30 de set. de 2008

O EFEITO HAIDER

Boa Noite!

“Paz em nosso tempo!”. Com estas palavras, o primeiro-ministro britânico Chamberlain saudou os súditos de sua majestade que se amontoavam no aeroporto de Londres, naquele chuvoso dia de 1938. Pretendia o fleumático político haver conseguido o fim da tensão na Europa, provocada pelas reivindicações nazistas de mais território (Lebensraum), através do silêncio. Isto porque, em fato inédito na história universal, duas nações independentes (Alemanha e Inglaterra), com a aquiescência de outras duas (França e Itália), decidiam e repartiam o território de um país autônomo - a Tchecoslováquia ! A questão dos Sudetos, como ficaria conhecida, foi “solucionada” pelo criminoso silêncio da , então, potência colonial inglesa !
Sob a égide de não se interferir na autonomia alemã, permitia-se o desaparecimento da soberania do povo checo. Para não se afrontar o governo alemão, calaram-se os países denominados democratas. Sabedores do perigo trazido pelo nazi-fascismo, seus “oponentes” acreditaram que o tempo se encarregaria de acalmar o ditador Hitler. O silêncio asseguraria a PAZ, como se uma ditadura não entendesse ser, a omissão, o que realmente ela é: prova cabal de nossa covardia! Mas, por que resgatar-se a História ? Em que ela serve aos “nossos tempos”?
A retomada do poder pela direita nazista, na Áustria, é algo preocupante, em especial quando nos deparamos com um percentual de votação em torno dos 30% dos eleitores. A aliança entre os dois partidos fascistas pode dar início a uma reação em cadeia lamentável sob todos os aspectos, e que traga de volta ao centro do poder mundial, estas incansáveis viúvas de Hitler.
A atenção da opinião pública não pode ir se dirigindo a outros temas, os ânimos esmorecendo e o silêncio imperando! Os inimigos da democracia se alimentam do silêncio obsequioso, para implantar lenta e continuamente seus pegajosos tentáculos. O mesmo comportamento omisso assumido pelas nações diante das exigências de Hitler toma novamente vulto e nos leva a indagar: quando recomeçarão as perseguições às minorias, aos judeus, às religiões, teremos outra atitude? Quando se retomar o extermínio de pessoas, de forma sistemática e cruel, adotaremos outra postura ? Ou será que, novamente, rigorosamente nada será feito?
Como o nosso povo, que tem sua força e beleza na miscigenação das raças, sua cultura como resultado de tantas culturas, pode conviver com grupos de “skinheads” nazistas, agredindo pessoas, violando sepulturas judias e pregando segregação racial em nosso país ? Como se explica o crescimento de produtora de vídeos e livros fundada pelo Sr. Siegfried E. Castan que se diz “revisionista”, e cujos textos divulgam o anti-semitismo , o ódio racial e outras “pérolas” da espécie?
Qual o papel que nosso líderes estão desempenhando neste momento crucial? O nazismo alimentou-se da crise econômica gerada a partir do Tratado de Versalhes, e buscou no anti-semitismo histórico já existente o combustível para manter tal chama acesa por, longos, doze anos (1933-1945). E a crise econômica mundial de nossos dias, por acaso produz injustiças diferentes?
O nazismo retornou na Áustria. Mais retraidamente o fascismo retoma lugar no Poder Legislativo italiano (com a bisneta de Mussolini). A internet é assolada por inúmeros sites pregando a violência e a segregação, o ataque às minorias e às religiões. Parece-nos caber uma pergunta : o que nós, autodenominados democratas, estamos fazendo a respeito ? Que ações efetivas estamos tomando, quer de conscientização, quer de enfrentamento de tão perigosas distorções ?
O momento é de profunda reflexão, mas também de ação . É de posicionamentos firmes e públicos, fundados em coerência e respaldados historicamente, sem porém intransigências ou radicalismos inconseqüentes. Urge que os setores organizados da sociedade externem e multipliquem seus pontos de vista, para que seja minado, no nascedouro, este monstrengo cruel e impiedoso que é o nazismo. Certamente não será esta a postura mais fácil, e nunca o foi. Porém, sua alternativa é a acomodação, a passividade, o silêncio, o eterno esperar e ver o que acontece. O preço da omissão, contudo, será uma eterna espada de Dâmocles pairando sobre nossas cabeças!

29 de set. de 2008

A OBESIDADE E OS PLANOS DE SAÚDE

Boa Noite!

Mais uma vez o tema da Obesidade infantil, suas terríveis consequências pessoais e para o sistema de saúde em nosso país, retoma o centro das discussões. Na semana passada foram diversas abordagens, desde as sociedades médicas responsáveis até as televisões buscaram registrar matérias, discussões e outras ações voltadas a alertar pais, educadores e gestores para esta verdadeira "bomba-relógio" que está montada, sendo piorada a cada estudo que se realiza.
Neste espaço não pretendo repetir as abordagens já feitas, bastante conhecidas de todos. Desejo partilhar com vocês a minha preocupação em relação à OMISSÃO das operadoras de saúde suplementar com esta questão.
Vocês acreditam que ainda escuto loas tecidas para com a "oxigenação" das carteiras pela entrada de pessoas jovens, como se estes últimos fossem blindados de agravos e não estivessem expostos aos riscos acima citados, pressionados por uma sociedade que é consumista e tecnocravagista. É uma palavra nova mesmo, nem sei se acabei de inventá-la. Mas quer dizer: escravizar o homem pela tecnologia (que deveria vir para ajudá-lo a ser mais independente e livre).
Os planos de mercado não estão desenvolvendo prospecção em saúde para este público, nem mapeando os riscos do costume moderno de fixar as crianças em frente ao terminal do computador e empanturrá-los de sanduíches como uma forma de alimentação alternativa e mais "rápida". A irresponsabilidade dos pais ou sua omissão na fiscalização da vida, alimentação e educação de seus filhos beira ao surreal neste final da primeira década do Século XXI. Não é possível que tantas pessoas levem como uma brincadeira, ou admitam em frente às câmeras da TV que não cuidam destes aspectos e, simplesmente, não MUDEM!
Por outro lado, chamar de oxigenação a manutenção em carteira, sem ações de Saúde, jovens que estão adoecendo lenta, mas continuamente, é no mínimo lamentável, ou seria melhor dizer: assustador...
A obesidade infantil requer medidas criativas e urgentes, pois trata-se de nossos futuros: gestores, clientes ou ... pacientes? Que tipo de adultos desejamos, como operadoras, técnicos ou administradores, que as nossas crianças e adolescentes de hoje venham a se tornar?

27 de set. de 2008

ENTRE O TACAPE E A GAVETA

Boa Noite!


Alguns modismos são recorrentes. Eles surgem num determinado momento vivido pela sociedade e é explicado por diversos dos pensadores de plantão, como atrelados a este fato ou aquele. Decorridos anos, ou às vezes décadas, e com a sociedade completamente mudada (tanto para melhor como para pior), a moda ressurge e aí, bem, temos que nos deparar com outras explicações dos eternos “cérebros pensantes”.
Em muitas organizações de saúde, privadas, somos testemunhas de repetições de atitudes e gestos, dos seus proprietários, que são piores do que modas: se constituem em verdadeiros suicídios empresariais.
Este preâmbulo é necessário para falarmos de duas “modas” gerenciais que, infelizmente, voltaram à tona. Como não tenho percebido uma maior franqueza dos nossos pensadores ao falar sobre elas, atrevo-me a fazê-lo.
Começo pela moda do TACAPE. Para os incautos ou aqueles que faltaram no dia em que o professor discorreu sobre as tribos indígenas, o tacape era o agradável instrumento usado pelos aborígenas para esmagar ou amassar, ou ambas as coisas, os seus adversários. Claro que os índios apenas os usavam na defesa de sua sobrevivência. Não havendo registro de que algum cacique tenha manejado o tacape para intimidar seus índios subordinados, ou mesmo para demonstrar um poder maior do que tem, ou ainda para ocultar sua própria incompetência. Os historiadores nunca detectaram traços deste perfil... nos índios!
Porém, nas empresas, o tacape rola solto! Ele é usado para silenciar os técnicos, quando ousam falar verdades que não querem ser ouvidas. Também serve para eliminar os que pensam de maneira diferente dos caciques. A estratégia tacape não resolve os problemas da organização, mas é bem capaz de deixá-los escondidos, sob uma falsa manta de profissionalismo, até que um próximo cacique tenha a coragem de desentocá-los e enfrentá-los (se ainda der tempo). O tacapista intimida, persegue e consegue expulsar a grande maioria dos bons índios, mas não deve ser capaz de fazer naufragar a aldeia inteira. Ele é transitório, pois como confia apenas no seu tacape, no dia em que o esconderem dele, coitado, ficará completamente perdido e sem saber o que fazer.
Já a estratégia GAVETA tem uma outra conotação. Ela não requer truculência e sim, omissão graduada. Explico-me: ao invés de decidir, ou porque não sei bem do que se trata, ou porque não sei bem o que faço, ou porque faço o que quero e não sei o bem que isto não fará à empresa, o poderoso de plantão simplesmente joga em sua gaveta todos os projetos, propostas e trabalhos de suas equipes.
É a famosa PTR (Pasta que o Tempo Resolve). O insigne chefe vai acumulando nas suas gavetas os processos, projetos e afins, na doce ilusão de que, com o tempo, o subordinado relega, o seu gestor desiste ou o cliente esquece. O problema maior é que nenhum destes três pensa assim.
Para os dirigentes-gaveta, seus subordinados desenvolvem um temor ritual (enquanto ele estiver naquela cadeira, fazem de conta que o respeitam, depois...). Seus gestores adiam os projetos e se comportam como caramujos enquanto a maré passa por cima (atolam-se na lama, agüentam todas as sujeiras, mas sobrevivem). Mas os clientes, ah! estes não temem, não se comportam e nem esquecem!
Perdem a credibilidade na empresa e buscam outra empresa. E para não ver isto acontecer, o gestor gaveta retira dela, ou de seu baú o tacape e, agitando-o, tenta fazer o mundo real encaixar-se no seu sonho (ou pesadelo). O problema é que tanto o mundo real, como nossos clientes se incomodam com a gaveta, mas não temem em nada o tacape ou o barulho de quem o porta: sempre haverá um concorrente de plantão!

26 de set. de 2008

NOSSOS HERÓIS ANÔNIMOS...

Boa Noite!

Nosso país é rico em heróis anônimos. Pessoas que jamais terão seus nomes em placas de ruas, jornais de grande circulação, revistas da moda ou programas de televisão. Mas que sempre marcarão os corações daqueles que são assistidos por suas ações, um nome que marca e jamais se apaga: a gratidão.
Essas verdadeiras formiguinhas da esperança conseguem vencer o abandono das políticas governamentais, através da sua perseverança e persistência na busca de soluções concretas para os problemas e deficiências das comunidades e populações onde atuam.
Inclusão é um nome técnico e tão mal-usado politicamente que não consegue ser percebida pelos mais necessitados. Por outro lado, solidariedade é tão sensível e perceptível que os excluídos não conseguem separá-la dos agentes que ao promoverem-na tornam real a silenciosa revolução da justiça social.
Por isso, não consigo deixar de admirar os educadores de todos os níveis, mas com ênfase aos que se dedicam às crianças, em especial àquelas mais carentes.
Que pena verificar que as grandes estruturas nacionais, sejam elas públicas (como os governos) ou privadas (como as empresas) ainda não incorporaram de forma efetiva os benefícios e a blindagem estrutural que trabalhos efetivos de resgate social trazem para toda a sociedade, eles inclusos obviamente!
E onde irmos para esta atuação?
Basta olharmos no entorno dos lugares onde estas empresas estão instaladas. Seria suficiente que cada uma delas criasse um cinturão de justiça social em torno de seus muros, e certamente estes não estariam a cada dia mais altos e robustos.
É verdadeira a inclusão social que é percebida pelo destinatrário como agregadora de valor a sua vida e de seus familiares. De nada servem prêmios, reportagens ou participações em eventos para se celebrar o que não se sustenta como perene e includente. Aliás, porque se escolhem lugares tão belos e afastados do mundo real da injustiça social, para se falar sobre o desejo de se acabá-la?

25 de set. de 2008

PRINCIPAIS CAUSAS DE MORTE NO MUNDO

Boa Noite!

A Organização Mundial de Saúde (OMS) atualizou o ranking de causas de morte em todo o mundo, divulgado no final da semana passada, com os dados fechados de 2003.
Mais uma vez o nosso país aparece com alguns tristes “destaques”, que se não causam surpresa e nenhuma novidade para nós, deveria ser motivo de um grande pacto nacional para sua supressão.
Eis a ordem dos agravos, os primeiros da lista e a posição do Brasil em cada uma delas:

Infecções e doenças parasitárias:
1. África do Sul (59,2%)
2. Índia (20,0%)
3. BRASIL (7,0%)

Câncer
1. Alemanha (26,7%)
2. Espanha (26,6%)
3. Estados Unidos (21,7%)
7. BRASIL (14,5%)

Doenças cardiovasculares
1. Rússia (59,5%)
2. Alemanha (47,6%)
3. Finlândia (42,8%)
8. BRASIL (32,3%)

Doenças respiratórias
1. China (15,7%)
2. Espanha (10,0%)
3. Argentina (9,9%)
5. BRASIL (7,2%)

Violência
1. BRASIL (4,7%)
2. África do Sul (2,2%)
3. Rússia (2,0%)

Condições perinatais
1. Índia (7,3%)
2. BRASIL (5,8%)
3. China (3,0%)

Acidentes
1. Rússia (9,5%)
2. México (8,1%)
3. Índia (7,7%)
5. BRASIL (5,8%)
(Fonte: O GLOBO, de 22.09.2008)

Pobre país este nosso, em que o pódio aparece numa disputa que absolutamente não nos interessa! Como já debatemos neste espaço, urge que reunamos as principais lideranças do setor saúde nacional, sejam elas atuantes no segmento público, seja privado, para que medidas CONCRETAS sejam adotadas.
Discursos retóricos, eleitoreiros ou meramente demagógicos podem continuamente enganar a grande massa de cidadãos brasileiros. A pergunta certa é: até quando?

24 de set. de 2008

MÉDICOS VAGABUNDOS E SAFADOS

Boa Noite!

Com estas palavras, e cobrando uma punição para os profissionais por parte do Conselho Regional de Medicina do estado do Rio de Janeiro (CREMERJ), o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, dirigiu-se aos médicos faltosos do plantão do Hospital Getúlio Vargas, por ocasião da inauguração da 14ª. Unidade de Pronto Atendimento na Ilha do Governador. A solenidade realizou-se no dia 22.09 e as acusações foram registradas pelo jornal O GLOBO, de 23.09.2008 (página 19).
O CREMERJ reagiu prontamente, ao ser citado, afirmando pelo Dr. Pablo Velásquez que irá apurar a responsabilidade de todos: médicos, diretores do hospital, secretário de saúde do município, do estado, governador, etc.
Em suma, num tempo eleitoral, cada um fez o seu papel institucional e o fato será tratado como todos os outros. Quer dizer: não vai dar em nada, salvo se um dos cinco profissionais for inimigo, ou pertencer ao lado errado da questão.
Preocupa-me o fato do problema central não ter sido citado nem pelo esbravejante governador, nem pelo zeloso conselheiro: a crise estrutural na saúde.
Há muito tempo os médicos vêm denunciando a falta de condições estruturais e materiais para o funcionamento das grandes emergências em nosso Estado. São diversas as reportagens, atos, manifestações e reclamações que chegam a todos nós, pelos mais diversos meios acerca desta grave situação.
Todos os candidatos a prefeito apontam o problema. E quando for o pleito estadual, todos os candidatos a governador também o farão. Com certeza, até mesmo o nosso Presidente que dá palpite até em jogo de futebol falará a respeito, com uma daquelas suas frases de efeito que nada concluem e tampouco criam compromisso da parte dele.
Mas, o que se fez de concreto?
O Sr. Ministro de Estado da Saúde estava presente ao ato e testemunhou a indignação do Governador. Qual sua atitude concreta? Reclamar pelo fim da CPMF? Será que ainda acredita o ministro televisivo que os cidadãos podem ser iludidos com esta paródia de que apenas com aumento de carga tributária se resolverá o problema do SUS que é de GESTÃO?
Por outro lado, quando o CREMERJ irá liderar uma grande discussão estratégica sobre a saúde pública estadual, buscando viabilizar um grande pacto pela sobrevivência do sistema e não apenas procurando responder diatribes governamentais com outras da mesma espécie?
É compreensível a revolta do governador, quando eleitores deixam de ser atendidos. Mas é lamentável que a sua resposta tenha ficado apenas em nível de ataques pessoais aos médicos. Se houve indisciplina, aplique-se s sanção devida, nem mais, nem menos. Mas se há omissão ou falha de gestão, porque atacar e punir os mais expostos?
A Saúde Pública só é levada a sério em nosso país quando se quer patrocínio para seminários e congressos. No restante, ficamos testemunhando ataques de ambos os lados e, efetivamente, poucas (ou nenhuma) ações concretas de mudança. Com tanta competência individual no Rio de Janeiro, porque não transformamos este Estado em pólo latino-americano de Saúde? Quanto desperdício! Quantas palavras que melhor teriam produzido efeito, se ficassem guardadas no íntimo dos nossos dirigentes! Quanto assédio travestido de defesa de interesses públicos!!!

23 de set. de 2008

PARA ONDE VAMOS?

Boa Noite!

Relatório divulgado no final da semana passada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que no Brasil a probabilidade dos HOMENS não alcançarem os 65 anos de idade é de 36%, e para as MULHERES, cerca de 22%. Ou seja, para cada dez homens considerados idosos (a partir do 60º. aniversário), espera-se que quatro não alcancem mais um qüinqüênio de vida. Os restantes, por outro lado, alcançam uma expectativa média de vida de 68 anos.
Somos o QUARTO pior do mundo entre os países pesquisados, ficando atrás de África do Sul, Índia e Rússia. Antes que nossos governantes proclamem que estamos junto de potência mundial, como os russos, vale a pena uma parada para reflexão.
O resultado verificado está associado DIRETAMENTE ao sistema de saúde nacional e seus resultados verificados. Está claro que obtermos bons indicadores para os indivíduos que conseguem usar o SUS, por exemplo, não está sendo capaz, como sempre o soubemos, de assegurar a reversão destas questões.
Por outro lado, no setor suplementar, as bravatas e discursos de seminários da ANS já não são bastantes para quem possui percepção sistêmica e visão de futuro. Urge que medidas concretas de incentivo aos programas de prevenção e promoção aconteçam e façam com que o mercado assuma esta opção como parte de suas estratégias de negócios.
Mais preocupante ainda é a constatação de que dos 68 anos de expectativa de vida para os HOMENS brasileiros, apenas 57 são decorridos de forma considerada saudável. Os 11 anos de enfermidades provocam duas graves distorções: a mais séria a perda da qualidade de vida das pessoas, fator inadmissível num sistema de saúde que elegeu da Atenção Primária o seu Modelo Tecno-assistencial. Um outro aspecto é que o consumo de recursos nestes onze anos gera não apenas o desequilíbrio econômico-financeiro de todo o sistema, mas não reverte a situação detectada, com certeza pelo tardio momento da intervenção assistencial.
Ainda que os números relativos às MULHERES sejam um pouco melhores (76 anos de expectativa de vida, dos quais 62 saudáveis), a diferença dentre os sexos é muito pequena para considerarmos isolado o problema neste grupamento ou no outro. A questão é grave, séria e alcança a TOTALIDADE da população assistida.
Vale ressaltar que o momento é de decisões estruturantes, voltadas para a resolução da questão de ACESSO, no sistema público, e de PREVENÇÃO, no setor suplementar. É preciso que as autoridades esqueçam um pouco os holofotes, ainda que com popularidade em alta, e se atenham ao seu compromisso ético de prover soluções permanentes e resolutivas aos tristes números divulgados pela conceituada pesquisa.
Que Sistema de Saúde queremos deixar como legado às futuras gerações? Aliás, para onde queremos levá-lo? E a população, em especial os mais carentes, quando serão lembrados nos gabinetes em que se decide, ao invés de servirem apenas de temas para os famigerados programas políticos?

21 de set. de 2008

MAIS TÉCNICA, MAIS SAÚDE, MENOS MÁQUINAS...

Boa Tarde!

O título acima até parece integrar um folheto destes que circulam em campanhas salariais, distribuídos pelos sindicalistas de plantão. Mas, absolutamente, não é o caso. Em verdade, gostaria de partilhar com vocês uma reflexão de alguém que considero muito especial para a Medicina, em todos os tempos:

"A nossa natureza é o maior médico das nossas doenças" (Hipócrates).

É ele mesmo, o pai da Medicina. O sábio grego que soube observar melhor o ser humano com a finalidade maior de dar-lhe melhor condição de vida, uma saúde estável pelo equilíbrio do nosso corpo. Hipócrates afirmava que a reação do organismo se dava independentemente da atuação de quaisquer outras forças e atores, mesmo o médico. Ele examinava e acompanhava seus pacientes pela individualidade de cada um deles e, por isso, tanto fez pela nascedoura ciência.
Que pena que os ensinamentos e verdades deixadas por Hipócrates estejam tão esquecidas em nossos dias atuais.
Deparamo-nos com toda uma parafernália de equipamentos, vendidos por uma mídia altamente tendenciosa e destinados a nos mostrar que, dentro em pouco, já não precisaremos de nenhum ser humano para acompanhar a nossa saúde: ela será quse que automatizada por completo! Quanta bobagem! Mas que perigosa bobagem!
Ela aposta num ser humano que já não tem mais tempo para si mesmo, seus entes queridos e menos ainda para seus amigos. O homem do século XXI faz discursos de respeito aos outros e sequer tem tempo de vê-los! Diz defender a vida e desenvolve mecanismos que facilitam sua destruição a todos os habitantes do planeta. Querem nos assegurar a importância das novas tecnologias para a saúde da população e não conseguimos registrar um crescimento sequer dos indicadores básicos de saúde, apenas dos gastos... Quem está enganado a quem?
Vejam o caso dos leitos hospitalares. Em nosso estado, Rio de Janeiro, eles já representam mais de 30% dos leitos totais dos hospitais (UTI/USI). São mais equipamentos de monitoramento e médicos e técnicos que estão ligados aos monitores, do que propriamente, técnicos que possam olhar o paciente e acompanhá-lo, ouvi-lo, acolhê-lo em suas necessidades mais emergentes.
Os compradores de serviço incentivaram a remuneração destes leitos de alta complexidade e, agora, percebem a armadilha que ajudaram a criar: gasta-se mais, incopora-se mais, obtendo-se em troca menos qualidade de vida, menor parcela de população curada, mais problemas entre compradores e prestadores de serviço.
Não que os intensivistas não possuam competência e conhecimento técnico, muito pelo contrário! O problema é que a sua forma de intervenção se dá num nível tão extremo que pouco se pode esperar, do ponto de vista de melhoria de indicadores, das suas ações e atuação.
Possuímos mais máquinas em nosso setor de saúde suplementar, mas não possuímos melhores resultados em saúde. Demos a nossa população a doce ilusão da automação, enquanto o sábio Hipócrates já nos alertava para o pecado da vaidade neste campo tão difícil da Medicina. Será que ao invés de comprarmos mais equipamentos, não teria chegado a horar de comprar mais livros de Hipócrates... E lê-los?

20 de set. de 2008

SER GESTOR NÃO DÓI!

Boa Noite!

Quando éramos crianças, sempre ouvíamos a voz protetora de nossa mãe, nos momentos de maior medo ou expectativa: não se preocupe, não vai doer! Esta fórmula era repetida à exaustão, nos mais diversos momentos e servia de bálsamo protetor para as mais diversas dores e os mais particulares dos nossos medos.
Fosse a situação um momento anterior a uma prova, ou aquele outro que precedia uma injeção, a determinação maternal de que isto não dói aliviava nossos medos e fazia diminuir a intensidade da dor.
Pois bem, está na hora de muitos gestores voltarem a ouvir suas mães. Afinal, elas dirão a todos nós: "Ser gestor, meu filho, não dói". Devemos entender que não é possivel dissociarmos gerenciamento de problemas. Não se pode esperar apenas bônus de sua promoção, também virão os ônus, cuja capacidade de resolver, ou a expectativa mensurada desta, serviram certamente de motivo aos seus superiores para a sua promoção.
Acontece que deixamos ser atraídos pela parte ficcional dos cargos de gestão. Aquela aura de poder, de destaque entre os demais, da possibilidade de vitrine e, em especial, dos aparentes enormes ganhos financeiros, surge e é assumido pelos neófitos candidatos a gestores, como se englobassem a totalidade da missão gerencial. Ledo engano.
A gestão é um passo que deve ser dado com maturidades pessoal e profissional. Sob pena de se perder a carrerira e o emprego, muitos jovens desenvolvem quase que uma paranóia pelas imediata ascensão, sem se esperar ou observar a caminhada inerente a todos os que ocupam cargos gerenciais.
Ser capaz de enfrentar as frustrações, de transformar massas brutas em profissionais e, principalmente, de fazer convergir para os objetivos estratégicos da empresa, pessoas com valores, culturas, formações e estilos completamente díspares e particulares, constituem-se, em minha opinião, nas mais difíceis e complexas tarefas dos gestores. Mas também são, por isso mesmo, as mais desafiantes.
Dá trabalho? Dá.
Exige muita dedicação e estudo? Sim.
Mas, dói? Não, definitivamente não dói. Como já o dizia a minha mãe...

19 de set. de 2008

AVISO AOS NAVEGANTES!

Boa Noite!

Apesar do otimismo ufanista do nosso Presidente, em relação à crise da Economia Mundial e sua nenhuma repercussão no Brasil (segundo ele), não consegui me deixar contagiar! É um fato concreto que a nossa legislação, duramente desenvolvida após a crise bancária da década de 90 e sob os estridentes protestos dos partidos de oposição à época, criou uma forte blindagem com relação a estas situações de turbulência econômica.
Também não se pode esquecer que, apesar das doações feitas pelo governo atual dos direitos creditícios que o Brasil tinha, para com muitos países em todo o mundo, foi mantida a linha mestre da Economia, de crescimento conjugado com inflação sob gerenciamento. Isto foi um avanço e, se ainda não conseguimos reverter a cultura inflacionária na população, mas já vislumbramos mudanças de atitudes perante preços em ascensão em todas as camadas sociais, o que é um grande passo.
Mas, apesar disto tudo, estou inquieto. O mercado de Saúde não segue regras da Economia, das Finanças, ou de qualquer outra ciência. Assim, quando o dólar está em alta os preços são inflacionados sob a alegação de que estão sofrendo o encarecimento de seus custos.
Já quando a situação é de queda do mesmo dólar, os preços são de novo majorados, nesta situação sob outras desculpas técnicas: aumento de salário, aumento de... alguma coisa, descoberta da camada pré-sal e outras bobagens de mesmo nível.
O elegante amadorismo que reina nas gestões estratégicas das empresas que atuam no mercado de saúde suplementar faz com que elas optem, sempre, pela gestão de seu caixa e em poucos casos pelo aperfeiçoamento de seus processos e gerenciamento dos seus custos. Alguém que desejasse viver, exclusivamente, de ministrar ensinamentos sobre processos e custos neste segmento, fatalmente iria morrer de fome em nosso país. Por isso a minha inquietude.
O estouro da bolha imobiliária americana, temo, poderá ter efeitos maiores do que provocar brilhantes declarações como a de ontem: “Que crise? Vai perguntar para o Bush” (Presidente Lula, O GLOBO de 17.09.2008). Ele poderá ser usado, mais uma vez, para se tentar justificar uma onda de acréscimos de preços, em especial na vergonhosa realidade dos Materiais de Órtese e Prótese em nosso país, cujos fornecedores permanecem quase que imunes à qualquer Lei ou Fiscalização pelas autoridades responsáveis.
Como numa noite muito escura nunca sabemos se a luz no fim do túnel é uma esperança de chegada ou a chegada de um trem, deixo este aviso aos navegantes: “Vigiai e ORAI”!

18 de set. de 2008

ABORTO DE ANENCÉFALOS

Boa Noite!


Encerrada a primeira fase do processo de julgamento da ação impetrada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde em favor do aborto para os casos de crianças anencéfalas, o STF ouviu 26 especialistas: 16 favoráveis (60%) e 10 contrários (40%) à interrupção da gravidez. O relator garante que no início de 2009 esta questão estará resolvida e o veredicto conhecido de todos, encerrando a questão.
Realmente acreditamos que a questão estará encerrada?
Quantas vezes a história testemunhou e registrou, para nosso aprendizado, momentos como este em que, sob pretextos dos mais plausíveis e justificativas das mais (aparentemente) sólidas, a sociedade abriu mão de seus direitos para permitir que alguns “sábios” conduzissem-na a um “novo momento em nossa vida”. A quantidade de casos é imensa, já foi objeto de diversas reflexões e análises e teve, em minha opinião, seu ponto culminante no Estado Nazista, onde Hitler e seus sequazes usaram opiniões de médicos, cientistas, advogados, juízes e por aí vai, para discriminar, humilhar, explorar e assassinar MILHÕES de seres vivos em nome da defesa do “Espaço Vital” (LEBENSRAUM) para os cidadãos alemães.
Bem, comparado com o massacre dos judeus, por exemplo, o número de crianças que será objeto deste expurgo vai ser expressivamente menor. A mídia vai apoiá-lo, aliás, já o está fazendo. E seguiremos adiante até... o próximo grupo a ser expurgado.
Estamos conscientes disto?
Está claro que não se trata de saúde da mulher coisa nenhuma, e sim de escolher quem pode e quem não pode viver? Hoje são os bebês anencéfalos, quem será amanhã?
Para os europeus, em 1936, as Leis de Nuremberg atacaram e condenaram à morte os judeus. Muitos acreditaram ter terminado a questão e estar satisfeito o cruel ditador. O que aconteceu depois, todos deveriam saber, não foi bem isto.
Concluída a votação, com mais esta derrota da vida humana em seu início, qual será a próxima vítima?

16 de set. de 2008

SEGURANÇA PÚBLICA E SAÚDE: UMA QUESTÃO DE ESTADO.

Boa Noite!


Em tempos de promessas, sorrisos, criatividade e boa vontade ululantes, todos os dias, pela TV, penso que poderíamos refletir sobre algo bem sério que nossos candidatos tanto oferecem: a questão da Segurança Pública e seus efeitos sobre o sistema de saúde brasileiro. Claro, do ponto de vista de gestores, e nunca daqueles que desejam se eleger a qualquer custo, para isto fazem todo tipo de afirmações e, o que é pior, conseguem os votos necessários para seu intento. Coisas brasileiras...
Mas retomemos o lado profissional. A Segurança deve oferecer ao cidadão duas coisas básicas, dentre outras: primeiro a garantia de sua livre locomoção, o direito de ir e vir, de onde quiser e para onde lhe for permitido. Em segundo lugar, com a certeza da proteção e a visualização dela, a segurança pública deve criar na população uma sensação de defesa, de bem-estar quanto à intervenção do Estado, de certeza de ser o cidadão, tratado e respeitado como cidadão brasileiro.
Usei todos os verbos no presente, porque penso que está na hora de nos rebelarmos contra o condicional (deveria fazer...). O que é direito de cidadania sempre estará e deverá ser usado no presente. Se pagamos impostos agora, devemos ter segurança agora e não no futuro, no terceiro, quarto ou quinto mandato de quem quer que seja!
Ora, se a segurança não atua efetivamente passamos a ter dois graves problemas. Diretamente falando, a insegurança custa aos cofres públicos (ou seja, aos nossos bolsos), mais de R$ 4 bilhões por ano, segundo o Presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), Dr. Omar Terra. É a quarta maior causa de MORTES entre os homens (adultos e crianças) no país, e a sétima dentre as mulheres. A ineficiência do Estado e a irresponsabilidade como os governantes tratam nossas estruturas de proteção (leia-se: as polícias), termina por custar muito mais caro ao próprio Estado. Além da miopia gerencial existe uma certa perversidade: o gasto com segurança é imediato e gera custos fixos, enquanto a violência surge etapa a etapa e só se torna preocupante quando é objeto de reportagem no horário nobre da TV. Logo, podemos acreditar que existe um certo... esquecimento das autoridades quanto a esta questão.
Outro lado do problema não é visível, mas nem por isso menos perigoso: o estado de insegurança. As pessoas começam por mudar seus hábitos, sempre num sentido restritivo, tornando-se reféns do próprio (e justificado) medo. Este é o primeiro passo rumo ao desequilíbrio físico e emocional. O sofrimento pelo que se tem é difícil, mas o sofrimento pelo que se teme é, por diversas vezes, muito mais cruel. Do ponto de vista de sistema de saúde isto quer dizer mais adoecimento, incomum e pouco visível, o que irá gerar aumento de consumo sem a respectiva melhoria da qualidade de vida. Ou seja, gasta-se mais, resolve-se menos. Sofre o paciente, seu círculo familiar e o padece o sistema.
A Segurança Pública é tão importante para o equilíbrio da sociedade e, especialmente, para a estabilidade do Sistema Público de Saúde que por vezes penso se o Ministério da Defesa não deveria ser unificado ao da Saúde! Exagero à parte, esta questão mereceria uma melhor (e maior) agenda do nosso Ministro de Saúde, pelo menos numa proporção maior do que muitos dos temas ao qual dedica tanto debate!

15 de set. de 2008

UM EXEMPLO A NÃO SER SEGUIDO...

Boa Tarde!

Num momento em que todos os países do mundo voltam a discutir até que ponto as legislações que delimitam aparentes liberdades humanas, como o poder fumar, ou beber, devem ser ampliadas, vivenciamos um triste episódio negativo protagonizado por nosso Presidente da República. Flagrado com uma cigarrilha em pleno gabinete presidencial, o maior dignatário brasileiro não apenas assumiu o triste exemplo, como depreciou o peso e o valor das leis em nosso país. Na sua sala, disse o Presidente, a Lei é ele, e não há quem mude isto.
Ou seja, se alguém julga que um território é seu, próprio, e por isso intocável, a principal regra da democracia vai para o lixo: o direito de cada um não pode ser maior do que o direito de todos.
O tabagismo é um mal silencioso, ainda que não seja invisível. São diversos os exemplos, testemunhos e súplicas das mais diversas vítimas, para que os incautos que se iniciam neste vício sejam alertados e abandonem, rapidamente, estas práticas.
É triste que o tabagismo, nos dias atuais, seja mais prevalente dentre os jovens e adolescentes. Masi preocupante ficou tal constatação com a aparente falta de consciência do chefe do Executivo. Torçamos para que os jovens não sigam seu (lamentável) exemplo, e pensem em suas próprias vidas, abandonando o cigarro e, principalmente, cumprindo a Lei para o bem de todos.

13 de set. de 2008

PARA REFLETIRMOS...

Boa Noite!

Qual a nossa real responsabilidade para com aqueles que fazem parte de nossas vidas? Como percebemos e enfrentamos as nossas dores e às dos nossos semelhantes? Qual a nossa postura diante da natureza que recebemos gratuitamente do Criador?
Hoje encerramos nossa semana regular de trabalho, podemos dar um descanso aos nossos corpos e mentes profissionais. Mas, para a ética, a responsabilidade social e o compromisso com a vida, não existem finais de semana.

"Sempre que pensamos em mudar queremos tudo o mais rápido possível. Não tenha pressa pois as pequenas mudanças são as que mais importam. Por isso, não tenha medo de mudar lentamente, tenha medo de ficar parado." (Provérbio chinês)

"Quem limitações não conhece, há de ter motivo para lamentar-se."
(Provérbio japonês)

"Nem todo ocupante do lugar de honra é homem honrado."
(Provérbio português)

"O arbusto que produz as rosas também produz os espinhos. "

(Provérbio árabe)

"Mais vale ser cego dos olhos, do que do coração. "

(Provérbio libanês)

12 de set. de 2008

A SAÚDE E O TRABALHO

Boa Noite!

Muito se tem falado sobre diversos aspectos relacionados à segurança e saúde dos trabalhadores. Da sua importância para a sociedade, em especial àquelas ditas em crescimento, mas também para uma melhoria da qualidade de vida dos empregados e suas famílias. É verdade que a legislação tem avaçado, talvez de forma lenta dirão algumas, talvez de maneira unilateral dirão outros, mas sempre adiante de onde já esteve no passado. A questão é que não se cria um clima de confiança e interesse mútuo por força de decreto. A Lei deve refletir os anseios da população, seja ela empregados ou empregadores, e por assim o fazer, servirá de força motriz propulsora de mudanças e outras iniciativas próprias.
A vontade do legislador não obriga o mundo real. Mas a sensibilidade do legislador ao mundo real pode muito bem captar as principais formas de modificá-lo, para melhor! Vou dar um exemplo de percepção sistêmica: ouvindo uma palestra proferida há cerca de quinze dias atrás, uma brilhante arquiteta, doutora e professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), falava da importância de atualizarmos nossos conceitos em relação ao ambiente de trabalho que, em geral, resulta da vontade dos donos, dos amigos dos donos, das mulheres e filhos dos donos, enfim de todos, exceto os dois principais artífices de uma empresa: os clientes e os empregados! Escutamos a todos, menos a quem vai viabilizar nossas metas e àqueles a quem se destina a nossa empresa!!! Que coisa maluca! Eu quero atender melhor meus clientes e oferecer condições de trabalho estimulantes aos meus funcionários e, para isso, modifico tudo e escuto a todos os que não trabalham e nem compram meus serviços! Parece errado? E é...
Da mesma forma fazemos com a saúde e a segurança no trabalho. Escutamos a todos, menos aos que estão diuturnamente enfrentando os lay-outs do outro mundo, os mobiliários que possuem NR (Nào Resistem a nada) e outras maluquices do gênero.
Querem ver uma coisa? Realizem reformas em suas empresas e esqueçam da COPA, decente, arejada e com bom acesso aos funcionários. Sabe o que vai acontecer? Em todo lugar que você menos espere e que você quase nunca verá, irão surgir diversas copas! Acha que não? Experimente olhar as geladeiras que são destinadas a guardar os medicamentos... É capaz de você achar refrigerantes, água, água de côco, isotônicos, o escambau a quatro! Menos... remédios! Não é mais fácil, mais prático, menos custoso e mais agradável escutar nossos clientes e funcionários? Vale para as reformas, mas vale também para a saúde no trabalho. Não tenha medo de escutar, saiba ouvir e depois mensure os resultados. Vale a pena!

11 de set. de 2008

TRANSPARÊNCIA E EQUIPE

Boa Noite!

"São nossos segredos que nos fazem solitários". A frase é de um autor americano que não escrevia sobre administração, nunca geriu nenhuma empresa e nem foi, ao menos que já se tenha tido conhecimento, gestor de processos. Entretanto, ao refletir sobre este imenso campo que é o comportamento humano, legou aos gestores, novos e experientes, uma das maiores lições: sem transparência não existe equipe, sem equipe não existe resultado estruturante. Está cada vez mais comum encontrarmos profissionais reclamando de seus superiores, da forma pouco integrativa com que mandam em suas equipes, de como permite que intrigas e maledicências as transformem em grupelhos quase que rivais embora pertencentes a uma mesma empresa.
Estes detentores de carimbo, pois são eternos transitórios, deixam-se enganar por resultados imediatistas, na maioria das vezes não estruturantes, passageiros e fulgazes. Existem as informações reservadas, aquelas que dizem respeito ao patrimônio da sua empresa, ao seu mecanismo de sobrevivência. Estas informações são e devem permanecer de circulação restrita. Por outro lado, tantas outras informações que se reportam às más decisões, ou às mesquinhezas de alguns dirigentes, devem ser mantidas restritas, pois não agregam nada e podem causar desânimo dentre os funcionários. TODAS as outras, porém, podem e devem ser compartilhadas. Retenção de informação, mentira ou desrespeito aos seus funcionários são as atitudes mais medíocres que um gestor pode adotar. Guardar segredos, neste sentido, tornam os gestores solitários e, convenhamos, fadados ao insucesso.
A nova empresa requer uma nova postura. Deixem o passado para os museus, e os segredos para os filmes de suspense. Resultados requerem integração, sucesso pede transparência. O resto é bobagem!

10 de set. de 2008

RESPONSABILIDADE COM A SAÚDE MENTAL

Boa Noite!

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) entre tantas das suas prioridades, vem efetuando diversas discussões sobre o seu intento de colocar, nas emergências dos hospitais gerais, o atendimento de saúde mental para os pacientes surtados. Não é uma criação da ANS, diga-se de passagem, pois este modelo já foi tentado em alguns países do mundo e... não deu certo! São vários os fatores para este insucesso, mas gostaria de deter-me em alguns que julgo mais importantes:
1. As emergências hospitalares possuem uma lógica processual e, por conseguinte, estrutural bastante específica, voltada ao nível de complexidade em que atua, e com uma agilidade própria da carcaterística do hospital (se é eminentemente clínico ou cirúrgico). Os leitos de emergência, hoje em dia, funcionam como pontos de captação de clientes e, por isso, são transitórios e de alta rotatividade. Os pacientes em surto mental requerem uma intervenção apropriada, com tempo médio que varia de paciente para paciente, e também de patologia para patologia. O tempo de maturação do atendimento é distinto das emregências clínicas, por exemplo, com quem poderia ser parametrizado, ainda que equivocadamente em minha opinião. Ou seja, reunir num só ambiente estas duas emergências é, no mínimo, um erro gerencial crasso. Não se irá melhorar em nada o atendimento aos pacientes clínicos, e se criará uma exposição dos pacientes mentais desnecessária, indevida e que, do ponto de vista do tratamento posterior, contrária a todas as recomendações e avanços que a saúde mental experimentou nestas últimas duas décadas.
2. A intervenção em saúde mental requer uma compreensão sempre presente da especificidade dos seus pacientes. Eles não são "diferentes", e sim, pessoas especiais com um grau de sofrimento invisível, por vezes silencioso, mas nunca menos danoso e complexo do que as demais patologias "detectáveis" por exames laboratoriais ou de imagens. Este sofrimento não ocorre de forma individual, do paciente detentor da doença mental. Ele é coletivo e expõe todo o núcleo familiar e mesmo profissional que está localizado no entorno deste paciente. A junção, assim, de pacientes mentais e de outras patologias é injusta com os doentes mentais, reduz-lhes a especificidade de suas necessidades e despreza o conhecimento adquirido com a Reforma Sanitária ocorrida no Brasil no século passado.
A ANS está equivocada, ainda que cheia de boas intenções. Assegurar o acesso aos pacientes portadores de doenças mentais não é apenas garantir-lhes uma porta ou consultório onde possa adentrar. É sim reconhecer-lhes o sofrimento, suas necessidades especiais individuais e familiares, consolidando os avanços já experimentados e lançando sólidas bases de ampliação da intervenção denominada Hospital-Dia. Talvez, se a preocupação em ocupar espaços na mídia desse lugar a um debate amplo, franco e que envolvesse as grandes personalidades pensantes e atuantes neste campo no país, poderíamos ter menos idéias estapafúrdias e mais efetividade e qualidade das ações propostas por essa "singular" agência reguladora da saúde suplementar.

9 de set. de 2008

TRANSFORMANDO BARREIRAS EM DESAFIOS

Boa Noite!

Eu não tenho a mínima idéia da posição final que o Brasil irá ocupar no quadro de medalhas dos Jogos Para-Olímpicos que se encontram em curso na China. Mas de algo eu já sei e quero compartilhar agora: somos vencedores! Quanto esforço, quanta superação, persistência e coragem de ir além dos seus aparentes limites demonstram nossos atletas. Ao contrário de muitos, ditos "perfeitos"(sic), nossos deficientes não desistem, nem se entregam.
Eles nasceram neste país de terceiro mundo, eternamente em busca da auto-suficiência, que conta com políticos e marqueteiros sempre de plantão para faturar em cima de quaisquer vitórias com o cinismo de querer parecer, para a opinião pública, que tem parte no feito dos outros.
Nem com isso nossos para-atletas se deixam afetar. Eles são mais do que heróis, pois o heroísmo está ligado à vitória, e no lado dos que perdem os heróis rapidamente se transformam em bodes expiatórios. Eles são o nosso maior exemplo de profissionalismo (mesmo que os organizadores classifiquem profissional como alguém que recebe salários privados e não pela dedicação ao esporte independentemente de que os financie).
Não fazem nada sem planejamento. E este último sempre ligado aos resultados, sendo pragmáticos e prudentes, mas deixando sempre a meta como algo além do que já alcançaram, para que não lhes desapareça a doce provocação do desafio. Suas deficiências são detalhes de uma classificação, pois fazem das barreiras que a vida lhes colocou desafios motivacionais e nunca impecilhos finais.
Eles transformam barreiras em desafios e, a partir destes, constroem os alicerces de suas vitórias. Se não possuem, segundo os mais exigentes, a perfeição física ou a beleza completa, são os mais belos seres humanos nos exemplos, na sua garra e na firme determinação de vencer. Que exemplos para todos nós!
Aos mais velhos, para que não deixem suas frustrações e decepções tolher-lhes a gana de vencer com ética, seguindos aos princípios e sempre procurando fazer dos seus resultados uma agregação de valor para a sociedade onde está inserido e outras (por que não?).
Aos jovens, como testemunho real de que o planejamento não terá sucesso se queimarmos as etapas necessárias para se ir de um degrau ao outro nas suas vidas profissionais. Esta "pressa" introduzida pela globalização burra só leva ao adoecimento e a uma visão míope e puramente materialista. O saber absorver as experiências que o tempo e a dedicação trazem, fará com que a maturação se dê no tempo certo: nem cedo demais, queimando etapas e promissoras carreiras; nem tarde demais, quando a acomodação já tenha ocupado o lugar da eterna e sempre bem-vinda rebeldia revolucionária dos jovens.
Somos ou não somos campeões, sejam quantas forem as medalhas a serem conquistadas?

8 de set. de 2008

RESPEITO AOS IDOSOS: ELES MERECEM!

Bom Dia!

Olhemos para nossos idosos, como se estivéssemos olhando para um espelho. Da forma com que os visualizamos hoje, será a maneira pela qual nos avaliaremos quando (e se) chegarmos onde eles estão. Os povos da antiguidade os admiravam, respeitavam sua sabedoria, ouviam-nos pela experiência acumulada, dedicavam-lhes tempo para compartilhar sua presença e apreender seus ensinamentos.
O mundo atual não tem tempo para eles. Nem para os idosos e nem para ninguém que não detenha o poder. A regra vigente é atropelar todos e tudo o que estiver pela frente, se a pessoa acredita que, assim o fazendo, alcançará o sucesso. Os mais velhos são lentos, não acompanham o "pique" da rapaziada e, por isso, são deixados para trás. Poderiam ajudar na caminhada, iluminar trilhas e locais menos perigosos, mostrar-nos desvios seguros. Mas, não temos tempos para isto, ou mesmo não queremos tê-lo!
Os idosos nos querem trazer lições de amor, enquanto o mundo diz que o amor que não seja sexo está ultrapassado, coisa de idiotas! Os arquivos que circulam na rede mundial atrelam sucesso ao sexo bestial, e quem assim o aceita, obviamente, não desejará conversar com os anciãos, menos ainda ouvi-los e, com certeza, desejma distância deles.
É assim que o mundo quer iludir sua consciência, dopá-la ou deixá-la em verdadeiro estado de hibernação. Mas nada se consegue sem o nosso auto-consentimento, nada! Não há ilusão ou pretensão arrogante que sobreviva ao grande mestre da razão: o tempo. O Mundo real destrona os truculentos e joga seus pobres nomes num limbo eterno. Os que tratam mal nossos idosos, esquecem do seu papel e desampara-os na sua doença, não passam disto: equivocados e pretensiosos. O tempo cobrar-lhes-á desta sua omissão, no momento certo e da forma mais dura. Quanto aos homens de bem, em especial todos que militam no setor Saúde, mais atenção aos nossos idosos, mais acolhida para eles, mais amor de verdade. Eles merecem.

6 de set. de 2008

CAUTELA E PONDERAÇÃO: RECEITA PARA A ANS

Boa Noite!

Dados divulgados pela imprensa hoje, a partir de pesquisas realizadas pelo IBGE apontam que desde a criação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em 1998 até este ano em que comemora seu 10. aniversário, deixaram de existir no país 1.240 operadoras de saúde suplementar. Este número corresponde a mais de 48% daquelas que atuavam na criação da Lei. Diversos dirigentes da agência deverão comemorar tais números bradindo argumentos tais como: estamos qualificando o mercado, ou somente ficarão as melhores, ou argumentações da espécie.
É óbvio que quando se regulamenta setores da economia nos quais as atuações das empresas se davam quase que livremente, espera-se que o percentual delas que apenas "enrolavam" os consumidores termine por desaparecer, protegendo os clientes e também, podemos afirmar, as organizações sérias, profissionais. Este fato é inegável.
Ocorre que este movimento na saúde deveria ter correspondido a uma explosão de ações coltadas para a prevenção e promoção à saúde, bem como a melhoria perceptível do SUS. E, francamente, pouco avançamos nestes dois campos estratégicos do setor Saúde.
Reduzir operadoras, ou acreditar que a concentração permitirá melhorias e agregação de valores para os clientes, soa quase como uma roleta russa efetuada na cabeça dos outros, no caso daqueles pacientes-consumidores.
Ao invés de comemorações, talvez seja o momento de refletirmos num grande painel nacional sobre os movimentos de concentração, quase oligopólios que percebemos estarem sendo formados em todas as regiões do país, mudando-se apenas a velocidade com que estão acontecendo. Não haverá ganhos para ninguém. Nem mesmo para as empresas que dominarem estes movimentos.
Que pena estes números e mais aqueles que mostram a participação da saúde suplementar no PIB. Primeiro, porque o crescimento do PIB não foi tão espetacular, no mundo real, como o deseja e apregoa nosso Presidente da República. Depois, porque esta relação desnuda o falso discurso da ANS e deveria servir para evitar empolgados discursos estúpidos-ideológicos.
O sistema está doente. Os números o confirmam. Cuidemos de combater as causas e não comemorar os pequenos momentos de estabilidade clínica. De preferência, antes que este paciente... morra!

4 de set. de 2008

A LEI SECA: A QUEM INTERESSA?

Boa Noite!

Dados divulgados recentemente mostram que todos os indicadores relacionados a acidentes de trânsito, no pós-vigência da Lei Seca, diminuíram o que quer dizer menor número de eventos e mortes. Maior segurança dos que dirigem em determinados horários, naquilo que se relaciona aos acidentes provocados por bêbados irresponsáveis.
Um acidente envolvendo veículos, segundo levantamentos do DENATRAN, absorvem de forma direta e indireta recursos no montante de R$ 20 mil, aproximadamente. Computa-se a estrutura de atendimento à emergência, os profissionais das emergências, os materiais, medicamentos, enfim todo o consumo produzido pelo evento.
Se do evento decorreu um ÓBITO, ou seja, as estruturas acima ainda demandam maior complexidade e intensidade de uso, o valor total deste custo pode chegar a MAIS DE R$ 400 mil!
Ou seja, o acidente de trânsito náo é negócio para nenhuma das partes envolvidas na questão de forma honesta.
As vítimas, causadoras ou principalmente inocentes, com danos de toda ordem, muitos deles irreparáveis. Os governantes, com seus orçamentos constantemente estourados, chegando às margens do descontrole, que além do desembolso financeiro têm seus eleitores insatisfeitos quando estes índices são elevados.
Enfim, a total falta de interesse em que os números de acidentes permaneçam deveria servir, pelos menos de reflexão, aos nossos magistrados para que julguem a liberdade dos cidadãos sob a ótica de que ela não deve causar danos a outrem. Liberdade é situação que causa bem-estar coletivo e não apenas a um ou outro indivíduo infrator (mesmo que ainda sem condenação). Tomara que as liminares não permitam aos irresponsáveis que podem pagar advogados, continuarem sua vida de riscos pessoais e aos demais inoncentes que os circundam! Tomara que as liminares se voltem para a defesa do direito sob ameaça, inclusive quando esta é servida em doses constantes e repetidas em bares e outros estabelecimentos afins!

3 de set. de 2008

A CEREJA DO BOLO

Boa Noite!

Em tempos de tudo ser feito às pressas, é apavorante a falta de cuidados dos jovens gestores com a apresentação de seus trabalhos. Não quero nem chegar no nível de discutir os conteúdos, pois este espaço não seria bastante para tanto, e por isso resolvi assumir a hipótese de que são suficientes.
Ora, se o conteúdo atende, se ele expressa um conhecimento que uma vez lapidado resultará em resultados melhores para cada organização, então devemos atentar para a forma de apresentação do nosso trabalho. Afinal, será o nosso cartão de visitas, a impressão que primeiro irá chegar em nossos diretores e superiores.
A forma demonstra o cuidado do profissional com as tarefas a seu cargo, a importância que dá à missão recebida e, principalmente, a sensibilidade que tem para com a relação fornecedor-cliente. E aqui está um grande segredo da empregabilidade: o quanto você, profissional de conteúdo, vive a importância do seu cliente na sua sobrevivência e de sua empresa.
A comparação barateira de hoje será com a cereja de um bolo. Já pararam para pensar qual é a sua verdadeira função? Embelezar, dirão uns; ocupar aquele espaço aéreo dos bolos, dirão outros; todos enganados, digo eu!
A cereja não é feita da matéria-prima do bolo, portanto seu sabor, teoricamente, não influenciaria na opinião do cliente consumidor da guloseima. Porém, pela sua forma, visual e chamativa, e pela posição em que é colocada (sua apresentação), ela irá despertar o "desejo de consumir o bolo" nos clientes. Ela serve de incentivadora final dos indecisos, dos que estão em regime ou daqueles que haviam prometido começá-lo justo nesta ocasião!
A cereja não é o conteúdo do bolo, mas ela está visível em primeiro lugar e, através desta sua forma, faz com que o cliente consolide seu desejo de consumo. Não é para isto que serve a forma? Para incentivar a leitura do conteúdo? Para criar um 'clima' favorável ao trabalho que se vai apresentar?
Então, prezados e caros jovens gestores, atenção! Isto é um aviso aos navegantes: não atentar para a forma com que apresentam seus pareceres, trabalhos, relatórios, propostas e afins, é a mesma coisa de concluir um bolo e esquecer a cereja: alguém pode nem querer prová-lo e ele vais sobrar como produto... Você não quer ver sua proposta sobrando, quer?

2 de set. de 2008

RETER TALENTOS: MISSÃO IMPOSSÍVEL?

Boa Noite!

Lembram daquele filme famoso, com um ator prá lá de maluco, mas que empolgou jovens e adultos tratando de missões quase que impossíveis? Elas eram dadas a um grupo de especialistas, bastante treinados e disciplinados, que cuidavam de levá-las a êxito custasse o que custasse a cada um deles (até a própria vida!).
Faço este preâmbulo porque estou próximo de acreditar que, no atual mercado volátil e altamente rotativo, a missão de reter talentos, quando se é gestor em nível tático, está beirando o impossível!
As empresas buscam competências no setor de Saúde Suplementar e acabam encontrando pedidos de emprego. Se por um lado é muito importante se destacar a vontade e honestidade do povo brasileiro, que deseja inclusão e não esmolas do setor público, por outro lado está cada vez mais difícil dar celeridade, ou mesmo forma, a um projeto estratégico sem profissionais competentes.
Quando os achamos, a alegria da descoberta dura muito pouco: outras organizações estão a sua volta, oferecendo-lhes benefícios e/ou salários, mais condições de trabalho, mais qualquer coisa que os leve a aceitar permutar de empresa. Preocupa-me esta alta rotatividade, na consolidação do perfil gerencial, na formação deste profissional.
Mas quando nos deparamos com a alta ansiedade provocada pelo mercado globalizado nos jovens trabalhadores, que em um ano já estão preocupados por não terem alcançado, pasmem, um cargo gerencial, dá para entender e ficar preocupado com o quadro atual.
Não podemos e nem devemos entrar nsta 'paranóia' do mercado. A retenção dos talentos deve fazer parte das estratégias da organização, e estas, sempre, devem estar alinhadas a seu projeto estratégico. Se assim o for, reter talentos vai estar em consonância com o alcance dos resultados estratégicos almejados e necessários para a construção da Visão e Missão organizacionais.
Reter por reter, sem saber o que fazer com o quadro disputado pelos concorrentes, pode vir a ser tão ou mais ruim do que perdê-lo por ainda não saber como utilizá-lo. De novo a palavra mágica é planejamento, estratégico é claro!
Uma empresa organizada e estruturada a partir de seu projeto de futuro com certeza saberá avaliar até onde pode chegar para reter seus talentos, sem que isto crie um desequilíbrio com outros potenciais funcionários e, principalmente, com seu caixa.
Um empresa 'des'organizada busca os talentos alheios como panacéia para sua própria miopia empresarial. Para este tipo de organização o talento não produzirá frutos: é uma semente boa jogada em campo ruim.
Para as empresas profissionais a retenção deve fazer parte das prioritárias demandas de seu nível diretivo estratégico. Sendo assim, reter talentos não será missão impossível e sim a possibilidade de concretizar sua missão, caminho para a sua visão de futuro.

1 de set. de 2008

NEGOCIAÇÃO VERSUS IMPOSIÇÃO

Boa Noite!

Existe uma falsa percepção, em especial pelos nossos funcionários mais jovens, de que os conflitos são momentos especiais para se "mostrar serviço". Dessa forma, às vezes involuntariamente, permitem-se tensionamentos e estrangulamentos das negociações, para que, ao se chegar em tais situações, apareçam os "salvadores da pátria".
Ora, Negociação não é guerra, tampouco equipe negocial é batalhão de infantaria! Esta falsa e equivocada mentalidade vem sendo irresponsavelmente permitida por diversos administradores em níveis estratégicos, e já deveria ter sido banida dos nossos tempos!
O conflito é inevitável num processo negocial, mas o tensionamento é evitável e deveria ser defenestrado de nossas mesas negociais. O conflito é positivo, pois representa a busca de ambas as equipes pelo MELHOR resultado para suas organizações. Já a tensão decorre, principalmente, da personalização das atuações, de um ou de outro lado, quando as pessoas tentam ser mais destacadas que os resultados (processos).
A personificação e o culto à personalidade são filhotes de processos ditatoriais, não de uma negociação profissional. Por isso, os gestores mais experientes deveriam estar atentos para que sua equipe tenha foco no RESULTADO MELHOR e não no estrangulamento (às vezes, literalmente falando) dos representantes da outra organização!
De violência, neste mundo, já não bastam as situações presenciadas em nossas cidades? Contra todos os segmentos da sociedade, de crianças a idosos, será que já não foi suficiente para percebermos que a violência só serve para produzir ainda mais violência?
A negociação é um processo de qualificação de resultados. Assim, ela requer que sejam gerados resultados coincidentes com as expectativas das empresas, e estruturantes ao longo do tempo. É assim, e somente por isto, que surgiremos no mercado e marcaremos nosso nome como profissionais atuando em defesa de suas organizações. A truculência, violência ou personalismo são para os superados, retrógrados ou viúvos das ditaduras. Estes, após passarem, nem para nome de rua são lembrados! Sigamos os bons exemplos, rezemos pelos demais!