Bom Dia!
Estamos acompanhando nestes últimos meses a duas guerras diárias no campo da propaganda (além das tristemente famosas outras que invadem nossos lares e vidas): a primeira, a guerra das cervejas pelo mercado consumidor, e uma outra, a luta das empresas de propaganda para que não seja proibida a veiculação de anúncios na mídia, tal qual, acertadamente a legislação fez com a indústria do tabaco anos atrás.
Em relação ao consumidor, esmeram-se as empresas de propaganda: selecionam artistas que têm poder de influenciar os clientes, ou que estão na moda por sucessos na televisão ou cinema, capricham nos enredos das peças, dão ao vício da bebida um aspecto jovial, responsável e insinuam até... saudável (sic)!
Quanto à tentativa de proibição da veiculação das peças, apelam para as verdades de impunidade, corrupção de agentes que deveriam coibir os abusos e outras questões que dizem respeito à omissão do Estado, quanto à segurança de seus cidadãos. Omitem, é óbvio, dos espectadores, que a bebida influencia também na segurança, mas é primordialmente uma questão de SAÚDE!
Mas os fabricantes de cerveja capricham na escolha dos atores. São jovens, saudáveis na aparência, com corpos de manequim ou atléticos, para a mensagem subliminar de que a cerveja não faz tanto mal assim... Será verdade?
Em estudo intitulado "O Álcool como causa do câncer", divulgado esta semana, o Instituto Australiano de Câncer (http://www.cancercouncil.com.au/), realizado sob a forma de revisão sistemática de literatura médica, trouxe alguns dados acerca desta questão omitida de toda a discussão no nosso país sobre a "guerra das cervejas":
Um consumo médio de
02 cervejas/dia (ou 20 g de álcool): Aumenta em 75% o risco de câncer de boca; Aumenta em 40% as neoplasias: faringe, laringe, esôfago, colon e reto; além disso, nas mulheres: aumenta 22% o câncer de mama.
04 cervejas/dia: Aumenta o risco de câncer de intestino em 64%.
08 cervejas/dia: Em todos os órgãos, 90% de aumento do risco.
Por acaso alguns de nós já percebeu nas propagandas o cuidado com essas informações? Está no rodapé das peças publicitárias ou no invólucro das garrafas estes dados e riscos? Será que a guerra para não se perder o espaço publicitário, e os milhões de reais que eles significam, tem o cliente e sua saúde como ponto central da questão? Drinque prazeroso não é aquele que se toma com os amigos, influenciados todos por uma propaganda incompleta ou gananciosa. Prazeroso é a comemoração da vida, com saúde e equilíbrio. Não se pode ser gestor de saúde sem medidas firmes. A proibição das campanhas publicitárias de tabaco foi um tremendo acerto, uma vitória da saúde pública. A proibição das que dizem respeito às bebidas alcóolicas será outro. Exerçamos nosso direito de cidadania.
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