Boa Noite!
Existem diversas carências e necessidades regulatórias no Setor de Saúde Suplementar do país, ainda não resolvidas ou apenas superficialmente encaminhadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), merecedoras de reparos e eventuais críticas pelos que acompanham este importante segmento. Mas está ocorrendo uma sutil mudança de alguns posicionamentos, para uma linha mais sistêmica e técnica, favorecida pela nova composição da Agência e que não vem recebendo a devida atenção por parte de muitos gestores que atuam no setor.
Refiro-me à percepção de que somente a criação de "DRIVES" voltados para a Promoção e Prevenção em Saúde poderá viabilizar e assegurar um sistema longevivo e acessível aos seus clientes em médio e longo prazos. Dirigentes da ANS já fazem o discurso público de que esta é a ferramenta por excelência na gestão da sinistralidade, senão a única com concretas possibilidades futuras, quando todas as demais, nacionais ou importadas, já caducaram ou deram mostras de sua ineficiência ou insuficiência.
As classificações baseadas em indicadores e o vínculo dos reajustes ao desempenho destes mensuradores de mudanças adotados pela agência reguladora possuem maior amplitude do que aquela percebida por diversas operadoras. Talvez aí esteja o segredo da sobrevivência futura: quem melhor antecipar a formação de um novo portfólio de produtos baseadas na Prevenção e Promoção, mais chances terá de assegurar seu futuro e deter "KNOW-HOW" para transformá-lo em receitas num futuro talvez não tão longe.
Também destaque-se a nova postura da ANS em relação aos produtos em Saúde possíveis de serem ofertados pelas operadoras e não regulamentados: quem sair na frente tenderá a dominar o mercado e a rentabilidade por um bom período.
Diante de tantas novas nuvens nos céus da saúde suplementar, como estão se comportando as operadoras?
É verdade que o tema tem proliferado em debates e encontros. Mas, a formação dos novos produtos e a consolidação da Promoção e Prevenção como potenciais nichos de mercado, entraram de uma vez por todas na linha estratégica das decisões? Ou ao menos estão na linha de produção para serem avaliados e testados? Receio que não.
Estamos num inusitado momento do segmento: de um lado, discursos convergentes sobre o caminho, mas do outro, mãos parados na criação e prospecção de possibilidades. Parece que temos medo de OUSAR. Ou seja, aquilo que nos fez inovadores há quarenta anos atrás, a possibilidade de enxergar para além do nosso tempo, está congelado ou escondido por uma perigosa pressão por resultados imediatos.
A Saúde é para ser pensada em longo prazo, com retornos que se consolidem a partir de indicadores de médio prazo e por financiamentos que percebam esta característica própria do segmento. Quando a ANS separou os valores destacados pelas operadoras com Ações de Promoção e Prevenção, classificando-os como investimentos e apartando-os dos GASTOS em Saúde, fez a parte dela. E nós, não está na hora de fazermos a nossa?
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