mais diversos fóruns de nossa vida profissional. Quem deve estar e permanecer na ribalta são os profissionais competentes e honestos. A cadeia, de preferência com as chaves esquecidas, foi criada com muito carinho para os agentes da corrupção.

9 de dez. de 2008

O CENTRALIZADOR E O SACO DE BATATINHAS

Boa Noite!

Discute-se muito no mundo corporativo a questão da centralização administrativa e operacional. Solução moderna, defenderão alguns ao observarem os crescentes custos administrativos que roubam preciosos recursos às organizações, em especial nos conturbados dias que atravessamos. Retrocesso! Bradarão outros em nome de uma construção coletiva de resultados que somente se dá pela participação mais efetiva dos diversos níveis empresariais, pois comprometimento não se alcança por decreto, nem por intimidação.
Afinal, quem está com a razão?
Escutei, dia desses, de um jovem e talentoso sacerdote católico (Padre Eric), uma historinha que permite, além de outras reflexões mais pessoais, construirmos um pensamento acerca desta questão corporativa:
“Uma jovem senhora, prestes a embarcar num vôo, resolveu comprar uma saquinho de deliciosas batatas fritas, de que tanto gostava, guardando-o dentro de uma de suas sacolas de mão. Após ter enfrentado um tumultuado embarque, ao chegar na aeronave sentou-se e resolveu relaxar, de preferência usufruindo de sua guloseima. Para seu espanto, viu o pacote de batatinhas aberto e depositado na mesa do gorducho senhor da cadeira vizinha. ‘Que ousadia’, pensou, ‘ter aberto minha bolsa e meu pacote de batatinhas!’ Encarando-o com rosto de poucos amigos, enfiou a mão no saco e retirou uma batatinha. O Senhor olhou-a um tanto surpreso, porém nada disse e, calmamente, retirou também uma batatinha. Enfurecida e silenciosamente a jovem senhora repetiu o gesto, seguida sempre pelo cavalheiro, até que, no pacote, só restou uma batatinha. ‘Só faltava agora ele querer comer a última!’, fuzilou em seu pensamento. Educadamente o cavalheiro apontou-lhe a última, num gesto educado, que ela rapidamente tratou de engolir, resmungando de forma irritada e audível. Ainda zangada, coletou rapidamente suas coisas no desembarque e sem demora tomou o primeiro taxi que apareceu. Ao chegar perto de casa, abriu sua sacola para pagar o taxi e, qual não foi sua surpresa, percebeu que o pacote de batatinhas que havia comprado lá repousava, intacto! Havia comido o pacote de batatinhas do vizinho!”
Ou seja, a arrogância, o individualismo e a forma egoísta de ver e avaliar o mundo ao seu redor não lhe permitiram perceber que se apossara e disputara algo que não lhe pertencia! E ainda tratando mal a quem lhe serviu, sem falar na grosseria e falta de educação!
E assim, de uma forma geral, são os defensores da centralização. Tornam-se arrogantes em seu poder, prepotentes no trato de seus subordinados e com pouca visão sistêmica para perceber os melhores caminhos para os processos dos quais é responsável. Não é à toa que, na maioria das vezes, os resultados das centralizações são pífios, ou mesmo piores do que o estado anterior. E aí, claro, a culpa torna-se mais importante do que a solução!
A centralização é uma opção estratégica que requer alta concentração de saberes técnicos e competência gerencial no órgão centralizador. Portanto, não é importante a discussão se ela é certa ou errada, e sim, se existe ou não este requisito essencial e intrínseco à decisão de se centralizar. Ela pode existir, se efetivada de maneira profissional e sempre atrelada à resultados efetivos e mensuráveis. Deve ser conduzida por técnicos habilitados e experientes, sob pena de tornar-se um mero instrumento de um poder cego e amador e que, como no caso do saco de batatinhas, só levará a organização à decepção e frustração futuras!

6 de dez. de 2008

O ABORTO E A SAÚDE MENTAL

Bom Dia!

Dessa vez os defensores do aborto não poderão atribuir as notícias aos que se opõem a este método aniquilatório da vida humana, nem tampouco associar os resultados aos ditames desta ou daquela Igreja Cristã. Isto porque a pesquisa de que abordaremos hoje foi realizada entre 500 mulheres pela Universidade de Otago, na Nova Zelândia (fundada em 1869 é a mais antiga naquele país: http://www.otago.ac.nz/), e focou na questão das situações vivenciadas por ela, no estado pós-abortivo, em relação à Saúde Mental.
Estudando os problemas mentais que possam derivar da gravidez, os pesquisadores identificaram que 30% das mulheres que se submetem ao aborto desenvolvem ansiedade e/ou dependência química como agravos prevalentes.
Ou seja, ao optarem por interromper voluntariamente uma gravidez que julgam não desejarem, estas mulheres estão decidindo contra si mesmas. Elas voluntariamente se submetem a um grande sofrimento mental, pois não é possível a nenhum ser humano racional vislumbrar outra coisa no aborto que seja diferente de um assassinato consentido.
Existem outras opiniões e avaliações de pesquisadores, acerca destas constatações científicas que desmascaram as controvertidas hipóteses psiquiátricas e psicológicas que se levantavam favoráveis ao aborto e que podem ser achadas nos sites da BBC do Brasil e da Editora Cleófas.
O que eu gostaria de destacar é a questão do sofrimento mental. Exatamente sua prevenção e a certeza de que seria evitado pelo aborto é que são constantemente levantados como bandeiras pelos seus defensores, em especial aqueles que se dizem “especialistas” da saúde mental. Se a mulher não fizer o aborto, alegam, o seu grau de sofrimento será tamanho que resultará num problema de saúde.
Ora, a prevalência das doenças mentais em todas as populações do mundo, inclusive as que não podem realizar abortos em si próprios, como os homens, é algo que preocupa há décadas todos os estudiosos e está, quase sempre, associadas às pressões das empresas por resultados, o alto consumismo, além do individualismo que isola o ser humano dos seus pares e transforma-o num verdadeiro refém de uma ânsia desenfreada pelo sucesso material.
Agora, uma incidência de 30% de casos comprovados, numa população que já cometeu o aborto é um dado irrefutável de que o maior sofrimento mental imposto à mulher é, exatamente, praticar o aborto! Às mulheres foi reservado o dom de GERAR a vida, PROTEGÊ-LA em seu próprio ventre e ALIMENTÁ-LA enquanto desprotegida. Isto é natural.
A sociedade egoísta e materialista tenta vender para elas uma idéia de que o aborto, que é DESTRUIÇÃO de uma vida, de forma VIL e sem chance de DEFESA é algo natural e “moderno”. Mas as consciências e o senso de responsabilidade para com a vida estão incutidas no mais íntimo das mulheres e isto lhes causa, com absoluta certeza, um dano quase que irreversível, pois não é de uma ferida corporal que falamos, e sim uma imensa e incurável ferida na alma. O Aborto é um crime sórdido, travestido de uma modernidade que não consegue ser provada e, a partir deste estudo, desmascarado quanto à suposta proteção ao sofrimento mental que se alegava possuir.

5 de dez. de 2008

LENDA URBANA: A PÍLULA DO DIA SEGUINTE

Boa Noite!

A imprensa tem dado destaque, nestes últimos meses, aos incontáveis casos de medicações que geraram mortes e/ou danos irreversíveis aos pacientes que delas se utilizaram, num efeito completamente contrário aos desejos dos que necessitam usar os fármacos.
Em muitas situações já comprovadas, para os casos em que não ocorreu o óbito, as seqüelas deixadas são piores do que a própria patologia que motivara o consumo do medicamento, como é o caso do ACCOMPLIA® (pílula vendida para eliminar as gordurinhas da barriga que provocou depressão aguda em diversos pacientes), atualmente suspenso no Brasil, mais de um ano depois do sinal de alerta lançado nos Estados Unidos.
Neste ensejo, fico bastante preocupado com uma omissão que considero grave dos meios de comunicação: a divulgação das possíveis seqüelas deixadas pela famigerada “Pílula do Dia Seguinte”.
Desenvolvida com a pretensa hipótese de ser um método contraceptivo “não abortivo” (SIC), ela está ingressando, sorrateiramente, no rol dos medicamentos que de uso tão amiúde e corriqueiro, acabam adquirindo a fama de que “não fazem mal” aos pacientes ou consumidores (o que é uma nova Lenda Urbana com a qual nos deparamos). Da mesma forma como o imaginário popular cria histórias das mais esdrúxulas para encobrir ou tentar justificar seus individualismos e egoísmos, ela, a sociedade humana resolveu agregar a esta danosa pílula abortivo uma “qualidade” que de fato não possui!
A pílula do dia seguinte é abortiva, ao se utilizar de reações químicas para alterar as paredes do órgão interno feminino e, com isso, impedir a fixação do novo embrião causando sua expulsão forçada da mulher. Com esta alteração decorrente da droga, os mais diversificados efeitos podem surgir, com o agravante de que não serão imediatos, podendo serem tardios e, assim, não tratados adequadamente por não serem associados à causa correta: o aborto provocado por quem ingeriu o medicamento.
Sua venda indiscriminada e efetuada de maneira quase que irresponsável em nosso país irá cobrar, antes que imaginemos o tamanho do problema, os seus terríveis preços à Saúde Coletiva das mulheres que dele fazem uso. E o que é mais assustador: suas maiores consumidoras são as adolescentes de até 18 anos de idade.
Onde iremos parar? E a Imprensa vigilante? Aonde estamos levando nossos jovens?

4 de dez. de 2008

O SUCESSO E O PINGUE-PONGUE

Boa Noite!

O Jogo de pingue-pongue foi criado na Inglaterra, no Século XIX, e tornou-se tão popular (tênis de mesa) que é capaz de nos fornecer interessantes elementos de reflexão e análise de vida profissional e pessoal, além dos importantes momentos de lazer que propicia. As regras deste jogo colocam dois desafiadores (ou duas duplas) interagindo através do uso de uma ferramenta igual para ambos (as raquetes), buscando impulsiona a bolinha rumo ao campo oposto, com tal efeito (mais do que força bruta) que impeça o adversário de responder à jogada.
É uma disputa das habilidades e competências técnicas de cada um dos contendores, que é vencido por aquele que domina a técnica e dispõe dela de tal forma que acumula mais resultados positivos do que seu desafiante. Não existe forma de “ludibriar” ou “enganar” os árbitros, pois as regras são absolutamente técnicas, transparentes e previamente conhecidas. Portanto, será vencedor, efetivamente, quem estiver melhor preparado e for capaz de transformar esta questão individual em resultados práticos.
Assim deveriam ocorrer as disputas no mercado corporativo. Uma vez definidas as regras do jogo (pelas legislações e normas regulamentárias), os desafiantes (concorrentes que podem ser empresas privadas e/ou organismos públicos) buscariam os pontos necessários às suas vitórias (mercado e satisfação dos clientes ou usuários).
O grande diferencial seria a habilidade de cada ator no jogo, ou seja, gestores competentes e técnicos, escolhidos de forma justa e transparente e ocupando os lugares de maior complexidade e necessidade corporativa.
Por que, então, isto não ocorre, ao menos de forma hegemônica no mercado? Será que é culpa da bolinha (o famoso “ruído de comunicação”)?
Acontece que nós gestores buscamos, na maioria das vezes, reconhecimentos públicos e espalhafatosos das nossas competências individuais, em detrimento dos resultados coletivos que deveríamos viabilizar em nossas organizações e empresas. Possuímos uma infindável carência de destaque, de reconhecimento explícito, que se não deixa de ser importante, jamais poderiam se sobrepor aos grandes objetivos estratégicos das organizações, sejam quais forem os mercados onde atuam. Nossa ansiedade domina o bom senso e equilíbrio gerenciais, sufocando-os e colocando-os num plano secundário.
Quando agimos assim, a meritocracia abandona o palco, empurrada para fora do tablado pelo individualismo egoísta e egocêntrico, tornando o pseudo gestor um poço de vaidade e presunção. Um passo para o abismo...
Na vida profissional e pessoal dos gestores, bem como nas rotinas diárias das organizações, o sucesso deveria ser, como no pingue-pongue conseqüência da junção das competências individuais mais as habilidades das equipes e do foco nos objetivos estratégicos. Egoísmo não gera sucesso; no máximo gera ilusão, ou pior, trapaça!

2 de dez. de 2008

MOMENTO DE RECOMEÇO

Boa Noite!

Em que momento desta vida tão atribulada nós estamos parando para buscarmos dentro de cada um, e tratá-las, as nossas “tristezas escondidas”? Não conseguiremos ser homens novos se nos mantemos presos aos velhos costumes, surrados e superados vícios dos quais nos valemos, apenas, para criarmos uma falsa e superficial ilusão de segurança.
Uma vida que se queira viver para a produção do bem, requer momentos de silenciosa autocrítica e renovação de nós mesmos. E não se constrói sobre madeira podre, da mesma forma como não poderemos crescer embasados com arcaicos comodismos e vis covardias. A mudança se consegue com a coragem de admitirmos as verdades que nos são ditas pelos verdadeiros irmãos-amigos e das quais tantas vezes fugimos para não termos que reconhecermos sua imensa e necessária realidade.
Conectados e tomados por essas verdades, seremos capazes de experimentar um crescimento pessoal, profissional e espiritual. Atrelados à Ética, à Moral, à coletânea de Princípios Cristãos que são geradores da Justiça e da Paz, poderemos dar frutos em todos os grupos dos quais somos membros, pilares e promotores – em especial
nas nossas famílias.
Profissionalmente, ao nos garantir a fortaleza e segurança necessárias ao combate da corrupção, ao desvio dos ideais retos e honestos, à intransigente manutenção de uma postura correta e exemplar, todos os conceitos citados antes, adquirem um aspecto de armadura feita por encomenda para nos fortalecer nos embates diários travados no mercado onde atuamos.
Quantas vezes fugimos dos braços que nos são abertos por amigos, irmãos verdadeiros e leais, que se colocam como amparo às tristezas e desilusões desta vida, apenas para buscarmos a desconsolação que o egoísmo materialista e o insensível apego aos bens e posições humanas, ao triste e transitório poder, têm para nos oferecer?
Cada ser humano é um particular e maravilhoso instrumento nesta perfeita, singular e fantástica orquestra divina da Criação. Por mais atraente que seja, nenhum instrumento musical sozinho será capaz de fornecer a doce melodia de uma orquestra afinada. Quando escutamos, porém, uma canção que emana de um conjunto de instrumentos unidos por um mesmo princípio e regência, nem sequer somos capazes de perceber a participação individual de cada um deles. Nem distingui-los, tampouco separá-los.
Unidos por princípios e pela ética, os homens não formam uma sociedade de corpos: eles se aliam por suas preciosas almas, e esta união pode se tornar inquebrantável!
Basta que sejamos capazes de parar, refletir sobre nossas vidas e mudar. É preciso deixar de lado o egoísmo e ter coragem de nos voltarmos para o coletivo. Este pode ser o seu momento, aquele instante precioso que tarda a chegar. Não deixemos que ele passe incólume.