23 de nov. de 2007

PREVENÇÃO E RESPONSABILIDADE 1

Bom Dia!

A prevenção à saúde tem evoluído, tanto em sua concepção teórica quanto em sua aplicabilidade nos sistemas de Saúde, de forma quase que meteórica se considerarmos a primeira experiência concreta realizada em Framingham, nos Estados Unidos, em meados da década de 50. Não restam dúvidas de que a compreensão da academia, que lhe dá a substância e referencial teóricos, dos técnicos, com a participação multidisciplinar, e dos gestores, pela necessidade de assegurar longevidade às suas organizações, modificaram para melhor em todo este tempo.
Entretanto, dois atores fundamentais ainda se mantém, na melhor das hipóteses, incrédulos ou com baixa adesão às ações preventivas: os participantes/clientes dos sistemas e os fornecedores de serviços.
Gostaria hoje, de iniciar uma reflexão sobre os participantes, nossos clientes, a principal razão de ser das organizações e, claro, da própria medicina preventiva!
Por que o desenvolvimento de ações voltadas para assegurar-lhe uma melhor qualidade de vida, uma longevidade com estabilidade e indicadores de saúde evoluíndo positivamente atraem sua concordância retórica, mas não a sua adesão efetiva aos programas e serviços promotores?
Dois aspectos levanto: um, a motivação.
Os participantes estão sendo motivados a participar dos programas através de frases de efeito e chamamentos mecânicos que, se formos críticos em sua análise, mais atendem aos objetivos das organizações promotoras. Pouco sensibilizam os participantes. Pergunto-me mesmo se dentre os que participam das atividades construídas de forma quase que idêntica por quaisquer serviços, não seriam majoritários aqueles que entendem estas ações uma "forma de passar o tempo"? Não estamos conseguindo motivar nossos usuários, porque não estamos desenvolvendo uma estratégia de VENDA, com marketing e comunicação voltadas para o RESULTADO DESEJADO de uma ação preventiva sob o enfoque do CLIENTE, não da organização.
É a adesão efetiva do participante que propiciará resultados ao sistema, não sua mera participação física. A prevenção é uma luta de corpos e principalmente de mentes que deverão ser ganhas para a Saúde. Não é uma atividade que preenche uma agenda de um serviço ou de uma pessoa.
Segundo aspecto: a responsabilidade.
Afinal de contas, qual é a responsabilidade de cada ator do sistema de saúde na questão da prevenção? Estão claramente definidos os ganhos e as contrapartidas para os participantes, para os técnicos, para os financiadores, enfim para todos os envolvidos?
O usuário que efetivamente aderiu, compreendeu e assumiu suas responsabilidades na prevenção está sendo referenciado pela organização? Ou é apenas mais um número numa multidão? Ou é apenas mais um ponto na meta que devo alcançar?
A prevenção requer a responsabilização. É quase que uma contratualização informal o que se dá numa organização que oferece ações preventivas estruturadas com o foco no cliente, entre este último e o sistema onde está inserido. Se entendermos assim, este "contrato" deve gerar ganhos para ambos desde o início e por todo o tempo de sua duração.
Sabemos muito sobre a prevenção, mas ainda pouco sobre a motivação do nosso participante para as ações preventivas.
Talvez devessemos reler, sob outro prisma os versos de Joan Baez:

"Você não pode escolher como vai morrer
Ou quando.
Você só pode decidir como vai viver agora".

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