Bom Dia!
Estudos desenvolvidos na Europa, pelo Centro de Ginecologia e Sexologia da Universidade de São Rafael (Milão), apontaram que 55% das mulheres que usam a pílula do dia seguinte estão na faixa etária INFERIOR aos 20 anos. A principal razão apontada é a crença destas jovens de que a pílula do dia seguinte é o contraceptivo de maior segurança e permite a maior "liberdade sexual" para elas.
Ainda segundo o mesmo estudo, divulgado pela Diretora do referido centro, Alessandra Graziottin, o marketing usado para a venda e comercialização da pílula criou nas mais jovens uma sensação de autonomia e independência que deixou "falando sozinhos os pais e a escola no que se refere à educação e prevenção". O crescimento das vendas, sucesso absoluto das grandes indústrias farmacêuticas, chegou a 59% de crescimento, dos quais 23% somente em um ano (entre 2006 e 2007), impulsionadas em especial pelas jovens com 19 anos ou menos!
Por outro lado, os ginecologistas detectaram um aumento, no mesmo período, do número de doenças sexualmente transmissíveis (DST) que cresceu mais de dez vezes nos jovens abaixo dos 20 anos de idade. Ou seja, criou-se uma aura em torno da pílula do dia seguinte de que seu uso dispensava a camisinha e dava ao jovem a sensação de "liberdade" que a propaganda desejava associar.
As consequências deste aumento de casos de DST sobre as vidas destes jovens, sobre os filhos que forem gerados destas aventuras e sobre a Saúde Pública nós acompanharemos ao longo desta próxima década.
A ausência de diálogo com os pais sobre sexo e prevenção é comum entre as jovens que usam a pílula, pois apenas 26% delas falam com a mãe sobre este tema. Se considerarmos que o fato de conversar sobre isto não quer dizer ACEITAR as orientações recebidas, o quadro torna-se ainda mais assustador. Isto acontece na Europa, costumeiramente apontada como possuidora de um nível educacional e cultural mais elevado do que o nosso. Onde está o problema?
Os sistemas de saúde e seus gestores insistem em esquecer das intervenções não-técnicas que formam os valores familiares e contribuem para as posições dos jovens nas sociedades onde vivem. O quadro apontado pela pesquisa é mais do que assustador: é uma derrota para a Saúde Pública. O conceito de liberdade não pode estar associado a comportamentos irresponsáveis, exercidos nos limites dos riscos à saúde própria e de terceiros, sob a égide de que a globalização trouxe novos conceitos acercda de liberdade e responsabilidade.
Ou retomamos uma discussão e conceituação mais rígida sobre comportamentos responsáveis dentro do sistema de saúde, ou devemos aceitar de forma explícita que na questão da preservação da saúde dos jovens optamos por ficar como um barco de papel num mar em fúria: apenas esperando para ver o tamanho da tragédia!
É lamentável que uma jovem de menos de 20 anos ache que a promiscuidade sexual, permitida por uma pílula abortiva e fortemente prejudicial a sua própria vida, seja a maior expressão de liberdade. É aterrador que indústrias farmacêuticas e seus prosélitos possam disseminar o uso desta pílula como conquistas da sociedade humana, sem regulação estatal e sem limites. É triste acompanhar a omissão das autoridades públicas encarregadas de gerir a saúde da coletividade.
Ah, para não esquecer, dentre as jovens de menos de 20 anos que usam da pílula, o maior segmento é das adolescentes com até 15 anos! Quanta liberdade ou quanta tragédia?
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