30 de jun. de 2010

MAIS UM CAMPEÃO DE AUDIÊNCIA!

Bom Dia!




Quando eu era criança, a televisão costumava usar o refrão do campeão de audiência pra despertar em nós a curiosidade e ansiedade pelo que viria a seguir. Já aceitávamos que o ‘enlatado’ (assim denominavam-se os filmes e séries importadas dos Estados Unidos) seria sensacional e traria bons momentos para todos nós, ávidos espectadores.

Bem, já faz décadas que isto aconteceu. Porém, adulto e gestor na área de saúde, descobri que as Indústrias Farmacêuticas e seus micos adestrados, os propagandistas, retomaram a tática do campeão de audiência, usando-se não mais de películas inocentes e despretensiosas. Eles passaram a apresentar aos médicos e através destes aos pacientes, os remédios como novos ‘campeões da saúde’.

A medicalização que se costuma associar ao balcão da farmácia, local onde encontra sua face visível mais perigosa, nasce no consultório do médico. E exatamente a crença de que sempre um remédio faz somente o bem (o que inexiste), produz medicações que explodem os cofres das indústrias mais poderosas e livres de sanções de todo o Planeta Terra, e também ajudam a implodir os indicadores de saúde da população que os consome.

Agora, mais uma vez, problemas de um campeão de audiência.

O medicamento AVANDIA, do laboratório britânico Glaxo Smith Kline (GSK), prescrito para combater a diabetes e alardeado como ápice desta linha de fármacos, possui um terrível efeito adverso: ele aumenta o risco de problemas cardiovasculares, segundo a análise dos resultados de 50 testes clínicos realizados em Cleveland (EUA), pela “Clinic Foundation” e divulgados na segunda-feira (dia 28) e que confirmam estudos anteriores.

O risco aumenta de 28% a 39%, mas o número ainda não está associado a uma elevação da taxa de óbitos. Ou seja, por enquanto, já sabemos que ele piora o problema cardíaco, ainda que não possamos afirmar que mata. Ufa! Ainda bem. Ainda bem?

O que acontecerá com os pacientes que dele fazem uso? Serão indenizados pela poderosa indústria? Afinal, não tiveram perdas em suas vidas pessoais pela prescrição de algo que traz mais sequelas danosas do que benéficas?

Alguém acredita em punição para a indústria, ou mesmo que ela, dona das pesquisas, já não conhecesse este efeito danoso e perverso? O melhor remédio é a saúde. Que pena fazermos este discurso apenas para falarmos algo socialmente aceito por todos. Se realmente acreditássemos e exigíssemos mais saúde e menos remédios, poderíamos falar da longevidade como uma extensão de qualidade as nossas vidas. Por enquanto, a única certeza que tenho é de que outros ‘campeões de audiência’ virão por aí...

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