Boa Noite!
Um dos grandes pensadores e teólogos da Idade Medieval foi Santo Agostinho. Além da sua fascinante história pessoal, quer no aspecto da mudança radical de vida ao descobrir sua verdadeira vocação e asumir com coragem sua Fé, quanto pelas inúmeras obras e ensinamentos que legou, em todos os campos da vida humana.
Uma das sua frases que mais admiro é que relaciona a Verdade com a Caridade. Diz ele que não se pode deixar de associar, às Verdades que apresentamos a alguém, à Caridade no trato desta pessoa, sempre merecedora de nossa compreensão e cuidado. Mas, alerta o grande Santo, que JAMAIS pode-se abrir mão da Verdade em nome da Caridade.
Ou seja, é vital para que possamos falar em respeito humano, que apresentamos as Verdades àqueles com quem repartimos nossa vida pessoal e profissional, porém sempre cuidando para que a firmeza de nossa apresentação não descambe para a arrogância ou, pior, humilhe aquele que recebe nossa mensagem.
Mas é gritante que, em nossos dias, clama-se pela omissão, pelo silêncio culposo, pela covardia pública, a pretexto de se "resguardarem" aqueles que seriam mais "fracos" para ouvirem e conhecerem tais verdades.
Isto é abrir mão da Verdade, situação condenada irreversivelmente pelo grande teólogo.
A verdade é caminho acertado, que não conhece desvios e, por tudo isso, capaz de elevar e tornar destacável aqueles que a adotam em todos os momentos de suas vidas.
A omissão é cruel, perversa e sádica, pois vai silenciosamente minando os espaços de suas vítimas, quer para torná-las instrumentos de manipulação por parte do mentiroso, quer por excluí-las completamente do estado de direito a que fazem jus.
A Verdade, ao final, sempre surgirá. Não interessa se cedo ou tarde aos olhos dos incautos, mas no tempo justo e certo para todos aqueles que a perseguem incansavelmente. Vivemos cercados de mentiras, pois são elas os grilhões modernos com os quais os donos do poder prendem os desavisados em suas teias. Em nome da caridade, estas manipuladoras lideranças vão cerceando direitos, derrubando igualdades e tornando o ser humano mais parecido com um objeto, uma coisa, cuja vida pode, assim, ser perfeitamente descartada.
A Verdade com a Caridade atrai e liberta; a verdade sem a caridade afasta e isola; a omissão em nome da caridade escraviza e torna o ser humano refém da manipulação, eterno serviçal do medo que lhe imputaram os donos do poder.
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