Bom Dia!
Cansados e decepcionados com a lentidão das autoridades em responder à epidemia de Dengue no Estado do Rio de Janeiro, a população mobilizou-se para atuar onde pode: a doação de sangue. Segundo a fundação responsável no Estado, foram mais de 12 mil doações, numa inequívoca demonstração que a população é sim solidária no sofrimento e não está tão alienada como o desejarima algumas lideranças pátrias.
Se observarmos os cidadãos como clientes do Estado, fica mais uma vez a lição de que o cliente até sofre sozinho, muitas vezes calado, outras tantas julgando-se pouco importante para as organizações, mas ele AGIRÁ. No seu tempo, que é o mais correto e ao seu modo, as omissões, irresponsabilidades gerenciais e falta de visão, serão cobradas dos responsáveis na justa medida que só o cliente é capaz de produzir.
O movimento tem sido tão grande que já atrai as celebridades. Ontem, a geralmente silenciosa apresentadora Xuxa, após doar sangue, teceu duras críticas à omissão das autoridades cariocas em relação à Saúde Pública. Afirmou que há 20 anos atrás colocou uma personagem chamada "Dengue" em seu programa, em cores agradáveis e tocando um instrumento musical, para alertar aos telespectadores sobre o risco da doença (!). Bom, estratégias artísticas à parte, o fato é que a epidemia chegou em tal nível que todos estão atemorizados com seus desdobramentos. Não há sinal de reversão da curva de casos, inclusive os fatais, e a disputa silenciosa entre Governo, Estado e Município continua produzindo ações fragmentadas e que aparentam falta de planejamento unificado.
Se a mobilização popular, iniciada pela solidariedade, evoluir para a exigência pública de ações unificadas e concretas, quem sabe os governantes não acordem, agora que até os artistas da poderosa emissora já o fizeram?
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