18 de jun. de 2008

ENTERRANDO MEU AMIGO

Bom Dia!

Durante mais de dez dias estive ausente deste espaço virtual. Meu pai, meu maior amigo (desculpe-me os demais amigos irmãos que possuo nesta vida), esteve na UTI, vítima de acidente automobilístico, entre o estado grave e o gravíssimo, resultando em seu falecimento. Precisei de tempo para lamber minhas feridas, ajustar as idéias e extrair, de uma imensa e solitária dor, cercada de conforto e solidariedade de todos os leais amigos, os ensinamentos deixados, também na morte, por meu pai.
Lições para não se esquecer: a PREVENÇÃO - como falamos nela. Para vender programas de televisão, alimentos e remédios, até mesmo equipamentos de ginástica, usa-se a necessidade da prevenção. Mas o fato é que não "ganhamos" nossos clientes para a importância e o valor agregado da prevenção, até que numa situação aguda precisamos do ar para sobreviver e não o achamos em nossos pulmões. Não venda a prevenção, viva-a de maneira efetiva para que seus conselhos não soem como uma receita de bolo ligada ao seu salário e sim a uma certeza efetivamente assumida em sua vida.
Outra lição: o uso dos equipamentos de SEGURANÇA nos veículos, mas em toda a nossa vida cotidiana. Associar os traumas à idade é contradizer o objetivo maior de um sistema de saúde: a longevidade. A busca da qualidade de vida passa pelo uso correto da tecnologia em prol da melhoria de nossas vidas. Geralmente falamos da tecnologia, teoricamente, de uma forma sistêmica, mas reduzimo-la aos equipamentos nas decisões rotineiras de nossas equipes e empresas. A segurança sanitária é um produto da tecnologia aplicada efetivamente na vida das populações assistidas. Não é um conjunto de intenções e sim um rol de medidas implantadas, acompanhadas e mensuradas cotidianamente.
Por fim, o ACOLHIMENTO: quantos profissionais possuem alto grau de conhecimento técnico, estupendo acervo de informações em saúde, fantástico rol de treinamentos e graduações, mas são impessoais no atendimento, distantes na compreensão das necessidades dos seus pacientes, incapazes de enxergar o ser humano que está sempre antes de qualquer evento na vida e na saúde. Sentir-se acolhido é não estar só, mesmo em momentos nos quais a dor é tamanha que nenhum abraço conforta, nenhuma palavra consola e nenhum carinho faz diminuir.
Enterrei o corpo de meu pai, do meu grande amigo numa tumba. Mas seu espírito vive junto ao Criador e suas lições, seu acolhimento e sua solidariedade estarão sempre comigo. Saber extrair de tudo isso melhores momentos para minha vida de gestor é o desafio de agora. Como gestor motiva-me um desafio crescente, ainda que tenha de enfrentá-lo secando as lágrimas da saudade que jamais se apagará.

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