Boa Tarde!
Tive a oportunidade de comparecer, no domingo dia 09.10, ao show de Eric Clapton no HSBC Arena do Rio de Janeiro. O lugar estava quase que totalmente tomado por pessoas que foram ali prestigiar o artista genial na guitarra e um dos mais talentosos de todos os tempos. Todos buscávamos ver a alegria de atuar, a virtuosidade com que a dedicação e o trabalho árduos, ao longo de décadas, fizeram com que Clapton se tornasse um dos ícones do Rock em todos os tempos. O lugar na História da Música e no coração de seus fãs, o pop star já conquistou. Todos queriam agora sentir o carinho de quem nada mais precisa provar.
E foi aí que a coisa desandou, em minha opinião.
Eric Clapton foi britanicamente pontual, cumprindo duas horas de show sem intervalos e sem enrolações. Dedilhou sua guitarra magistralmente arrancando solos e compassos que não são fáceis de reproduzir e tampouco nos parecem desproporcionais à figura magra e parada que ocupa o palco. Mas ele não transmitiu a alegria de fazê-lo.
Ao contrário daquele artista que deixou todos os cariocas encantados no seu último show na cidade, feito na Praça da Apoteose há mais de dez anos, este Eric Clapton de domingo estava mecanicamente fazendo aquilo que sabe melhor do que quaisquer outros neste planeta: tocar guitarra.
Mas quem se dispôs a pagar ingressos de no mínimo R$ 240 não saiu de casa para ver um tocador de guitarra. Foram em busca de um músico inebriante, que vibrasse com seus acordes, que empolgasse sua audiência. A obrigação foi cumprida, mas ela não despertou a vontade de segui-lo.
Fiquei pensando em nossa vida como gestores. Com suas decepções e amarguras, com suas derrotas e incompreensões. E assustei-me com a possibilidade de que também nós, ainda que sem o virtuosismo do artista citado, possamos nos transformar em máquinas autômatas apenas cumprindo nossas obrigações ao invés de liderar nossos times. Como enfrentar as adversidades de tal forma que elas não nos levam à mecanicidade?
A resposta não é fácil. Aliás, nada na administração parece sê-lo.
Mas a inquietude deve permear nossos dias, para que não nos acomodemos na rotina da gestão. É duro, mas perceber o experiente artista apenas cumprindo seu papel, serviu-me ao menos de alerta para que estes equívocos não se tornem paradigmas de nossa vida executiva.
Quanto ao Clapton, para quem já quis promover "change the world" vão ficar boas lembranças de um fantástico tocador de guitarra que levou ao palco muitas coisas bonitas e eternas, mas esqueceu de levar sua alma ao show.
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