6 de set. de 2008

CAUTELA E PONDERAÇÃO: RECEITA PARA A ANS

Boa Noite!

Dados divulgados pela imprensa hoje, a partir de pesquisas realizadas pelo IBGE apontam que desde a criação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em 1998 até este ano em que comemora seu 10. aniversário, deixaram de existir no país 1.240 operadoras de saúde suplementar. Este número corresponde a mais de 48% daquelas que atuavam na criação da Lei. Diversos dirigentes da agência deverão comemorar tais números bradindo argumentos tais como: estamos qualificando o mercado, ou somente ficarão as melhores, ou argumentações da espécie.
É óbvio que quando se regulamenta setores da economia nos quais as atuações das empresas se davam quase que livremente, espera-se que o percentual delas que apenas "enrolavam" os consumidores termine por desaparecer, protegendo os clientes e também, podemos afirmar, as organizações sérias, profissionais. Este fato é inegável.
Ocorre que este movimento na saúde deveria ter correspondido a uma explosão de ações coltadas para a prevenção e promoção à saúde, bem como a melhoria perceptível do SUS. E, francamente, pouco avançamos nestes dois campos estratégicos do setor Saúde.
Reduzir operadoras, ou acreditar que a concentração permitirá melhorias e agregação de valores para os clientes, soa quase como uma roleta russa efetuada na cabeça dos outros, no caso daqueles pacientes-consumidores.
Ao invés de comemorações, talvez seja o momento de refletirmos num grande painel nacional sobre os movimentos de concentração, quase oligopólios que percebemos estarem sendo formados em todas as regiões do país, mudando-se apenas a velocidade com que estão acontecendo. Não haverá ganhos para ninguém. Nem mesmo para as empresas que dominarem estes movimentos.
Que pena estes números e mais aqueles que mostram a participação da saúde suplementar no PIB. Primeiro, porque o crescimento do PIB não foi tão espetacular, no mundo real, como o deseja e apregoa nosso Presidente da República. Depois, porque esta relação desnuda o falso discurso da ANS e deveria servir para evitar empolgados discursos estúpidos-ideológicos.
O sistema está doente. Os números o confirmam. Cuidemos de combater as causas e não comemorar os pequenos momentos de estabilidade clínica. De preferência, antes que este paciente... morra!

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