15 de jul. de 2008

BARULHOS NOTURNOS

Bom Dia!

A OMS divulgou um protocolo acerca da prevenção quanto aos barulhos noturnos, em especial para as pessoas que vivem em grandes centros, próximas às rodovias mais movimentadas, ou às linhas ferroviárias ou aos aeroportos. O estudo alcança também quem reside em ruas bastante movimentadas e, por isso, barulhentas toda a noite. Os ruídos não são os exclusivamente oriundos do tráfego, mas é possível identificarmos nos três tipos de movimentação acima citados (automóveis, trens e aviões), os fatores que mais preocuparam os pesquisadores.
Barulhos noturnos oriundos destas situações estão associados à irritação, menor capacidade de rendimento no trabalho, aumento do uso de medicamentos e foram vinculados em alguns casos ao surgimento de doenças cardiovasculares.
Em quantidades menores detectou-se o aumento dos batimentos cardíacos, estado de ansiedade, trocas das fases do sono, alterações hormonais e despertares súbitos. Numa incidência ainda pequena e sem estudos aprofundados, infartos do miocárdio ocorreram em pessoas expostas a estes fatores de risco à saúde.
O estudo da OMS não deve nos assustar ou provocar uma desenfreada corrida em busca de outro lugar para morar (situação não tão fácil e nem acessível em nosso país), mas sim uma reflexão sobre o crescimento dos centros urbanos e a imensa falta de planejamento que os atinge. As cidades não são pensadas e nem construídas para seus habitantes, seus clientes. Elas refletem muito mais a ganância das grandes construtoras, recebida com bastante benevolência pelso governantes de plantão. A ampliação desorganizada de canteiros de obras, espalhados por vias que já não suportam nem os habitantes atuais, e a falta de intervenção em saneamento, são pequenos exemplos desta bomba de efeito retardado que vem sendo implantada nos mais distintos centros do país. No Estado do Rio de Janeiro, é bastante preocupante a situação do município de Niterói. Crescem os canteiros de obras, crescem os veículos que (tentam) trafegar, ambos numa proporção quase geométrica, em total oposição à realização de obras de infra-estrutura pelo poder municipal que anda à velocidade nula!
O planejamento urbano é uma questão intrínseca à Saúde Coletiva. Crescer desordenadamente causa o inchaço dos bolsões de pobreza, alimenta de forma indireta o poder dos traficantes que subjugam as populações mais pobres e marginalizadas, transformando as comunidades em guetos sob o domínio do crime. Agora, a OMS prova que este crescimento desordenado também impacta sobre o equilíbrio sanitário, não apenas dos mais pobres, tão esquecidos das políticas públicas de saúde (ainda que tão lembrados pelos POLÍTICOS que ganham votos com discursos de saúde), mas também as classes mais acima na pirâmide social. É preciso reinvindicar a inclusão desta questão na pauta das eternas discussões de saúde. Vale também rezar para que o Sr. Ministro da Saúde, entre uma campanha e outra televisiva, tenha tempo de se debruçar sobre as questões mais centrais da prevenção e promoção à saúde.

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