24 de set. de 2008

MÉDICOS VAGABUNDOS E SAFADOS

Boa Noite!

Com estas palavras, e cobrando uma punição para os profissionais por parte do Conselho Regional de Medicina do estado do Rio de Janeiro (CREMERJ), o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, dirigiu-se aos médicos faltosos do plantão do Hospital Getúlio Vargas, por ocasião da inauguração da 14ª. Unidade de Pronto Atendimento na Ilha do Governador. A solenidade realizou-se no dia 22.09 e as acusações foram registradas pelo jornal O GLOBO, de 23.09.2008 (página 19).
O CREMERJ reagiu prontamente, ao ser citado, afirmando pelo Dr. Pablo Velásquez que irá apurar a responsabilidade de todos: médicos, diretores do hospital, secretário de saúde do município, do estado, governador, etc.
Em suma, num tempo eleitoral, cada um fez o seu papel institucional e o fato será tratado como todos os outros. Quer dizer: não vai dar em nada, salvo se um dos cinco profissionais for inimigo, ou pertencer ao lado errado da questão.
Preocupa-me o fato do problema central não ter sido citado nem pelo esbravejante governador, nem pelo zeloso conselheiro: a crise estrutural na saúde.
Há muito tempo os médicos vêm denunciando a falta de condições estruturais e materiais para o funcionamento das grandes emergências em nosso Estado. São diversas as reportagens, atos, manifestações e reclamações que chegam a todos nós, pelos mais diversos meios acerca desta grave situação.
Todos os candidatos a prefeito apontam o problema. E quando for o pleito estadual, todos os candidatos a governador também o farão. Com certeza, até mesmo o nosso Presidente que dá palpite até em jogo de futebol falará a respeito, com uma daquelas suas frases de efeito que nada concluem e tampouco criam compromisso da parte dele.
Mas, o que se fez de concreto?
O Sr. Ministro de Estado da Saúde estava presente ao ato e testemunhou a indignação do Governador. Qual sua atitude concreta? Reclamar pelo fim da CPMF? Será que ainda acredita o ministro televisivo que os cidadãos podem ser iludidos com esta paródia de que apenas com aumento de carga tributária se resolverá o problema do SUS que é de GESTÃO?
Por outro lado, quando o CREMERJ irá liderar uma grande discussão estratégica sobre a saúde pública estadual, buscando viabilizar um grande pacto pela sobrevivência do sistema e não apenas procurando responder diatribes governamentais com outras da mesma espécie?
É compreensível a revolta do governador, quando eleitores deixam de ser atendidos. Mas é lamentável que a sua resposta tenha ficado apenas em nível de ataques pessoais aos médicos. Se houve indisciplina, aplique-se s sanção devida, nem mais, nem menos. Mas se há omissão ou falha de gestão, porque atacar e punir os mais expostos?
A Saúde Pública só é levada a sério em nosso país quando se quer patrocínio para seminários e congressos. No restante, ficamos testemunhando ataques de ambos os lados e, efetivamente, poucas (ou nenhuma) ações concretas de mudança. Com tanta competência individual no Rio de Janeiro, porque não transformamos este Estado em pólo latino-americano de Saúde? Quanto desperdício! Quantas palavras que melhor teriam produzido efeito, se ficassem guardadas no íntimo dos nossos dirigentes! Quanto assédio travestido de defesa de interesses públicos!!!

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