Bom Dia!
É difícil falarmos em volta de um produto que a rigor jamais conseguiu se estabelecer no país. O resseguro em saúde (ou stop-loss) foi o principal objeto do evento acontecido na última quarta feira no Rio de Janeiro envolvendo dirigentes de seguradoras, corretores e outros atores do mercado de saúde suplementar. O otimismo foi a tônica do evento, tanto em relação às necessidades das operadoras destes produtos, quanto com a possibilidade da legislção que viabilize sua implantação ser rapidamente concluída.
O resseguro é, sim, uma ferramenta importante para as operadoras e, dependendo da amplitude de suas coberturas, diria que imprescindível. Sua quantificação monetária é complexa e a viabilidade de se lançar mão dele deve ser bem mensurada pelos gestores das empresas. Mas gostaria de focar um ponto que não percebi estar na primeira linha de preocupação dos gestores: o controle da sinistralidade pela gestão dos riscos. Este é o fator chave de sucesso para as operadoras que desejam sobreviver por agregar qualidade aos seus clientes.
O resseguro é a cereja do bolo, mas não é o bolo!
O controle dos sinistros já foi tentado por diversas formas e caminhos. Usou-se ações técnicas e mesmo rompantes restritivos, com iguais resultados: sucesso inicial e fulgaz, desastre subsequente e contínuo! Não se viabilizará sistema de saúde, privado ou público, sem atuar de forma incisiva sobre os riscos aos quais a população cuidada está exposta.
Muitas experiências focam o lado errado do problema: montam-se estruturas próprias ou terceirizadas, de expressivo porte, para se tratar dos clientes já vitimados por agravos. A estes cabe ofereceremos nosso melhor serviço externo, credenciado e decente. Mas a gestão dos riscos se dá na população exposta e não sinistrada! É ela que nos pede uma silenciosa ajuda, cerimoniosamente ignorada pelos gestores estratégicos. É esta população que, cuidada e monitorada, estará satisfeita, se sentirá diferenciada e evitará o crescimento da sinistralidade real. Sim, digo real, porque hoje se comemora no nosso país, a queda da sinistralidade pela restrição de coberturas, pela exclusão dos planos-empresa ou pela (burra) racionalização de eventos. Estas medidas são passageiras, efêmeras e não-estruturantes.
Controlar a sinistralidade pela gestão de riscos e, aí sim, ter o resseguro como uma ferramenta de auxílio às eventualidades fora de nossa governabilidade, tornam-se excelentes perspectivas para a qualificação deste difícil setor onde atuamos, a saúde suplementar.
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