31 de mai. de 2011

A FALÊNCIA DO SUS

Boa Tarde!

O Governador Siqueira Campos do Estado de Tocatins decretou estado de calamidade pública no SUS. Acompanharam-no nesta decretação mais 20 prefeitos daquele estado. Em outras palavras, assumiram de público, com uma transparência e honestidade de gestão, neste caso, o que muitos governantes preferem oculatr ou omitir: não conseguem  mais financiar e manter aberto o sistema público de saúde!
Em outras palavras, no Brasil, o Sistema Público... faliu!
Quanto deveria doer esta constatação em todos que, por um mínimo de tempo, reflitam sobre o que vem a ser isto! Não me refiro à rede de serviços, tampouco à cobertura definida e oferecida. Tudo isto são discussões que não afetam à principal: o País está abandonando e deixando morrer uma concepção de gerenciamento de cuidados das mais avançadas no mundo.
O SUS não é financiado e gerenciado da forma que deveria ser porque quer cuidar da saúde e isto, definitivamente, não dá IBOPE neste país! A quem a Presidente foi pedir um laudo de saúde? A um Hospital boutique de alta complexidade! Não discuto a qualidade técnica dos médicos que atendem à Presidente (que aliás trabalham também no SUS, mas não costumama falar disto frente às câmeras de TV), mas a imagem de que somente se obtém saúde em contros de tratamento de doenças!!!
O SUS cada dia mais me parece com um jovem e promissor talento do futebol, que tem tudo para dar certo, mas que não recebe dos pais a atenção e as lições que necessita para não se deixar envolver em descaminhos típicos da juventude. Quantos nomes já tivemos nesta situação! E como terminaram? Igual ao SUS. Abandonados, atacados, desorientados e, por mal conduzidos, esmagados numa curva da estrada.
A diferença, não percebida ainda pela poopulação, é de que o país não terá jamais uma proposta alternativa ao SUS. Será o quem pode compra plano de saúde privado e quem não pode...

30 de mai. de 2011

A OMISSÃO DA AGÊNCIA

Boa Tarde!

Reportagem divulgada pelo jornal 'A TARDE' traz análises de financistas e outros analistas de mercado acerca da situação financeira dos trinta maiores planos de saúde do ranking da ANS, no que se diz respeito à quantidade de usuários. A questão abordade é da garantia que existe para estas populações de que a empres na qual foram buscar os produtos comprados (planos e coberturas), em relação aos números que entregam à ANS e que são publicados no site da agência.
Existe garantias necessárias aos clientes? Segundo o jornal a resposta é NÃO para 16 deles. Ou seja, mais de 50% da amostra estudada revela aspectos preocupantes quanto às reservas financeiras e alguns deles já são hoje realidade concreta: a SAMCIL e a GREEN LIFE.
POr que o mercado está assim? Ouviremos as desculpas de sempre, pode amcreditar: as operadoras reclamarão de que a ANS limita o repasse dos gastos ao permitir apenas recomposição parcial nos aumentos que autoriza; os consumidores dirão que cada vez mais pagam um valor maior do que o benefício agregado que são capazes de perceber, gerando insatisfação; os prestadores de serviços reclamam de que não recebem o que merecem, e por aí vai.
A verdadeira questão não está na pauta: ou começamos a desenvolver produtos concretos voltados para a prevenção e promoção, ou vamos todos desparecer juntinhos, unidos, ao menos, nas desculpas e reclamações.
Duro é ser testemunha da forma omissa e pouco associada à Saúde com que a ANS conduz os destinos do setor de saúde suplementar deste país.

27 de mai. de 2011

TRANSTORNOS VERSUS CRESCIMENTO

Boa Tarde!

A área de saúde mental é, certamente, uma das mais difíceis e complexas para os gestores de saúde. Aliada à imprecisão que ronda os diagnósticos médicos, quase sempre mutáveis e não definitivos, vivenciamos um momento na sociedade humana onde as corporações discursam sem cuidar dos seus talentos e das vidas sob sua responsabilidade.
Tanto se fala em empresa socialmente responsável, que começamos a associar a responsabilidade social a cuidar de tudo e de todos os seres que não sejam os... humanos!
O homem não é mais centro de preocupações efetivas, apenas surgindo perante os gestores estratégicos das empresas nos momentos agudos de sua vida, ou quando as metas não foram atingidas. Estamos esquecendo de nós mesmos, em prol de uma miscelânea de falas e discursos, travestidos de humanidade, mas que não resistem ao menor teste da mais ínfima necessidade de saúde do ser humano.
Por isso, lamentavelmente, começam a se tornar bem maior o número de transtornos relacionados ao trabalho. O que parecia ser um 'diferencial profissional' - ser chamado de WORKAHOLIC - transformou-se num lento e gradual processo obsessivo, capaz de levar brilhantes profissionais a situações extremas e quase sem volta de agravos mentais.
Está mais do que na hora de repensar a gestão dos quadros das empresas. Será que a existência de quantidade de mão de obra procurando emprego em número superior à de vagas permite tal desperdício de talentos? E de vidas humanas? E do equilíbrio mental dos nossos empregados?
Será que uma sociedade competitiva tem que significar o sacrifício daqueles que a ajudaram construir?
A sociedade precisa parar para pensar. As empresas precisam fazer contas, pois esta é sua linguagem: quanto tempo, recursos e análises se consomem na produção de um profissional competente? E quando o temos levamo-lo à exaustão ou ao desequilíbrio? É isso mesmo que queremos quando falamos de profissionalização?
Em números, as sociedades até podem estar mais ricas. Mas em transtornos estamos ficando rapidamente mais pobres. Está na hora de achar a fórmula de equilíbrio, antes que os talentos desapareçam na bruma que envolve a mediocridade.

25 de mai. de 2011

SEM ÓDIO, SEM MEDO

Bom Dia!

Uma das maiores armadilhas que atravessa o caminho de um gestor é a frustração. Por mais que tenhamos anos e anos de experiência, a chamada 'rodagem gerencial', sempre que assumimos um novo posto, uma nova missão, tentamos mapear as dificuldades e, inveitavelmente, fazemos projeções. Sonhos, diriam uns; metas estratégicas, bradarão os mais racionalistas.
Chame-as como quiserem. O fato é que nós projetamos um crescimento da equipe, dos números, do MARKET SHARE, enfim, associamos gerir com construir. E nem poderia ser diferente. Um gestor que não transforma o mundo onde está inserido é um farsante. E para os falsários, a queda é uma questão de tempo.
Mas retornemos as projeções.
Elas servem para definirmos as prioridades, as capacitações, os recursos existentes e sua otimização. Também as usamos como combustível para superarmos o árduo tempo do amadurecimento, on de mudanças e transformações costumam ser tão doloridas quanto são necessárias.
E aí, ainda que com recheada cautela, estabelecemos o tempo da colheita!
E de onde vem, então, a frustração?
Exatamente quando percebemos que não haverá o que colher. Infelizmente quando percebemos que as pessoas estão acomodadas sobre suas cadeiras, buscando na mediocridade uma satisfação enganosa e temporária.
Acomodação não tem sexo, idade, raça ou cor. Ela é atemporal. Pode começar ontem, hoje ou sempre. E o que é pior: ela é uma chama, um combustível eterno e constante da frustração.
As dificuldades consomem nossas reservas físicas, mas as frustrações esvaziam nossos corações, endurecendo-os e dilacerando nossos planos.
Por isso, já que delas não teremos como fugir e nem as afastamos com orações, temos que cuidar para que elas não perdurem pelo tempo mínimo de sua identificação e absorção pelo gestor. Quanto menor este intervalo de tempo for, maior será nossa chance de conseguirmos encontrar outro caminho. Sempre avante, sem ódio, sem medo.

VAZIO CIBERNÉTICO

Bom Dia!

Após uma intensa briga com o servidor que hospeda este BLOG, da poderosa Google, consegui finalmente acessá-lo hoje. Qual a causa deste impedimento temporário de quase cinco dias? Não sei. Não recebi respostas (apenas aquelas causas de erros que de tão codificadas nem mesmo os técnicos da empresa conhecem). Não recebi explicações. Não sou objeto de preocupação por parte de quem bolou este aparato tecnológico. Afinal, sou um mero cliente. Se já recebo a hospedagem gratuita, os serviços interligados e as mil possibilidades, para que ainda quero a conexão?
Tem sido este um dilema (?) crescente da questão tecnológica em TODOS os mercados nos quais exerce algum tipo de influência. Oferece-se tantas opções, tantas possibilidades e produtos tecnológicos que se esquece solenemente de dar-lhes o funcionamento regular.
Assim, podemos acoplar nossa estação caseira à TV paga. Que maravilha! Quando ela está no ar, óbvio. Os celulares possuem tantas variáveis, recursos dos mais díspares que até esquecemos que sua função básica e nos propiciar a telefonia móvel. Claro que, quando nos lembramos disto, quase sempre, estamos sem sinal e não conseguimos completar as ligações.
A medicina está tão avançada que já temos robôs sendo indicados por médicos como as melhores opções para este ou aquele procedimento. Claro que nenhuma promessa ou compromisso com o resultado final, mas convenhamos, o cliente quer coisas demais!!!
Quer ser tratado com respeito.
Quer explicações inteligíveis.
Quer serviços básicos que funcionem.
Quer horários cumpridos.
Quer aquilo pelo qual pagou o preço imposto pelo fornecedor.

Estamos aumentando tanto os portfólios de produtos ao clientes que esquecemos de perguntar a estes últimos se estão recebendo de forma satisfatória o mínimo que esperavam quando buscaram nossos serviços. A quantidade sobrepôs-se à qualidade no mundo real, embora o discurso inverso continue a capitanear as fantásticas campanhas de venda.
O cliente não é o foco principal das empresas de tecnologia, de saúde, de serviços, de transportes aéreos, etc, etc, etc.
Ufa! Ainda bem que elas não precisam de clientes. Ou será que precisam???

A FACE AMÁVEL E ALEGRE DA SAÚDE

Bom Dia!


Camilo de Lellis é um santo da Igreja Católica, natural de Roma e que viveu entre o final do século XVI e início do Século XVII. Foi o filho celebrado de sua mãe (Camila), que o geriu aos 60 anos de idade. Sua família era formada de devotos que serviam a toda a coletividade onde residiam. Ele ingressou no exército de onde foi expulso, após a morte do pai, por seus desmandos e abusos cometidos contra tudo e todos os que o rodeavam.

Gastou todos os bens que possuía em farras e ao se encontrar na miséria tornou-se um morador de rua. Possuía uma chaga no pé que o incomodava há diversos anos. Quando as dores se tornaram insuportáveis procurou um hospital e pediu para ser tratado. Como não tinha dinheiro para pagar o tratamento, foi-lhe recusado abrigo.

Num hospital católico ofereceu-se para cuidar dos doentes em troca do tratamento o que foi aceito. Percebeu que aos doentes era negado um alimento invisível e essencial ao tratamento: a amabilidade e a alegria.

Mudou a postura dos atendentes, contagiando-os com seu jeito amável e alegre com que os visitava, passava as rotinas médicas e efetuava as prescrições de maneira com que eles se sentissem acolhidos, diferenciados em suas necessidades e amados.

São Camilo é comemorado no dia do enfermeiro. Se a designação já existia quando ele tornou-se um profissional enfermeiro, a marca e o diferencial tiveram nele seu grande mentor e idealizador.

Os enfermeiros são vitais a um sistema de saúde. Muitos dirão que falamos da questão técnica, estão corretos, mas não é tudo. Destes aguerridos profissionais é que recebemos o acompanhamento pessoal, individualizado. As rotinas dos médicos os tornam visitantes dos enfermos; mas a continuidade e proximidade dos cuidados que recebemos dos enfermeiros os tornam nossos protetores.

São Camilo escreveu que gostaria de ser para cada um dos enfermos sob seus cuidados, um instrumento para que eles sintam “a face de Cristo... amável e alegre para ti”. Que todos os nossos queridos e valorosos profissionais enfermeiros nunca esqueçam esta meta que os tornam essenciais em nossas vidas.

Parabéns por seu dia!

20 de mai. de 2011

ESQUECIDOS DE NOVO

Bom Dia!

No último dia 18 de maio passou em solene silêncio a data em que comemoramos no Brasil a luta anti-manicomial. Há 22 anos, em Bauru (SP), parentes e amigos, em conjunto com profissionais sérios e visionários foram às ruas para protestar contra a forma desumana e cronificadora como eram tratados os internos nos manicômios judiciários e hospitais psiquiátricos.
Pacientes que não precisavam estar internados, outros que nem sequer possuíam patologia que justificasse a internação e outros produzidos pelas péssimas condições sanitárias e humanas destes verdadeiros depósitos de seres humanos, representavam a face mais cruel e visível do descaso com que eram tratados os pacientes mentais.
A Luta não foi fácil, mas foi amplamente vitoriosa. Locais terríveis foram denunciados e fechados. Pacientes puderam ser reintegrados e alguns poucos ainda tiveram tempo de serem reinseridos em atividades laborativas, além daquelas lúdicas que auxiliam a terapia extra-muros manicomiais.
Porém, na minha eterna ansiedade pergunto-me: o que estamos fazendo para aperfeiçoar o tratamento em hospital-dia? Ou será que criamos uma nova forma de exclusão: a cronificação nas oficinas de atividades lúdicas?
Tenho visto e lido pouquíssimas matérias sobre este novo desafio. Não serve a desculpa da doença mental. Afinal, ela também foi usada para justificar aqueles verdadeiros centros de tortura. E provou-se que era uma visão acomodatória e distorcida. É preciso retomar esta questão, novamente esquecida da ANS, das operadoras, do SUS, enfim de todos.
Será que por não ser 'rentável' o doente mental será novamente alijado das melhorias tecnológicas trazidas pelo avanço do conhecimento sobre nosso cérebro e as relações ocorridas nele?

18 de mai. de 2011

NÃO EXISTEM ATALHOS

Bom Dia!

Quantas encruzilhadas atravessamos em nossa vida profissional. São momentos de decisão, de escolhas que não eram absolutamente as nossas primeiras opções, são mudanças que não mais acreditávamos que iriam acontecer. O percurso profissional não existe sem tais momentos. Eles são doloridos, trazem momentos angustiantes e, na maioria das vezes solitários. Mas são absolutamente imprescindíveis para um aprendizado real.
Estes instantes eram esperados e anunciados a todos os novos gestores por aqueles que se afastavam, da velha guarda, em bvusca da sonhada aposentadoria. O que eles não sabiam era da terrível constatação que faço hoje: a quem iremos repassar estas informações?
Parcela expressiva dos jovens que conheço hoje em dia quer o salário do administrador, seu carro, sua casa, enfim a situação que ele vive hoje, fruto das suas três ou quatro décadas de trabalho ininterrupto, de contínua capacitação, de muito suor, sangue e lágrimas.
Mas os jovens não querem percorrer a trilha do tempo e do aprendizado. Estão buscando atalhos.E não os encontrarão, simplesmente por que não existem.
O caminho do sucesso é pavimentado por sofrimento e dores. Algumas alegrias aqui e acolá amenizam as angústias, mas não as terminam, nem as evitam,. Buscar atalhos é acreditar que a capacitação e a competência valem menos do que comportamento vis tais como a bajulação ou a subserviência.
Conheço muitas histórias de lutadores que tiveram sucesso. Não conheço e nem lembro o nome de nenhum dos bajuladores que, momentaneamente se arvoraram de cargos onde somente um gestor competente faria sucesso. Não acreditem em atalhos. Na administração profissional eles simplesmente não existem.

16 de mai. de 2011

O MINISTÉRIO DA VERDADE

Boa Tarde!




O Ministro da Educação Fernando Haddad declarou à imprensa que o ministério é um espaço democrático e não pode ser entendido como um “Ministério da Verdade”. Ou seja, de maneira irrefutável aderiu ao relativismo, agora aplicado à gramática da Língua Portuguesa.

Deixe-me voltar no tempo para vocês entenderem. Desde o final da semana passada o Ministério da Educação vem recebendo críticas de diversos jornais e mesmo de escritores por ter permitido, comprado e divulgado livros que contém erros grosseiros de Português, tais como: “Nós compra peixes”.

A razão defendida pela autora do ‘texto’ é a de que deve prevalecer sobre a forma gramatical correta (e escrita), a linguagem do ‘povo’, aquela que é dominante, hegemônica. Portanto, as regras gramaticais são inibidoras da ‘democracia’ do falar. Já o registro de sentenças e frases estúpidas e fomentadoras da desinformação cultural, na visão deste novo grupo relativista, espelha a ‘verdade da sociedade brasileira’.

Estes livros destinam-se às faixas etárias mais jovens nas escolas. E estas faixas etárias, segundo reportagens publicadas na Folha de São Paulo e no jornal O Globo tornaram-se nos últimos anos, meros ‘copistas’. Não estamos alfabetizando as crianças para que, através de uma mente livra e informada, escolha seu destino. Estamos dando canudos de copistas e jovens que serão facilmente manipulados na adolescência e na fase adulta (?).

Em nome desta aberração, o ministro quer ver seu Ministério ser ‘democrático’. Não deveria ser educador?

Onde repousa a Educação que serve de ferramenta à liberdade da raça humana? Ele se sustenta nos pilares do conhecimento correto, profundo e fundamentado daquilo que recebemos quando buscamos a graduação. Todos os regimes de exceção no mundo, incluindo os totalitarismos de esquerda e de direita atacaram, em seu primeiro momento, a educação fundada sobre a verdade.

Permitir que erros sejam apresentados como a ‘vontade da maioria’ soa-nos tão grave e violento quanto foram as piras montadas pelos nazistas com os grandes clássicos da literatura mundial?

13 de mai. de 2011

ODONTOLOGIA: PREVENIR OU CHORAR?

Boa Noite!
Na Itália terá lugar amanhã, dia 14.05, um evento conduzido pela sociedade de odontologia totalmente voltado á prevenção do Câncer de Boca (http://www.oralcancerday.it/) . Os odontólogos italianos estão preocupados com os maiores fatores de risco associados a esta questão (fumo e álcool), mas especialmente com os traumas crônicos decorrentes de intervenções protéicas mal realizadas.

O conselheiro da Fundação Nacional dos Dentistas – Giovanni Evangelista, em entrevista concedida ao Corriere della Sera de hoje, afirma que “bastam poucos minutos para se identificar as lesões suspeitas (decorrentes da má prática) e diagnosticar precocemente as neoplasias”. Sabemos que quanto mais precoce a detecção, maior a possibilidade de cura. Daí o movimento deflagrado pelos italianos e que terá lugar em toda a Itália amanhã.

Podemos traçar um paralelo com nosso país? Infelizmente, dizem-nos os profissionais odontólogos, sim. Não existe um efetivo acompanhamento por parte dos Conselhos Regionais da qualificação e da qualidade de todos os serviços que funcionam oferecendo a Implantodontia. Aliás, a fiscalização que seria tão necessária é praticamente inexistente, quer pela falta de estrutura dos órgãos de classe, quer pela falência total de nossa Vigilância Sanitária.

Mas também podemos trazer à ribalta o fato de que, em nossa cultura atual de saúde coletiva, seja no modelo de atenção integral, seja no modelo de gerenciamento de riscos, os pacientes foram ‘desbocados’ pelos gestores do sistema.

Esquecemos solenemente de incluir as ações de prevenção e promoção à saúde bucal nas ações estratégicas das organizações de saúde, e mesmo no SUS transformamos o cuidado em meras intervenções curativas. O setor privado remunera de forma quase que fictícia, levando os profissionais que aceitam tais tabelas a simplesmente ignorarem ações preventivas ou delas se afastarem em busca de um mínimo de rentabilidade.

É preocupante a situação e assustadora a omissão. Os diversos profissionais sérios que conheço se dizem desestimulados em realizar tais ações, pela total falta de apoio em suas organizações e no sistema de saúde de uma forma geral. Dizer que inexistem recursos é uma excelente forma de se maquiar o pouco caso com que lidamos com a importância da saúde bucal para uma saúde integral do ser humano.

Os italianos estão preocupados com a elevação do risco das neoplasias bucais. E nós ainda convivemos com os desastrosos números de pacientes cariados e crianças desdentadas precocemente. Quando vamos acordar?

10 de mai. de 2011

CONTRADIÇÕES DO POSITIVISMO

Boa Tarde!

O Jornal do SBT noticia a questão do professor americano que encontra-se refugiado no Rio de Janeiro, acusado em seu país de origem de pedofilia praticada contra uma criança da sexo masculino. O STF negou o pedido de extradição sob a alegação de que no Tratado vigente entre o Brasil e os EUA apenas são enquadrados crimes desta natureza se cometidos contra... crianças do sexo feminino!
Óbvio que a imprensa traz o assunto de maneira indignada, contida por se tratar do Supremo Tribunal, mas definitivamente formatando a opinião pública para o absurdo da situação. De fato, dar cobertura a alguém que pagou fiança e prometeu ficar à disposição da justiça de seu país, apenas para fugir para cá é algo que nos machuca profundamente.
Mas a posição da imprensa é dúbia. Vejamos porque.
O Direito Brasileiro é positivista. Ou seja, para os tribunais e magistrados vale o que está escrito. Se uma Lei é aprovada e sancionada pelas instâncias existentes ela se aplica tão logo concluso o período chamado de VACATIO LEGIS (espécie de carência jurídica para que a sociedade se prepare para a nova norma).
Exatamente por ser positivista é que se aprovou o Casamento de Homossexuais na semana passada, fato bastante comemorado por toda a mídia como um 'avanço da sociedade brasileira'. Se o nosso Direito fosse Natural, a Família seria o centro da sociedade e seu objetivo maior seria a perpetuidade da raça humana. Mas para o Direito Positivo a vontade e mais a cidadania dos homossexuais garantem-lhe a possibilidade de serem 'casados'. Não é a continuação da raça humana que conta, mas a letra da Lei.
Também por isso que se continua o debate sobre o aborto. Se o Direito fosse Natural, a vida deveria ser preservada em todas as suas formas e momentos, especialmente quando o feto ainda não pode se manifestar sobre quaisquer dos seus direitos.
Como o nosso Direito é positivista, se a Lei do Aborto for aprovada, centenas de milhares de fetos serão assassinados sob a (falsa) alegação de defesa de um direito maior: o das mulheres que 'portam' (é assim que eles definirão a maternidade) tais bebês.
Portanto, o que a mídia critica esta semana é o mesmo princípio que elogiou na semana passada. Mudaram apenas os interesses envolvidos.
Esta questão, cujo debate vem sendo adiado há muitos anos, do positivismo está transformando as sociedades e os seus julgadores em frios técnicos forenses. Os magistrados não mais observam a sociedade sob o aspecto do direito coletivo e sim a fria e distante letra da Lei, elaborada muitas vezes sob a pressão dos modismos que dão espaço na mídia.
Pagaremos um preço ainda mais caro por isso.
Quando se retiraram os crucifixos das escolas públicas e repartições governamentais, alegando que a Lei (positivista) exige tratamento igual para todas as religiões, não se estava respeitando-as. Em verdade, retiraram-se dos jovens a possibilidade de, visualizando um símbolo que para os católicos espelha o maior Amor de todos e o sacrifício pelo bem estar coletivo, entenderem que uma sociedade se constrói sempre no plural e nunca nas vontades egoístas e nos modismos privados.
O fugitivo americano pode viver no Brasil, dar aulas de inglês e ganhar por traduções. Impune, por enquanto. Até que as emissoras mais poderosas decidam fazer pressão. Aí, a sua situação se tornará indamissível e, na esteira da moda e do espaço na TV, alguém resolverá fazer justiça. Justiça localizada e pontual não consolida o Direito, não reforça a Democracia e não cria o espírito solidário que deveria unir os cidadãos de um país.
Mas para quem defende o positivismo, até mesmo a cidadania é algo que se pode relativizar. A Ética então...

FRACASSOS NA CAMINHADA... VITÓRIAS NA CHEGADA?

Bom Dia!


A derrota é algo que faz parte da caminhada de qualquer gestor, seja qual for o mercado em que atue, a experiência possuída e a competência desenvolvida. Ela marca, faz sofrer, traz consigo dois terríveis associados: a solidão e o esquecimento.

As vitórias sempre são coletivas, até mesmo para uns aproveitadores que jamais nos ajudaram, mas que se tornam os mais rápidos nos cumprimentos e nas fotos. Porém, as derrotas sempre são solitárias.

Ninguém gosta de sofrê-las, mas elas doem mais nos que possuem competência e galgaram sua caminhada profissional através dela.

As palavras que os verdadeiros amigos nos dirigem (e como falo de verdadeiros são poucos nestas horas), parecem nos fazer sentir mais distantes de tudo o que projetáramos realizar, suspensos pela avalanche das mudanças que estão além de nossa governabilidade.

Derrota, segundo a Etimologia (Dicionário Houaiss), quer dizer “quebra da rota, do caminho”. Ela é algo passageiro, que causa uma certa confusão na estrada planejada, mas não a termina.

A derrota não pode se transformar num fracasso. Fracasso tem a ver com o barulho estrepitoso que resulta de uma queda. Quando se cai, de forma tão forte e violenta, pode-se nunca mais retornar-se ao estado anterior. Altera-se não o tempo do percurso, mas a própria consistência daquele que caminhava. Os fracassos quebram a alma, a vontade e a perseverança daqueles que deixam as derrotas serem neles convertidas. Por isso, em especial nos momentos que foge de nossos pés o chão que julgáramos firme, ou surgem armadilhas que não pensávamos existir, ou mesmo recebemos de quem não deveria fazer, decisões que derrotam nossos projetos, precisamos ser tolerantes à frustração e superar, rápido tanto quanto possível, o triste e amargo sabor de termos perdido.

As derrotas devem fazer com que nos arrependamos de atitudes ou ações que fizemos ou que deveríamos tê-las feito. O arrependimento é o primeiro degrau da estrada que nos colocará novamente no caminho do sucesso.

Os fracassos incutem em nós contraditórios sentimentos de culpa. E a culpa é o maior grilhão a nos impedir de alcançar a redenção e a retomada.

6 de mai. de 2011

CAMINHOS & DESCAMINHOS

Boa Tarde!

O Ministério da Saúde divulga um acordo firmado com a Federação das Indústrias para a redução do teor do hidróxido de sódio em diversos produtos industrializados, por exemplo as massas, os pães, etc. Esta é uma ação concreta e efetiva de prevenção em Saúde e merece o total apoio da população e dos gestores que atuam neste segmento.
O corpo humano necessita do sódio, mas o seu consumo em excesso é um dos fatores de risco para a hipertensão arterial. E esta, como todos sabemos, impacta em diversos setores de corpo humano, especialmente no coração. Assim, cuidar do teor e dos componentes químicos adicionados aos produtos industrializados é sim uma das ações gerenciais que devem sempre ser priorizadas pelo Ministro de Estado da Saúde.
Duro é ver que esta matéria praticamente não teve repercussão na mídia, totalmente ocupada com a lamentável sentença do STF com relação ao casamento gay, totalmente contrária aos princípios constitucionais vigentes.
A mídia comemorou intensamente esta sentença dos ministros, dizendo ser o desejo da 'maioria' do povo brasileiro.
Bom, deve ser a maioria conhecida apenas pela mídia. Pois aquela com a qual eu lido diariamente está, sim, preocupada com a falta de qualidade da atenção à Saúde recebida, com as péssimas condições oferecidas no nosso sistema educacional e com a total falta de segurança pública, agora até mesmo para se ir a um restaurante em SP ou no RJ.
Esta maioria real fica feliz quando vê uma iniciativa como a descrita acima.
Esta maiora fica na expectativa de milhares de outras ações que precisam ser adotadas na Saúde, na Educação, na Segurança.
A mídia brasileira quer criar uma preocupação 'estratégica' que o povo brasileiro não tem. Miopia ou interesse próprio? Jornalismo ou manipulação da opinião pública?

ESPERAR PELO INALCANÇÁVEL

Bom Dia!

As enchentes atingem novamente o Nordeste, especialmente o Estado de Pernambuco. De novo as imagens que veremos por dias a fio são pessoas desoladas, abandonadas ao relento, ou estáticas olhando para o vazio, ou para as águas que arrastam suas pequenas posses. Elas não sofrem apenas por terem perdido seus lares. Suas maiores lágrimas são aquelas que se origunam na perda da esperança.
No ano passado houve vôos de governantes. Discursos e lágrimas inflamadas de emoção. Promessas de ações concretas contra a cheia e muita, muita promessa de liberação de verbas.
As ações não vieram. As águas, sim.
E elas varrem a falta de cumprimento das promessas por nossos políticos. É uma praxe nacional, virou pitoresco, virou jargão.
As dores do povo mais pobre não sensibilizam o povo brasileiro simplesmente porque eles moram longe de nós. Estamos ficando endurecidos, por um mundo que é relativista até no sofrimento. Eu sofro pelo vizinho (se o conheço e gosto dele, claro), mas apenas passo os olhos pela tragédia daqueles que moram fora do meu 'círculo social' ou do meu 'condomínio'.
Estamos reduzindo as pessoas à proximidade que temos de suas tragédias. E isso é muito ruim.
Nenhuma sociedade sobreviveu quando foi fundada sobre o egoísmo ou a violência. Se estamos nos tornando egoístas hipócritas, por falarmos palavras de solidariedade, enquanto reduzimo-la ao depósito de R$ 10 em favor dos desabrigados, o que esperamos de nossa própria sociedade?
Dos políticos, voltados aos seus interesses eleitorais pessoais, talvez seja melhor esperar apenas que defendam a democracia brasileira. Mais do que isto, é esperar pelo que não vem,.

4 de mai. de 2011

O SUS QUE NÃO QUEREMOS

Boa Tarde!

Agora a tragédia da gestão do nosso Sistema Público de Saúde é filmada e transmitida via satélite para todo o mundo. Revoltados com a 'alta' de seu marido e irmão de um hospital do SUS na zona norte do Rio de Janeiro, os parentes gravaram a remoção por 'alta' para sua casa. Sem condições de aparelharem-na com os recursos necessários, indagam aos enfermeiros que estão na ambulância (pasmem, não há médico), a causa da remoção: "É por que ele é um doente terminal?".
Os técnicos, que nada tem a ver com os desmandos da gestão, afirmam que sofrem com o fato, mas receberam ordem de desocupar o leito. Ou seja, retornamos aos tempos de guerra, no qual os feridos que são considerados irrecuperáveis eram colocados em macas ao relento, deixando os leitos cobertos e mais protegidos para os que ainda poderiam retornar à luta.
Mas não estamos numa luta, nem tampouco numa guerra oficialmente assumida.
Estamos num sistema público que tem sua concepção na Atenção Integral. Como justificar um fato deste?
Procurei hoje de manhã pelo anúncio de uma paralisação dos médicos contra a lamentável gestão do SUS. Nada encontrei.
Procurei um a convocação para uma manifestação contra os valores pagos pelo SUS (a consulta após o reajuste é de R$ 16,00), pelas ruas das capitais brasileiras. Nada encontrei.
Procurei um manifesto da ANS em repúdio às práticas amadoras de gestão que desqualificam um sistema de estruturação tão avançada como o SUS. Também nada encontrei. Mas não me causa mais surpresa.
Continuamos a fazer discursos para a mídia. Movimentos para a mídia. Ataques de um setor ao outro apenas para ocupar tempo na mídia.
As verdadeiras ações estruturais não são objeto de preocupação. Na mídia, elas não dão IBOPE.
Tudo continua como dantes. Exceto pelo fato de que, agora com os celulares gravando, poderemos testemunhar mais mortes causadas pela péssima gestão do SUS. E tudo transmitido pelos jornais, já desde a primeira hora da manhã. A reportagem acima foi veiculada pelo SBT manhã, do competente jornalista Hermano Henning, e que vai ao ar às seis horas da manhã. Bela forma de se começar o dia...

3 de mai. de 2011

O TEMPO É O SENHOR DA RAZÃO

Boa Tarde!

Todo o mundo comenta o assassinato do Bin Laden numa incursão ilegal feita pelos Estados Unidos num país independente chamado Paquistão. Mas esta é uma questão política e deixo-a para os especialistas. Atenho-me a um aspecto que ainda não vi ser abordado: por que ele foi descoberto?
O terrorista Osama se colocou como a encarnação de toda a humanidade que despreza os Estados Unidos e, por isso, assumiu de forma radical e assassina a liderança do maior grupo terrorista que já se conheceu na história do mundo. Ele foi o autor intelectual e líder dos atentados de 11 de setembro de 2001 e de centenas de outros que dizimaram vidas inocentes em todas as partes do planeta.
Exatamente por isto, sabendo que seria um homem caçado ele adotou um rígido esquema de segurança, lá no início do seu período de clandestinidade que o permitiu escapar de diversas armadilhas montadas pelos americanos.
Mas o Bin Laden buscava poder. Ele não lutava por liberdade e nem igualdade. Ele se servia deste discurso para granjear para si e seus sequazes um naco de poder, ainda que na escuridão, nas sombras da violência armada. E como todo homem poderoso, no momento em que se começou a sentir inalcançável, relaxou a vigilância.
Foi residir a menos de 100 Km de uma capital, num bairro em que sua casa era distoante das demais. Os muros mais grossos e altos, a ausência de antenas de televisão e internet, a falta de janelas numa região árida e quente, as portas sempre fechadas, o loixo total e cuidadosamente incinerado, tudo enfim denotava algo de diferente naquela casa. Até que alguém dos seus cometeu um descuido. Foi o bastante para que o grupo executor agisse.
E não é assim que acontece com TODOS os poderosos?
Oprimem, massacram, tiram vidas, torturam, acreditando que estão livres da mão justiceira da história. Até que cometem um deslize, um mínimo descuido. E aí as suas quedas são verdadeiras óperas bufas. Seriam risíveis se não fossem tão trágicas.
Osama está no fundo do mar? Não sei. Não importa.
Ele se junta a toda uma gama de homens poderosos que caíram exatamente quando se achavam acima do bem e do mal. A boa notícia não é a sua queda, mas a de que outros poderosos que hoje também se acham intocáveis, um dia cairão.
E os homens justos, massacrados e lambendo suas feridas, continuarão suas vidas. O tempo é o senhor da razão.