30 de mai. de 2010

ALMAS POBRES

Bom Dia!

Quanto da arrogância externa que demonstra alguém que ocupa um cargo importante, ou uma alta função numa empresa, ou ainda um cargo eletivo, é apenas um reflexo de sua alma sofredora e desgastada por suas livres escolhas?
Quanto da prepotência ou truculência são apenas sujas maquiagens de corações que se esvaziaram por nunca terem sido preenchidos, ou endureceram pelo egoísmo repetido, que expulsa dos corações humanos o verdadeiro amor?
Quanto das horríveis práticas de humilhação e descaso são explosões de almas que sofrem, mas não querem se dobrar ao carinho que poderiam receber de seus semelhantes?
Certamente muito do que hoje testemunhamos neste mundo cruel, frutos diretos ou indiretos do egoísmo humano, mas sócios intrínsecos do sofrimento em seres aprisionados pela própria vaidade, deixariam de existir. Práticas de repressão, de exclusão, de xenofobia, desapareceriam, pois o ser humano normal não convive com suas atitudes racistas, por exemplo, de forma natural, pois elas não o são.
Se pudéssemos perscrutar no íntimo a vida privada dos 'poderosos', descobriríamos pessoas solitárias, amargas, vazias, sem rumo e sem chegada, que exatamente por isso buscam iludirem-se com os consumos materiais, as drogas lícitas e ilícitas, e a prática sistemática da perseguição, numa louca tentativa de fugirem do que realmente são.
O mundo se tornou pobre de espírito. E este empobrecimento chega a todo momento às vias de fato: explosões e violências físicas no trânsito; agressões contra crianças; farisaísmo; mentiras; hedonismo; pederastia; e por aí vai. As vítimas não sabem o que fazer, pois não esperavam as agressões.
As almas pobres estão em toda parte. Fechando-se no seu isolamento desejado, refugiando-se na sua covardia moral e espiritual, e fazendo do nosso mundo e do nosso tempo, momentos ricos de dinheiro e pobres de amor.
Pobres almas pobres...

28 de mai. de 2010

NOITES TRAIÇOEIRAS...

Boa Noite!

Existem momentos em que somos obrigados a engolir, em silêncio, ironias e outras humilhações, em geral provenientes daqueles que se deixam iludir por poderes passageiros. Outras vezes somos discriminados, por nossa raça, cor ou religião. O impulso quer  nos levar à reação, a sabedoria nos leva à oração.
Estes instantes fazem nossa vida ficar mais triste naquele dia, a noite mais longa e mais solitária. Por isso, e ajudando-nos a seguir adiante, deixo com vocês, porque hoje é sexta feira, a letra (linda em minha opinião) cantada em oração pelo Padre Marcelo Rossi.
Rezemos cantando, ou cantemos rezando:

NOITES TRAIÇOEIRAS

Deus está aqui neste momento
Sua presença é real em meu viver
Entregue sua vida e seus problemas
Seja qual for o seu problema
Fale com Deus, Ele vai ajudar você.

Deus te trouxe aqui
Para aliviar o seu sofrimento

É Ele o autor da Fé
Do princípio ao fim
De todos os seus tormentos

(refrão)
E ainda se vier, noites traiçoeiras
Se a cruz pesada for, Cristo estará contigo
O mundo pode até
Fazer você chorar
Mas Deus te quer sorrindo (bis)


Seja qual for o seu problema
Fale com Deus, Ele vai ajudar você
Após a dor vem a alegri
Pois Deus é amor e não te deixará sofrer

Deus te trouxe aqui
Para aliviar o seu sofrimento
É Ele o autor da Fé
Do princípio ao fim
De todos os seus tormentos

(refrão)
E ainda se vier, noites traiçoeiras
Se a cruz pesada for, Cristo estará contigo
O mundo pode até
Fazer você chorar
Mas Deus te quer sorrindo

26 de mai. de 2010

A SOLITÁRIA ROTINA DA DECISÃO

Boa Noite!


Talvez este seja o maior dos paradoxos gerenciais: aquele que é responsável por formar e capacitar equipes, promover um trabalho convergente e com sentido estratégico para todas as equipes que atuam na empresa, ser efetivamente um líder que exerce a liderança, não deixa de ser, nas decisões mais complexas e delicadas... Um ser solitário!

O Gestor verdadeiro escuta e valoriza as opiniões, pareceres e viveres de cada um dos seus técnicos. Leva-lhes em conta os estudos e análises, pondera sobre suas reflexões, escuta seus temores e sugestões de minimização dos riscos inerentes a cada processo e resultados esperados.

Mas existem decisões e decisões. Algumas dizem respeito aos objetivos estratégicos de suas corporações, os resultados esperados e, assim, possuem importância ímpar para a sobrevivência das organizações. Os gestores sabem que delas não devem fugir, nem adiá-las, equívoco na maioria das vezes letal.

Porém, há outro campo delicado no qual as deliberações sempre produzem feridas, mesmo quando inevitáveis, justas e necessárias: os recursos humanos. Como negar que as medidas de correção, repreensão ou mesmo de punição, ainda que determinantes para a criação de um estado geral de justiça no trabalho doem de forma profunda em todos nós.

É quase improvável que não pensemos na decepção individual de cada um daqueles a quem necessitamos corrigir ou punir, as quebras de expectativas, os sofrimentos que devem passar. Mas, como evitar a situação? Como podemos esquecer, líderes que desejam exercer a liderança, de que a omissão quanto a um significa, sempre, a coletivização da punição não dada, por aqueles outros tantos que não a merecem?

O que pode ser pior do que os olhares de decepção de toda a equipe, quando seu gestor prefere a covardia da não decisão, expondo-os de forma geral perante clientes e financiadores, ao invés de assumir sua dura, mas indelegável atribuição de separar o joio do trigo?

A decisão faz parte da rotina gerencial. Decidir sobre aqueles que não querem ouvir, que resistem às mudanças e, especialmente, que com sua presença inibem o desenvolvimento de novos talentos, é função essencial da gerência. Solitária e difícil, devo concordar e acrescentar, mas própria de quem deseja ser líder, dar testemunho de sua coerência e seguir com sua equipe rumo à vitória!

22 de mai. de 2010

EM BUSCA DO DIÁLOGO

Boa Noite!

São tantos os desafios para os gestores no complexo mercado de Saúde brasileiro (e mundial), que entendo ser necessário construírmos um espaço ou fórum onde possam ser discutidas idéias voltadas à construção de alternativas comuns. A qualidade é pacificamente almejada por todos os segmentos e atores envolvidos. A racionalidade sem perda de acesso, nas reais necessidades mapeadas em nossos clientes e pacientes, também. O que nos falta?
Um fato concreto, que me parece preocupante, é a sensação que vem se mantendo ao longo dos últimos anos, que o conflito viabiliza avanços e não o diálogo. O reconhecimento das divergências que não prejudique a transformação das convergências em produtos concretos vai ficando meio que esquecido. E isto é perigoso! A imposição ao melhor estilo faroeste americano vai grassando espaço dentre gestores de grandes unidades e empresas do setor. Onde queremos chegar?

Conflitos levam a posições radicais, apaixonadas e próximas dos extremos. Negociações profissionais fomentam e devem produzir pontes.

Conflitos podem levar um sistema a não mais reconhecer suas próprias células formadoras e mantenedoras, prenúncio do seu desaparecimento. Diálogos fazem com que o sistema se conheça mais e identifique células que precisam ser tratadas antes que adoeçam e comprometam o equilíbrio e sobrevivência do todo.

Parece tão fácil escolher. Mas na vida real a teoria foge pelas mãos dos principais atores. Que tal tentarmos debater soluções e construir pontes? Antes que, ao derrubá-las, ou após isto acontecer, sejamos obrigados a descubrir que não mais serão repostas as matérias primas que as construíram!

20 de mai. de 2010

PARA NÃO DESISTIR NUNCA!

Bom Dia!

O poder é passageiro, assim como suas benesses também o são.


O cargo é transitório, assim como os amigos que gravitam em torno dele.

O salário é mensal, ele só consegue comprar as consciências daquelas que as têm por apenas trinta dias.

A AMIZADE É PERENE, NÃO CONHECE AS DISTÂNCIAS HUMANAS E NEM CARECE DE PODER, DE CARGOS OU DE SALÁRIOS.

A truculência faz doer, machuca, mas não causa admiração e nem fidelidade.

A humilhação traz o incômodo, mas não consegue se apropriar da competência alheia.

A imbecilidade nunca anda só, porque é maneta precisa apoiar-se na sua eterna companheira a mediocridade.

A JUSTIÇA CAUSA SEGUIDORES E TORNA MAIORES DO QUE PENSAM SER AQUELES QUE DELA USAM EM TODAS AS SITUAÇÕES DE SUA VIDA.

O desapontamento dói sem ter ferida na pele, mas causa lacerações profundas na alma.

O desânimo anuvia o dia mais claro e faz com que as noites sejam mais longas.

A perseguição quer calar a sabedoria, pois a inveja é o par preferido da incompetência.

A RETIDÃO E A PAZ DE ESPÍRITO SÃO COMPANHEIRAS INSEPARÁVEIS.

Os ditadores somente são lembrados por suas violências e retumbantes fracassos.

Os sábios são imortalizados pelos ensinamentos proveitosos que legam à humanidade e à vida.

O homem foi criado para ser eterno, tudo o que o afasta disso deve ser descartado, ignorado ou superado.

Não desistir nunca, não entregar-se jamais, não abrir mão de seus princípios seja qual for a ameaça. Isto jamais te dará poder, cargo ou salário. Mas te fará ser lembrado mesmo quando este momento passageiro que é a vida for apenas uma doce recordação num álbum de fotografias de alguém.

18 de mai. de 2010

CUIDADOS COM IDOSOS

Boa Noite!

Repasso orientações que recebi de profissional da saúde, cuja autoria é atribuída ao Dr.Arnaldo Lichtenstein (46), médico, clínico-geral do Hospital das Clínicas e professor colaborador do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo -USP.

"Sempre que dou aula de Clínica Médica a estudantes do quarto ano de Medicina, lanço a pergunta:


Quais as causas que mais fazem o vovô ou a vovó terem confusão mental?

Alguns arriscam: "Tumor na cabeça". Eu digo: "Não".
Outros apostam: "Mal de Alzheimer" Respondo, novamente: "Não".
A cada negativa a turma se espanta. E fica ainda mais boquiaberta quando enumero os três responsáveis mais comuns:
- diabetes descontrolado,
- infecção urinária; e
- a família passou um dia inteiro no shopping, enquanto os idosos ficaram em casa.

Parece brincadeira, mas não é.
Constantemente vovô e vovó, sem sentir sede, deixam de tomar líquidos: quando falta gente em casa para lembrá-los, desidratam-se com rapidez. A desidratação tende a ser grave e afeta todo o organismo: pode causar confusão mental abrupta, queda de pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos ("batedeira"), angina (dor no peito), coma e até morte.
Insisto:não é brincadeira: na terceira idade, que começa aos 60 anos, temos pouco mais de 50% de água.
Portanto, os idosos têm menor reserva hídrica. Isso faz parte do processo natural de envelhecimento.
Mas há outro complicador: mesmo desidratados, eles não sentem vontade de tomar água, pois os seus mecanismos de equilíbrio interno não funcionam muito bem.
Conclusão: Idosos desidratam-se facilmente não apenas porque possuem reserva hídrica menor, mas também porque percebem menos a falta de água em seu corpo. Mesmo que o idoso seja saudável, fica prejudicado o desempenho das reações químicas e funções de todo o seu organismo.
Por isso, aqui vão dois alertas.
O primeiro é para vovós e vovôs: tornem voluntário o hábito de beber líquidos: água, sucos, chás, água-de-coco, leite. Sopa, gelatina e frutas ricas em água, como melão, melancia, abacaxi, laranja e tangerina, também funcionam. O importante é, a cada duas horas, botar algum líquido para dentro.
Meu segundo alerta é para os familiares: ofereçam constantemente líquidos aos idosos.
Ao mesmo tempo, fiquem atentos: ao perceberem que estão rejeitando líquidos e, de um dia para o outro, ficam confusos, irritadiços, fora do ar, atenção: é quase certo que esses sintomas sejam decorrentes de desidratação.
Líquido neles e leve-os rápido para um serviço médico".

16 de mai. de 2010

CASCA GROSSA

Boa Noite!

O primeiro gerente que conheci na vida foi 'Seu' Tenório. É assim mesmo que me lembro dele, não com o formalismo do Senhor, nem com a subserviência do Chefe, mas com a proximidade respeitosa, quase um título: 'Seu' Tenório. Confesso que a primeira análise minha foi um tanto decepcionante. Equiparava os gerentes aos cavaleiros que haviam povoado a minha imaginação de adolescente, ou os bravos herós dos filmes de guerra que eram a grande (e costumeira) atração do cinema de minha terra (por sinal a única diversão perene de todos nós).
Mas ele não era um e nem outro tipo. Atarracado, bigodudo, cabelo branco que daria para fazer uma propaganda daquele alvejante tão famoso. Ele silenciava as conversas dos funcionários mais velhos e possuía a fantástica capacidade de esvaziar rapidamente a copa, nos momentos de café prolongado dos funcionários, sem precisar dizer uma única palavra.
Eu ficava zangado e fascinado com tal poder. Mas levei meses para falar com ele alguma palavra além dos cumprimentos costumeiros da tradição nordestina. Seu Tenório era chamado por nós (às escondidas, claro) de "casca grossa". Alcunha que designava os gestores firmes, quase que impenetráveis e que não temiam ninguém, nem mesmo os temidos "inspetores", que tudo investigavam, para proporem punições aos desmandos identificados. Nem a eles Seu Tenório se dobrava, obviamente respaldado por diversas experiências exitosas de inspetorias sofridas.
Nós todos o admirávamos e, ao mesmo tempo, guardávamos prudente distância da grande sala (a maior do prédio) onde se localizava a gerência.
Somente quando pude conversar com ele, por conta de estudos de operações de crédito (este era o meu trabalho), percebi um homem firme, experiente e, para minha surpresa, preocupado em nos orientar e moldar nosso perfil profissional. Que surpresa!
O Casca Grossa era alguém que acompanhava nosso desempenho à distância, sabia de situações vividas na equipe que eu julgava serem-lhe desconhecidas e, especialmente, dava conselhos que incorporei a minha vida profissional e pessoal.
Não era Seu Tenório que estava longe de mim. Ele apenas cumpria o seu papel. E com mais de 30 anos de casa, prestes a se aposentar, posso afirmar que com galhardia seria capaz de apontar mais acertos do que erros em sua caminhada profissional.
Era eu que estava distante dele. E usava o temor como desculpa, pois sabia que ao me aproximar ouviria de alguém mais experiente e interessado os conselhos e críticas que, de tão acertadas, fariam doer o meu orgulho próprio e a minha vaidade. Nós o chamávamos de casca grossa para criarmos o escudo da nossa falta de visão profissional, da inexperiência que precisa ser moldada pelos mais rodados, da arrogância juvenil que ainda resistia no começo dos meus vinte anos de idade.
Ele estava próximo e queria ajudar. Mas não abriria mão da sua experiência e do seu firme posicionamento.
Talvez não tivesse jeito para dar "feed-back". Aliás, eu nem sei se essa coisa passou pelos bancos de conhecimento que moldaram Seu Tenório. Mas eu sei que ele me disse, nos momentos em que baixei a guarda e dispus-me a ouvi-lo, valiosos segredos e necessidades para uma vida profissional bem sucedida.
Eu não sei mais aonde anda Seu Tenório. Nem mesmo sei se ele está vivo.
Mas sei que jamais esquecerei o meu primeiro gerente e seus conselhos. Pois se preocupar-se com os membros de sua equipe e suas carreiras profissionais, querer incentivá-los a galgarem posições mais elevadas, cobrar seus resultados em função de suas potencialidades e fazê-lo da melhor maneira que aprendemos e desnvolvemos toranr alguém um casca grossa, quero confessá-lo: obrigado Seu Tenório, eu sou um Casa Grossa.
Não quero trocados, quero reconhecimento. Não quero gentilezas, quero Justiça. Não quero hipocrisias, quero conselhos que me levem, um dia, a poder ultrapassar a marca dos 30 anos de profissionalismo com a isenção e saldo positivo daquele velho mestre de cabelos brancos.

13 de mai. de 2010

CONTRA AS DROGAS

Boa Noite!

Vítimas e mais vítimas povoam os espaços dos noticiários brasileiros, banhados de sangue que provém do mundo infernal das drogas. Famílias que desaparecem e dores que jamais desaparecerão. Este é o legado das drogas. Por isso, hoje, resolvi trazer ao conhecimento de vocês este corajoso depoimento de uma médica goiana. Quem sabe possamos enviá-los a muitos e formar, neste internet às vezes tão vazia de sentimentos e de lições para o engradecimento destes jovens, uma corrente do bem.
O título é "TEM UMA PEDRA NO MEIO DO CAMINHO":

Lamento se estrago a festa, mas me junto às milhares de mães brasileiras do "fenômeno crack" para pedir socorro, neste mês de maio, de 2010.
Convivo com esta dolorosa realidade enquanto médica do Hospital Eurípedes Barsanulfo, em Goiânia, uma das raras referências regionais no atendimento a esta população assustadoramente crescente, finalmente vista como epidemia pelas autoridades a nível nacional: o crack, particularmente entre os adolescentes.
Confesso que o coração de mãe, tocado pela dor e o espanto destas mulheres e pelo desespero de seus filhos subtraídos física e psiquicamente pela droga, entorpece muitas vezes o olhar da terapeuta. Em apenas um dia internamos para desintoxicação cerca de 10 a 20 meninos nesta condição e o ambulatório do Hospital teve que se adaptar nos últimos anos, para dar conta de parte da demanda reprimida por atendimentos em dependência química por crack. As internações são voluntárias, eles estão pedindo ajuda, mas infelizmente, sendo o único hospital a abrir as portas para esta população, a fila de espera chega a 3 meses, às vezes mais.
Com o poder devastador de um tsunami para os corpos em desenvolvimento destes seres e para as famílias atingidas, sua abrangência inclui hoje toda a sociedade brasileira. Afinal, estas pedras são lançadas também às nossas janelas e um sem número de novos e despreparados "fora da lei", feitos fantasmas teleguiados, perambulam pelas ruas, dia e noite, em situação de violência de toda a sorte.
As estatísticas apontam que 30 a 40% destes jovens morrem precocemente em condições violentas. Outra multidão está doente, incapacitada, "fora do ar" e também da escola, da vida em família, do lazer, do encontro amoroso, da vida num momento crucial de estruturação da personalidade adulta.
Estas mães, na minha observação, acumulam sentimentos de culpa, solidão e impotência. "Não faltou abraço, doutora, não faltou aviso, olha aí o meu menino, puro osso, nem sei quando isto começou e não sei como sair deste inferno", ouço diariamente, "até as telhas da casa ele já arrancou pra vender e comprar a droga", ou então, "trouxe este, mas lá em casa tem outros três, na mesma situação", "foi sempre um bom filho, não sei como isto foi acontecer", etc, etc. Algumas, poucas, vezes vem também o pai, um tio, um avô. O espanto é o mesmo, a dor, uma certa vergonha, cabeças baixas, muitas interrogações e busca por caminhos.
Sabemos do impacto dos emaranhamentos familiares na determinação deste fenômeno e não é possível enfrentá-lo sem uma visão do todo. Também reconheço as limitações da rede pública e conveniada para lidar com esta situação. Muitas vezes penso que pela gravidade do momento, devemos ter hospitais de campanha e treinamentos de emergência, ações articuladas em todos os níveis, envolvimento das famílias e de toda a comunidade.
Por enquanto vejo mais pedras que soluções. Não quero também atirá-las. Penso que o momento é de união, de reunirmos nossos conhecimentos, nossos recursos, nossa lucidez e, principalmente, nossa compaixão. Neste Dia das Mães, estas mulheres estarão presentes no meu coração e eu as reverencio, sem julgamento.

Dagmar Ramos, médica psicoterapeuta, especialista em medicina preventiva e social pela USP, diretora e fundadora do Instituto Brasileiro de Soluções Sistêmicas.

(Publicado em 05/05/2010 - Jornal O Popular)

11 de mai. de 2010

O EFEITO ÍRIS

Bom Dia!

Íris era uma jovem nordestina que mal completou a idade de obter seus documentos, resolveu enfrentar o desconhecido e junto com ele o enorme desafio de tentar ganhar a vida no Rio de Janeiro. Deixando para trás, há dois anos, sua terra natal no interior da Paraíba, o município de Fagundes, partiu para encontrar trabalho e, sem saber, sua morte.
Íris deve ter escutado bastante os argumentos, propagandas e outros meios incentivadores da experimentação. Um bilhete achado hoje e divulgado pela imprensa (Rede TV!) possui um texto dela onde se diz arrependida de não ter escutados seus pais. Ela se referia ao estabelecimento de uma vida conjugal com seu 'namorado', bem ao estilo defendido pelos relativistas modernos, quando seus pais recomendavam cautela, calma e aprofundamento da relação antes do casamento.
Mas Íris era uma jovem de 21 anos, ou melhor de 19 anos quando resolveu experimentar uma relação 'moderna', como todos a sua volta lhe diziam. "Se não der certo, separa", não é este o refrão ao qual se atribui uma 'visão moderna, progressista'.
O concubino tem a mesma idade de Íris e também é nordestino.
Ambos moravam na Favela-Bairro Rocinha e estavam acostumados à repressão dos traficantes, o estado paralelo que mais cresce, como nunca na história deste país.
O concubino estava desempregado. Talvez um dependente químico.
Perdeu seus sonhos e perdeu a cabeça. Destruiu a vida de Íris, jogando seu corpo dentro de uma mala no canal do Leblon. Destruiu a família de Íris e a sua. Destruiu tudo em que tocou, inclusive a sua vida.
Não vi em nenhum jornal os defensores da liberalização das drogas falarem sobre o crime.
Não vi em canto algum os relativistas que tanto atacam aqueles que defendem a Família se pronunciarem sobre esta tragédia.
Não vi ninguém da imprensa retratar-se contra as críticas que fazem aos defensores da vida.
Somente estão preocupados com a morte de Íris e com o fato do assassino ainda estar refugido. Isto dá IBOPE, a vida não.

6 de mai. de 2010

O EFEITO CHRONOS

Boa Noite!

Mais de TRINTA aparelhos de Ressonância Magnética, e mais de uma CENTENA de aparelhos de Ultrassom, além de Tomógrafos, Mamógrafos, etc, etc. Este é o saldo da feira de tecnologia em saúde ocorrida na semana passada em nosso país. O detalhe é que estes números parciais e mínimos que coloco aqui não retratam o desempenho de todo o evento, e sim a realidade (bastante comemorada) de UMA das grandes empresas que os produzem em todo o mundo.
Quando comparamos o volume de compras com a distribuição de equipamentos no Brasil fica a pergunta: para que tantos equipamentos?
Quando comparamos as estatísticas de crescimento dos números de exames per capita/ano, em função das melhorias dos indicadores de saúde e não conseguimos estabelecer uma relação causa-efeito fica a dúvida: o sistema aguenta?
A época é de autofagia. Prestadores abalados financeiramente, concentração daqueles que conseguiram estabelecer patrocínio financeiro (ainda que em alguns casos bastante arriscados) para comprarem as massas falidas ou pré-falidas, operadoras em quebra geral (presente ou semi-futura) e a ANS que apenas após a saída do Presidente consegue enxergar que não está trabalhando e nem regulando a única saída vislumbrável: a mudança da lógica de intervenção ora dominante.
O mercado de saúde atual parece o mitológico deus grego Chronos: por medo ele comia a cada um dos seus inúmeros filhos. Estamos consumindo as empresas desequilibradas e, para tanto, geramos mais desequilibrio como fonte de receitas. Eis a razão de tantas vendas de equipamentos.
Cortamos os dedos e jogamos fora os anéis. E depois fazemos projetos de futuro, comemoramos resultados momentâneos e ocasionais e, pior de tudo, não estamos preparando sequer gestores com competência para enfrentarmos os duros e difíceis dias que se avizinham.
As empresas que vendem comemoram o balanço deste ano. Mas, ao mesmo tempo, vão procurando diversificar o seu portfólio de clientes, disseminando suas tecnologias para outros campos. Afinal, elas não se preocupam muito com a saúde de ninguém, exceto, claro, dos seus balancetes mensais e do balanço anual. Estes, certamente, ficarão mais saudáveis com tamanha enxurrada de equipamentos despejados no maercado brasileiro. Que pena não contarem como indicadores de saúde! Talvez fossem os únicos a melhorarem com tal situação...

4 de mai. de 2010

TRISTE MEDIOCRIDADE

Boa Noite!

"Triste não é mudar de idéias. Triste é não ter idéias para mudar".
(Barão de Itararé)

Triste não é conviver com a mediocridade, triste é ver a mediocridade ditando as normas e regras da nossa convivência. Testemunhar uma passeata, autorizada pela Justiça, e com objetivo único de promover e incentivar a criação de dependentes químicos da maconha é o cúmulo da mediocridade legalizada.
Mas não é apenas isso. Existe uma grande parcela de hipocrisia também.
Vejam, a Justiça autorizou a passeata de apologia ao consumo de drogas, mas 'vetou' que a referida droga fosse consumida ao longo da passeata. E como fizeram para impedir?
Bem, não fizeram.
A Justiça vai, mas volta; permite, mas quer proibir. Não é que ela mude de idéias, é que, em verdade, parece não ter mais idéias acerca da vida, da sua proteção, da sua valorização.
A droga destrói a saúde de quem a consome e a vida de seus familiares. Ela não é uma droga solitária, e sim coletiva. Destrói as relações familiares, sempre está associada à violência, cria dependências e elimina a dignidade do ser humano.
Mas a sociedade brasileira permite que a ela se faça apologia pública.
Ainda que não se possa fumar... Ou será que pode? Triste mediocridade, triste hopocrisia.

1 de mai. de 2010

SOU HUMANO?

Bom Dia!


“Sou travesti. Tenho direito de ser que sou”.

“Oi, mona, tem camisinha na bolsa?”

Estes dois temas fazem parte da mais nova ‘Campanha de Saúde’ (sic) lançada pelo Ministro José Gomes Temporão na quarta feira, dia 28 de abril. Segundo o referido Ministro, o foco é a população de travestis e o amparo está na nova Política de Direitos Humanos, o famigerado PNDH-3, que desde seu lançamento tem gerado retrocessos, discórdias e acirramento de separações entre grupos de cidadãos brasileiros.
Não sou preconceituoso. Respeito os direitos individuais. Mas não posso deixar de lamentar esta verdadeira obsessão do Sr. Ministro em agradar os públicos homossexuais, em detrimento da estruturação do SUS, da profissionalização da gestão, do suprimento das medicações obrigatórias que continuam a faltar nas Unidades Básicas de Saúde.
O Ministro Temporão não parecer ter tempo para cuidar destes pontos. Será que os considera estratégicos? Ele não ocupa a mídia, que tão avidamente parece desejar para dar orientações voltadas para os que sofrem mais com os desmandos do SUS. Sua prioridade é outra:

“Para as escolas, a campanha recomenda que os alunos travestis sejam chamados pelo nome social e que possam utilizar o banheiro feminino”.

Ou seja, o travesti pode divulgar e deve ser chamado por seu nome ‘comercial’ e vai invadir o espaço que de direito pertence às mulheres. Assim, graças à PNDH-3 mais um direito fundamental vai sendo quebrado: o das mulheres não terem seus espaços íntimos invadidos por homens que não querem ser homens.

Estou começando, como heterossexual, a sentir-me discriminado.

Não sou lembrado nas campanhas públicas do Governo Federal. Não sou prioridade do programa de Direitos Humanos do Governo Lula. Não tenho espaços próprios. Nem mais tenho certeza de possuir Direitos como cidadão.

Entrei em crise. Será que sou humano, por ser hetero?