Boa Noite!
Relatório divulgado no final da semana passada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que no Brasil a probabilidade dos HOMENS não alcançarem os 65 anos de idade é de 36%, e para as MULHERES, cerca de 22%. Ou seja, para cada dez homens considerados idosos (a partir do 60º. aniversário), espera-se que quatro não alcancem mais um qüinqüênio de vida. Os restantes, por outro lado, alcançam uma expectativa média de vida de 68 anos.
Somos o QUARTO pior do mundo entre os países pesquisados, ficando atrás de África do Sul, Índia e Rússia. Antes que nossos governantes proclamem que estamos junto de potência mundial, como os russos, vale a pena uma parada para reflexão.
O resultado verificado está associado DIRETAMENTE ao sistema de saúde nacional e seus resultados verificados. Está claro que obtermos bons indicadores para os indivíduos que conseguem usar o SUS, por exemplo, não está sendo capaz, como sempre o soubemos, de assegurar a reversão destas questões.
Por outro lado, no setor suplementar, as bravatas e discursos de seminários da ANS já não são bastantes para quem possui percepção sistêmica e visão de futuro. Urge que medidas concretas de incentivo aos programas de prevenção e promoção aconteçam e façam com que o mercado assuma esta opção como parte de suas estratégias de negócios.
Mais preocupante ainda é a constatação de que dos 68 anos de expectativa de vida para os HOMENS brasileiros, apenas 57 são decorridos de forma considerada saudável. Os 11 anos de enfermidades provocam duas graves distorções: a mais séria a perda da qualidade de vida das pessoas, fator inadmissível num sistema de saúde que elegeu da Atenção Primária o seu Modelo Tecno-assistencial. Um outro aspecto é que o consumo de recursos nestes onze anos gera não apenas o desequilíbrio econômico-financeiro de todo o sistema, mas não reverte a situação detectada, com certeza pelo tardio momento da intervenção assistencial.
Ainda que os números relativos às MULHERES sejam um pouco melhores (76 anos de expectativa de vida, dos quais 62 saudáveis), a diferença dentre os sexos é muito pequena para considerarmos isolado o problema neste grupamento ou no outro. A questão é grave, séria e alcança a TOTALIDADE da população assistida.
Vale ressaltar que o momento é de decisões estruturantes, voltadas para a resolução da questão de ACESSO, no sistema público, e de PREVENÇÃO, no setor suplementar. É preciso que as autoridades esqueçam um pouco os holofotes, ainda que com popularidade em alta, e se atenham ao seu compromisso ético de prover soluções permanentes e resolutivas aos tristes números divulgados pela conceituada pesquisa.
Que Sistema de Saúde queremos deixar como legado às futuras gerações? Aliás, para onde queremos levá-lo? E a população, em especial os mais carentes, quando serão lembrados nos gabinetes em que se decide, ao invés de servirem apenas de temas para os famigerados programas políticos?
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