28 de jul. de 2008

UMA NOVA VISÃO PARA A SAÚDE PÚBLICA?

Bom Dia!

Os nossos irmãos patrícios, lá de Portugal, comemoram a melhoria dos resultados dos hospitais pertencentes ao sistema público de saúde, com 50% deles deixando o prejuízo e encontrando o equilíbrio financeiro. Esta reversão se deu após a autonomia administrativa concedida a partir da negociação e definição de um conjunto de metas e do orçamento individualizado para cada unidade hospitalar.
Este modelo de gestão já vem sendo usado em outros países, na Espanha por exemplo, há mais de uma década e, embora não signifique o fim dos problemas, permite o desenvolvimento das competências em cada hospital e um melhor atendimento ao seu paciente. A resolutividade deve estar acoplada, pois o orçamento é fechado e somente pode ser renegociado para o exercício fiscal seguinte.
O que existe demais neste modelo de gestão? Olhando superficialmente quase nada. Porém, se lembrarmos a gama de discursos retóricos, pseudo-ideológicos que prolifera no campo da saúde pública, entenderemos o enorme passo que foi dado em Portugal, buscando-se um sistema de qualidade e efetividade.
O governo perde a possibilidade de ingerência nas atividades diárias dos hospitais, mas ganha uma projeção orçamentária mais real e com maior controle. Quanto melhor se gasta o tributo do cidadão, em especial na saúde, maior é a expectativa de reconhecimento do povo, quanto à responsabilidade dos seus governantes. Ora, se tudo é bom, por que foi difícil implantar lá (e cá) este tipo de gestão?
A razão principal é exatamente a perda do poder de ingerência! Com o orçamento fixado, não há mais tantas oportunidades de se conseguir emprego para este ou aquele eleitor, esta ou aquela afilhada, e por aí vai. Não se pode mais direcionar compras e, assim, favorecer as empresas dos financiadores de campanha! Não se consegue tão facilmente, pois impossível é palavra que não existe no mundo da política partidária, obter-se vantagens pessoais com o dinheiro público, ao menos de forma tão escancarada como testemunhamos em diversos países.
Autonomia com responsabilidade é meta de qualificação do sistema de saúde público. Lá na terrinha do além-mar, ou cá, nesta terra tão cheia de contrastes. A pressão dos eleitores conseguiu a mudança lá. Aqui teremos, neste segundo semestre, mais uma oportunidade de exigirmos as nossas modificações. O que faremos?

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