Boa Noite!
Já houve um tempo, e não faz muitos anos, que estaríamos começando a melhor semana para se organizar as empresas, arrumar as gavetas e verificar o que se fez e o que se deixou de fazer ao longo do ano. Estávamos iniciando a semana do Natal e uma trégua na incansável maratona corporativa instalava-se, sem negociação, sem possibilidade de recusa, sem que quaiqsquer das partes houvesse pedido.
Os homens, poderosos e aspirantes, deixavam-se enlevar pelo anúncio e comemoração do nascimento de Cristo, abrandando corações de pedra e dando aos subordinados ao menos uma semana de relativa tranquilidade natalina. Bons tempos.
O mundo mudou. Sem saudosismos, mas com uma triste constatação de que a possibilidade de se aferir lucros cada vez maiores no Natal, pelo incentivo ao consumismo desenfreado, beirando quase ao irracional, transformou a semana branca, como podería ser denominada, numa semana cruenta.
Atropelam-se pessoas nas ruas, quase necessitando de guardas de trânsito nas calçadas, exigem-se números e mais números e enterra-se mais um dos já raros momentos nos quais as equipes e seus gestores poderiam refletir sobre as ações, corrigirem os desvios e buscarem maior fôlego para as batalhas do ano seguinte.
Não há mais tempo para se planejar nas empresas. Embora se construam, através de consultorias externas, nem sempre competentes para tal, modernos e sofisticados pacotes de planejamento, a vivência e troca de experiências que enriqueciam os resultados finais, capacitavam as equipes e renovavam as reservas motivacionais desapareceram.
E quanto mais os dirigentes falam da importância das Pessoas, do grande patrimônio que são os Recursos Humanos, do valor da Inclusão, menos elas praticam atos e dão testemunhos que autentiquem os belos e veroborrágicos discursos feitos.
Não foi apenas a semana branca que acabou, foi o verdadeiro "feeling" de liderança. Esta agora é confundida com planilhas de números, chicotes e comportamentos coniventes com maus funcionários. O tempo de arrumar a casa acabou. Agora, tal qual as ruas, os ambientes internos das empresas são turbilhões e caos organizados, iludindo gestores e donos, que cegos pela miopia do imediatismo somente acordarão quando a tinta vermelha dos resultados deficitários estiver escrevendo os epitáfios de suas empresas. Mas aí, é claro, sempre sobrarão alguns funcionários para serem acusados de... falta de planejamento?
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