Bom Dia!
Nesta última década, tive a oportunidade de participar de centenas (ou mais) de eventos voltados para a prevenção. Em geral são palestras, filmes ou mesas redondas, nas quais se mudam os atores, o mobiliário e até mesmo o filme, mas se mantém todo o resto.
Naqueles que não dormi, o único efeito produzido foi o aborrecimento.
É uma coisa impressionante: os profissionais que vão defender a mudança de vida, em geral estão fora de forma, desmotivados ou apresentam-se como locutores de enterro. A voz é cansada, ressacada ou desanimada. As circunferências abdominais proeminentes, e os rostos tristes.
As palestras são lidas! Sequer um mínimo, uma ilhota de criatividade, uma ponta de crença no que se fala!
E os benditos alongamentos, hein? Já alonguei tanto em palestras de prevenção que me sinto uma verdadeira girafa!
Parece mau-humor? E é! Chega de mesmice na prevenção. Repito-me: de que estão servindo os avanços no conhecimento, na sistematização da gestão de cuidados, se não conseguimos gerar valor para nosso cliente?
Se o cliente não se motiva, nem se sente diferenciado pelas formas de abordagem que tenho usado então: ou a medicina preventiva está errada ou os mecanismos usados estão equivocados. Eu acredito na segunda hipótese. Mais: eu tenho certeza de que se continuarmos tratando a prevenção como um Óraculo grego, no qual um sábio (a pitonisa) se ergue sobre os pobres mortais e despeja verdades que só ele domina e somente a ele motivam, nossas campanhas de prevenção serão cada vez mais utópicas.
Voltar o foco das nossas ações para aqueles que sempre estiveram no alto dos nossos discursos: os clientes! Este é, em minha opinião, o passo inicial da medicina preventiva implantada de forma irreversível em nossos sistemas de saúde público e privado.
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