27 de jan. de 2012

O JEITINHO

Até quando vamos conviver com tragédias que resultam deste famigerado "jeitinho brasileiro"? Refiro-me a mais este desabamento de prédio no Rio de Janeiro, ao que tudo indica fruto da entativa de uma empresa de informática de dar um 'jeitinho' na falta de espaço das salas que ocupava no 9. andar. Pelas primeiras análises dos especialistas, a retirada de todas as paredes, inclusive àquelas de sustentação pode ter alterado o centro de gravidade do prédio e causou uma queda em toda a estrutura dos seis andares que ficava acima do que estava sendo reformado.
Com a queda dos andares acima o prédio quase que implodiu e arrastou, na sua queda para a morte, os dois prédios vizinhos que nada tinham a ver com esta irresponsabilidade. Claro, a obra era ilegal, sem qualquer tipo de licença ou fiscalização e, como sempre acontece, enquanto os responsáveis jogam a culpa, uns nos outros, as famílias das vítimas enterram seus entes queridos no meio de lágrimas, pedidos de justiça e choros que ficarão, prá variar, impunes em nosso país.
Este é o país do jeitinho. E o jeitinho continua levando vítimas e provocando dores. Mas parece que ainda não é o bastante para entendermos que atravessamos a pior crise moral de nossa história. Quando o homem só quer fazer o que é ético se o estado vigiar de perto.
Ora, mas a Ética é extamente se fazer o que é devido, mesmo que NINGUÉM nos esteja cobrando. O comportamento correto em função da possibilidade de punição ou repressão lícita, apesar de legal, não é ético, e nem faz de um povo que o seja.
Realmente, de jeitinho em jeitinho matam-se inocentes e morre a moral. Onde queremos chegar?

25 de jan. de 2012

UM QUASE VERÍSSIMO

Este texto anda sendo veiculado pela internet como sendo de Luiz Fernando Veríssimo. O famoso escritor mandou e-mail para os jornais afirmando que a autoria não é sua, mas a qualidade e realidade do que está escrito merece a nossa leitura e reflexão. Por isso, mesmo sendo um QUASE-VERÍSSIMO, vale a pena partilhá-lo:

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A nova edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo.

 
 
Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros...todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE.

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB . Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis? Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores) , carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.

Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo dia.

Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas
, entidades sociais e beneficentes, Ongs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).
Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas
pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$ $$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.


Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores)

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema...., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , ·visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade.


24 de jan. de 2012

SEM COMENTÁRIOS

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) vai apurar a responsabilidade dos hospitais na morte do secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Duvanier Paiva. Vítima de infarto na madrugada de quinta-feira, Duvanier morreu na terceira unidade hospitalar em que buscava atendimento em Brasília. A agência é responsável pelas operadoras de plano de saúde no País e fará a investigação nos hospitais a pedido do Ministério da Saúde. As visitas às três unidades – Hospital Santa Lúcia, Hospital Santa Luzia e Hospital Planalto – devem ser feitas ainda esta semana.

Os resultados serão somados à investigação que será conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal (DF), que também abriu um inquérito para apurar a morte do secretário. Os policiais querem saber se houve omissão de socorro. A resolução normativa nº 44 da ANS, de 2003, proíbe os hospitais de exigirem caução de pacientes que possuem plano de saúde conveniado a eles antes de oferecer atendimento. Mesmo sem ter o convênio com o plano de saúde do secretário, porém, os hospitais não poderiam negar socorro em caso de risco de vida para o paciente.
O Instituto de Defesa do Consumidor (PROCON) do Distrito Federal também vai apurar as responsabilidades dos hospitais no caso. Oswaldo Morais, diretor-geral do órgão, diz que os hospitais serão notificados por ofício a dar explicações sobre o que ocorreu com o secretário do Planejamento.
"Se o paciente está em risco de morte, ele deve ser atendido. Em seguida, a parte administrativa do pagamento é negociada. Mesmo que não haja uma reclamação formal da família, nós podemos fazer essa notificação. Esse tipo de processo pode gerar a aplicação de multas, que podem variar de R$ 414 a R$ 6,2 milhões. Mas, primeiro, precisamos ouvir os hospitais", afirma.
A mulher de Paiva contou a uma servidora do Planejamento ouvida pelo iG que os dois primeiros hospitais se negaram a atender o secretário porque ele não tinha cheques ou dinheiro no bolso. As duas unidades hospitalares não são conveniadas ao plano de saúde dele e exigiram garantias de pagamento pelos serviços antes da entrada.
De acordo com o relato dessa servidora, Paiva e sua mulher chegaram a procurar um caixa eletrônico para sacar cheque ou dinheiro, mas não conseguiram. No Hospital Santa Luzia, segundo que a mulher dele conta ter procurado, ela teria gritado que ele iria morrer, mas os atendentes se limitaram a dizer que “era o procedimento”.
No terceiro hospital, onde estava preenchendo formulário para ser atendido, Paiva desmaiou na porta e faleceu, mesmo após receber socorro. Para a família, o casal, por ser negro e estar sem dinheiro, pode ter sido vítima de discriminação.
Duvanier foi dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo (SindiSaúde-SP), da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e assessorou a presidência da Infraero.
(Fonte: IG)


Ele entrou no governo em 2007 a convite do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sob o comando da presidenta Dilma Rousseff e da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, ele conduziu as negociações salariais dos servidores públicos.



Em nota a presidenta Dilma lamentou o falecimento do servidor e disse que “sai inteligência, dedicação e capacidade de trabalho farão muita falta” ao governo.

20 de jan. de 2012

VALE TUDO?

Por Dom Henrique Soares, Bispo Auxilias da Arquidiocese de Aracajú-SE

A situação é extremamente preocupante: no Brasil, há uma televisão de altíssimo nível técnico e baixíssimo nível de programação. Sem nenhum controle ético por parte da sociedade, os chamados canais abertos (aqueles que se podem assistir gratuitamente) fazem a cabeça dos brasileiros e, com precisão satânica, vão destruindo tudo que encontram pela frente: a sacralidade da família, a fidelidade conjugal, o respeito e veneração dos filhos para com os pais, o sentido de tradição (isto é, saber valorizar e acolher os valores e as experiências das gerações passadas), as virtudes, a castidade, a indissolubilidade do matrimônio, o respeito pela religião, o temor amoroso para com Deus.

Na telinha, tudo é permitido, tudo é bonitinho, tudo é novidade, tudo é relativo! Na telinha, a vida é pra gente bonita, sarada, corpo legal… A vida é sucesso, é romance com final feliz, é amor livre, aberto desimpedido, é vida que cada um faz e constrói como bem quer e entende! Na telinha tem a Xuxa, a Xuxinha, inocente, com rostinho de anjo, que ensina às jovens o amor liberado e o sexo sem amor, somente pra fabricar um filho… Na telinha tem o Gugu, que aprendeu com a Xuxa e também fabricou um bebê… Na telinha tem os debates frívolos do Fantástico, show da vida ilusória… Na telinha tem ainda as novelas que ensinam a trair, a mentir, a explorar e a desvalorizar a família… Na telinha tem o show de baixaria do Ratinho e do programa vespertino da Bandeirantes, o cinismo cafona da Hebe, a ilusão da Fama… Enquanto na realidade que ela, a satânica telinha ajuda a criar, temos adolescentes grávidas deixando os pais loucos e a o futuro comprometido, jovens com uma visão fútil e superficial da vida, a violência urbana, em grande parte fruto da demolição das famílias e da ausência de Deus na vida das pessoas, os entorpecentes, um culto ridículo do corpo, a pobreza e a injustiça social… E a telinha destruindo valores e criando ilusão…

E quando se questiona a qualidade da programação e se pede alguma forma de controle sobre os meios de comunicação, as respostas são prontinhas: (1) assiste quem quer e quem gosta, (2) a programação é espelho da vida real, (3) controlar e informação é antidemocrático e ditatorial… Assim, com tais desculpas esfarrapadas, a bênção covarde e omissa de nossos dirigentes dos três poderes e a omissão medrosa das várias organizações da sociedade civil – incluindo a Igreja, infelizmente – vai a televisão envenenando, destruindo, invertendo valores, fazendo da futilidade e do paganismo a marca registrada da comunicação brasileira…

Um triste e último exemplo de tudo isso é o atual programa da Globo, o Big Brother (e também aquela outra porcaria, do SBT, chamada Casa dos Artistas…). Observe-se como o Pedro Bial, apresentador global, chama os personagens do programa: “Meus heróis! Meus guerreiros!” – Pobre Brasil! Que tipo de heróis, que guerreiros! E, no entanto, são essas pessoas absolutamente medíocres e vulgares que são indicadas como modelos para os nossos jovens!

Como o programa é feito por pessoas reais, como são na vida, é ainda mais triste e preocupante, porque se pode ver o nível humano tão baixo a que chegamos! Uma semana de convivência e a orgia corria solta… Os palavrões são abundantes, o prato nosso de cada dia… A grande preocupação de todos – assunto de debates, colóquios e até crises – é a forma física e, pra completar a chanchada, esse pessoal, tranqüilamente dá-se as mãos para invocar Jesus… Um jesusinho bem tolinho, invertebrado e inofensivo, que não exige nada, não tem nenhuma influência no comportamento público e privado das pessoas… Um jesusinho de encomenda, a gosto do freguês… que não tem nada a ver com o Jesus vivo e verdadeiro do Evangelho, que é todo carinho, misericórdia e compaixão, mas odeia o fingimento, a hipocrisia, a vulgaridade e a falta de compromisso com ele na vida e exige de n ós conversão contínua! Um jesusinho tão bonzinho quanto falsificado… Quanta gente deve ter ficado emocionada com os “heróis” do Pedro Bial cantando “Jesus Cristo, eu estou aqui!”

Até quando a televisão vai assim? Até quando os brasileiros ficaremos calados? Pior ainda: até quando os pais deixarão correr solta a programação televisiva em suas casas sem conversarem sobre o problema com seus filhos e sem exercerem uma sábia e equilibrada censura? Isso mesmo: censura! Os pais devem ter a responsabilidade de saber a que programas de TV seus filhos assistem, que sites da internet seus filhos visitam e, assim, orientar, conversar, analisar com eles o conteúdo de toda essa parafernália de comunicação e, se preciso, censurar este ou aquele programa. Censura com amor, censura com explicação dos motivos, não é mal; é bem! Ninguém é feliz na vida fazendo tudo que quer, ninguém amadurece se não conhece limites; ninguém é verdadeiramente humano se não edifica a vida sobre valores sólidos… E ninguém terá valores sólidos se não aprende desde cedo a escolher, selecionar, buscar o que é belo e bom, evitando o que polui o coração, mancha a consciência e deturpa a razão!

Aqui não se trata de ser moralista, mas de chamar atenção para uma realidade muito grave que tem provocado danos seríssimos na sociedade. Quem dera que de um modo ou de outro, estas linha de editorial servissem para fazer pensar e discutir e modificar o comportamento e as atitudes de algumas pessoas diante dos meios de comunicação…

E se alguém não gostou do que leu, paciência!

15 de jan. de 2012

MELHOR É FICAR CALADO

O meu pai sempre e disse que jamais conseguisse uma inimizade gratuita. Mais ainda se ela decorresse de ignorância minha sobre o que estava contestanto, ou se apenas quisesse agradar alguém sem saber bem o porque. A sabedoria dos mais velhos sempre valorizou a amizade, o construir laços de confiança, o saber comportar-se, antes de qualquer outra coisa.
Também sempre me falou para pensar duas vezes antes de cada fala, pois a prudência é mestra na vida, e os arroubos levam o insensato a conseguir um efeito contrário do que desejara. Faço esta introdução porque nada mais triste e lamentável que vermos uma autoridade brasileira (no caso um deputado federal Jean Wyllys), que até pouco tempo atrás era um ilustre desconhecido e que ganhou notoriedade graças a sua participação num REALITY SHOW da poderosa Globo sair por aí, nos espaços que sua condição de parlamentar e representante federal do seu Estado lhe permite ocupar, atacando, insultando e injuriando o Papa Bento XVI.
Ataca o Santo Padre quando o chama de 'protetor dos pedófilos'. Em verdade, foi este Papa, Bento XVI, que ordenou as medidas mais severas já tomadas na história da Igreja contra os sacerdotes (0,01% do total de ministros ordenados) que exarcebaram suas funções, desviaram-se de seus votos e cometeram os crimes odiosos pelos quais estão respondendo aos tribunais e, expulsos da Igreja, prestarão contas ao Criador no seu juízo final.
Insulta o Santo Padre quando o ataca de 'ditador', pois demonstra não conhecer sequer a estrutura da Igreja Católica, acreditando que o Bispo de Roma pode unilateralmente e sozinho fazer o que bem entende. Além de desconhecer a importância e atuação do Colégio dos Bispos, o ilustre deputado confunde a forma colegiada e inspirada de atuação do Santo Padre com o voluntarismo e inconsequência que parece estar sempre à frente de ações e atitudes de diversos grupelhos ditos organizados que atuam em nossa sociedade.
A 'chave de ouro' das bobagens proferidas pelo deputado foi chamar o Santo Padre de nazista. Neste caso, além de equivocado ele demonstrou ser um desconhecedor da forma como a Alemanha de Hitler tratava suas crianças e as famílias dos funcionários públicos, especialmente os que se opunham ao nazismo, caso do pai da Santo Padre e de todos os seus, incluindo Ratzinger.
É muito triste para mim ver o desperdício de oportunidades de pessoas que, por serem públicas, deveriam ter mais equilíbrio e densidade em suas falas. Mas é mais triste ainda perceber que muitos de nós católicos e cristãos, vamos nos  omitindo com críticas tão idiotas e vazias como esta, deixando que pessoas que não conhecem a religião, nem a estrutura da Igreja e, talvez, nem mesmo a história dos que criticam, saiam por aí falando a bobagem que lhes der na telha. Esta na hora de manifestarmos nossa insatisfação. Eis alguns de seus endereços:
www.jeanwyllys.com.br;
@jeanwyllys_real (twitter).
Mostremos a ele nossa indignação, quem sabe, no futuro, ele aprenda a tomar conta dos assuntos que lhe cabe e não abrir a boca, se não sabe o que falar.

11 de jan. de 2012

A QUESTÃO DOS ANENCÉFALOS


Retomo a questão sobre a realização de aborto para os casos de fetos anencéfalos. Por mais que sejam expostas causas e argumentos dos que defendem a liberação do procedimento abortivo e este caso é apenas um balão de ensaio para a grande discussão, penso que a maior fundamentação contrária a esta verdadeira execução legalizada, é dada pela Sra. Cacilda Galanto Ferreira, mãe da menina Marcela:

"Nunca me passou pela minha cabeça interromper a gravidez", comentou ela, após assistir às palestras.

Ela garante que não se arrepende da decisão que tomou e diz ter sido feliz durante o período que passou com a filha. Existe uma nuance às vezes desapercebida de pessoas bem intencionadas e que se deixam levar pela falsa informação de que a discussão é religiosa: a mão não falou do feto, mas do estado, do processo, do conteúdo essencial da questão – a gravidez, ou a capacidade da vida florescer em uma mulher.

É a vida nascedouro, ainda que limitada, mesmo que incompleta, que deve ser o objeto da atenção dos que militam no campo da saúde, dos que lideram as nações e, claro, do que legislam e garantem que a lei seja cumprida.

A gravidez é um processo sublime dentro da natureza, pois é único e próprio. Estar grávida deve ser sempre percebido pela sociedade como o ápice das suas vitórias e, por isso mesmo, a gestante deve ser merecedora de toda a tutela e proteção do Estado, antes, durante e pós-gestação. E o feto? Por acaso se pode separar gestante do ser que está sendo gerido?

A felicidade da Sra. Cacilda não foi considerada em nenhum momento pelos ilustres Ministros do STF, empolados em seus altos saberes jurídicos e numa profícua terminologia técnica que encanta todos os estudiosos e profissionais do Direito, mas deveria deixar preocupado os verdadeiros defensores da vida pela distância e frieza quanto tratam da defesa da gestação e do feto.

A tentativa de se transformar em debate teológico uma questão que, apesar de envolver a opção religiosa, diz respeito essencialmente à defesa da vida, não é fortuita ou gratuita. Ela pretende fazer com que a opinião pública deixe de pensar no conteúdo do que se está debatendo e fique refém desta ou daquela escolha por uma Igreja ou um credo.

No momento em que se reacendem na Europa velhos brados racistas e excludentes, proliferam movimentos e atos nazistas, parece que o mundo todo, e nós brasileiros, resolvemos esquecer a eugenia apregoada e transformada em fundamento teórico do extermínio dos nossos irmãos judeus, para transformá-la numa absurda tese de “direito à escolha pela mulher”.

Ora, que direito à escolha tiveram as mulheres judias? E as descendentes de cigano? E as que professavam ser testemunhas de Jeová, no Estado nazista? Que direito foi assegurado aos inválidos, aos portadores de doenças graves, aos doentes mentais, quando Hitler decidiu exterminá-los por não serem portadores de uma “vida plena”?

E agora o discurso de vida plena é usado para legalizar-se o aborto?

Somos tolos úteis ou acomodados coniventes? Direito à escolha, para mim, é aquele que se associa à garantia da vida. Seja ela de uma pessoa ou feto saudável, seja ela de alguém que, possuidor de necessidade especial, deformidade ou seja lá o que for, requer da sociedade e não apenas de seus pais, um amor dobrado, constante e corajoso!

9 de jan. de 2012

SÍNDROME DE GABRIELA

Uma famosa personagem de Jorge Amado, Gabriela, ficou marcado na memória brasileira, talvez bem menos pelo contexto social que pretendia abordar do que pela música que foi feita para a novela "Eu nasci assim, eu cresci assim, eu vivi assim, vou ser sempre assim". Claro que o poeta queria expressar a irreverência dela, e construiu este refrão numa música que pegou e ainda hoje é lembrada.
O problema é que a música foi tão bem assimilada que gerou um fato inédito nos anais da história da administração: a síndrome de Gabriela! Desta forma podemos descrever os funcionários que não querem mudar, não aceitam ajuda para sair de sua acomodação e resistem a tudo o que é novo. E não vamos usar da lenda urbana de que tudo isto somente acontece em repartições ou empresas públicas, pois não é verdade.
As organizações privadas estão de cabelo em pé com a proliferação rápida da Síndrome. É uma tal de acomodação, de lassidão, de evitar-se quaisquer ações de maior comprometimento ou que exijam maior raciocínio. Funcionários não lutam e nem reclamam por maior espaço e autonomia, não! Eles querem apenas ser deixados quietinhos em seus lugares, bastante enfeitados com fotos, bonecos e outras bugingangas, que a moda parece ditar um padrão: quanto mais enfeite, menos vontade de mudar.
Claro que toda generalização é burra, esta não poderia ser diferente. Mas é que assusta ver tanto empenho, tanta dedicação em se buscar estas bobagens para se colocar sobre as mesas de trabalho e/ou nos computadores, enquanto não percebemos a mesma dedicação na busca pelo conhecimento que agrega valor ao seu desempenho profissional e, por consequência, ao da sua organização.
Ora, mas será que estes funcionários querem galgar tais postos? Por que eles não podem ser deixados quietinhos, desempenhando de forma automática e quase sem pensar suas tarefas diárias? Qual o problema disto?
O problema é que o avanço tecnológico ensejará mais decisões. O volume será maior e a complexidade também. Se é verdade que a tecnologia traz melhorias e simplificações nas atividades rotineiras da sociedade, também é um fato incontestável que as decisões das empresas adquirem uma maior complexidade e isto, por sua vez, requer mão de obra mais qualificada, apenas para ficarmos no terreno da gestão.
Como termos mão de obra qualificada, se na base, no nascedouro desta carreira, temos uma verdadeira epidemia de Gabrielas? É esta conta que não quer fechar, em minha opinião. A demanda por profissionais mais qualificados, aliada à saída de diversos deles da gestão das empresas, por idade ou morte, poderá criar um vácuo perigoso no desenvolvimento, ou, o que é pior para mim, um nível de concentração tamanho que beire a um monopólio. Até então isto parecia tema de filme de ficção científica, onde víamos claramente o dano que esta concentração traz à vida e à humanidade. Mas agora, sinceramente, ela me parece cada vez mais próxima.
Cabe a nós, gestores e formadores lutarmos contra este tipo de situação. Mostrando às Gabrielas que, se no romance do escritor, o final foi feliz da teimosa personagem, na vida real, nem sempre, a ficção dá certo.

6 de jan. de 2012

CARTA DO ENCARDIDO (ou COMO SER MODERNINHO)

Querido e otário 'amigo',

Ontem eu te vi quando começava o seu dia. Acordou e nem sequer orou ao seu Deus. Ou melhor, durante todo o dia você não orou, e nem lembrou de abençoar sua comida. Você é muito ingrato para com o seu Deus, e isso em você me agrada muito. Eu também gosto da enorme fraqueza que sempre demonstra no que diz respeito ao seu crescimento espiritual, em ser um cristão.


Raramente lê a Bíblia e quando faz está cansado. Não medita no que lê, ora quase nada, além disso, muitas vezes diz palavras que não analisa. Por qualquer pretexto chega tarde ou falta ao seu culto de ensino. E o que falar de suas murmurações? Temos assistido muitos filmes juntos, sem falar nas vezes que fomos juntos ao teatro. Lembra daquele dia da tua fraqueza com aquela linda pessoa? Oh como foi bom!

Mas o mais me agrada é que você não se arrepende. E que sabe que é jovem e tem que aproveitar a vida, pensa só na carne e acredita que precisa ser salvo para a eternidade. Não há duvida você é um dos meus.

Amo as piadas vergonhosas que você conta e que também escuta. Você ri delas, eu também rio de ver um filho de Deus participando disto. O fato é que nos sentimos bem. A música vulgar e de duplo sentido que você escuta me agrada demais. Como você sabe quais são os grupos que eu gosto de escutar? Também adoro quando murmura e se revolta contra o seu Deus.

Sinto-me feliz quando vejo você dançando e fazendo estes movimentos sensuais, eles me fascinam. Como isso me agrada!!! Você quer se encontrar comigo qualquer dia destes??? Ah, se eu te pego!

Certamente quando você está se divertindo saudavelmente, fico triste, mas sem problema, sempre haverá outra oportunidade. Tem vezes que me faz coisas incríveis, quando dá mal exemplo às crianças ou quando os incita a perderem sua inocência através da televisão, músicas ou coisas do gênero. Eles são tão espertos que imitam facilmente tudo o vêem. Muito obrigado.

O que mais me agrada é que poucas vezes tenho que te tentar, quase sempre cai por conta própria. Você busca os melhores momentos, se expõe às situações perigosas, me dando lugar! Se tivesse cabeça mudaria de ambiente e de companhias; buscaria a palavra de Deus e entregaria realmente a tua vida aquele que você chama de Deus e, ainda mais, viveria o resto de seus anos sob a orientação do Espírito Santo.

Não tenho costume de enviar este tipo de mensagem, mas você é tão acomodado espiritualmente que não acredito que vá mudar nada. Não me entenda mal, eu te odeio e não te dou a mínima. Se eu te busco é porque você me satisfaz com as tuas atitudes e faz cair em ridículo a Jesus Cristo.

Assinado Teu inimigo que te odeia: Satanás ou como queira me chamar

(Autoria desconhecida)









(P.S. Se realmente me amas, não mostre à ninguém mais esta carta.)

5 de jan. de 2012

SEM PERSPECTIVA

Não é fácil entendermos aonde quer chegar os jovens funcionários que ingressam nas empresas. Se há uma década ou duas atrás, tínhamos que cuidar para que suas opções ideológicas não contaminassem seu crescimento e desenvolvimento profissional, hoje dá para sentirmos saudades de qualquer opção clara, seja ela ideológica, política ou de qualquer espécie.
Aliada à falta de projeto de futuro, a maioria dos novos funcionários, especialmente os jovens (refiro-me aos que possuem idade inferior a 25 anos), não possui qualquer noção de comprometimento corporativo, menos ainda maturidade profissional e mesmo pessoal. É assustador.
Procura-se emprego, mas despreza-se o trabalho a sere desenvolvido. Procura-se diplomas, mas despreza-se o saber, o aprofundamento no conhecimento que pode levá-los às posições mais estratégicas no futuro. Aliás, procura-se o cargo e o salário de gestor, mas abomina-se a estrada e a caminhada que possibilitam a apropriação da sabedoria.
Não se valorizam mais as leituras e o conhecimento técnico necessário à carreira escolhida, a busca é pela rede social A, B ou C, como forma de fofoca e de apreensão de cultura inútil, futilidades ou mexericos.
Não se quer uma formação profissional, busca-se uma ocupação que possibilite um salário que seja capaz de levá-los às baladas e raves.
Vive-se um presente tão superficial e vazio, que para eles, parece-me, a 'profecia maia' (sic) de final do mundo em 2012, que é a nova rama de ganhar dinheito dos idiotas, deve ser a mais pura verdade. Se o mundo vai acabar, para que eu devo esforçar-me?
Penso que, quando estes jovens estiverem no comando do mundo, proliferarão as ditaduras ou as mediocridades, ou ambos. Não acredito mais que se possa extrair de um cérebro vazio, nada além de um eco: o pedido de socorro das células restantes que, criadas para produzirem gênios, são assassinadas lentamente pelas tristes opções feitas por seus proprietários.
Estou com saudades dos visionários, dos aguerridos, dos brigões. Até mesmo dos esquerdistas, que tanto se iludem e enganam os demais com suas falsas promessas de liberdade que acabam construindo um mundo imaginário somente deles. Até deles tenho saudades.
Sinceramente, preferia aguentar as idéias malucas dos admiradores de ENVER HOXHA do que as cabeças vazias que agora idolatram MICHEL TELÓ. O que será do futuro?

4 de jan. de 2012

QUEDA DE BEBÊ EM HOSPITAL

Um hospital muito famoso do Rio de Janeiro, maternidade com muita mídia e localizada no Bairro do Humaitá, acabou de ser condenada pelo Tribunal de Justiça daquele Estado a pagar a irrisória quantia de R$ 20 mil por ter deixado cair um recém-nascido. O fato é ainda mais grave porque NADA foi comunicado ãos pais, e apenas descobriu-se o ocorrido quando a mãe pediu que um parente seu - médico - examinasse o bebê que não chorava, não se movia, de forma estranha para um recém-nascido.
Pressionada a direção da Casa, foi conseguida que se fizesse a Ressonância que detectou diferença de reflexos entre os lóbulos direito e esquerdo do cérebro. Isto fez com que o bebê baixasse na UTI onde ficou por diversos dias. O hospital recusou-se a indenizar a mãe alegando que TODAS as providências haviam sido tomadas para cuidar do bebê.
Ninguém explicou em que protocolo de cuidados entra o derrubar um recém nascido no chão.
Se o fato houvesse ocorrido apenas naquela maternidade carioca, já seria imensamente grave. Mas a queda de maca, de cama e, agora, dos braços dos técnicos serve apenas para demonstrar o quanto estamos longe de uma QUALIDADE real, e não apenas a exibição de certificações em jantares faustosos, regados a bebidas caríssimas e que apenas servem aos fins midiáticos das empresas hospitalares.
Como se pode conceber um programa de qualidade onde o principal pagador não é ouvido? Como entender um controle de infecção que não é feito por órgão independente e sim por membros que fazem parte da folha de pagamento do próprio hospital? Até quando hospitais que mais se parecem boutiques vão continuar a ser referência, não pela resolutividade que se mede, mas pelo volume de gastos em publicidade que realizam nos principais meios de comunicação?
Aliás, apenas para se falar em outro aspecto da qualidade: cadê a TRANSPARÊNCIA, a ÈTICA, o RESPEITO aos clientes, especialmente nas situações inevitáveis de falhas, que são absolutamente corriqueiras nos grandes centros hospitalares?
Antes que eu esqueça, este hospital foi o primeiro do Brasil a receber a 'ACREDITAÇÃO INTERNACIONAL' e segundo seu site alcança 96% de satisfação dos seus clientes. É claro que os pais e esta criança serão taxados de 4%. Se a criança ficar com sequelas, ou mesmo sem estas, não sei se os pais concordariam com isto.
Já passou da hora de termos uma legislação sobre hospitais. Ao menos UMA, que regulamente e ordene todas as importantes questões envolvidas.

3 de jan. de 2012

UM TRISTE FILME JÁ VISTO

Quando os adeptos do nazismo assumiram o poder, preocuparam-se de imediato em tomar para si as rédeas da mídia em toda a Alemanha, condição essencial à implantação dos seus programas de esclusão, perseguição e exterminação das populações consideradas sub-raças. Embora todos os que a eles se opuseram tenham sofrido, os asseclas de Hitler notabilizaram-se em castigar e assassinar os judeus, apenas pelo fato de serem integrantes de uma raça.


Ao judeu não foi permitido falar. Tampouco defender-se. Em nome dos interesses maiores do VOLK (povo), adotaram-se decisões técnicas (sic) que resguardassem o avanço e as melhorias (sic) que adviriam das Leis Raciais de Nuremberg (1935).

Mas, mesmo os nazistas, tinham receio de que termos que denotassem a verdade do que iriam fazer atraíssem pessoas de boa vontade, ou ainda os ‘mornos’, aqueles que formam suas opiniões muito mais em função do que se está escrito, do vernáculo em si, do que avaliando a agressividade ou injustiça contidas numa questão.

Por isso, reunidos em Wansee (1941), organizaram de forma gerencial e sistematizada, atentando para os padrões ‘técnicos’ necessários, o expurgo total e geral do povo judeu, através da “Solução Final”. Este eufemismo procarava amenizar o assassinato contínuo e promovido nos ouvidos de uma população que não queria ou não podia saber da verdade por trás das palavras. Inexistia a rede mundial de computadores e TODOS os órgãos de informação estavam sujeitos ao Estado. Enfim, uma ditadura cruel e com mãos sujas de sangue.

O quadro acima é aquele que me ocorre a cada vez que escuto o Ministério da Saúde falar, bem como os parlamentares eleitos e que defendem, sobre o projeto da “Antecipação Terapêutica do Parto”. Este eufemismo quer dizer o aborto legalizado em nosso país. Ele pretende retirar a voz de todos os fetos, que já não possuem o direito à vida e são assemelhados a ‘coisas descartáveis’, dando às mães o livre e absurdo direito de escolher quem vai morrer.

Não precisamos falar da natureza divina da vida. Basta examinarmos os requisitos de uma democracia e constataremos que o direito à vida, desde sua concepção, é princípio basilar de uma sociedade que se diz igualitária e solidária. Embriões e Fetos não são coisas, mas vidas que pulsam e necessitam, por ainda não terem voz, da intransigente defesa de seus interesses por parte dos demais cidadãos. Deixar que sejam exterminados, em nome da ciência (sic), dos avanços (sic) ou das liberdades femininas (sic) é não querer saber da verdade e, assim, ser coniventes com mais um extermínio de crianças.

Não é este o mundo justo e de oportunidades iguais que tanto se apregoa. Não vejo avanço em se repetir um massacre contra seres que não podem falar, mas que vivem e merecem viver. Precisamos de gestos concretos, como bem o dizem os defensores do movimento Brasil Sem Aborto (www.brasilsemaborto.com.br), precisamos de vozes corajosas, precisamos de corações capazes de se colocarem no lugar daqueles que mesmo tendo um coração não são lembrados pelos donos do poder.

2 de jan. de 2012

UM NOVO ANO

Terminadas as festas natalinas, tempo no qual os homens percebem possuir o dom da mansidão, e onde os mais mesquinhos costumam partilhar algo com os demais, começamos um novo ano. Fico impressionado como as pessoas retomam com muita rapidez seus padrões antigos. Voltam a exercer suas arrogâncias, prepotências e agressividades, como se jamais tivessem vivido o ciclo do Natal.
Esquecem as partilhas, já não se lembram das promessas feitas no calor das emoções do ano novo, abandonam as mudanças que tanto impressionaram aqueles que lhes são subordinados. Apropriam-se de seus poderes temporais e se agarram a eles como se fossem eternos. Por isso são pessoas tristes. Podem até sorrir, mas não como uma expressão da alegria que a alma sente. Sorriem como um reflexo mecânico a algo que deve merecer tal atitude. Sorriem com os lábios, não com o coração.
Tenho medo desta mediocridade. E de outras também. Quanto mais a vida se torna medíocre, menos ela será capaz de enxergar as reais necessidades das pessoas, suas aspirações e especialmente seus sonhos. A mediocridade iguala todas as pessoas no nível mais baixo da existência humana, como se todos nós trabalhássemos por comida e abrigo, tal qual a Idade da Pedra.
O homem realiza porque sonha. Sonha com uma sociedade melhor, mais segura e mais includente. Sonha com justiça social e respeito a todos. Sonha porque não pode se esvaziar de seus sonhos. Sem estes, ele é uma casca apenas, um autômato que precisa ser comandado por cordões. Uma marionete.
O homem sonha porque sua alma é eterna, não passageira, não perecível. Ela é fruto do amor do Criador e perdurará para além do nosso corpo humano, mortal, limitado e finito. E quem é fruto do amor, pode e deve reparti-lo com os demais.
Neste momento de retomada. Neste primeiro dia útil do ano, planeje colocando sua alma à frente da sua vida. É ela que você deve guardar para a vida eterna. O resto é passageiro,tal qual as datas do calendário. Tal qual o ano passado que já não existe mais.