19 de jan. de 2011

FUTURO INCERTO PARA A SAÚDE SUPLEMENTAR

Boa Tarde!

Os jornais de SP noticiam mais fusão no setor de saúde suplementar:

1. A Rede Labs que pertence ao empresário Jorge Moll (Rede d'Or) encontra-se em fase final de incorporação pelo Grupo Fleury, o que envolve também os interesses da Bradesco Saúde. Caso se concretize o negócio, teremos consolidado em todo o país dois grandes grupos de diagnósticos: o DASA-Amil e o FLEURY-Bradesco Saúde. Ou seja, passam a ser ditados por estes importantes atores do segmento das operadoras o comportamento dos custos com exames complementares no país. Mais ainda, eles poderão alterar suas curvas de sinistralidade neste item de custos que já é, nos últimos três anos, a maior e mais preocupante dos itens que compõem a estrutura de custos em saúde das operadoras privadas.

2. A UNIMED que já tem seguradora e hospital próprio, entra definitivamente na categoria de investidor ao adquirir cerca de 30% do hospital Norte d'Or (Rio de Janeiro), pertencente ao grupo que leva o mesmo nome e ao seu associado (Grupo Badim). A operação expressa a tendência atual de que os recursos sejam investidos em serviços de ALTA COMPLEXIDADE que se mostram 'atraentes' quanto à rentabilidade, exatamente por lidarem com a capacidade de gerar ganhos quase que de forma incontrolável pelos demandantes de serviços.

São situações de mercado e não se há o que discutir. Mas reforça em mim a certeza de que não estamos examinando os sinais de fumaça no horizonte da saúde suplementar: se todos os empresários colocarem seus ovos numa única cesta (alta complexidade), quem irá bancar o sistema em 2020? Se as fusões são seguidas de expansões de leitos, especialmente os de UTI e Emergência, pela mesma lógica, quem irá intervir nos níveis onde a medicina ainda pode ser resolutiva?
Se não sou resolutivo, tenho que arcar com o preço disto. Se os preços atuais já não satisfazem os atores do nível primário, como ficarão perante todas estas mudanças daqui a dez anos (será que serão mesmo dez anos?)?
A visão e a competência dos empresários dos grupos envolvidos (Bradesco Saúde e Rede d'Or) é inquestionável. São homens de negócio que tiveram e mantém visões e projetos de futuro para suas empresas. O que me angustia é a situação do setor de saúde suplementar como um todo.
Não há incentivo para a intervenção resolutiva no nível primário.
Não há incentivo para empresas se organizarem como sistemas de saúde e, assim, oferecerem uma maior e melhor assistência aos seus clientes. E, principalmente,

NÃO HÁ DINHEIRO PARA BANCAR O CRESCIMENTO DOS CUSTOS!

Quem vai bancar tudo isto???

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