Boa Noite!
A União Européia realizou um estudo em parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS), acerca dos barulhos e ruídos noturnos, e seus eventuais impactos sobre a saúde da população, em especial àquela que reside nos grandes centros metropolitanos europeus. O trabalho envolveu o mapeamento da poluição acústica de 12 países e trabalhou em relação ao comportamento de uma pessoa que dorme quando se elevam os decibéis em sua volta.
Suas principais constatações foram:
1. Uma simples passagem de um trem ou metrô de superfície, próximo a uma residência, faz com que a freqüência cardíaca de uma pessoa que está dormindo se eleve em DEZ BATIMENTOS, ainda que por estar habituada ao barulho a referida pessoa não acorde.
2. Se o nível de ruídos se mantiver inferior a 30 decibéis, não se observam efeitos biológicos substanciais, ou seja, nosso organismo absorve e trabalha bem este patamar de barulhos noturnos.
3. Na faixa entre 30 e 40 decibéis se constatou aumento dos movimentos do corpo da pessoa adormecida, agitação e despertares súbitos, todas estas situações que podem trazer riscos ao cérebro e ao equilíbrio orgânico do ser humano.
4. Entre 40 e 55 decibéis foram mensurados efeitos negativos sobretudo ao sistema cardiovascular dos habitantes monitorados pelo estudo. E acima dos 55 decibéis, ocorrências perigosas à própria vida das pessoas.
A OMS estima que uma avenida ou rua movimentada apresenta um nível de ruídos durante o dia situado em torno dos 65 decibéis, caindo um pouco, durante a noite para 58 decibéis. Um trem ou metrô de superfície causa um nível de ruídos de 80 decibéis durante a noite.
Pesquisadores brasileiros já apontaram elevação de colesterol, cortisol, arteriosclerose e outros danos às populações submetidas aos ruídos noturnos (http://www.humanitates.ucb.br/3/ruido.htm), aqui no nosso país.
A OMS estabeleceu protocolos a partir deste trabalho em que recomenda um nível máximo noturno de 30 decibéis. Nosso país possui uma norma que regulamenta esta questão (ABNT nº. 10.151/2000 e NR.15 do Ministério do Trabalho) e admite um nível noturno de 50 decibéis.
Um levantamento realizado pela mesma OMS apontou: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte entre as CINCO cidades mais barulhentas do mundo! E isto tudo embora tenhamos diversas leis estaduais e municipais que regulamentam esta questão.
Tudo isto nos mostra que a gestão de cuidados em saúde tem que ser compreendida como algo diferente da retórica de uns poucos, ou da adesão filosófica de outras tantas organizações.
Gerir cuidados é mudar de postura, desde o agente promotor até o usuário final. É dar testemunho efetivo daquilo em que se acredita, e não ficar dando bons conselhos que não possam ser associados a uma percepção concreta dos nossos clientes de que efetivamente mudamos. Uma atitude real, ainda que silenciosa, faz a Saúde acontecer. Um discurso ruidoso, sem o exemplo correspondente, como vimos no estudo acima, faz mal à saúde!
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