Boa Tarde!
A transparência está em falta. E não quero individualizar este ou aquele setor. Ela simplesmente esvaiu-se dos mercados, sumiu da esfera política, está perdida em alguma pasta de outros poderes públicos. O duro é que a juventude parece considerá-la anacrônica, coisa de velhos.
É um tal de levar vantagem, de se conseguir 'arrancar' dinheiro de outrem, ou da empresa para a qual você foi contratado para dar resultado e só deu vexame, ou mesmo do desafortunado vizinho que, sem querer, produziu-lhe a 'chance' de se dar bem. Desde quando se dar bem na vida é locupletar-se do alheio? Quando é que se inoculou no pensamento dos jovens que as cadeias e prisões são os lugares onde 'residem' as pessoas mais felizes? E existe lugar onde se reúnam mais pessoas 'espertas' do que detenção?
Mesmo assim, dia após dia, somos surpreendidos com a falta de caráter, a mentira deslavada, a falsidade forjada com o intuito de se obter ressarcimento por 'danos morais'.
O negócio é tão sério que o poder judiciário de alguns Estados da Federação começaram a acender luzes amarelas para tais pedidos, examinando-os com maior acurácia e zelo, evitando a formação de uma nova modalidade criminosa: o bandido que afere vantagem por sentença.
Mas afora a questão prática e lega, fica a triste constatação do imenso vazio moral que está sendo produzido em nosso país, na Europa e em todo o mundo. Parece que as pessoas incorporaram possuir duas faces: a do bem, destinada a sua família e aos seus entes queridos; e a do mal, destinada ao resto do mundo.
Não existe esta dualidade, pois ninguém pode ser ora bom, ora mau. Existe sim, uma velada hipocrisia mais atenta às formas e aparências do que ao conteúdo que forma pessoas, cidadãos e profissionais.
Por isso, o produto em falta - transparência - não é fácil de ser reposto. Ou se acostuma a mantê-lo e torná-lo uma característica própria de cada ser, ou quando se perceber sua importância já se estará totalmente enrolado no cruel fio da hipocrisia.
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