6 de mai. de 2008

O DIFÍCIL MUNDO DA VERDADE

Bom Dia!

Segundo o Ministro de Propaganda do III Reich, o nazista Joseph Goebbels, uma mentira contada muitas vezes e por longo tempo torna-se, para o povo, uma verdade. Com este tipo de farsa ele ajudou a ampliar a tristemente célebre figura do Hitler e da mesma forma tentou desvincular do ditador sanguinário o terrível e covarde massacre ao povo judeu, abominável por todos os cidadãos de boa vontade, por toda a vida.
Infelizmente, a lição do famigerado criminoso nazista ficou. E o que é pior, está se tornando neste mundo globalizado a regra e não mais uma lamentável situação de excepcionalidade. Mente-se para se obter vantagem pessoal. Mente-se para se parecer a alguém algo que não se é. Mente-se para tentar ser uma liderança. Mente-se porque, como mentiroso contumaz, já não se consegue distinguir o que é verdade no próprio mundo de mentiras que se criou!
A mentira entrou no mundo político como algo "natural", e o eleitorado admite (ou se conforma) com esta atitude desprezível porque eles são "políticos". O absurdo incorporou a categoria de nossos representantes e mentir, na política, virou motivo de piada, deboche.
Também no mundo corporativo mente-se para tentar ser "bonzinho", ou para se tentar diminuir a fama de "mau". A mentira parece ser um refúgio, uma esperança para os incompetentes que dela se servem como escudo.
Mente-se para o cliente, tentando não mostrar as fraquezas de um produto antes da venda, sem se levar em conta as nefastas consequências desta descoberta no pós-venda.
Mente-se no preço final, mesmo com uma economia estabilizada, ao se cobrar por preços à vista o mesmo montante dos valores à prazo, em especial da mercadorias exclusivas ou na "moda".
Para quem mentimos? Realmente acreditamos que a verdade é tão difícil que pensamos mentir para nossos clientes?
Mentimos para nós mesmos. Para não assumirmos nossas fraquezas corporativas. Para não assumirmos nossas limitações técnicas que não nos permitem agregar valor ao cliente para, somente assim, aferir ganhos legítimos e justos. Para não vermos que a democracia exigida nas ruas e locais públicos, e que pressupõe o respeito aos direitos de todos e a cobrança aos deveres de todos, só poderá existir de forma plena se ela começar em todos os agrupamentos humanos dos quais participamos: família, clube, empresa, igreja, e por aí vai.
A mentira parece ser fácil, e assim o é num primeiro instante. Mas ela vai tecendo em torno do mentiroso uma invisível teia de restrições que o levará, num tempo não tão longo, à derrocada corporativa.
Não é fácil falar a verdade. Para nossos filhos, para nossos colegas e para nossos clientes. É difícil o mundo da verdade. Mas, ao contrário da mentira, a verdade é perene, construtiva e amplificadora. Ela alarga os horizontes, solidifica reputações e dá perenidade ao nome das que a usam como instrumento de vida e de trabalho. Chega de mentiras, chega de nada sabermos. Viva a verdade!

«Caímos tão fundo que atrever-se a proclamar aquilo que é óbvio se transformou em dever de todo o ser inteligente».
(Georges Orwell)

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