Boa Tarde!
A estimativa da OMS é que 25% da população adulta demanda algum tipo de cuidado de saúde mental. “A magnitude dessa realidade provoca enorme descompasso entre demanda e disponibilidade de serviços, mesmo nos países desenvolvidos e requer que examinemos as intervenções atualmente praticadas.” Esta afirmação vale tanto para pontuarmos a importância da discussão como para levantarmos a questão das alternativas terapêuticas à internação psiquiátrica.
A criação dos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) permitiram a desospitalização de diversos enfermos, possibilitando retomarem o convívio familiar,mantendo-se as atividades terapêuticas de suporte. O grande questionamento que persiste é sobre a cronificação dos pacientes nas opções terapêuticas que foram criadas para integrá-los à sociedade. A evolução destas propostas terapêuticas tem se dado em passos lentos. Não se pode esquecer da complexidade da mente humana e das enormes dificuldades enfrentadas pelos profissionais deste campo. Mas é um fato que não surgiram marcos significativos na saúde mental do país, após a reforma sanitária ocorrida no século passado.
O pior é que estão ressurgindo velhas discrepâncias. Médicos psiquiatras e psicólogos discutem entre si, donos de hospitais reacendem velhas posturas e, neste fogo cruzado, o paciente de saúde mental e seus familiares esperam, esperam e sofrem. Com toda franqueza, ficou difícil acreditar numa progressão das intervenções terapêuticas e menos ainda em parceria nesta área difícil e particular.
Continuar a elogiar estratégias que já completaram 30 anos de implantação e não se renovam, apenas criam novas maquiagens, soa muito mais como ausência de evolução do que uma efetiva e segura defesa do que se avançou. A sociedade não é mais a mesma, nem as suas necessidades. O grau de isolamento e sofrimento humanos dos portadores de agravos mentais nunca foram tão extremados.
Por que não conseguimos construir outras pontes?
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