Terminadas as festas natalinas, tempo no qual os homens percebem possuir o dom da mansidão, e onde os mais mesquinhos costumam partilhar algo com os demais, começamos um novo ano. Fico impressionado como as pessoas retomam com muita rapidez seus padrões antigos. Voltam a exercer suas arrogâncias, prepotências e agressividades, como se jamais tivessem vivido o ciclo do Natal.
Esquecem as partilhas, já não se lembram das promessas feitas no calor das emoções do ano novo, abandonam as mudanças que tanto impressionaram aqueles que lhes são subordinados. Apropriam-se de seus poderes temporais e se agarram a eles como se fossem eternos. Por isso são pessoas tristes. Podem até sorrir, mas não como uma expressão da alegria que a alma sente. Sorriem como um reflexo mecânico a algo que deve merecer tal atitude. Sorriem com os lábios, não com o coração.
Tenho medo desta mediocridade. E de outras também. Quanto mais a vida se torna medíocre, menos ela será capaz de enxergar as reais necessidades das pessoas, suas aspirações e especialmente seus sonhos. A mediocridade iguala todas as pessoas no nível mais baixo da existência humana, como se todos nós trabalhássemos por comida e abrigo, tal qual a Idade da Pedra.
O homem realiza porque sonha. Sonha com uma sociedade melhor, mais segura e mais includente. Sonha com justiça social e respeito a todos. Sonha porque não pode se esvaziar de seus sonhos. Sem estes, ele é uma casca apenas, um autômato que precisa ser comandado por cordões. Uma marionete.
O homem sonha porque sua alma é eterna, não passageira, não perecível. Ela é fruto do amor do Criador e perdurará para além do nosso corpo humano, mortal, limitado e finito. E quem é fruto do amor, pode e deve reparti-lo com os demais.
Neste momento de retomada. Neste primeiro dia útil do ano, planeje colocando sua alma à frente da sua vida. É ela que você deve guardar para a vida eterna. O resto é passageiro,tal qual as datas do calendário. Tal qual o ano passado que já não existe mais.
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