Bom Dia!
Para qualquer profissional que atue na área de Saúde já não mais é novidade o fato de que a violência, conhecida no meio como “causas externas”, esteja entre os fatores campeões de morbidade e mortalidade para quaisquer sistemas. De fato, se foge da nossa governabilidade o controle sobre tais vetores, resta-nos aperfeiçoarmos no campo da CURA, além da educação e inclusão social, nas quais ainda resta muita coisa a ser feita. Possível de fazê-la.
Mas existe outra violência que silenciosamente corrompe nossos dias atuais, de forma invisível e que ataca os corações humanos tornando-os um músculo podre e fétido, do qual não brotam emoções e sim, egoísmos, injustiças e outras tantas maledicências, capazes de adoecer pessoas de bem, quanto não as levando à mortalidade. Refiro-me à violência contra a alma, o lado bom para o qual deveríamos todos seguir, que tornaria nossos dias menos injustos e nossas sociedades menos excludentes.
Esta violência é produzida através da disseminação de boatos, calúnias e falsas acusações, que na sua grande maioria buscam esconder falhas na competência, no caráter, ou em ambas, e tratam de acusar, perverter e converter as suas vítimas ao mesmo STATUS QUO daquele agressor. Quando se ataca o corpo, procura-se dobrar a vontade alheia, para que a vítima se conforme com o desejo imediato do agressor. Mas o ataque à alma busca dobrar o caráter do agredido, para que ele em algum momento julgue ser possível rever seus princípios, abrir mão da ética e adotar, iludido por uma falsa premissa de sobrevivência, o mesmo (mau) comportamento e atitudes dos agressores.
A violência física deixa cicatrizes no corpo, às vezes de forma irremediável, mas sempre existindo uma possibilidade de serem maquiadas, para que visualizá-las não traga às vítimas o momento sofrido nos quais foram produzidas. São preocupantes e torturantes, porque insistem em estar sob os olhos das vítimas como que a lembrar-lhes que o mal ronda a todos que seguem o caminho do bem.
Porém, a violência contra a alma deixa seqüelas invisíveis. Que estão fora dos alcances dos nossos olhos e que, talvez por isso mesmo, sejam capazes de omitir à consciência das vítimas que estas jamais deveriam imitar ou repetir os sórdidos comportamentos e atitudes dos vis agressores.
O Poder parece atrair agressores de almas. Como mariposas que giram em torno da luz, numa louca dança para a morte, os facínoras se travestem de senhores feudais para impor àqueles que perseguem toda a gama de ataques e sofrimentos tentando não destruir seus lugares, mas minar seus valores. Quando a sociedade não mais for capaz de se incomodar com tais injustiças, não teremos mais como vencer os desafios inúmeros que a ganância humana está criando para a sociedade e o meio ambiente do qual dependemos.
Quando os verdadeiros profissionais se tornarem coniventes com os agressores das almas, as corporações irão trilhar um rápido caminho para seus desaparecimentos. No final desta primeira década do Século XXI, num momento em que geralmente fazemos tantos discursos contra as injustiças, as violências, os egoísmos, enquanto sorvemos nossas bebidas preferidas e nossos pratos desejados, apenas para esquecermos pelos próximos doze meses nossas indignações, espero que sejamos capazes de manter, no mínimo, nossa capacidade de reagir contra os agressores de almas.
Antes que eles destruam o que existe de bom em cada vítima contra a qual se volta. Sendo capazes de nos indignarmos estaremos mostrando àqueles que hoje estão sendo atacados que eles não estão e jamais estarão sozinhos. O resto, tudo passa.
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