26 de mai. de 2010

A SOLITÁRIA ROTINA DA DECISÃO

Boa Noite!


Talvez este seja o maior dos paradoxos gerenciais: aquele que é responsável por formar e capacitar equipes, promover um trabalho convergente e com sentido estratégico para todas as equipes que atuam na empresa, ser efetivamente um líder que exerce a liderança, não deixa de ser, nas decisões mais complexas e delicadas... Um ser solitário!

O Gestor verdadeiro escuta e valoriza as opiniões, pareceres e viveres de cada um dos seus técnicos. Leva-lhes em conta os estudos e análises, pondera sobre suas reflexões, escuta seus temores e sugestões de minimização dos riscos inerentes a cada processo e resultados esperados.

Mas existem decisões e decisões. Algumas dizem respeito aos objetivos estratégicos de suas corporações, os resultados esperados e, assim, possuem importância ímpar para a sobrevivência das organizações. Os gestores sabem que delas não devem fugir, nem adiá-las, equívoco na maioria das vezes letal.

Porém, há outro campo delicado no qual as deliberações sempre produzem feridas, mesmo quando inevitáveis, justas e necessárias: os recursos humanos. Como negar que as medidas de correção, repreensão ou mesmo de punição, ainda que determinantes para a criação de um estado geral de justiça no trabalho doem de forma profunda em todos nós.

É quase improvável que não pensemos na decepção individual de cada um daqueles a quem necessitamos corrigir ou punir, as quebras de expectativas, os sofrimentos que devem passar. Mas, como evitar a situação? Como podemos esquecer, líderes que desejam exercer a liderança, de que a omissão quanto a um significa, sempre, a coletivização da punição não dada, por aqueles outros tantos que não a merecem?

O que pode ser pior do que os olhares de decepção de toda a equipe, quando seu gestor prefere a covardia da não decisão, expondo-os de forma geral perante clientes e financiadores, ao invés de assumir sua dura, mas indelegável atribuição de separar o joio do trigo?

A decisão faz parte da rotina gerencial. Decidir sobre aqueles que não querem ouvir, que resistem às mudanças e, especialmente, que com sua presença inibem o desenvolvimento de novos talentos, é função essencial da gerência. Solitária e difícil, devo concordar e acrescentar, mas própria de quem deseja ser líder, dar testemunho de sua coerência e seguir com sua equipe rumo à vitória!

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