4 de jan. de 2010

TRAGÉDIAS ANUNCIADAS

Bom Dia!

Já neste início de 2010 os brasileiros testemunham a repetição das tragédias ocasionadas pelas tempestades de verão que assolam, especialmente, a região sudeste do país. Ano passado convivemos com as enchentes no Nordeste e agora com os desabamentos no Sudeste. Fatos distintos?
As tragédias nunca são iguais. Elas alcançam pessoas sofredoras, excluídas de uma sociedade omissa e que aceita como brincadeiras de mau gosto as repetitivas desculpas das autoridades em todos os níveis da gestão pública. Mas, definitivamente, elas não deveriam causar surpresas para nós, gestores de saúde.
Os sistemas de saúde de atenção integral preconizam que associados às intervenções sanitárias, para que consigamos um melhor estade de vida para as populações assistidas necessitamos da efetiva intervenção do estado naqueles sentores onde apenas o Gestor Público pode resolver, querendo, as necessidades coletivas.
As catástrofes advindas de estações climáticas cada vez mais descontroladas, ou ao menos fora dos padrões esperáveis, têm um forte componente causador o desequilíbrio térmico mundial. Este mesmo fator que deu origem a tantas bravatas, viagens e pronunciamentos dos nossos representantes na Conferência de Copenhague, apenas para em seguida resultar num pífio compromisso concreto do Brasil e, junto com os demais países, num encontro que condenou nosso planeta à destruição lenta e gradual. É verdade que tais fatores estão fora da governabilidade dos governos municipais, estaduais e federais.
Mas, e o resto dos fatores que causam as tragédias?
A fiscalização das áreas de reserva florestal e das nascentes de rios, onde foi incrementada? Quando foi objeto de estruturação? Lembrem-se que ex-aliada do governo atual rompeu com o mesmo e abandonou seu posto no Poder Central especialmente pela falta de cumprimento dos objetivos assumidos nas campanhas presidenciais do Sr. Presidente.
O desenvolvimento de um programa de retirada das populações das áreas de risco, a que ponto anda? Em cada tragédia assistimos aos inúmeros vôos e sobrevôos das autoridades, e de suas infinitas promessas de intervenção. Quais as ações concretas?
A rede de esgotos e de despoluição das baías e rios que poderia evitar grande parte das enchentes, quando e onde estas ocorrem pelo entupimento de tal rede, deveriam ser objeto de ações contínuas de drenagem e limpeza. Cadê as medidas pertinentes?
Ora, como podemos dizer que as tragédias nos surpreendem?
Causa surpresa a amnésia que assola a mentalidade do povo brasileiro. Causa tristeza a maneira irresponsável como a omissão das autoridades em todos os níveis tem sido aceita por todos, sem protestos, sem cobranças.
Causa surpresa como a população pobre, apesar de tantas perdas ainda mantém sua esperança em dias melhores. "Andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar" disse o poeta (Gil), e talvez seja esta a melhor explicação possível para o otimismo que reaparecerá, tão logo cessem as tempestades de verão. É muito pouco para o que este povo merece...

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