27 de mar. de 2008

CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS

Bom Dia!

Enfim alguém que defende a pesquisa com as células-tronco embrionárias tem a coragem de assumir efetivamente o que elas são: vida humana. Falo da Professora Lygia V. Pereira (USP) que em artigo no O GLOBO de hoje (As células-tronco e a Constituição, Seção Opinião, página 7), afirma textualmente:
"Ora, é claro que ele (embrião) é uma forma de vida humana, assim como um feto, um recém-nascido e um idoso também o são. A real questão é 'que formas de vida humana nós permitiremos perturbar?' "
(os grifos são nossos)

Até que enfim alguém assume, quase que totalmente, o que se pretende com a pesquisa de células-tronco: classificar a vida humana em "perturbável" ou "não perturbável". Esta figura de linguagem usada pela professora substitui o verbo DESCARTAR, jogar fora, inutilizar, destruir. Ela, que defende a pesquisa, afirma ainda que seria uma destinação "científica" aos milhares de embriões fecundados IN VITRO para atender os desejos dos casais que podem arcar com os ônus deste processo de fertilização, e que ficam congelados à espera de um comprador. Ou seja, além de propiciar "pesquisas científicas transparentes e éticas", segundo a professora, os embriões resolvem um velho problema de rentabilidade das empresas que hoje os armazenam.
Pronto. Resolvido e assumido o fato concreto por trás da discussão: embriões são vidas humanas, seres titulares de direitos segundo nossa Constituição. Acontece que estas vidas não são importantes mais do que as outras, sendo assim elas podem ser "perturbadas".
Os intelectuais e teóricos nazistas usaram argumentos semelhantes. Afirmavam que manter as sub-espécies humanas (judeus, ciganos, eslavos e homossexuais) significava punir a sociedade como um todo e retirar dela riquezas e oportunidades. Ou seja, essas categorias eram vidas humanas, eles reconheciam, que poderiam ser, digamos, "perturbadas".
Não se está discutindo a versatilidade das células-tronco embrionárias. Nem a importância de pesquisas que aliviem o sofrimento dos doentes. Ninguém de sã consciência pode ser contra isto tudo.
O que estamos discutindo é: a sociedade aceitará como ético, lícito e humanamente correto classificar vidas que foram geradas como "perturbáveis"? É ético usar uma vida humana que não pode se defender e nem manifestar sua vontade, para em nome da ciência, atender outros interesses que ainda não aparecem nas mesas de debate? Aliás, porque o debate ocorre apenas na grande mídia? Por que os espaços são abertos apenas para um lado da questão? Por que ninguém aborda a questão das formações tumorais passíveis da acelereção hormonal?
Que bom ver alguém que defende este neogenocídio ter a coragem de assumir publicamente o que ele é. Mas, professora, desculpe-me: transparência e ética requerem todas as verdades publicadas e assumidas. E isto, nem a senhora em seu ousado artigo, conseguiu fazê-lo. Se tudo é tão bom, porque tanta coisa não dita, não assumida?

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