Boa Tarde!
Numa época em que os pronomes de tratamento se destinam a introduzir esculachos públicos entre nossos políticos e demais lideranças nacionais, parece que a moda de se usar eufemismos está contaminando o mundo empresarial.
Assim, quando se constata que alguém, um funcionário da sua empresa, apesar de treinado, orientado e advertido, não responde e nem demonstra comprometimento, esta pessoa será "DESLIGADA" da organização. Demitida fica muito chocante, impessoal, não recomendado, não é políticamente correto. Desligada, sim.
Ou seja, ao ingressar em uma empresa passamos a ser um equipamento, com uma tomadinha dizendo "LIGA" e outra onde está escrito 'DESLIGA".
Estamos avisados, pois, que devemos estar sempre com as luzes e o equipamento "LIGADO". Fico até preocupado, porque no meu tempo de adolescente, estar "ligado" possuia uma outra conotação, também passível de causa de "desligamento".
Digam-me: não é muita hipocrisia?
Procurar um termo "politicamente correto" não irá diminuir, em minha opinião, a frustração de quem recebe a notícia e a tristeza de quem a comunica.
A demissão ainda é a morte empresarial. Aquele momento que todos nós sabemos que um dia iremos enfrentar, mas ainda assim jamais estamos (ou estaremos) prontos.
Que bom se pudéssemos ser instrutores tão competentes que todos os profissionais que nos fossem entregues crescessem e se tornassem maiores que seus mestres. Como seria bom!
Mas não é assim que a vida real acontece. Mesmo se cuidarmos de todas as nossas resposnabilidades, ainda dessa forma sempre acontecerão situações para as quais a última alternativa e única será o afastamento do empreagdo do coletivo onde atua. É assim que todos crescemos, quando não o fazemos pelo ouvir e absorver os ensinamentos que nos são dados inúmeras vezes.
Esta situação é triste, mas necessária. E chamá-la de "desligamento", por ser "melhor" para o "desligado", beira ao ridículo.
Deixemos os eufemismos para os profissionais que vivem deles, apesar de terem sido eleitos para outra coisa.
Sejamos profissionais e busquemos dar, ao difícil momento da demissão, a maior dignidade possível. Por respeito ao profissional, mas principalmente pela vida que estamos afetando, rezando que seja para o bem dela.
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