7 de jul. de 2008

GESTÃO ULTRAPASSADA?

Bom Dia!

Refletindo acerca do Relatório do Banco Mundial elaborado no começo de Junho deste ano, o Ministro da Saúde José Temporão definiu a "gestão dos estabelecimentos (hospitalares) como anacrônica e atrasada" (O ESTADO DO PARANÁ, Cintia Végas, 06/07/2008). Considera que este fato não é novidade, mas classifica-o como importante fator do sofrimento das pessoas mais carentes que usam o SUS.
Não quero discutir o mérito ou a qualidade dos gestores hospitalares. Porém, preocupa-me a discussão segmentada do problema. Não querer contextualizar a crise que inflige as unidades hospitalares do SUS, dentro da própria desorganização estrutural e gerencial a que se lançou o sistema nestes últimos anos chega a ser irresponsável!
Como exigir de um gestor hospitalar, responsável por uma estrutura de alta complexidade e, por isso mesmo, com reduzido número de leitos e materiais ao seu dispor, que dê solução a uma demanda três ou quatro vezes superior à projetada? Como atribuir a uma deficiência pessoal a não reposição de materiais de custeio para equipamentos, advindos de orçamentos elaborados em sua grande maioria sem a participação dos gestores? De onde vem a idéia de que administradores hospitalares são super-heróis ou mesmo mágicos, capazes de fazer surgir do nada os insumos que lhe foram arbitrariamente cortados pela política fiscal do município, ou do estado, ou da União, sem se considerar a complexidade da praça onde se situa a unidade?
E o que é pior: como esperarmos uma solução estruturante, quando o próprio Ministra da Saúde, o maior dentre os administradores de saúde do país, desconhece ou não considera em suas declarações públicas a gravidade e complexidade do problema?
A mídia já demonizou os hospitais públicos, portanto é muito fácil atribuir-lhes as mazelas que são de sua responsabilidade, e outras tantas, em grande proporção fora de suas governabilidades. Uma discussão séria sobre o problema das unidades hospitalares não pode ser efetuada de forma segmentada, esquecendo-se que tais entidades são componentes importantes na construção e consolidação de um Sistema de Saúde Público.
Chega de procurar culpados! Devemos colocar todas as nossas experiências e forças na identificação e construção de pontes que liguem o anacrônico quadro de troca de acusações na gestão pública deste país a uma nova situação de profissionalização em que se busque agregar valor aos nossos pacientes e usuários.

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