24 de out. de 2007

MODELO DE ATENÇÃO OU MODELO DE GESTÃO?

Bom Dia!

Os jornais do Rio de Janeiro, em especial O GLOBO de hoje, vem denunciando há diversos dias as precárias condições de trabalho oferecidas aos médicos nos hospitais do SUS existentes na baixada fluminense. Hoje destacam, na matéria "DOUTORES DO IMPROVISO" (Pág. 16), as diversas peripécias e malabarismos feitos para se atender aos traumatizados em locais onde se falta de medicamentos a materiais, de leitos a equipamentos.
Preocupa-me a vinculação destas faltas, perigosas e lamentáveis, sobretudo para a população carente, ao modelo de Saúde adotado pelo SUS. Quando se conversa com a população que lê tãos prestigiados jornais, a revolta está dirigida contra o sistema e o modelo de Saúide Pública adotado. Mas, será esta a questão, a causa principal de tantos problemas?
O Modelo de Atenção primária busca solucionar e evitar o sofrimento. Entende que o agravo é uma manifestação física da pessoa que sofre e, assim, busca identificar e tratar, ou evitar, as causas e forças que levam um ser humano a tamanho estado de sofrimento individual e coletivo.
Nunca li nenhum documento, artigo ou comentário que aborde o retrocesso das técnicas, para se caracterizar a Atenção Primária como eficiente, ou o abandono das novas tecnologias que possuam evidências científicas, ou a má remuneração dos profissionais (não apenas os médicos), como requisitos do modelo.
Jamais vi qualquer estudioso defender o uso das furadeiras, martelos e goivas, instrumentos da construção civil, nas cirurgias neurológicas ou ortopédicas, fatos denunciados pelo periódico citado acima, como consequência ou exigência de um modelo de atenção integral à Saúde. Então, porque se misturam tais fatos, repito, condenáveis e lamentáveis, com a concepção de um modelo tão avançado?
Por que existe uma grande e coletiva omissão nacional: a discussão da GESTÃO e a atribuição de responsabilidades e penalidades devidas.
Perde-se considerável tempo em avaliação sobre o segmento que funciona, onde seus gestores são cobrados e devem apresentar resultados, onde seus clientes têm a liberdade de sair para outro local se não estão satisfeitos, onde se avança apesar das falhas que existem e devem ser corrigidas. Sobre a Saúde Suplementar se debate e fala, do Ministro da Saúde ao técnico da ANS. Mas, e a gestão do SUS? Desculpem-me, e a Gestão da Saúde Pública brasileira? Norma constitucional exige que ela seja de qualidade, quer dizer, tenha uma gestão profissional e apresente resultados dignos.
Onde está a discussão da Academia? Por que niguém propõe a criação de uma Procuradoria de Defesa dos Cidadãos (o PROCON do setor público), para defender tantos interesses afetados pela má gestão?
Por que não consegui ler nenhum Edital do Conselho Regional do Rio sobre este assunto?
Quando teremos coragem de discutir a GESTÃO, que é uma das causas principais dos problemas do SUS, ao invés de nos refugiarmos nos efeitos de suas falhas?

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