Boa Noite!
"Seria uma irresponsabilidade afirmar que ela (a gripe suína) não vai chegar no Brasil... Mas nós estamos prontos para adotar as medidas para que ela não chegue (a mesma gripe)". Entenderam o que o Ministro Temporão falou?
Eu fiquei me perguntando se ele estava se denominando de irresponsável, ou se tentou criar um eufemismo para nos alertar o óbvio: o Governo brasileiro, que tanto propala a lógica do SUS, não possui nenhuma estrutura montada para agir de forma rápida e eficaz no controle preventivo desta pandemia (segundo a OMS).
Nunca é fácil para mim entender o que o Temporão quer dizer. Nem tampouco definir uma vertente pela qual desemboca o seu trabalho. Aonde ele quer chegar, para onde deseja levar-nos e ao SUS?
Temporão tem dedicado expressivo tempo em suas aparições a discutir temas de interesse da mídia tais como: Cirurgias de mudança de sexo; pílula do dia seguinte; aborto; camisinhas, e por ai vai. Mas neste momento em que desejaria ouvir do nosso maior gestor em saúde palavras concretas, ações retilíneas e, principalmente, decisões governamentais que priorizassem as ações de preneção e promoção, o que escuto?
De novo, enigmas. Frases que podem possui qualquer significado, dependendo do que desejo escutar. O Ministro até parece com a velha esfinge do conto oriental: se postava à margem do caminho e lançava ao passante o desafio de decifrar o enigma lançado: Decifra-me ou te devoro! Será que nosso ministro também está lançando desafio da mesma forma?
GESTÃO DE PROCESSOS, DE PESSOAS, DE RECURSOS. POLÍTICA E ÉTICA NA SAÚDE E SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA. CRESCIMENTO PESSOAL E PROFISSIONAL DE TODOS OS QUE TRILHAM, OU DESEJAM PERCORRER O DESAFIANTE CAMINHO DA ADMINISTRAÇÃO.
30 de abr. de 2009
29 de abr. de 2009
A ALEGRIA DE PARTILHAR
Boa Noite!
Quantas vezes nós, gestores de pessoas, perdemos excelentes oportunidades de formar pessoas (cidadãos e profissionais), apenas pelo fato de não termos dado a devida prioridade ao fato de que capacitar é antes de mais nada partilhar o conhecimento pessoal adquirido, tornando-o propriedade de um coletivo. O Mestre não se esvazia com esta divisão, ao contrário ele cresce por tudo o que for capaz de propiciar aos que integram sua equipe.
Não são palavras bonitas, mas vazias de testemunho pessoal que preenchem as tristes e profundas lacunas deixadas por posturas vaidosas, egoístas e descomprometidas com aqueles a quem se devia liderar.
De que servirão belas palavras, teorias profundas e complexas que não sejam capaz de entrar nas expectativas daqueles educandos, dando-lhes o fogo da motivação e selando com todos os compromissos silenciosos e invisíveis que unem as equipes vitoriosas?
Quanto é cansativo o processo de aprendizagem, quando se deseja realmente partilhar! Mas o quanto ele é rico, estimulante, motivador, agregador e, por tudo isso, único na vida de quem deseja realmente exercer seu papel de líder formador-transformador.
As teorias mais complicadas podem ser ensinadas por diversas pessoas. A complicada lição da mudança pessoal que muda o mundo somente pode resultar de quem tem bagagem e coerência em seus currículos. Alegre-se com a tarefa de capacitar. E para isto, partilhe tudo o que tem. Esta é a verdadeira alegria do educador.
Quantas vezes nós, gestores de pessoas, perdemos excelentes oportunidades de formar pessoas (cidadãos e profissionais), apenas pelo fato de não termos dado a devida prioridade ao fato de que capacitar é antes de mais nada partilhar o conhecimento pessoal adquirido, tornando-o propriedade de um coletivo. O Mestre não se esvazia com esta divisão, ao contrário ele cresce por tudo o que for capaz de propiciar aos que integram sua equipe.
Não são palavras bonitas, mas vazias de testemunho pessoal que preenchem as tristes e profundas lacunas deixadas por posturas vaidosas, egoístas e descomprometidas com aqueles a quem se devia liderar.
De que servirão belas palavras, teorias profundas e complexas que não sejam capaz de entrar nas expectativas daqueles educandos, dando-lhes o fogo da motivação e selando com todos os compromissos silenciosos e invisíveis que unem as equipes vitoriosas?
Quanto é cansativo o processo de aprendizagem, quando se deseja realmente partilhar! Mas o quanto ele é rico, estimulante, motivador, agregador e, por tudo isso, único na vida de quem deseja realmente exercer seu papel de líder formador-transformador.
As teorias mais complicadas podem ser ensinadas por diversas pessoas. A complicada lição da mudança pessoal que muda o mundo somente pode resultar de quem tem bagagem e coerência em seus currículos. Alegre-se com a tarefa de capacitar. E para isto, partilhe tudo o que tem. Esta é a verdadeira alegria do educador.
28 de abr. de 2009
MAIS UMA CRISE DE SAÚDE!
Boa Noite!
Agora é a Gripe Suína. Com foco nas Américas a partir, principalmente, do México, mais uma endemia tem tudo para se transformar em epidemia. Claro que a mídia está explorando à exaustão essa nova possibilidade de mortes, sangues e (sem) rock and roll. Para qualquer um que preste atenção aos conteúdos das notícias veiculadas, não pode haver dúvidas de que o principal tema e alimento para nossos canais de comunicação aferir lucros é a catástrofe, o sangue derramado, a tragédia.
Mas existe uma real e grande tragédia nesta nova crise: a falência da implantação dos vinte pontos e compromissos de saúde assumidos em Alma-Ata, nos idos de 1979. Se os países tivessem percebido a importância e a racionalidade das ações preventivas, certamente não precisaríamos estar constantemente passando por momentos de indefinição, assustando-nos a cada novo vírus e, o que é pior, somente agindo contra seus nefastos efeitos após as primeiras centenas ou milhares de mortes.
A prevenção não é tema de palestras. É uma necessidade real de uma sociedade mundial que não para de crescer e na qual as distâncias físicas somente servem, nos nossos dias, para se computar as milhagens aéreas. O tempo se relativizou, como calculou Einstein. Mas não pelas razões físicas apresentadas pelo brilhante cientista, e sim pelo encurtamento das distâncias entre os homens. Que pena não termos aproveitado estes ganhos para concretizar um sistema de saúde voltado à proteção dos homens, dando prioridade em nossos meios de comunicação dos debates que levam à morte desta sociedade, tais como: descarte de embriões; aborto; pílula do dia seguinte e por aí vai (para onde?).
A crise é real. Não tão grande como o deseja a mídia brasileira. Mas bastante fortalecida pelo lastimável estado em que se encontra, em todo mundo, a implantação do Modelo de Atenção Primária.
Agora é a Gripe Suína. Com foco nas Américas a partir, principalmente, do México, mais uma endemia tem tudo para se transformar em epidemia. Claro que a mídia está explorando à exaustão essa nova possibilidade de mortes, sangues e (sem) rock and roll. Para qualquer um que preste atenção aos conteúdos das notícias veiculadas, não pode haver dúvidas de que o principal tema e alimento para nossos canais de comunicação aferir lucros é a catástrofe, o sangue derramado, a tragédia.
Mas existe uma real e grande tragédia nesta nova crise: a falência da implantação dos vinte pontos e compromissos de saúde assumidos em Alma-Ata, nos idos de 1979. Se os países tivessem percebido a importância e a racionalidade das ações preventivas, certamente não precisaríamos estar constantemente passando por momentos de indefinição, assustando-nos a cada novo vírus e, o que é pior, somente agindo contra seus nefastos efeitos após as primeiras centenas ou milhares de mortes.
A prevenção não é tema de palestras. É uma necessidade real de uma sociedade mundial que não para de crescer e na qual as distâncias físicas somente servem, nos nossos dias, para se computar as milhagens aéreas. O tempo se relativizou, como calculou Einstein. Mas não pelas razões físicas apresentadas pelo brilhante cientista, e sim pelo encurtamento das distâncias entre os homens. Que pena não termos aproveitado estes ganhos para concretizar um sistema de saúde voltado à proteção dos homens, dando prioridade em nossos meios de comunicação dos debates que levam à morte desta sociedade, tais como: descarte de embriões; aborto; pílula do dia seguinte e por aí vai (para onde?).
A crise é real. Não tão grande como o deseja a mídia brasileira. Mas bastante fortalecida pelo lastimável estado em que se encontra, em todo mundo, a implantação do Modelo de Atenção Primária.
24 de abr. de 2009
PARA OS MEUS, PODE!
Bom Dia!
No noticiário matinal de hoje da Tv Globo (Bom Dia Brasil), um ilustre Deputado Federal declarou, a respeito da Farra das Passagens Aéreas que o povo tinha que entender "que o Deputado Federal é eleito junto com sua família". O nobre representante do (seu) povo buscava assim justifiar sua indignação com a possibilidade de não mais poder emitir bilhetes aéreos pagos por todos nós, para os membros de sua família.
Tentei buscar outras categorias que também fossem "eleitas" com seus parentes, mas não consegui encontrá-las. Os gestores ao serem removidos por suas empresas, em grande número de vezes sem ser este o seu desejo, arcam com as despesas das viagens de seus parentes. Os profissionais liberais, idem. E por aí vai. Por que os parlamentares são diferentes?
Porque a questão da Ética saiu da pauta eleitoral em nosso país há alguns anos atrás.
Porque nós começamos a fazer piadas e achar graça com as sequelas desta maldita Lei do Gérson, onde os "espertos" sempre buscam levar vantagem em tudo.
Porque nós estamos aceitando candidamente todas as "verdades" que nos são impostas por meios de comunicação com interesses dos mais escusos, ao invés de ocuparmos nosso espaço junto aos nossos filhos, nossos alunos, nossos funcionários, enfim, nos lugares onde podemos (e devemos) fazer a diferença.
Atribuímos duras responsabilidades e cobramos corretos comportamentos aos outros. Exigimos deles compreensão, atenção e correção. Mas saímos por aí relativizando: dando um "jeitinho" no Imposto de Renda; passando ao largo das notas fiscais; comprando artigos sem saber sua origem; e por ai vai...
A hipocrisia do parlamentar só acontece, porque perdemos a capacidade de manifestar nossa indignação com a perda ética que a sociedade brasileira vem sofrendo.
Não é verdade que o deputado, ou senador, seja eleito "com" a família. Ele deveria, sim, dar com ela o exemplo de moralidade e representação digna que fazem parte do escopo real da Política. Mas, se nós não cobramos, para que ele vai achar que tem de oferecer?
A justiça é um bem coletivo. O crime é uma ação particular, ainda que feita por associação. A conivência não deixa de ser uma forma de omissão e esta última se equipara ao crime para todos os efeitos penais.
Chega de omissão e de conivência. Mas façamos isto pelo exemplo, pelo testemunho individual em nossas vidas e nas profissões exercidas. Só posso querer para os meus, aquilo que a todos está acessível.
No noticiário matinal de hoje da Tv Globo (Bom Dia Brasil), um ilustre Deputado Federal declarou, a respeito da Farra das Passagens Aéreas que o povo tinha que entender "que o Deputado Federal é eleito junto com sua família". O nobre representante do (seu) povo buscava assim justifiar sua indignação com a possibilidade de não mais poder emitir bilhetes aéreos pagos por todos nós, para os membros de sua família.
Tentei buscar outras categorias que também fossem "eleitas" com seus parentes, mas não consegui encontrá-las. Os gestores ao serem removidos por suas empresas, em grande número de vezes sem ser este o seu desejo, arcam com as despesas das viagens de seus parentes. Os profissionais liberais, idem. E por aí vai. Por que os parlamentares são diferentes?
Porque a questão da Ética saiu da pauta eleitoral em nosso país há alguns anos atrás.
Porque nós começamos a fazer piadas e achar graça com as sequelas desta maldita Lei do Gérson, onde os "espertos" sempre buscam levar vantagem em tudo.
Porque nós estamos aceitando candidamente todas as "verdades" que nos são impostas por meios de comunicação com interesses dos mais escusos, ao invés de ocuparmos nosso espaço junto aos nossos filhos, nossos alunos, nossos funcionários, enfim, nos lugares onde podemos (e devemos) fazer a diferença.
Atribuímos duras responsabilidades e cobramos corretos comportamentos aos outros. Exigimos deles compreensão, atenção e correção. Mas saímos por aí relativizando: dando um "jeitinho" no Imposto de Renda; passando ao largo das notas fiscais; comprando artigos sem saber sua origem; e por ai vai...
A hipocrisia do parlamentar só acontece, porque perdemos a capacidade de manifestar nossa indignação com a perda ética que a sociedade brasileira vem sofrendo.
Não é verdade que o deputado, ou senador, seja eleito "com" a família. Ele deveria, sim, dar com ela o exemplo de moralidade e representação digna que fazem parte do escopo real da Política. Mas, se nós não cobramos, para que ele vai achar que tem de oferecer?
A justiça é um bem coletivo. O crime é uma ação particular, ainda que feita por associação. A conivência não deixa de ser uma forma de omissão e esta última se equipara ao crime para todos os efeitos penais.
Chega de omissão e de conivência. Mas façamos isto pelo exemplo, pelo testemunho individual em nossas vidas e nas profissões exercidas. Só posso querer para os meus, aquilo que a todos está acessível.
23 de abr. de 2009
CONTROLES ESTRATÉGICOS
Boa Noite!
Os governantes americanos anunciam a criação de pelo menos vinte comissões que irão apurar e apontar autores de desvios dos recursos liberados para combater a crise e evitar quebras e demissões de empresas nos EUA, e que se estimam chegar a mais de US$ 700 bilhões fraudados! Até o final do ano passado isto seria moleza: bastaria dizer que a culpa era do Bush e todos aceitariam, a investigação seria rapidamente concluída e a sociedade americana faria sua atividade preferida: transferir a responsabilidade de problemas sistêmicos para este ou aquele indivíduo.
A questão, porém, não é de alçada exclusiva dos poderes públicos. Infelizmente, as empresas e demais organizações privadas costumam transitar entre dois perigosos e equivocados extremos: ou se libera geral, com frouxidão nos controles (ou inexistência destes), e se caminha célere para a quebradeira, ou se criam tantos mecanismos de travamento, a pretexto de se instituir controles, que se torna a empresa paralisada, inerte, e se morrerá de falta de mercado!
Gestor que pretende tudo ver, nada vê. Empresa que pretende tudo centralizar, nada enxerga. Ao menos, nada daquilo que tem impacto e importância para sua sobrevivência! Controles são ferramentas auxiliares da gestão que se destinam a assegurar o fiel cumprimento das decisões estratégicas e dos resultados pactuados. Controles não travam empresas, incompetências e medos sim. Estas ferramentas não causam centralização, ao contrário, promovem a descentralização fiscalizada gerencialmente.
Todos os profissionais, muitos deles com bastante experiência, que conheci e se deixaram levar pela tentação da centralização, acreditando desta forma estar ampliando seus mecanismos de controle, falharam em suas pretensões e, em muitos casos, pagaram com seus cargos e empregos estes erros.
Se desejamos alcançar os resultados que nos foram estabelecidos, devemos saber ousar, descentralizar e estabelecer acompanhamentos focados e priorizando-se os grandes gastos. Isto não elimina os riscos, pois estes são inerentes à atividade administrativa, mas assegura uma maior possibilidade de êxito em nossa atividade gerencial.
É bom que pensemos nisto, antes de constatarmos o desperdício (ou pior, os desvios como no caso americano) de recursos que estão cada vez mais escassos e caros! Ou isto, ou encontrar rápido um Bush que sirva de bode expiatório enquanto não crescemos profissionalmente e decidimos encarar nossas responsabilidades nos erros que causaram perda de valores para a empresa!
Os governantes americanos anunciam a criação de pelo menos vinte comissões que irão apurar e apontar autores de desvios dos recursos liberados para combater a crise e evitar quebras e demissões de empresas nos EUA, e que se estimam chegar a mais de US$ 700 bilhões fraudados! Até o final do ano passado isto seria moleza: bastaria dizer que a culpa era do Bush e todos aceitariam, a investigação seria rapidamente concluída e a sociedade americana faria sua atividade preferida: transferir a responsabilidade de problemas sistêmicos para este ou aquele indivíduo.
A questão, porém, não é de alçada exclusiva dos poderes públicos. Infelizmente, as empresas e demais organizações privadas costumam transitar entre dois perigosos e equivocados extremos: ou se libera geral, com frouxidão nos controles (ou inexistência destes), e se caminha célere para a quebradeira, ou se criam tantos mecanismos de travamento, a pretexto de se instituir controles, que se torna a empresa paralisada, inerte, e se morrerá de falta de mercado!
Gestor que pretende tudo ver, nada vê. Empresa que pretende tudo centralizar, nada enxerga. Ao menos, nada daquilo que tem impacto e importância para sua sobrevivência! Controles são ferramentas auxiliares da gestão que se destinam a assegurar o fiel cumprimento das decisões estratégicas e dos resultados pactuados. Controles não travam empresas, incompetências e medos sim. Estas ferramentas não causam centralização, ao contrário, promovem a descentralização fiscalizada gerencialmente.
Todos os profissionais, muitos deles com bastante experiência, que conheci e se deixaram levar pela tentação da centralização, acreditando desta forma estar ampliando seus mecanismos de controle, falharam em suas pretensões e, em muitos casos, pagaram com seus cargos e empregos estes erros.
Se desejamos alcançar os resultados que nos foram estabelecidos, devemos saber ousar, descentralizar e estabelecer acompanhamentos focados e priorizando-se os grandes gastos. Isto não elimina os riscos, pois estes são inerentes à atividade administrativa, mas assegura uma maior possibilidade de êxito em nossa atividade gerencial.
É bom que pensemos nisto, antes de constatarmos o desperdício (ou pior, os desvios como no caso americano) de recursos que estão cada vez mais escassos e caros! Ou isto, ou encontrar rápido um Bush que sirva de bode expiatório enquanto não crescemos profissionalmente e decidimos encarar nossas responsabilidades nos erros que causaram perda de valores para a empresa!
21 de abr. de 2009
PARA REFLETIR...
Boa Noite!
Nestas vésperas do feriado nacional de Tiradentes, vale a pena refletirmos um pouco sobre a sabedoria que nos vem das mais diversas partes do mundo, dos mais distintos irmãos nossos, muitos deles solenemente esquecidos ou mesmo ignorados por todos nós.
Pensemos sobre estas verdades, e desfrutemos de um descanso reflexivo, sem abusos, sem extravagâncias de qualquer natureza!
"Trate bem a terra. Ela não foi doada à você pelos seus pais. Ela foi emprestada à você pelos seus filhos."
(Provérbio antigo do Quênia)
"Quem dá não deve se lembrar, mas quem recebe nunca deve se esquecer."
(Provérbio hindu)
"Numa viagem, um homem deve andar com um companheiro que tenha a mente igual ou superior a sua; é melhor viajar sozinho do que em companhia de um tolo."
(Provérbio chinês)
"Quem limitações não conhece, há de ter motivo para lamentar-se."
(Provérbio japonês)
Nestas vésperas do feriado nacional de Tiradentes, vale a pena refletirmos um pouco sobre a sabedoria que nos vem das mais diversas partes do mundo, dos mais distintos irmãos nossos, muitos deles solenemente esquecidos ou mesmo ignorados por todos nós.
Pensemos sobre estas verdades, e desfrutemos de um descanso reflexivo, sem abusos, sem extravagâncias de qualquer natureza!
"Trate bem a terra. Ela não foi doada à você pelos seus pais. Ela foi emprestada à você pelos seus filhos."
(Provérbio antigo do Quênia)
"Quem dá não deve se lembrar, mas quem recebe nunca deve se esquecer."
(Provérbio hindu)
"Numa viagem, um homem deve andar com um companheiro que tenha a mente igual ou superior a sua; é melhor viajar sozinho do que em companhia de um tolo."
(Provérbio chinês)
"Quem limitações não conhece, há de ter motivo para lamentar-se."
(Provérbio japonês)
18 de abr. de 2009
DEZ PARA AS DUAS
Bom Dia!
Um dia desses, num desses vôos da ponte aérea ao qual somos obrigados, esperando minha extravagante refeição da barra de cereais, deparei-me com uma crônica acerca das fotografias de relógios feitas para venda. Perguntava o cronista se já percebemos que na imensa maioria, ou quase totalidade, as fotos de relógio que apresentem os ponteiros, mostra-nos a hora 01:50, ou seja, dez minutos para as duas horas.
Qual a razão para isto? Será que é mais belo esteticamente? Ou quem sabe impede que o leitor-consumidor fixe sua atenção nos ponteiros e deixe de ver a beleza (ou feiúra do conjunto)?
Não se a resposta certa, mas fiquei pensando numa questão: quantas fotos assim existem em nossas vidas? Para quantas coisas estamos sendo de forma automática uma foto que alguém fez, arrumada por razões que não conhecemos, pela simples e terrível razão de termos MEDO de mudar?
Não falo apenas da vida profissional. Onde proliferam a falta de visão daqueles que deveriam liderar suas equipes, corrigindo-as fraternalmente, mas permitindo-lhes exercitar suas capacidades e, com o devido acompanhamento, errar pela ousadia, ao invés de desaparecer pela covardia. Quantos funcionários, hoje, estão transformados em dez para as duas por nossa única e exclusiva culpa? Pela omissão dos acomodados, ou pela falta de visão dos irrequietos? Diga-me quantos dos teus funcionários são hoje reconhecidos e buscados pelo mercado onde atuas, e te direi que tipo de gestor és!
Na vida pessoal, também confundimos tudo! Achamos que mudanças signficam necessariamente trocas. Não é bem assim! Se não sou capaz de reconhecer os pontos nos quais a mudança que deverá gerar maior impacto é a MINHA, como poderei saber o que exigir, pedir, suplicar daqueles com quem reparto minha vida, meu dia-a-dia?
Não há pessoas pré-concebidas como inoperantes, incapazes ou coisas do tipo. Existem, sim, e infelizmente num número crescente: incompetentes que alçam poder; lideranças fracas, covardes e inoperantes; gestores do nada!
Talvez o artigo não quisesse espelhar nada disto. Mas ao ver tantas fotos e desenhos de relógios, muitos deles lindíssimos, porém todos iguais na essência, deu-me uma imensa sensação de que, se quero ser gestor, jamais poderei transformar minhas equipes em relógios dez para as duas!
Um dia desses, num desses vôos da ponte aérea ao qual somos obrigados, esperando minha extravagante refeição da barra de cereais, deparei-me com uma crônica acerca das fotografias de relógios feitas para venda. Perguntava o cronista se já percebemos que na imensa maioria, ou quase totalidade, as fotos de relógio que apresentem os ponteiros, mostra-nos a hora 01:50, ou seja, dez minutos para as duas horas.
Qual a razão para isto? Será que é mais belo esteticamente? Ou quem sabe impede que o leitor-consumidor fixe sua atenção nos ponteiros e deixe de ver a beleza (ou feiúra do conjunto)?
Não se a resposta certa, mas fiquei pensando numa questão: quantas fotos assim existem em nossas vidas? Para quantas coisas estamos sendo de forma automática uma foto que alguém fez, arrumada por razões que não conhecemos, pela simples e terrível razão de termos MEDO de mudar?
Não falo apenas da vida profissional. Onde proliferam a falta de visão daqueles que deveriam liderar suas equipes, corrigindo-as fraternalmente, mas permitindo-lhes exercitar suas capacidades e, com o devido acompanhamento, errar pela ousadia, ao invés de desaparecer pela covardia. Quantos funcionários, hoje, estão transformados em dez para as duas por nossa única e exclusiva culpa? Pela omissão dos acomodados, ou pela falta de visão dos irrequietos? Diga-me quantos dos teus funcionários são hoje reconhecidos e buscados pelo mercado onde atuas, e te direi que tipo de gestor és!
Na vida pessoal, também confundimos tudo! Achamos que mudanças signficam necessariamente trocas. Não é bem assim! Se não sou capaz de reconhecer os pontos nos quais a mudança que deverá gerar maior impacto é a MINHA, como poderei saber o que exigir, pedir, suplicar daqueles com quem reparto minha vida, meu dia-a-dia?
Não há pessoas pré-concebidas como inoperantes, incapazes ou coisas do tipo. Existem, sim, e infelizmente num número crescente: incompetentes que alçam poder; lideranças fracas, covardes e inoperantes; gestores do nada!
Talvez o artigo não quisesse espelhar nada disto. Mas ao ver tantas fotos e desenhos de relógios, muitos deles lindíssimos, porém todos iguais na essência, deu-me uma imensa sensação de que, se quero ser gestor, jamais poderei transformar minhas equipes em relógios dez para as duas!
17 de abr. de 2009
SONHO OU PESADELO?
Boa Noite!
A concentração no mercado de saúde suplementar é cada vez mais uma tendência irreversível. No dia de hoje, a mídia divulga a entrada em cena, como comprador, de um novo/velho ator de peso: o grupo Bradesco. Confirmada a compra da Rede de Laboratórios Fleury (SP), que por sua vez vinha comprando outros pequenos grupos, consolida-se um novo panorama neste segmento de exames, assim como eleva-se a aglomeração de muitos nas mãos de poucas empresas.
Causas para a concentração?
Uma insistente e repetida manutenção de práticas empresariais, gerenciais e negociais caducas e ultrapassadas, privilegiadoras de resultados financeiros imediatos, mas não estruturantes, aliadas às estruturas e escolhas de amigos, e não de técnicos competentes, está na base das causas principais de inviabilização destas empresas.
A Saúde Suplementar brasileira não está carecendo, apenas, de aportes expressivos de recursos e investimentos novos, o que por si só já é fator alarmante para a estabilidade do setor; ela simplesmente não possui e não está formando em velocidade de reposição e na medida das necessidades prementes, novos quadros de gestores competentes e com visão sistêmica. Bons administradores têm sido constatações personalizadas e espécimes raros, são exceções num momento em que o setor precisa da competência de gestão como regra.
Não se ousa na questão dos modelos: sejam eles de negócios, sejam eles afetos ao tipo de assistência que se deseja ser o carro-chefe dos projetos estratégicos das organizações. Aliás, que projetos? A crise requer pensar novos caminhos que transformem os pesadelos em sonhos, com pé no chão e cabeça nas nuvens.
Não consigo vislumbrar avanços nesta concentração. Apesar de ser defendida sempre pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, o enxugamento do mercado que resultar apenas do maior poder financeiro não será jamais garantia de melhoria de qualidade ou agregação de valor ao cliente-paciente.
Não consigo enxergar os ganhos para o modelo de Atenção primária preconizado e decantado em prosa e verso pela ANS, nos seus momentos de empolgação acadêmica que poucas vezes se transformam em decisões efetivas para o mercado. Não me alegra a possibilidade de nos transformarmos todos em meros fiscais da sinistralidade, ao invés de efetivos gerentes de saúde de sistemas coletivos.
O sonho da ANS me soa como um pesadelo em noite de verão: sofrido, demorado, quente e suado!
A concentração no mercado de saúde suplementar é cada vez mais uma tendência irreversível. No dia de hoje, a mídia divulga a entrada em cena, como comprador, de um novo/velho ator de peso: o grupo Bradesco. Confirmada a compra da Rede de Laboratórios Fleury (SP), que por sua vez vinha comprando outros pequenos grupos, consolida-se um novo panorama neste segmento de exames, assim como eleva-se a aglomeração de muitos nas mãos de poucas empresas.
Causas para a concentração?
Uma insistente e repetida manutenção de práticas empresariais, gerenciais e negociais caducas e ultrapassadas, privilegiadoras de resultados financeiros imediatos, mas não estruturantes, aliadas às estruturas e escolhas de amigos, e não de técnicos competentes, está na base das causas principais de inviabilização destas empresas.
A Saúde Suplementar brasileira não está carecendo, apenas, de aportes expressivos de recursos e investimentos novos, o que por si só já é fator alarmante para a estabilidade do setor; ela simplesmente não possui e não está formando em velocidade de reposição e na medida das necessidades prementes, novos quadros de gestores competentes e com visão sistêmica. Bons administradores têm sido constatações personalizadas e espécimes raros, são exceções num momento em que o setor precisa da competência de gestão como regra.
Não se ousa na questão dos modelos: sejam eles de negócios, sejam eles afetos ao tipo de assistência que se deseja ser o carro-chefe dos projetos estratégicos das organizações. Aliás, que projetos? A crise requer pensar novos caminhos que transformem os pesadelos em sonhos, com pé no chão e cabeça nas nuvens.
Não consigo vislumbrar avanços nesta concentração. Apesar de ser defendida sempre pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, o enxugamento do mercado que resultar apenas do maior poder financeiro não será jamais garantia de melhoria de qualidade ou agregação de valor ao cliente-paciente.
Não consigo enxergar os ganhos para o modelo de Atenção primária preconizado e decantado em prosa e verso pela ANS, nos seus momentos de empolgação acadêmica que poucas vezes se transformam em decisões efetivas para o mercado. Não me alegra a possibilidade de nos transformarmos todos em meros fiscais da sinistralidade, ao invés de efetivos gerentes de saúde de sistemas coletivos.
O sonho da ANS me soa como um pesadelo em noite de verão: sofrido, demorado, quente e suado!
16 de abr. de 2009
MAIS CAUTELA, MENOS DISCURSOS
Boa Noite!
Não é mais uma marola, mas também não assusta, pois o Brasil já venceu a crise em mais de 50%. Esta afirmação do Presidente Lula retoma a linha dos pronunciamentos indecifráveis ou incompreensíveis. O que deseja dizer o nosso Grande Líder?
A hora é muito séria e todos os reflexos positivos que vemos deve-se, fundamentalmente, à atuação responsável da grande maioria dos empresários, clientes e, para grata surpresa, da equipe econômica do governo petista.
Mas, a crise que é real e atravessa mercados de verdade não se fará diminuta e nem encolherá apenas para satisfazer as vontades e os devaneios de nosso governante. Há de se cuidar e zelar para que ela seja vencida pela manutenção da coerência e da política econômica originária do Plano Real.
A estabilidade econômica e financeira requer, também, a estabilidade, o equilíbrio e a ousadia dos nossos gestores públicos. Bravatas e factóides deveriam ficar reservados ao melhor lugar em que cabem: na lata de lixo (e tampada)!
Talvez pudéssemos ser mais exigentes nas aparições públicas do nosso Presidente, evitando os nervosos risos que, parece, são interpretados por ele como tácita concordância e ilimitada tolerância. Está na hora de dizer a ele que exigimos seriedade e trabalho, pois as piadas e tiradas, ambas de mau gosto, já deixaram nos empregos perdidos as indeléveis marcas da falta de sensibilidade e visão sistêmica dos nossos políticos.
Não é mais uma marola, mas também não assusta, pois o Brasil já venceu a crise em mais de 50%. Esta afirmação do Presidente Lula retoma a linha dos pronunciamentos indecifráveis ou incompreensíveis. O que deseja dizer o nosso Grande Líder?
A hora é muito séria e todos os reflexos positivos que vemos deve-se, fundamentalmente, à atuação responsável da grande maioria dos empresários, clientes e, para grata surpresa, da equipe econômica do governo petista.
Mas, a crise que é real e atravessa mercados de verdade não se fará diminuta e nem encolherá apenas para satisfazer as vontades e os devaneios de nosso governante. Há de se cuidar e zelar para que ela seja vencida pela manutenção da coerência e da política econômica originária do Plano Real.
A estabilidade econômica e financeira requer, também, a estabilidade, o equilíbrio e a ousadia dos nossos gestores públicos. Bravatas e factóides deveriam ficar reservados ao melhor lugar em que cabem: na lata de lixo (e tampada)!
Talvez pudéssemos ser mais exigentes nas aparições públicas do nosso Presidente, evitando os nervosos risos que, parece, são interpretados por ele como tácita concordância e ilimitada tolerância. Está na hora de dizer a ele que exigimos seriedade e trabalho, pois as piadas e tiradas, ambas de mau gosto, já deixaram nos empregos perdidos as indeléveis marcas da falta de sensibilidade e visão sistêmica dos nossos políticos.
14 de abr. de 2009
A AIDS E O PAPA
Boa Noite!
Mais uma revista que teria o cunho científica resolve abrir suas baterias contra o líder maior da Igreja Católica, o Papa Bento XVI, acerca de suas declarações efetuadas no continente africano, nas quais conclamou os fiéis a mudarem seus hábitos e não se valerem do uso de camisinhas como se elas fossem a principal proteção contra a crescente e irreversível epidemia de AIDS.
A revista The Lancet desdiz o Papa e afirma que apesar dos 9 bilhões de camisinhas vendidas anualmente em todo o mundo, o crescnte número de infectados (cerca de 3 milhões de pessoas em 2008) indica a "necessidade nde maior uso".
Eis o ponto central da questão: por ano são fabricadas, segundo a UOL (Boa Saúde, de 13.04), cerca de 19 bilhões de camisinhas, pelas poderosas indústrias farmacêuticas. Cada unidade destas chega ao nosso país a um preço estimado de US$ 0,23 (ou algo em torno de R$ 0,69). Alguns estudiosos acreditam que este preço de chegada seja capaz de ser reduzido em até 25% com pequenas mudanças nas políticas públicas que envolvem tão estratégico material.
Portanto, para exemplo, tomemos o preço de fábrica da camisinha em torno de R$ 0,51 (R$ 0,69 x 75%). Teríamos então o assombroso número de US$ 5 BILHÕES DE DÓLARES que as empresas fabricantes estariam deixando de comercializar se todas as populações vítimas deste flagelo, com especial ênfase a africana, passassem a mudar seus comportamentos sociais, entendessem o relacionamento entre homem e mulher como algo mais sublime e superior à prevaricação, deixassem a vulgaridade e a promiscuidade no lugar em que deveriam estar: na lata de lixo!
É óbvio que quando um líder religioso emite sua opinião acerca de qualquer assunto ele segue as verdades teologais nas quais acredita e segue. As religiões não constroem edifícios humanos e sim pontes para as moradas espirituais eternas. Mas é no mínimo injusto mostrar-se a declaração do Santo Padre como deslocada, ou retrógrada, sem se abordar a questão central do uso da camisinha: os ganhos das indústrias.
Existem 10 bilhões de camisinhas, de curto prazo de validade, que sobram por ano no mundo. É preciso haver compradores para elas. E isto só ocorrerá se a promiscuidade passar a ser entendida como a opção natural da sociedade e não a visão correta de equilíbrio e fidelidade conjugal. Realmente, ambas as posições são opostas e irreconciliáveis. A questão é: o que pretendem os defensores da camisinha? Um mundo sem AIDS, ou um maior mercado consumidor de preservativos, para alegria dos seus fabricantes?
Mais uma revista que teria o cunho científica resolve abrir suas baterias contra o líder maior da Igreja Católica, o Papa Bento XVI, acerca de suas declarações efetuadas no continente africano, nas quais conclamou os fiéis a mudarem seus hábitos e não se valerem do uso de camisinhas como se elas fossem a principal proteção contra a crescente e irreversível epidemia de AIDS.
A revista The Lancet desdiz o Papa e afirma que apesar dos 9 bilhões de camisinhas vendidas anualmente em todo o mundo, o crescnte número de infectados (cerca de 3 milhões de pessoas em 2008) indica a "necessidade nde maior uso".
Eis o ponto central da questão: por ano são fabricadas, segundo a UOL (Boa Saúde, de 13.04), cerca de 19 bilhões de camisinhas, pelas poderosas indústrias farmacêuticas. Cada unidade destas chega ao nosso país a um preço estimado de US$ 0,23 (ou algo em torno de R$ 0,69). Alguns estudiosos acreditam que este preço de chegada seja capaz de ser reduzido em até 25% com pequenas mudanças nas políticas públicas que envolvem tão estratégico material.
Portanto, para exemplo, tomemos o preço de fábrica da camisinha em torno de R$ 0,51 (R$ 0,69 x 75%). Teríamos então o assombroso número de US$ 5 BILHÕES DE DÓLARES que as empresas fabricantes estariam deixando de comercializar se todas as populações vítimas deste flagelo, com especial ênfase a africana, passassem a mudar seus comportamentos sociais, entendessem o relacionamento entre homem e mulher como algo mais sublime e superior à prevaricação, deixassem a vulgaridade e a promiscuidade no lugar em que deveriam estar: na lata de lixo!
É óbvio que quando um líder religioso emite sua opinião acerca de qualquer assunto ele segue as verdades teologais nas quais acredita e segue. As religiões não constroem edifícios humanos e sim pontes para as moradas espirituais eternas. Mas é no mínimo injusto mostrar-se a declaração do Santo Padre como deslocada, ou retrógrada, sem se abordar a questão central do uso da camisinha: os ganhos das indústrias.
Existem 10 bilhões de camisinhas, de curto prazo de validade, que sobram por ano no mundo. É preciso haver compradores para elas. E isto só ocorrerá se a promiscuidade passar a ser entendida como a opção natural da sociedade e não a visão correta de equilíbrio e fidelidade conjugal. Realmente, ambas as posições são opostas e irreconciliáveis. A questão é: o que pretendem os defensores da camisinha? Um mundo sem AIDS, ou um maior mercado consumidor de preservativos, para alegria dos seus fabricantes?
13 de abr. de 2009
AO SABOR DAS ONDAS...
Boa Noite!
Os poetas e escritores usam da expressão “ao doce sabor das ondas” para expressarem, em muitas ocasiões, situações sobre as quais os navegantes, não possuindo governabilidade sobre os acontecimentos, deixam-se levar pelos ventos e correntes aos portos onde estes os transportarem.
Sinto que os clientes do setor de saúde devem começar a sentirem-se também assim: ao sabor das novidades tecnológicas. Com uma pequena diferença: as ondas levam às praias, enquanto as modernidades tecnológicas, mal testadas, mal controladas e mal fiscalizadas levam-nos para... Qualquer lugar que se imagine!
Eis o caso mais recente: um estudo chamado Syntax, coordenado pelo “New England Journal of Medicine”, do Reino Unido, e divulgado na semana passada pelos jornais brasileiros, informa que num grupo de 1.800 pacientes acompanhados, cerca de 14% daqueles que realizaram ANGIOPLASTIA com ao menos 03 vasos lesado precisaram submeter-se a um novo procedimento para revascularizar ao menos um vaso, num período inferior a um ano!
Isto é comparado ao desempenho da cirurgia cardíaca, onde no mesmo grupo apenas 6% dos operados tiveram restenose no mesmo período. Mais: o número de eventos adversos surgidos no grupo daqueles que se submeteram à angioplastia foi cerca de 30% maior do que no grupo que realizou o procedimento mais invasivo.
Bom, o leitor menos avisado rapidamente concluirá que é melhor a cirurgia tradicional, aquela que rasga o peito num expressivo corte, é bastante invasiva, e requer uma internação em ambiente hospitalar de alta complexidade por diversos dias. Certo? Errado.
Primeiro: devemos observar que o grande problema das incorporações tecnológicas, para o paciente, é exatamente a má indicação, a generalização que se costuma fazer de maneira irresponsável. Se as indicações para se realizar angioplastia e implantar-se “stents” forem seguidas corretamente, estes números tendem a cair em níveis que os técnicos consideram aceitáveis para a medicina, ciência não absoluta como todos sabemos.
Segundo: nenhum procedimento que retenha o paciente em leito hospitalar, seja de baixa ou especialmente de alta complexidade (como é o caso da UTI, por exemplo), agregará saúde sem expor o mesmo a um risco elevadíssimo e que inclui, dentre outros, os perigos de uma infecção hospitalar. Isto não é citado na pesquisa e não sabemos o grau de influência que teria sobre os resultados mapeados.
Terceiro: este tipo de informação surge num momento em que os cirurgiões cardíacos resolveram, sem nenhum tipo de negociação, impor às operadoras de saúde preços para suas cirurgias com aumentos de até 300% em relação aos que praticavam pela tabela que adotaram também unilateralmente (a CBHPM, da AMB/CFM). Ou seja, tentar desqualificar os hemodinamicistas, para imporem sua associação e seus preços, parece ser apenas mais uma das equivocadas estratégias que vem sendo usadas pelos cirurgiões cardíacos desde o ano passado.
Mais uma vez estamos pacientes e leigos, ao sabor das ondas da medicina: tecnologias mal indicadas, médicos que querem ditar preços, agência reguladora que lava s mãos... Onde iremos parar?
Os poetas e escritores usam da expressão “ao doce sabor das ondas” para expressarem, em muitas ocasiões, situações sobre as quais os navegantes, não possuindo governabilidade sobre os acontecimentos, deixam-se levar pelos ventos e correntes aos portos onde estes os transportarem.
Sinto que os clientes do setor de saúde devem começar a sentirem-se também assim: ao sabor das novidades tecnológicas. Com uma pequena diferença: as ondas levam às praias, enquanto as modernidades tecnológicas, mal testadas, mal controladas e mal fiscalizadas levam-nos para... Qualquer lugar que se imagine!
Eis o caso mais recente: um estudo chamado Syntax, coordenado pelo “New England Journal of Medicine”, do Reino Unido, e divulgado na semana passada pelos jornais brasileiros, informa que num grupo de 1.800 pacientes acompanhados, cerca de 14% daqueles que realizaram ANGIOPLASTIA com ao menos 03 vasos lesado precisaram submeter-se a um novo procedimento para revascularizar ao menos um vaso, num período inferior a um ano!
Isto é comparado ao desempenho da cirurgia cardíaca, onde no mesmo grupo apenas 6% dos operados tiveram restenose no mesmo período. Mais: o número de eventos adversos surgidos no grupo daqueles que se submeteram à angioplastia foi cerca de 30% maior do que no grupo que realizou o procedimento mais invasivo.
Bom, o leitor menos avisado rapidamente concluirá que é melhor a cirurgia tradicional, aquela que rasga o peito num expressivo corte, é bastante invasiva, e requer uma internação em ambiente hospitalar de alta complexidade por diversos dias. Certo? Errado.
Primeiro: devemos observar que o grande problema das incorporações tecnológicas, para o paciente, é exatamente a má indicação, a generalização que se costuma fazer de maneira irresponsável. Se as indicações para se realizar angioplastia e implantar-se “stents” forem seguidas corretamente, estes números tendem a cair em níveis que os técnicos consideram aceitáveis para a medicina, ciência não absoluta como todos sabemos.
Segundo: nenhum procedimento que retenha o paciente em leito hospitalar, seja de baixa ou especialmente de alta complexidade (como é o caso da UTI, por exemplo), agregará saúde sem expor o mesmo a um risco elevadíssimo e que inclui, dentre outros, os perigos de uma infecção hospitalar. Isto não é citado na pesquisa e não sabemos o grau de influência que teria sobre os resultados mapeados.
Terceiro: este tipo de informação surge num momento em que os cirurgiões cardíacos resolveram, sem nenhum tipo de negociação, impor às operadoras de saúde preços para suas cirurgias com aumentos de até 300% em relação aos que praticavam pela tabela que adotaram também unilateralmente (a CBHPM, da AMB/CFM). Ou seja, tentar desqualificar os hemodinamicistas, para imporem sua associação e seus preços, parece ser apenas mais uma das equivocadas estratégias que vem sendo usadas pelos cirurgiões cardíacos desde o ano passado.
Mais uma vez estamos pacientes e leigos, ao sabor das ondas da medicina: tecnologias mal indicadas, médicos que querem ditar preços, agência reguladora que lava s mãos... Onde iremos parar?
10 de abr. de 2009
A ESTRATÉGIA DA GAVETA
Bom Dia!
No momento maior para todos aqueles que professam a fé cristã, gostaria de dividir com vocês uma reflexão a respeito das atitudes de um gestor profissional perante as dificuldades e/ou momentos de tensão com que se depara constantemente em sua vida profissional.
O Cristo que todos católicos adoram foi um líder, em sua passagem terrena, e também se deparou com todo tipo de adversidade, perseguição e incompreensão que se possa imaginar. E como reagiu a elas? Simples: enfrentando-as.
De forma direta, elucidativa, educadora e firme, apresentou seus credos, pontos de vista e argumentos, nunca querendo impô-los aos que o seguiam, ou que o buscavam para conhecê-lo. Ele queria cativar corações, e fazer dos homens mentes dispostas a seguir seus ensinamentos, mantendo a individualidade e livre arbítrio de cada um deles.
Não abriu mão do que sabia para se nivelar por baixo, mas deu-lhes tudo o que era possível ser partilhado para fazê-los crescer como homens e seguidores. Formou líderes e mostrou-lhes como ser uma equipe e não apenas uma claque disposta a aplaudir ou seguir cegamente a qualquer tipo de mediocridade que alcance um poder humano temporário.
Jesus enfrentou os problemas. Apontou-lhes soluções possíveis e cuidou de controlar tudo aquilo que fora acertado e acordado com os seus.
Era marceneiro, de profissão humana, e jamais quis usar das gavetas dos móveis que fabricou para se refugiar de medos e covardias, de receios e temores que paralisam e encerram as carreiras de diversos gestores modernos.
Infelizmente, quantos administradores de hoje, que nunca foram numa marcenaria, preferem engavetar as propostas de suas equipes, ou negociações com seus fornecedores, como se o tempo se encarregasse de resolvê-las ou apagá-las do mundo real.
Que exemplo de gestão, além de tantos outros, recebemos do homem de Nazaré, e também desperdiçamos.
Quanta ilusão querermos brigar com o mundo real, fugindo de nossa responsabilidade decisória e tornando-nos omissos enquanto gestores e fracos perante nossas equipes!
As gavetas são elementos de móveis que devem guardar de forma transitória e segura tudo aquilo que não se pode usar ou solucionar de imediato. Seu caráter, assim, é pereno e sua utilidade, acessória.
Gavetas não são refúgios, nem escudos, nem soluções. Para um gestor profissional, que fiquem as lições vindas do oriente há mais de dois mil anos: ética, retidão, coerência e decisão. Pilares de uma vida feliz, bases do sucesso, bálsamo da nossa consciência.
No momento maior para todos aqueles que professam a fé cristã, gostaria de dividir com vocês uma reflexão a respeito das atitudes de um gestor profissional perante as dificuldades e/ou momentos de tensão com que se depara constantemente em sua vida profissional.
O Cristo que todos católicos adoram foi um líder, em sua passagem terrena, e também se deparou com todo tipo de adversidade, perseguição e incompreensão que se possa imaginar. E como reagiu a elas? Simples: enfrentando-as.
De forma direta, elucidativa, educadora e firme, apresentou seus credos, pontos de vista e argumentos, nunca querendo impô-los aos que o seguiam, ou que o buscavam para conhecê-lo. Ele queria cativar corações, e fazer dos homens mentes dispostas a seguir seus ensinamentos, mantendo a individualidade e livre arbítrio de cada um deles.
Não abriu mão do que sabia para se nivelar por baixo, mas deu-lhes tudo o que era possível ser partilhado para fazê-los crescer como homens e seguidores. Formou líderes e mostrou-lhes como ser uma equipe e não apenas uma claque disposta a aplaudir ou seguir cegamente a qualquer tipo de mediocridade que alcance um poder humano temporário.
Jesus enfrentou os problemas. Apontou-lhes soluções possíveis e cuidou de controlar tudo aquilo que fora acertado e acordado com os seus.
Era marceneiro, de profissão humana, e jamais quis usar das gavetas dos móveis que fabricou para se refugiar de medos e covardias, de receios e temores que paralisam e encerram as carreiras de diversos gestores modernos.
Infelizmente, quantos administradores de hoje, que nunca foram numa marcenaria, preferem engavetar as propostas de suas equipes, ou negociações com seus fornecedores, como se o tempo se encarregasse de resolvê-las ou apagá-las do mundo real.
Que exemplo de gestão, além de tantos outros, recebemos do homem de Nazaré, e também desperdiçamos.
Quanta ilusão querermos brigar com o mundo real, fugindo de nossa responsabilidade decisória e tornando-nos omissos enquanto gestores e fracos perante nossas equipes!
As gavetas são elementos de móveis que devem guardar de forma transitória e segura tudo aquilo que não se pode usar ou solucionar de imediato. Seu caráter, assim, é pereno e sua utilidade, acessória.
Gavetas não são refúgios, nem escudos, nem soluções. Para um gestor profissional, que fiquem as lições vindas do oriente há mais de dois mil anos: ética, retidão, coerência e decisão. Pilares de uma vida feliz, bases do sucesso, bálsamo da nossa consciência.
8 de abr. de 2009
REPENSAR AS PRIORIDADES
Boa Noite!
Tempos de mudanças em tempos de crises. Talvez esta seja a grande tônica do mercado de saúde no país e no resto do mundo, nas ondas desta crise que teima em não ceder. Todos os gestores reconhecem a necessidade de se debruçar sobre os reflexos imediatos e mediatos sobre suas organizações e, rapidamente, agirem para minimizá-los.
Alguns retiram de suas gavetas as velhas (e combalidas) estratégias de bruscas reduções em custos fixos, especialmente na sua mão-de-obra, sem se aperceberem dos riscos associados às reduções desta natureza. Quando se quebra a confiabilidade dos órgãos dirigentes para com suas equipes, ficam travadas diversas possibilidades de se enfrentar a crise através da ampliação de mercado e não de sua perda.
Mas a vil tentação da solução mais fácil torna o pecado da incompetência gerencial quase que imperdoável. Os empresários de saúde que continuam a conduzir suas empresas como se velhas fórmulas e surrados chavões fossem capazes de produzir mágicas alterações nas situações que enfrentam.
É momento de rever nossos velhos conceitos de gestão e começar, tal trabalho hercúleo pela redefinição das nossas prioridades. O que gera resultado e qual o pacto possível de ser feito com os seus agentes torna-se muito mais importante e emergente do que a produção de cortes que retiram os melhores funcionários e deixa os sobreviventes completamente descomprometidos para com os objetivos estratégicos das organizações.
O momento é de maximizar-se as competências e elevar as rentabilidades. E ao que me consta, não existem máquinas e nem mágicas para fazê-lo. Por que então não envolvermos nossas equipes neste imenso desafio?
Tempos de mudanças em tempos de crises. Talvez esta seja a grande tônica do mercado de saúde no país e no resto do mundo, nas ondas desta crise que teima em não ceder. Todos os gestores reconhecem a necessidade de se debruçar sobre os reflexos imediatos e mediatos sobre suas organizações e, rapidamente, agirem para minimizá-los.
Alguns retiram de suas gavetas as velhas (e combalidas) estratégias de bruscas reduções em custos fixos, especialmente na sua mão-de-obra, sem se aperceberem dos riscos associados às reduções desta natureza. Quando se quebra a confiabilidade dos órgãos dirigentes para com suas equipes, ficam travadas diversas possibilidades de se enfrentar a crise através da ampliação de mercado e não de sua perda.
Mas a vil tentação da solução mais fácil torna o pecado da incompetência gerencial quase que imperdoável. Os empresários de saúde que continuam a conduzir suas empresas como se velhas fórmulas e surrados chavões fossem capazes de produzir mágicas alterações nas situações que enfrentam.
É momento de rever nossos velhos conceitos de gestão e começar, tal trabalho hercúleo pela redefinição das nossas prioridades. O que gera resultado e qual o pacto possível de ser feito com os seus agentes torna-se muito mais importante e emergente do que a produção de cortes que retiram os melhores funcionários e deixa os sobreviventes completamente descomprometidos para com os objetivos estratégicos das organizações.
O momento é de maximizar-se as competências e elevar as rentabilidades. E ao que me consta, não existem máquinas e nem mágicas para fazê-lo. Por que então não envolvermos nossas equipes neste imenso desafio?
1 de abr. de 2009
PÁGINA VIRADA...
Boa Noite!
Os principais jornais brasileiros relembram em 31 de março, os 45 anos do Golpe de Estado (ou Contra-Revolução para os que o apoiaram), que destituiu o Presidente eleito João Goulart e implantou o Governo Militar até 1986. É óbvio que os depoimentos são totalmente antagônicos e, nem por esperança, seremos capazes de encontrar um ponto de convergência dentre aqueles que participaram do golpe, ou foram seus alvos.
A queda de uma democracia, seja ela liderada por forças militares, seja por civis, jamais produziu em toda a história da humanidade, resultados satisfatórios e que causem boas recordações aos povos. A democracia pode, e em muitos casos efetivamente é, imperfeita. Ela não coíbe a ascensão de demagogos, e nem evita corrupção.
Mas ela sempre será a luz no fim do túnel, o porto seguro para os navegantes de águas agitadas, a última reserva de esperança nos momentos em que, desacreditados e decepcionados com nossos líderes, deixamo-nos navegar pelas expectativas de um futuro melhor.
Democrata não é alguém que agrada, que deseja ser “bonzinho”, que sempre joga para a platéia. A democracia não está associada às palavras doces, aos afagos protocolares. Ser democrata é buscar a justiça de uma forma constante, inegociável e coerente. É defender os menores, os humildes, os excluídos, pela efetiva inclusão no meio produtivo.
Ser democrata é dar testemunho do que se defende em discursos e palestras, estar à frente das mudanças, pela mudança do seu próprio comportamento e dar exemplos que estejam intrinsecamente ligados as suas palavras.
Ditador não é apenas aquele que agride fisicamente, que usa armas para coagir, que restringe as liberdades e pune os que a ele se opõem. Estes são criminosos duas vezes: pela democracia roubada e pelas agressões impetradas. Ditadores são, ainda, aqueles espécimes que se infiltram em quaisquer organizações não por seus méritos profissionais e pessoais, mas por fatores alheios à vontade da grande massa de seus usuários, apenas para delas usufruírem em benefício próprio. Ditadores querem roubar nossas almas, impondo um silêncio forçado as nossas vozes e consciências.
Por tudo isso, não consigo mais separar em nossos dias, direita de esquerda. À parte as violências cometidas, em todas as suas formas, qual o muro que separa nossas lideranças atuais entre democratas e ditadores? Quais as causas coletivas que nos permitem, por suas defesas, discerni-los?
O golpe de 1964 não deve ser esquecido. Como não devem ser olvidados nenhum dos golpes que infligem à democracia nossos líderes: os escândalos; as negociatas; as tentativas de quebrar a constituição para se obter mais mandatos; as retiradas de direitos individuais em países irmãos; as violências contra a propriedade privada que está dentro da lei; apenas para falar de algumas que mais doem.
Discutir o 31 de março deveria nos fazer olhar para o futuro que desejamos. Virar a página do passado cuidando para que ele não se repita. E a melhor maneira de fazê-lo é não permitir, para ninguém, ou sob nenhuma justificativa, que aventuras como o terceiro mandato se tornem realidade. Vigiai e orai...
Os principais jornais brasileiros relembram em 31 de março, os 45 anos do Golpe de Estado (ou Contra-Revolução para os que o apoiaram), que destituiu o Presidente eleito João Goulart e implantou o Governo Militar até 1986. É óbvio que os depoimentos são totalmente antagônicos e, nem por esperança, seremos capazes de encontrar um ponto de convergência dentre aqueles que participaram do golpe, ou foram seus alvos.
A queda de uma democracia, seja ela liderada por forças militares, seja por civis, jamais produziu em toda a história da humanidade, resultados satisfatórios e que causem boas recordações aos povos. A democracia pode, e em muitos casos efetivamente é, imperfeita. Ela não coíbe a ascensão de demagogos, e nem evita corrupção.
Mas ela sempre será a luz no fim do túnel, o porto seguro para os navegantes de águas agitadas, a última reserva de esperança nos momentos em que, desacreditados e decepcionados com nossos líderes, deixamo-nos navegar pelas expectativas de um futuro melhor.
Democrata não é alguém que agrada, que deseja ser “bonzinho”, que sempre joga para a platéia. A democracia não está associada às palavras doces, aos afagos protocolares. Ser democrata é buscar a justiça de uma forma constante, inegociável e coerente. É defender os menores, os humildes, os excluídos, pela efetiva inclusão no meio produtivo.
Ser democrata é dar testemunho do que se defende em discursos e palestras, estar à frente das mudanças, pela mudança do seu próprio comportamento e dar exemplos que estejam intrinsecamente ligados as suas palavras.
Ditador não é apenas aquele que agride fisicamente, que usa armas para coagir, que restringe as liberdades e pune os que a ele se opõem. Estes são criminosos duas vezes: pela democracia roubada e pelas agressões impetradas. Ditadores são, ainda, aqueles espécimes que se infiltram em quaisquer organizações não por seus méritos profissionais e pessoais, mas por fatores alheios à vontade da grande massa de seus usuários, apenas para delas usufruírem em benefício próprio. Ditadores querem roubar nossas almas, impondo um silêncio forçado as nossas vozes e consciências.
Por tudo isso, não consigo mais separar em nossos dias, direita de esquerda. À parte as violências cometidas, em todas as suas formas, qual o muro que separa nossas lideranças atuais entre democratas e ditadores? Quais as causas coletivas que nos permitem, por suas defesas, discerni-los?
O golpe de 1964 não deve ser esquecido. Como não devem ser olvidados nenhum dos golpes que infligem à democracia nossos líderes: os escândalos; as negociatas; as tentativas de quebrar a constituição para se obter mais mandatos; as retiradas de direitos individuais em países irmãos; as violências contra a propriedade privada que está dentro da lei; apenas para falar de algumas que mais doem.
Discutir o 31 de março deveria nos fazer olhar para o futuro que desejamos. Virar a página do passado cuidando para que ele não se repita. E a melhor maneira de fazê-lo é não permitir, para ninguém, ou sob nenhuma justificativa, que aventuras como o terceiro mandato se tornem realidade. Vigiai e orai...
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