22 de dez. de 2010

EMPRESAS MEDUSA

Boa Noite!


A Medusa é uma criatura mitológica que possuía em sua cabeça um longo tipo de cabelo formado por serpentes venenosas. Ela havia sido uma mulher muito bela e perigosa (na visão do poeta Ovídio), que cedera ao charme do deus Posseidon, provocando a fúria e vingança de Atena. Sendo uma das três górgonas, filhas dos deuses, era, porém mortal, embora possuísse o poder de transformar todos os seres humanos que fitassem seus olhos em pedra!

Portanto, para vencê-la, o herói grego Perseu protegeu-se com seu escudo mirando apenas para a sua imagem nele refletida, até poder chegar próximo e desferir-lhe um golpe mortal. A Medusa não foi capaz de reagir e ainda serviu (sua cabeça decapitada) de arma para o seu vencedor nos combates futuros.

Eu pensava que tudo isso não passava de pura e simples mitologia grega, criada para que os instrutores reforçassem conceitos e impusessem de maneira suave suas crenças aos jovens pupilos. Pensava, porque em nossos dias atuais começo a identificar diversas organizações como filhas da Medusa.

As empresas medusa investem uma enorme bolada em sua aparência externa. Capricham nas peças que vão para os consumidores, seja qual o for o canal de mídia, certos de que seu olhar petrificante pode paralisar quem ousar discordar dos seus números e da sua postura. Não querem enxergar os perigos que a rodeiam, mesmo quando eles sejam visíveis (ainda que por trás de um escudo como o fez Perseu), pois optam pela comodidade da covardia empresarial.

Elas estão pedindo para desaparecerem. Resta apenas aguardar a chegada daquela outra concorrente que tomará a iniciativa.

Empresas Medusa não possuem canais de comunicação interno. Suas instâncias são engessadas, rígidas a tal ponto que suas ramificações no mercado em que atua não alimentam o órgão central com as percepções e nuances recolhidas junto aos clientes atuais e aqueles potenciais. Seus dirigentes estão para além do Olimpo, numa morada onde nem os deuses mitológicos ousam chegar.

Tal qual a criatura mitológica, a empresa que não aproveita o seu capital intelectual, para o qual na maioria das vezes investiu consideráveis somas de recursos, está fadada ao desaparecimento. Algumas vezes de forma lenta e agonizante, outras vezes mais rápido e certeiro como o golpe de Perseu. Mas certamente, empresas Medusa, tal qual a criatura mitológica, desaparecerão.

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