31 de mar. de 2008

PÍLULA DO DIA SEGUINTE: O ABORTO DAS 72 HORAS

Bom dia!
"Arbet macht frei" (numa tradução aproximada: só o trabalho liberta). Esta inscrição pairava no pórtico principal do complexo de extermínio nazista Auschwitz-Birkenau e usava uma verdade para criar a falsa impressão de esperança aos que entravam no famigerado campo. Os judeus e demais perseguidos, após terem sofrido tanta humilhação e dor, recebiam dos seus carrascos, já decididos a exterminá-los um pequeno alento. Em verdade, era mais uma requintada forma de tortura, agora mental, antes da solução final. O que tudo isto tem a ver com o aborto e com a pílula do dia seguinte?
A pílula do dia seguinte, também chamada de contraceptivo de emergência ou pós-coital, é um fármaco preparado à base de hormônios (estrogênio/progestogênio ou ambos combinados), e que se deve segundo seu fabricante ser ingerido até 72 horas "após ocorrer uma relação sexual desprotegida". Ela causará a não fixação do ÓVULO FECUNDADO no "interior do útero (a nidação), através da desestruturação do endométrio (parede interna do útero)". Ainda segundo o fabricante, a gravidez para a OMS só tem início quando da implantação do óvulo fecundado no útero, situação na qual a pílula não mais produziria seus efeitos contraceptivos.
Interessante o uso do vernáculo pela indústria farmacêutica... Tal qual o fez o nazista autor da frase que está acima reproduzida, usa-se de um artifício para induzir a mulher que a pílula não produz um aborto. O fármaco cria uma situação não natural que impede as paredes do endométrio de fixarem o óvulo fecundado. Isto é afirmado pela própria bula do remédio. A vida existe, ela quer ficar no lugar correto para terminar seu desenvolvimento e é impedida por uma força alheia ao processo natural: a reação produzida pela droga farmacêutica. E isto não é "considerado" aborto! Mais ainda, as reações no organismo da mulher pela interrupção forçada da gestação, o trauma psicológico, o sofrimento emocional... Nada disto importa?
A vida descartada usando-se a força do mais poderoso contra o mais fraco, o mais desprotegido, nada disto importa? O que importa para a ciência hoje? Para que serve a ciência se não proteger e viabilizar a vida humana plena, com qualidade e em todos os seus momentos? Cerca de 25% dos visitantes deste singelo espaço acreditam que a pílula não é abortiva. Quantos deles receberam estas informações? Quantos deles absorverão estas informações?
Quem lida e atua na saúde precisa estar informado. Não de maneira pré-concebida, mas de uma forma responsável e completa. Debates que não se prestem a isto são pobres em si mesmos. Serviços de informação que, por razões que desconhecemos, não levam a todos uma verdade total, prestam-se a desinformar a população!
Pobres de conteúdo, pobres de espírito.

28 de mar. de 2008

POR QUE HOJE É SEXTA FEIRA...

Bom Dia!

Numa semana em que tantos temas científicos foram veiculados pela mídia, em todas as suas formas, fui buscar algumas frases que julgo "de efeito", para encerrarmos a semana meditando, meditando (e perdendo a guerra contra um ridículo mosquito!):

"Não há contradição científica no canibalismo, mas não comemos carne humana".
Fernando Gabeira, O GLOBO de 15.10.03, página 5.

"Tem maiores chances de se desenvolver economicamente quem lida melhor com a complexidade. Terão poucas chances aquelas sociedades em que cada um lida com poucos elementos. O desenvolvimento requer abraçar a complexidade, principalmente nas dimensões que apontam direta ou indiretamente o processo produtivo".
Claudio de Moura Castro, VEJA 1912, de 06.07.2005.

E, por último, um grande mestre do saber e do conhecimento político-jurídico brasileiro, possuidor de uma língua não menos afiada:

"Há tantos burros mandando em homens de inteligência que, às vezes, fico pensando que a burrice é uma Ciência".
Ruy Barbosa

Um bom final de semana a todos! Que Deus os acompanhe e proteja!

27 de mar. de 2008

CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS

Bom Dia!

Enfim alguém que defende a pesquisa com as células-tronco embrionárias tem a coragem de assumir efetivamente o que elas são: vida humana. Falo da Professora Lygia V. Pereira (USP) que em artigo no O GLOBO de hoje (As células-tronco e a Constituição, Seção Opinião, página 7), afirma textualmente:
"Ora, é claro que ele (embrião) é uma forma de vida humana, assim como um feto, um recém-nascido e um idoso também o são. A real questão é 'que formas de vida humana nós permitiremos perturbar?' "
(os grifos são nossos)

Até que enfim alguém assume, quase que totalmente, o que se pretende com a pesquisa de células-tronco: classificar a vida humana em "perturbável" ou "não perturbável". Esta figura de linguagem usada pela professora substitui o verbo DESCARTAR, jogar fora, inutilizar, destruir. Ela, que defende a pesquisa, afirma ainda que seria uma destinação "científica" aos milhares de embriões fecundados IN VITRO para atender os desejos dos casais que podem arcar com os ônus deste processo de fertilização, e que ficam congelados à espera de um comprador. Ou seja, além de propiciar "pesquisas científicas transparentes e éticas", segundo a professora, os embriões resolvem um velho problema de rentabilidade das empresas que hoje os armazenam.
Pronto. Resolvido e assumido o fato concreto por trás da discussão: embriões são vidas humanas, seres titulares de direitos segundo nossa Constituição. Acontece que estas vidas não são importantes mais do que as outras, sendo assim elas podem ser "perturbadas".
Os intelectuais e teóricos nazistas usaram argumentos semelhantes. Afirmavam que manter as sub-espécies humanas (judeus, ciganos, eslavos e homossexuais) significava punir a sociedade como um todo e retirar dela riquezas e oportunidades. Ou seja, essas categorias eram vidas humanas, eles reconheciam, que poderiam ser, digamos, "perturbadas".
Não se está discutindo a versatilidade das células-tronco embrionárias. Nem a importância de pesquisas que aliviem o sofrimento dos doentes. Ninguém de sã consciência pode ser contra isto tudo.
O que estamos discutindo é: a sociedade aceitará como ético, lícito e humanamente correto classificar vidas que foram geradas como "perturbáveis"? É ético usar uma vida humana que não pode se defender e nem manifestar sua vontade, para em nome da ciência, atender outros interesses que ainda não aparecem nas mesas de debate? Aliás, porque o debate ocorre apenas na grande mídia? Por que os espaços são abertos apenas para um lado da questão? Por que ninguém aborda a questão das formações tumorais passíveis da acelereção hormonal?
Que bom ver alguém que defende este neogenocídio ter a coragem de assumir publicamente o que ele é. Mas, professora, desculpe-me: transparência e ética requerem todas as verdades publicadas e assumidas. E isto, nem a senhora em seu ousado artigo, conseguiu fazê-lo. Se tudo é tão bom, porque tanta coisa não dita, não assumida?

26 de mar. de 2008

INSENSIBILIDADE

Bom Dia!

É impressionante a capacidade do nosso Ministério da Saúde de ficar na mídia, em perene exposição! Realmente são raros os dias em que não se publicam notícias, fatos e outras tantas ocorrências ligadas diretamente à atuação daquela instância. Que pena que nem sempre, ou quase nunca, por boas notícias para a Saúde da população e para o nosso Sistema Público.
Eis a última:
Noticia O GLOBO que o Ministério reduziu, ou concordou com a redução, no seu Orçamento para este ano um valor de R$ 14,04 milhões para o Programa de COMBATE Á DENGUE. É, ela mesma, a doença do mosquito que está nocauteando as autoridades, agredindo os habitantes e causando uma letalidade sete vezes superior à esperada pela Organização Mundial de Saúde no Estado do Rio de Janeiro!
A Dengue que já registra entre Janeiro e Março de 2008 um número de casos maior do que TODO o ano de 2007! E para este combate o nosso Ministério reduziu (ou concordou) com a redução dos valores orçados.
Lembro-me nesta hora de palavras importantes para um gestor de Saúde: proatividade (a capacidade de mapear riscos e adotar ações concretas para minimizá-los ou mesmo evitá-los) e efetividade (usar os melhores recursos para se obter os melhores resultados). Pergunto-me o que acontece com as autoridades de notável e reconhecida competência nas suas atividades pregressas, que parecem olvidá-la quando do ingresso no setor público!
Onde está a visão de futuro dos sanitaristas que gerem a Saúde Pública brasileira? Para onde se mandaram os estudos epidemiológicos, o mapeamento dos riscos da população, a prevalência dos agravos?
Não estou insensível à responsabilidade de cada um de nós. Mas é difícil pensar que populações expostas à falta de saneamento básico, de condições dignas de moradia e vida, de um salário que lhes propicie adquirir alimentação decente e necessária, sejam sensíveis ao trabalho de promoção da saúde como desejam os governantes.
Em verdade me pergunto: quem é mesmo insensível neste país - as vítimas?

24 de mar. de 2008

APOCALIPSE DO MOSQUITO

Bom Dia!

Desde que o mundo é mundo, os antigos especulavam acerca da forma como se daria o fim dos tempos. Sim, o armagedom poderia se dar em Meguido (origem do nome), no longíquo Israel, ou nas terras da antiga Mesopotâmia, hoje ocupadas por países tão conturbados e agitados do Oriente Médio. Seja qual for a crença, os pesquisadores buscavam ansiosos uma concreta identificação do agente principal do apocalipse.
Usei, de propósito, o verbo no passado. Cessem os estudos, eis que se revelou o verdadeiro agente do apocalipse: o mosquito da Dengue! Não há razões para fazer piadas e estou mesmo é com vontade de chorar!
Há alguns dias as manchetes dos jornais aqui do Rio parecem estar retratando o fim do mundo:
"Governo economiza no combate ao Dengue": o Ministério da Saúde recebeu no ano passado recursos da ordem de R$ 21 milhões para o combate ao AEDES. Pois bem, pasmem, mas fizeram "economia" de quase 15 milhões! Não aplicaram os recursos para a prevenção!! O resultado disto... Todos conhecemos.
"Veículos do fumacê estão quebrados e abandonados em terreno baldio": os veículos estão destroçados, alguns parecem não ter mais motores, pneus e similares. Mantém ainda o logotipo do governo federal e a destinação: combate à Dengue. Por que não foram consertados? Por que estão abandonados? As respostas para estas questões... Todos conhecemos.
"Prefeitura do Rio pode ter demitido agentes de saúde": embora tenha havido uma veemente negativa do Prefeito, não se explicou a diminuição dos quadros destes importantes vetores de promoção à saúde. Quem ocupou o papel de educar a população? Quem está acompanhando as ações necessárias à saúde? As consequencias disto... Todos conhecem.
É muito duro ver seus pais chorando os filhos perdidos num conflito. Mas é incomensurável, em pleno Século XXI, ver pais chorando a derrota da sociedade para um insignificante mosquito. Temos lágrimas para tantas coisas que às vezes nos falta àquelas que provoquem em nós a completa insatisfação com tantas falhas!
Chega de discursos e troca de acusações. A Saúde não precisa de culpados e sim de gestores. Gestores que assumam compromissos com a vida, não com infindáveis e vazias discussões sobre métodos abortivos e que defendem a morte! Gestores que assumam posições e decidam de forma concreta, priorizando os que mais sofrem e não os que mais podem reclamar.
Chega de darmos tanto poder a um ridículo mosquito!

20 de mar. de 2008

O SÉCULO QUE NÃO QUER TERMINAR

Bom Dia!

Quase ao término da primeira década do Século XXI, diversos problemas do outro século, vivenciados pelos gestores que atuam no Setor Saúde persistem. Parece que por mais declarações de intenções que sejam feitas, o medo de mudar é mais forte e, assim, permanecemos replicando velhas e obsoletas posturas administrativas. Senão vejamos:
= ENCANTAR O CLIENTE: poucas empresas não devem ter usado ainda este refrão (quase um mantra) em seus materiais internos, banners e similares, quer sejam voltados ao público interno ou externo. Todos sabem desta necessidade. Mas, e as ações concretas? Dirão alguns: aumentamos a tiragem dos jornais, sem lembrar do volume de papéis recebidos diariamente nas residências dos nossos clientes (e solenemente jogados na cesta de lixo, muitos sem serem abertos). Outros, vibrando, falarão de encontros e comemorações realizadas, às quais "muitos" compareceram. Muitos, quantos? Qual a representatividade e o seguimento dado ao evento? Onde está o encantamento?
= ATUAR COM ÉTICA: deve ser a campeã dos discursos. Fantástica a preocupação que reina em nosso país, nos mais diversos níveis, com a adoção de uma postura ética. Ao menos nos materiais impressos. Mas, e no dia-a-dia? E no momento em que são aproveitados os diversos caminhos alternativos que os mercados ainda possuem para se ganhar mais, para se recolher menos impostos que o devido, para se ter maior spread nos recursos financeiros? Onde fica a ética institucional?

Temos diversos outros pontos não resolvidos. Mas hoje gostaria de destacar estes dois. Primeiro porque encantar o cliente é, antes de mais nada, reconhecer e assumir com ações concretas a importância que ele possui para mim, como profissional, e para a empresa onde trabalho, como gestor. O cliente não é uma marionete. Menos ainda um "João-Teimoso", aquele boneco que quanto mais se bate, mais rápido ele retoma a posição vertical. O cliente não mais se apresenta para nós como um "dependente" de nossos serviços, ou habilidades, ou formações. Chega desta bobagem! O cliente tem acesso às informações em tempo real e as busca efetivamente! Ele quer sentir um produto diferenciado, que o faça sentir-se especialmente acolhido e que o permita resolver as suas necessidades. Se alguns sabem expressar corretamente isto e outros não, o problema é nosso, nós somos os fornecedores, cabe a nós o desafio de encantá-los e não aos clientes um "dever" de se deixar encantar!
Da mesma forma a Ética! Ela significa uma mesma atitude perante todos e nos momentos solitários. Ela exige que as decisões valham para todos e não para um grupo de eleitos. Ela determina que NENHUMA vantagem ilícita possa ser usada sob qualquer pretexto. Um gestor ético pode até não ter tantos títulos universitários, tantas formações, tantas páginas de currículo. Mas a bagagem interior que carrega sempre será capaz de tornar o mundo no qual vive (familiares, amigos e colegas de trabalho), melhor e mais inclusivo. O medo é temporário, a ética é perene.
As posturas e problemas do século anterior parecem não terminar. Aliás, elas fazem com que o Século XXI, tão esperado por tantos, ainda não tenha começado de forma efetiva.
Não estará na hora?

14 de mar. de 2008

A ÚTIMA DA SEMANA

Bom Dia!

Porque hoje é sexta-feira, algumas rápidas notícias e reflexões:

1. Segundo noticia o Ancelmo Gois, no GLOBO de hoje, o Ministério da Saúde "economizou na prevenção e no combate à doença (Dengue, em 2007). Gastou só R$ 6,7 milhões dos R$ 21,5 milhões autorizados no orçamento";
2. A Dengue é aquela doença que tem vitimado todos os cidadãos brasileiros, adultos e crianças, e em muitos casos de forma fatal;
3. O Ministério é aquele mesmo que faz inúmeros discursos em prol da vida e das ações que resguardem os cidadãos brasileiros;

Sem ofensa, apenas uma pergunta por curiosidade: embrião é vida? É cidadão? Economia em saúde dá resultado?

Para que todos pensemos bens sobre discursos vazios e resultados concretos, deixo-lhes a seguinte reflexão:

"Governar é a refinada técnica de criar problemas. Cujas soluções mantenham o povo em suspense".
(
Ezra Pound, poeta americano)

Bom final de semana!

13 de mar. de 2008

O FIM DA PICADA?

Boa Tarde!

As mulheres italianas estão consumindo mais cocaína em virtude da ansiedade e disputa de lugar na sociedade com os homens. É o que diz a pesquisa realizada pela Universidade Católica de Milão e deivulgada esta semana. Se for mantido o ritmo, cerca de 40% a mais de mulheres serão dependentes químicas do infeliz pó branco até 2010. Serão executivas à beira de um colapso total: de suas carreiras, tão protegidas e de suas vidas, tão preciosas!
É triste ver tudo isto e acompanharmos o rótulo de "conquistas femininas". A perda da saúde física e mental destas mulheres será irreversível, se forem mantidas pela mídia a pressão indireta que todas sofrem em relação ao sucesso.
Parece que a mulher de sucesso é aquela que abre mão de tudo, e agora até da sua saúde, por um dito sucesso profissional. Ela pode ser sozinha, triste, doente, mas é uma vitoriosa! De que mesmo?
Vitória seria a sociedade reconhecer a dupla jornada da mulher. O seu papel decisivo na construção da célula básica da sociedade humana - a família, e também no importante equilíbrio que tem trazido às corporações privadas e públicas. Este reconhecimento seria real se ao invés das matérias jornalísticas nos jornais do horário nobre, as próprias empresas de comunicação dessem o exemplo remunerando pela competência cada profissional e adequando seu horário àquele do qual todos nós precisamos: mãe, mulher, amiga e companheira.
Que pena saber que a mulher aumentou sua dependência do cigarro, e por isso está igual aos homens nesta triste dependência.
Que lamentável saber que a proporção do crescimento de executivos dependentes de cocaína já tem a mulher em primeiro lugar.
Que hipócrita apresentar a solidão como destino das vitoriosas executivas.
Que mentira dizermos que reconhecemos a importância, capacidade e valor das mulheres no campo profissional, se não temos coragem de reconhecer-lhes o direito, mais ainda, a necessidade de ter tratamento adequado ao seu papel de mãe.
Já afirmei aqui que não existe falta de discursos no mundo corporativo. Tal qual na política, alguém já fez certamente um discurso ou texto sobre tudo o que relatei acima. Mas, igualmente como no universo político, há carência de medidas concretas que tratem com justiça esta questão.

11 de mar. de 2008

EQUILÍBRIO NA DECISÃO

Bom Dia!

Lidar de forma equilibrada com as situações inesperadas parece ser, cada dia mais, o maior desafio dos gestores. Neste caso específico, penso que não seria extrapolação levar esta afirmação a todos os campos da administração, independente do mercado.
Ter equilíbrio não quer dizer ficar imobilizado. Tampouco podemos associá-lo, em nosso país tropical e latino, a uma postura gélida, insensível.
Ter equilíbrio é saber dosar o esperado com a criatividade, a responsabilidade com a ousadia, a rapidez de resposta com decisões estruturantes.
Às vezes penso que é mais do que um dom aperfeiçoado pelos anos de experiência: é uma verdadeira profissão de fé para todos os que almejam tornarem-se competentes gestores de processos estratégicos.
O equilíbrio é a grande receita de sucesso da organizações. Mas é o artigo mais difícil de se encontrar perante a impetuosidade e, por vezes, arrogância dos novos gestores.

10 de mar. de 2008

CONTEÚDO PELA FORMA

Bom dia!

A revista PRÓ-TESTE em seu último número traz-nos uma reportagem acerca dos fabricantes de incenso e dos respectivos produtos vendidos em nosso país. Alerta-nos sobre o perigo da exposição constante e diária às varetas de incenso que, sendo produzidas sem legislação que as regulamente no país, correspondem ao nível de três cigarros por dia! Mais um caso em que a inexistência de normas expõem a população a um risco perfeitamente desnecessário.
Mas, há algo anterior a isto. Novamente iremos debater os efeitos de uma ação e não suas causas.
Não é o incenso o causador dos problemas. Nem o seu uso. É a omissão do gestor de saúde e dos reguladores pátrios que se constituem nas verdadeiras causas do problema.
Acontece que a forma é mais visível, ficando sempre mais próxima de nossos sentidos. Por isso tendemos a confundi-la com o conteúdo, que é a essência de qualquer problema.
Quando tratamos da forma, mesmo fazendo-o com toda competência, no máximo conseguiremos retardar alguns dos efeitos percebidos. O conteúdo direciona, ou ao menos deveria fazâ-lo, as ações e decisões gerenciais.
Vejamos o fato acima narrado:
- Se olharmos o conteúdo, buscaremos identificar as substâncias químicas esperáveis num incenso e que sejam absorvidas pelos clientes sem danos à saúde;
- Estabeleceremos normas de fabricação ou importação se for o caso, garantindo o acesso aos adeptos do produto, mas dentro de níveis de qualidade e segurança;
- Desenvolveremos uma campanha educacional acerca dos impactos do uso prolongado deste produto sobre a saúde dos indivíduos.

Ao contrário, se olharmos a forma, a notícia bombástica de que as substâncias emitidas pela queima da varetas são tóxicas, poderemos adotar a equivocada postura de proibição. Parece óbvio demais, e é.
O Ser humano foi criado e está pronto para ser lógico e coerente. São os maus costumes pessoais e profissionais que podem torná-lo uma máquina burocrática (no sentido desviado da palavra), ou um mero vaso de flores (até possui coisas belas, mas não sai do lugar e em tudo depende da ajuda dos outros).

5 de mar. de 2008

SAÚDE = VIDA

Bom Dia!

Uma breve reflexão para todos nós que atuamos no Setor Saúde: o que quer dizer para nós, concretamente, Saúde?
Ela deve refletir a VONTADE de construir ações de melhoria da qualidade de VIDA dos nossos clientes. Logo, TODA e qualquer ação que implique na destruição da vida deve ser evitada, e mais, combatida por todos os profissionais que atuam no setor.
Ela deve provocar em nós AÇÕES CONCRETAS, fundadas num modelo teórico consistente e capaz de ser aplicado nas atividades diárias das organizações. Quem atua na Saúde não pode se levar por ACHISMOS, e as imprecisões são em geral danosas às pessoas.
Ela é capaz de fazer-nos identificar ALTERNATIVAS a partir do conhecimento, ou seja, termos sempre o FIM MAIOR que é a promoção da VIDA presentes nas decisões e priorizações.
Um profissional de Saúde deve ser capaz de viabilizar o seu negócio a partir dos resultados positivos, nunca atrelando sua rentabilidade, por exemplo, aos óbitos. Isto é um contrasenso! Isto é um suicídio lento!
Pense na VIDA. Seja um agente capaz de torná-la ainda MELHOR.
Deixe os agentes da morte falando sozinho. Temos tanta coisa para construir!

4 de mar. de 2008

LENDA URBANA DA SAÚDE

Bom Dia!

Amanhã, dia 5 de março, o Supremo Tribunal Federal deverá julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade, proposta pelo Procurador Geral da República contra o Art. 5o. e seus parágrafos da Lei de Biossegurança que permite a destruição dos embriões humanos a título de "pesquisa". Somente para recordarmos, esta é aquela Lei que trata da SOJA e do MILHO transgênicos e que gerou, dentro do próprio Governo uma série de debates e troca de acusações. Pois bem, tratando de transgênicos, e sem consenso dentro de sua própria casa, o Governo entendeu que no mesmo pacote de alimentos se encontra o uso e manipulação dos EMBRIÕES HUMANOS.
Segundo os defensores do descarte de embriões, para seu uso em "pesquisas", neles não se sabe se há vida humana(sic)! Pasmem vocês, após séculos de consenso quanto à necessidade de se proteger o direito dos embriões e fetos, por serem vidas, os governos do mundo e, claro, nosso progressista país não sabe mais se há ou não vida. Como não sabem, ao invés de protegê-los, decidiram, na Lei que trata do Milho e da Soja, autorizar o seu descarte.
Mais estranho, ainda, é que as razões apresentadas para isto, dentre elas e como principal, o uso de células-tronco embrionárias, são apresentadas de forma superificial e mesmo irresponsável!

Isto porque:
1. Não se coloca à disposição de todos nós os inúmeros resultados positivos obtidos com pesquisas de células adultas, mais disponíveis e que evitam o dito descarte;
2. Não se divulgam os inúmeros problemas (tumores, dentre eles), advindos do uso destas células, nos pacientes tratados nos países que já cometeram esta atrocidade;
3. Não se mostra ao público as pesquisas biológicas que demonstram já existir, desde a fecundação, um processo autônomo de absorção de proteínas, pelo embrião, desligado da estrutura materna, o que somente é possível nos ORGANISMOS VIVOS.

Por que tanta omissão? Por que apresentar partes de uma verdade, às vezes já superada pela própria ciência, como se fosse o discurso completo da ciência? Por que perguntados pelos Ministros do STF, na audiência pública, se havia ou não VIDA nos embriões, os ilustres defensores que até se dizem cientistas saíram com a pérola: não sabemos afirmar? Por que se insiste em dizer que a razão da oposição a este massacre de novas vidas é uma determinação da Igreja Católica, ao invés de se abrir espaço, na mesma proporção que tem sido feito aos defensores do descarte, na mídia, aos cientistas que estudam e se opõem ao uso dos embriões humanos? Que interesses estão motivando tantos desvios?
É lenda urbana se afirmar que não existe vida humana quando se reconhece vida orgânica em qualquer processo independente de absorção de proteínas. É lenda urbana se usar pessoas que estão sofrendo, iludindo-as com uma cura ainda inexistente, e fazendo-as defensoras de interesses maiores que nem conhecem. É lenda urbana dizer que a mesma lógica usada pelo nazismo, a do descarte dos seres inferiores, pode agora ser apresentada como evolução científica.
É lenda urbana afirmar que o descarte de embriões não é um assassinato.
Como todas as lendas urbanas, esta deve ser desmascarada e combatida.
Afinal, a Saúde defende a Vida ou o que?