Bom Dia!
Alguns jornais estão divulgando matérias sobre o trabalho, destacado e elogiável sob diversos aspectos, da equipe multidisciplinar do Hospital dos Servidores de São Paulo (SP), voltado para os pacientes fora de possibilidades terapêuticas. Ao invés de serem sedados, entubados e transformados em marionetes de máquinas de UTI's, estes pacientes são acolhidos com alegria e vivacidade por profissionais especialmente dedicados a eles.
Muitos não têm famílias. Estão solitários e manifestam essa imensa solidão através da entrega total de sua vida aos vícios e demais formas de auto-destruição. Portanto, quando chegam àquela unidade hospitalar, mesmo com toda intervenção técnica, já não mais respondem aos tratamentos. A questão era: mantê-los sedados, induzidos ao estado de coma, quase como vegetais à espera da morte, ou dar-lhes o acolhimento tão apregoado pelos sistemas de saúde, específico e compatível com a dignidade humana?
Aquela equipe do 12. andar optou pela dignidade. Assim, os pacientes são acompanhados de forma individualizada. As medicações chegam na hora precisa, mas nunca de forma mecânica. É possível ouvir-se alguns pacientes falando, contando histórias e dando aos demais um exemplo de resgate da sua honra, muitas vezes vilipendiada pelas sarjetas da vida desgraçada que tiveram.
Eles sabem que o estágio de suas doenças não mais pode ser revertido por ação humana. Eles sabem que a morte os espreita em cada virada de hora do relógio que existe naquele andar. Mas eles recebem o que talvez nunca tiveram na maior parte de sua existência: respeito e atenção humanas!
Não se trata de economia, nem tampouco de contenção de gastos. Os equipamentos continuam a ser usados e geram desembolsos pelo sistema. Estamos diante da nova abordagem tão apregoada que impede pessoas de serem tratadas como bonecos sem vontade própria. A UTI é necessária, sim, mas para os casos específicos e reversíveis. O calor humano, a solidariedade e, principalmente, um tratamento digno e respeitoso nunca serão achados nas frias máquinas que a compõem!
Nenhum comentário:
Postar um comentário