Bom Dia!
O Presidente da República afirmou ontem, em relação às denúncias veiculadas pela mídia de corrupção em obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que: "quando a gente vai ver o tamanho do surubim, percebe que tem ali nada mais nada menos que um mandi-chorão, daqueles bem pequenininhos" (O GLOBO, de 25.06.2008, página 8). Criticava o Sr. Presidente a imprensa pelo que considera exageros no volume de dinheiro envolvido, embora a operação deflagrada pela Polícia Federal tenha atingido 119 municípios em todos os cantos do país.
Nosso dignitário pode até estar certo quanto ao exagero da imprensa. Muito provavelmente está corretíssimo quanto ao tamnho dos peixes citados em seu exemplo. Mas, sinceramente, como maior autoridade pública do país não deveria, nunca, relativizar este câncer chamado corrupção. Não existe a maior ou a menor corrupção, como não existe o grande ou pequeno corrupto (seja ele ativo ou passivo). Existe a corrupção e ponto.
Ela é a silenciosa assassina que, diariamente trucida vidas indefesas, aumenta o número de excluídos e condena à morte milhares de doentes, velhos e outros tipos de abandonados, ao desviar dos fins previstos, centenas de milhares de recursos públicos e privados. A corrupção não é um triste privilégio do Brasil. Mas nosso dever de cidadãos é combatê-la aqui e agora, em nossas instâncias de atuação pessoal e profissional.
Por isso, foi infeliz a colocação do nosso Presidente. Se a imprensa exagera, se for este o caso, a notícia seja por que razão for, ela pode estar errada sob o aspecto político eleitoral. Mas, se este exagero levar o nosso povo a estar mais atento, a denunciar e a evitar qualquer tipo de corrupção, sinceramente, Viva o Exagero da Imprensa!
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