15 de fev. de 2008

ENTRE O IDEAL E O POSSÍVEL

Bom Dia!

Estamos acompanhando através da imprensa, nestas últimas semanas, mais escândalos produzidos por nossos governantes. E isto tem desviado a atenção da maioria dos leitores de uma outra situação, criada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), agora relacionada à ampliação de coberturas e ao final da carência. Como sempre, a ANS usa de declarações que retratam lícitos desejos dos clientes de operadoras de saúde como justificativa para sua normas absolutistas e associa as mudanças das regras à busca da qualidade na Saúde Suplementar.
Não discutimos a legitimidade das aspirações. Os clientes devem querer sempre mais e exigir dos fornecedores o desenvolvimento de produtos que atendam-nos com o melhor custo possível.
Sem clientes não existem as operadoras. E sem estas últimas as agências reguladoras!
O que é lamentável é presenciarmos, novamente, meias-declarações da agência. Senão, vejamos:
* É fato que o mercado pode e deve melhorar a discussão da portabilidade (o final das carências nas transferências entre operadoras), pois ela não pode ser um instrumento de punição ao cliente. Mas é incontestável que sem uma regulamentação que assegure tratamentos iguais para situações iguais, e não assemelhe os planos entre sí apenas pela nomenclatura, sem considerar as coberturas efetivamente contratadas, estaremos dando mais um passo em direção ao abismo;
* É fato que a incorporação tecnológica desregulamentada e conduzida por empresas (fornecedores de materiais) que não se sujeitam a nenhuma regra regulatória, está afetando e inviabilizando o trabalho de todos no setor Saúde: dos profissionais honestos, dos hospitais, dos laboratórios e dos pagadores (planos de saúde). Aumentar a cobertura sem resolver este problema, no qual a ANS é omissa até esta hora em que escrevo, é de uma irresponsabilidade assustadora! Incorporar procedimentos para aparecer bem aos clientes pode ocasionar a desequilíbrio em diversas empresas e mesmo o seu fim.
Afinal, o que quer a ANS?
Um mercado mais regulado, transparente e propiciador da qualidade que a gestão do SUS não consegue dar à Saúde Pública, ou o fim do mercado suplementar? E os clientes, como ficam? Ou será que, em alguns anos, estaremos testemunhando os dirigentes da ANS declarando publicamente que também não conheciam estes riscos?

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