3 de out. de 2011

RECORDAR PARA VIVER

Boa Noite!

Não sei porque, mas lendo sobre os noticiários políticos do nosso país, bateu-me uma vontade de rever esta história:
Conta a lenda que a Rainha Elissa de Tiro, revoltada com o assassinato de seu esposo, o Rei, pelo próprio irmão, numa disputa fraticida pelo trono, assumiu o comando de diversos membros da sua corte e, com parte do tesouro real a bordo, singrou os mares do Mediterrâneo em busca de um novo lar. Chegando às costas da região que atualmente forma a Líbia, deparou-se com um lugar tão belo que resolveu ali aportar. Ao descer e tentar construir uma nova cidade foi surpreendida com a chegada do imperador local que do alto de sua arrogância e menosprezando-a, talvez por ser uma mulher sem marido (um absurdo para à época - oito séculos antes de Cristo), afirmou que daria a ela toda a terra que pudesse colocar num couro de um boi sagrado.


Elissa não titubeou: "Aceito o seu desafio e sua palavra, majestade". Imediatamente mandou que fosse sacrificado o melhor dos bois que compunha o rebanho de sua propriedade. Em seguida determinou que o couro do animal fosse cuidadosamente retirado, curtido e cortado em tiras, das mais finas possíveis, mas que pudessem ser amarradas umas as outras sem partirem.

Com isto, adquiriu uma corda que compunha o couro do animal, tão imensa que o imperador, constrangido e humilhado, teve que ceder-lhe as terras nas quais foi fundada a cidade de Cartago.

O imperador menosprezou a inteligência, pois possuía o poder material local. Elissa valorizou-a e, assim, não apenas sobreviveu à humilhação que o rei tentara impor-lhe como adquiriu vantagens para sua equipe.

Verdade ou não, daí em diante os cartagineses sempre foram citados e lembrados por persistirem nos momentos de adversidade, surpreendendo seus opositores, mesmo quando estes últimos possuíam forças materiais superiores (como é o caso de Aníbal e a invasão de Roma através dos Alpes).

A Lenda ainda hoje nos serve de reflexão e aprendizado.

Não são poucos os momentos nos quais nos deparamos com forças que possuem, senão a superioridade material que apregoam, mas ao menos o poder suficiente para nos deixarem abatidos e desmotivados. Se pensarmos, nestes instantes, apenas em nós mesmos, poderemos desistir de fazer-lhes oposição através do único mecanismo pelo qual os profissionais vencem os medíocres: a inteligência.

Este é o exemplo de Elissa: um raciocínio rápido somente é possível quando se possui conteúdo que o fundamente. E o conteúdo não resulta de dinheiro, arrogância ou poder temporal. O conteúdo é fruto de todo um processo de crescimento, maturidade e criticidade que apenas o tempo e a perseverança são capazes de assegurar. Claro, a vontade de cada um é o combustível essencial. Não sei como era a face da (talvez) mitológica Elissa. Mas admiro-lhe a coragem de não se deixar dobrar e a certeza que depositou na vitória da inteligência sobre a arrogância, do conteúdo sobre a superficialidade.

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