15 de set. de 2009

CORAGEM DE PROFISSIONALIZAR

Boa Noite!

O Governador do Mato Grosso (que é médico e por duas décadas exerceu sua profissão antes de se dedicar à política), André Puccinelli (PMDB), apresentou um diagnóstico realista para a saúde pública: “eu ouso dizer que a saúde nunca terá solução de 100%. Eu me formei quando ainda não existia o Doppler [exame de ultra-som], quando o médico ouvia o coraçãozinho do bebê através de estetoscópio e quando a gente sabia o sexo da criança pelo ‘achômetro’ e acertava 50%, como é hoje. Muita coisa mudou, ainda tem muito o que fazer, mas podemos melhorar gradativamente”.
Não sei com qual intenção pessoal o Sr. Governador fez a afirmativa, mas gostaria de analisá-la sob a ótica da profissionalização. De fato, nenhum sistema jamais alcançará, enquanto feito e mantido por mãos humanas, a completa perfeição (os 100% falados pelo político). Mas é nossa obrigação, e aí o Governador deve ser o maior exemplo em seu Estado, buscarmos a maior perfeição possível. E não se alcança esta última etapa sem o mais completo profissionalismo.
Nomear políticos indicados por partidos aliados é natural na política partidária em qualquer democracia, aqui e na Europa. Porém, se eles não irão ajudar pela mais completa falta de competência técnica para fazê-lo, que ao menos não atrapalhem!
Já não basta termos que conviver com as infindáveis disputais ideológicas que acontecem no campo da saúde coletiva e que, invariavelmente, levam o sistema de canto algum para coisa nenhuma. POr mim, seriam liberados de suas atribuições todas estas pseudolideranças, reunidas num navio e mandadas para dar a volta ao mundo. De tal forma que somente retornassem ao nosso país quando terminado o governo que as escolheu. Aí faríamos a mesma coisa com os novos ideólogos, sucessivamente...
Desta forma, todos estaríamos felizes: os ideólogos porque passariam o tempo remunerado e fazendo o que mais sabem para a construção do sistema coletivo: nada, nada e nada.
Os governantes talvez livres destas peças raras quem sabe pudessem encarar a realidade de que a mudança só ocorre quando se deixa a competência liderar os procesos e nunca fazendo desta última refém das patrulhas ideológicas (sejam elas de direta ou de esquerda).
E nós, técnicos, quem sabe poderíamos administrar sem esuqecermos a formação de nossas equipes, a qualidade do nosso atendimento e, jóia da coroa: a satisfação dos nossos clientes.
Se o Governandor pensa em tudo isto, ouso pedir-lhe que comece. Dê o primeiro passo, pequenino que seja: permita aos gestores do seu Estado serem apenas isto, gestores. E já que o Mato Grosso não é banhado pelo mar, portanto mais difícil de mandar os ideólogos numa viagem por mar, quem sabe trancafiá-los num ônibus e mandá-los contas as árvores da floresta amazônica? Não poderia ser um bom começo?

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