Bom Dia!
Os publicitários encerraram ontem à noite o seu encontro anual, marcado por diversas críticas à proposta de regulamentação e restrição às propagandas de bebidas alcóolicas, alimentos e outros itens do pródigo rol de criação dos políticos em ano de eleições. Com discursos educados, temperados por vozes gentis, mas recheados de duras palavras, competentes profissionais se revezaram na defesa da lógica: liberdade de imprensa requer empresas de comunicação saudáveis financeiramente e independentes, isto se faz com patrocinadores, e estes são, em grande maioria ligados aos itens de consumo que se deseja limitar ou vetar. Perguntam então: como ter imprensa livre? E sem esta como se ter democracia?
Estão certos os publicitários quando defendem uma empresa livre de favores e patrocínios públicos, que jamais aparecem sem uma contra-partida amarga para todos. Também é verdade que qualquer governo de exceção, ou quqluer aprendiz de ditador, imediatamente subjuga e procura silenciar a imprensa, pelo imenso poder de formar opinião que esta possui. Portanto, manter uma imprensa saudável e autônoma é responsabilidade de qualquer cidadão que seja, verdadeiramente, democrata.
Mas, o problema é: como fazê-lo se a regulamentação permite que as peças publicitárias que vendem as drogas lícitas fazem-nos associando a elas: felicidade, segurança e, pasmem, saúde! Como trabalhar a juventude para evitar o excesso de bebida que leva a morte (vejam o efeito inicial da Lei Seca em números reais!), se as propagandas mostram modelos sarados, belas mulheres, muita, mas muita bebida, e todos em perfeito equilíbrio? Qual a mensagem que afinal esta propaganda quer fixar na mente do seu público-alvo?
E é este ponto que me parece falho no discurso dos nossos competentes publicitários. Não se pode discutir que o Estado quer transferir a responsabilidade que é sua, de reprimir os abusos a quem estiver em sua frente. Neste momento, os governantes querem atribuir às empresas de propaganda e aos seus criativos técnicos todo o peso do alccolismo, o que é um absurdo! Porém, não consigo identificar uma ação de limitação dos incentivos, no mínimo exagerados, que são apresentados como coisas ínfimas, sem repercussão à saúde das pessoas que bebem.
Talvez esteja faltando aquela palavra mágica, que tanto repito neste espaço: equilíbrio!
Vedar de forma total é uma transferência de responsabilidade? Então, prezados publicitários, apresentem o plano "B". Agora, se não há proposta de uma moderação na venda das bebidas pelas propagandas e peças publicitárias, e se não surgem mecanismos de controle da sociedade sobre tais campanhas, sinceramente, é melhor não vê-las do que tê-las invadindo os lares e incentivando os jovens a serem como este cantor famoso ou aquela atriz bonitona que dedica suas atividades diárias à rotina do álcool! Do que jeito que está não dá para continuar!
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