Bom Dia!
"Não tenho medo da morte. Tenho medo da desonra" - Palavras duras, porém, incontestáveis estas que foram ditas pelo Sr. Vice-Presidente da República, José Alencar, ao ser questionado sobre sua luta contra o câncer que já provocou diversas cirurgias e tratamentos na referida autoridade. Palavras que bem podem servir de alento a todos os pacientes que necessitam, diariamente, travarem uma luta contra o estigma que cerca este agravo, ainda hoje, em todo o mundo.
O câncer não é compreendido como uma patologia, atualmente já com altos índices de estabilização e cura para os casos de detecção primária. Ele continua a ser um fator de exclusão para os pacientes, que o percebem como uma condenação, ou uma segregação do meio onde vivem. O peso que carrega o paciente de câncer é tão violento, que encontramos muitos casos de depressão associados às neoplasias. É dura a vida de um cancerígeno, e as palavras do Vice-Presidente devem servir de referência para uma séria reflexão.
Como homem e paciente, ele mostra que a vontade de lutar contra este mal é uma das principais armas para a cura. Por melhor que sejam os médicos e técnicos envolvidos, as drogas e os equipamentos atuais, a firme decisão de viver é o melhor antídoto contra o mal e a cultura da morte que impregnam nossos dias. Existem mortes mais terríveis, diz a autoridade, e que podem ocorrer ainda em vida: a corrupção, assassina silenciosas de rostos desconhecidos; a exploração, algoz de todos os que querem viver; a desonestidade, que leva homens e autoridades a encherem eleitores de promessas em momentos eleitorais, sabendo que não irão cumpri-las. Poderíamos listar outras, mas estas já bastam.
Quando sabemos que existem brasileiros que vivem hoje com "salários" variando entre R$ 50 e R$ 100,00 POR MÊS, somos capazes de entender bem a desonra a que se refere o Sr. Vice-Presidente. Estes cidadãos não possuem o mal do câncer, mas são tão estigmatizados e sentem-se tão excluídos como se o tivessem.
Preocupamo-nos tanto (e com justa razão) com a nossa sobrevivência, temos tanto cuidados técnicos para com nossos pacientes que, muitas vezes, esquecemos o afeto e acolhimento humanos que devem receber todos os seres viventes, mas em especial os excluídos. Tomara que as sábias palavras da nossa segunda maior autoridade executiva do país alcancem ressonância maior do que a sua divulgação pela mídia. Tomara que elas se reflitam, por exemplo, na orçamentação do SUS, no desenvolvimento de estratégias para a humanização dos serviços de saúde público e privados no país. Tomara que elas sejam uma abertura inicial à inclusão de todos os que sofrem, sejam ou não pacientes de câncer, em nosso país.
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