Boa Noite!
A doença de Parkinson é uma velha conhecida da maioria das famílias brasileiras, que em geral possuem parentes, amigos ou vizinhos acometidos deste cruel e traiçoeiro agravo. Ela foi descrita pela primeira vez pelo Dr. James Parkinson em 1817, na Inglaterra ela é caracterizada por uma “desordem progressiva do movimento devido à disfunção dos neurônios secretores de dopamina nos gânglios da base, que controlam e ajustam a transmissão dos comandos conscientes vindos do córtex cerebral para os músculos do corpo humano”.
Ela é uma doença primária de causa obscura. Há degeneração e morte celular dos neurónios produtores de dopamina, mas não se consegue identificar com a precisão necessária suas causas de tal forma que se pudesse desenvolver uma vacina.
Por isso, além do sofrimento a que está submetido o paciente e, claro, todo o seu círculo familiar, ela traz uma nova e crescente preocupação aos sistemas de saúde: as quedas de mesma altura com alta incidência de mortalidade.
Um estudo recente realizado por pesquisadores americanos, aponta que quase 30% dos portadores do Mal de Parkinson sofrem quedas e, destes, quase 70% vão a óbito por sequelas diretas ou indiretas destas ocorrências. Num grupo controle com as mesmas características físicas, mas sem serem portadores desta doença, estes números foram de 14% (quantidade de quedas) e cerca de 40% (número de óbitos).
Se este problema já é sério, considerando a PERDA da qualidade de vida dos pacientes, os GASTOS com internação e materiais de alto custo (órteses e próteses) e a falta de EFETIVIDADE destas intervenções (com os óbitos indesejados por todos), é tão preocupante também a situação que acomete aos que sobrevivem a estas quedas: isolamente, medo de depender dos outros, fragilidade, desânimo, diminuição das atividades sociais e recreativas, etc.
Os pacientes se auto-isolam e, nesta situações, aumentam o seu grau de sofrimento e diminuem expressivamente suas chances de obter melhor qualidade de vida.
Ruim para todos.
Preocupante é buscarmos ações ou alternativas dentre as operadoras que atuam na saúde suplementar em nosso país, com foco preventivo. Até parece que a queda não é detecatda como causa promotora da elevação de seus custos, ou que ainda não se aperceberam dos enormes ganhos advindos da prevenção e promoção, em especial para os pacientes que mais necessitam!
Discutir regras de uma portabilidade que é utópica, gastar horas e horas trocando idéias sobre mensurações de qualidade que nada agregam ao setor, ou criar câmaras técnicas que andam à passo de tartaruga, parece ocupar lugar de destaque maior, dentre executivos de operadoras e gestores responsáveis pela regulação (leia-se: ANS), do que a mais óbvia constatação da gestão de riscos: a melhor forma de combatê-los é evitando-se as causas principais.
O doente de Parkinson não deveria ser mais acompanhado DEPOIS que eventos tais como aqueles estudados pela pesquisa citada colocam-no nas listas de maiores gastos do sistema. Ele deveria ser acolhido em ações inteligentes: promotoras de orientação e estrutura que evitam ao máximo as situações agudas e os traumatismos associados à doença. Todos ganhariam. O sistema se qualificaria e o cliente seria capaz de perceber um real valor agregado ao produto que comprou.
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